sexta-feira, 22 de junho de 2007

2 - A Religião

A fé cristã vista do ponto vista filosófico e racional


Introdução geral

Veja debaixo de Assuntos os 12 posts ligados com Religião e Filosofia... 


Eu fiz este trabalho a pensar em todos aqueles que se interessam pela filosofia, religião e as ciências em geral. 


O livro toca em muitas esferas da realidade e procura determinar aquilo que o cristianismo, a religião, a filosofia e a ciência dizem da realidade que podemos ver e da realidade que está para além dos nossos cinco sentidos.


Embora muitos estudiosos agarrem-se à ideia de que somos seres racionais, quando no entanto pensamos na pesquisa da realidade que está para além dos nossos cinco sentidos,  nós temos que incluir também o coração e não só a mente na busca dessa realidade sobrenatural.


Ninguém pode ter uma compreensão global da vida e do mundo só pelo uso do seu intelecto – ou razão. 


Afinal de contas a razão só nos permite conceber e compreender o mundo e a vida através da nossa própria perspectiva racional e cultural e de uma forma muito parcial.


É por essa razão que é errado dizer que nós somos unicamente seres racionais, pois além dos nossos pensamentos nós temos também sentimentos, emoções, impulsos e as crenças profundas que existem dentro da nossa alma.


Não se pode reduzir a nossa actividade cognitiva, assim como as nossas pesquisas filosóficas e religiosas unicamente à esfera do nosso raciocíno, ignorando o nosso lado sentimental e emocional e a faculdade que temos de crer num mundo sobrenatural que ultrapassa a esfera do racional e do natural.


Nós só podemos ter uma compreensão global da existência e dos relacionamentos humanos, se compreendermos que temos que envolver não somente o raciocínio, mas também o nosso coração nessa pesquisa/processo.


O raciocínio pode ser a sede dos nossos pensamentos, mas o coração é a sede dos nossos sentimentos, emoções, impulsos e crenças.


Por essa razão, neste trabalho, eu irei falar das três grandes actividades do ser humano na procura da compreensão global da existência, que são: o pensamento, o sentimento e a crença. Irei tentar mostrar que estas actividades não se contradizem, mas antes se completam. 


Claro que ao querer mostrar que o cristianismo é uma fé que “sente e crê”, irei salientar também que o cristianismo é uma fé  que “pensa”. É por isso que o título deste trabalho é A fé cristã vista do ponto vista filosófico e racional.


Neste livro eu procuro também dar uma explicação para questões misteriosas que estão ligadas com o nosso mundo natural, com a revelação bíblica e com o campo filosófico.


Vale a pena ler sobre a abordagem que faço acerca de alguns temas misteriosos relacionados com o universo, o homem e com Deus.


Capítulo 2 - A religião


I. As origens da Religião
A. Antigamente a religião era aceite como um facto.
B. O fracasso das teorias ao definir as origens da religião.
C. As verdadeiras causas da religião.
D. A distinção entre magia e religião deu início à religião.

I I. A definição de Religião

A. As diversas definições de religião.
B. Uma definição de religião o mais abrangente possível.

I I I. Religião e a vida humana e seus interesses

A. A evolução cultural processa-se em ligação estreita com a religião
B. O Relacionamento com Deus só é possível através de Cristo
  
I V. Religião e Ciência
A. A historicidade do Cristianismo
B. A historicidade da Bíblia.
C. A historicidade de Jesus Cristo.
D. A historicidade do cumprimento das profecias.

V I. Religião e Filosofia

A. O Cristianismo e a metafísica.
B. O Cristianismo e a epistemologia.
C. O Cristianismo e a axiologia.

V I I. Religião e Cultura

A. A relação entre a Religião e a Cultura
B. O Cristianismo não é um destruidor das culturas

V I I I. Religião e Revelação

A. A revelação natural de Deus.
B. A revelação escrita de Deus.
C. A revelação de Deus através da consciência.
D. Jesus Cristo é a revelação suprema de Deus.
E. O Espírito Santo a última revelação de Deus.

I X. Religião e Moralidade

A.  A relação entre a religião e a moralidade
B. A lei moral depende da lei divina
C. Teorias erradas sobre moralidade


I. As origens da Religião


Agora que já temos uma noção de filosofia e de termos visto algumas relações existentes entre a filosofia e o Cristianismo, podemos avançar para uma definição de religião e ver a relação que esta tem com os diversos campos de conhecimento, incluindo o cristianismo.


A. Antigamente a religião era aceite como um facto


Quando a onda do materialismo invadiu o mundo na metade do século XIX, parecia que a Religião iria passar a ser vista como uma pura superstição, tendo os seus dias contados. Mas afinal, quando chegámos à metade do século XX, aconteceu o contrário daquilo que as doutrinas materialistas esperavam, pois a religião passou a ser vista, mais do que nunca, como um facto inquestionável da cultura humana. Nesta altura surgiu também o interesse em conhecer melhor as origens do FACTO RELIGIOSO, e a sua evolução através da história humana.


Os profetas hebraicos, nunca procuraram conhecer a origem da religião, pois as escrituras hebraicas revelam, em Génesis, que Deus é o criador de tudo, incluindo o homem, derivando directamente de tal revelação a sua noção de religião. As Nações pagãs também não procuraram fazer estudos sobre as origens da religião, pois, para eles, a origem da religião estava ligada à ideia da existência de deuses que governam o universo.


Vemos portanto que a religião no passado era aceite como um facto, e por isso a sua origem pouco interessava. Poucos foram os que questionaram a questão das origens da religião, como foi o caso de Petronius e Lucretius, que colocaram a questão do medo como causadora da crença nos deuses.


Com o surgimento do cristianismo, a religião começou a ser vista pela grande maioria, como proveniente de uma revelação de Deus inspirada aos profetas e apóstolos. Devido a isto, todas as religiões que não se conformassem com a revelação, eram tidas como diabólicas e muitas vezes perseguidas. A Reforma não trouxe mais liberdade ao pensamento filosófico, pois as mudanças provenientes desta, estavam mais ligadas com a questão da autoridade da Igreja e da doutrina cristã.


Entretanto, passaram-se 100 anos depois da Reforma, e surgiu o pensador Thomas Hobbes. Hobbes, não deixou muitos discípulos, mas 100 a 200 anos depois, as suas ideias começaram a ser notadas no meio dos filósofos.


Surgiu Humes, e, ambos, Hobbes e Humes, estabeleceram como causas da religião os seguintes factores:


1. As discussões que as pessoas tinham sobre espíritos.


2. Ignorância das primeiras causas.


3. Temor do sobrenatural e como resultado - a devoção ao sobrenatural.


4. As pessoas confundirem acontecimentos acidentais com prognóstico.


Para eles a religião não surgiu da contemplação da natureza, mas por causa da incessante esperança e do medo actuante na mente humana.


Sendo filósofos, eles passaram a colocar a questão das origens da religião de uma forma mais avançada de que Petronius quando disse que "o medo é que criou os deuses".


Kant apareceu respondendo a Humes, dizendo que a causa da religião estava na moralidade.


Veio Hegel e identificou a religião com a filosofia.


Apareceu Schleiermacher, dizendo que "a religião é uma actividade do espírito humano".


Hegel, provocado por Scheiermacher retorquiu dizendo: "que neste caso o cão de Schleiemacher era mais piedoso que o dono".


Tylor aparece, trazendo a primeira resposta para as causas da religião. Ele definiu que religião "é acreditar em seres espirituais". Mas acreditar meramente em espíritos está longe de explicar todo o comportamento religioso das pessoas.


O ponto de vista de Spencer é que "o culto aos ancestrais estava nas origens das causas da religião". Ficou provado no entanto que esta teoria era muito estreita, pois o culto aos ancestrais não é um fenómeno de dimensão religiosa a nível mundial.


Estas teorias apresentavam muitas fraquezas, não conseguindo mostrar as razões para todo o comportamento religioso. Tudo isto para dizer que o conhecimento das origens da religião não depende somente de um conhecimento da evolução histórica, mas de um conhecimento conjuntural, pois as causas do facto religioso provêm da conexão entre os mecanismos psicológicos do homem e a realidade natural e sobrenatural do universo.


B. O fracasso das teorias ao definir as origens da religião


As teorias em cima mencionadas, definem religião começando pelo lado errado, pois começam a sua análise do lado exterior ou social da questão. Analisam as diversas formas ou rituais religiosos como por exemplo, o Totemismo, o culto ancestral etc., e fazem destas formas sociais criadas pelos homens, as razões que deram origem à religião.


Os filósofos que disseram que "o medo é quem fez os deuses" , basearam, pelo menos, a origem da religião na natureza psicológica do homem e não no mundo exterior, ou nos costumes tribais dos povos. No entanto, basear ar religião simplesmente no medo do homem, é insuficiente. Sem dúvida que o homem teme o dito "mundo dos fantasmas", como teme os animais ferozes, e procura reagir a tais perigos. Mas, o comportamento religioso do homem, não expressa só atitudes de medo contra subentendidos perigos.


Nós sabemos que uma das atitudes do ser humano é banir os seus medos, e a psicologia do inconsciente mostra como ele usa o mecanismo da repressão para este fim. No entanto, o homem não age em relação aos deuses desta forma, procurando reprimi-los por medo, mas, antes de tudo, ele procura a ajuda dos seus deuses, e faz isto muitas vezes numa atitude de adoração. Isto mostra que a atitude religiosa do homem expressa muito mais do que um sentimento de medo.


Embora exista no homem uma atitude de medo, devido às maldições e aos castigos que poderão vir dos seus deuses, ele respeita os seus deuses, adora-os e procura os seus favores e dádivas, ou pelo menos, ele procura as técnicas e formas para adquirir tais favores e dádivas dos seus deuses.


A natureza do comportamento religioso do homem, não é de forma alguma explicada só pelo medo, embora muitos digam que "o medo é o pai da fé" e que a "religião nasceu do medo".


C. As verdadeiras causas da religião


Temos que pôr de lado a rude noção de que a religião não é mais do que uma manifestação cultural e social das tribos e, em vez disto, procurar as suas bases na natureza inata do homem.


Já dissemos que as razões são conjunturais, ou seja, provêm da necessidade inata que o homem tem de apreender o mundo sobrenatural que o rodeia, procurando relacionar-se com o mesmo. O homem é um ser religioso por natureza.


O agnosticismo nunca foi a atitude das mentes primitivas. Os povos mais primitivos acreditaram sempre em forças sobrenaturais. Mas o que poderiam eles fazerem para relacionarem-se com essas "forças"! Qual a natureza de tais forças! Desta forma, surgiu a magia, que os levou a tratar o inanimado de uma forma pessoal, a partir da altura que julgassem haver um poder ou espírito a animar tal objecto.


É lógico que, com o aparecimento da magia, os selvagens não estavam à espera que a magia construísse uma canoa para eles, ou que produzisse comida, ou lhes acendesse um fogo, mas estavam à espera que desse sucesso à canoa, que os ajudassem a colher abundantemente, ou que o fogo assustasse os animais ferozes. A magia é usada para fazer aquilo que os poderes normais não conseguem fazer.


Do mesmo modo, a religião surgiu como uma tentativa do homem manter o relacionamento com as forças sobrenaturais ou que aparentam existir no meio ambiente em que vivemos, mas que não podem ser detectadas ou contactadas através dos cinco sentidos do homem, ou apreendidas directamente pelo seu raciocínio. A busca deste relacionamento com os deuses, tinha e tem ainda para muitos povos não cristãos, a finalidade de procurar receber os seus favores e dádivas.


É claro que, nesta sua busca, o homem primitivo manifestava uma atitude de medo dos castigos e maldições que lhe podiam ser atribuídos pelos mesmos.


Vemos que no início o homem começou a usar as “agências” que estavam ao seu alcance, como o animismo, espiritualismo etc. na procura dos deuses. Naquela altura, o homem via o mundo sobrenatural, mais como poderes actuantes, do que como pessoas, mas ele tratava esses poderes pessoalmente, e não mecanicamente.


Por exemplo, se um selvagem olhasse para um pedaço de pau, acreditando que nele havia um espírito, é claro que ele não tratava aquele pau mecanicamente, mas de uma forma pessoal. Nessa altura a noção do sobrenaturalismo, teve um papel importante. O homem queria conhecer aquilo que lhe não era familiar, normal, que parecia estar para além dos seus sentidos e do alcance do seu raciocínio. Ele queria saber como devia comportar-se diante do “sobrenatural”.


A psicologia já provou que o familiar não atrai a mesma atenção e interesse como aquilo que não nos é familiar. Normalmente, o homem conhece os padrões de comportamento que deverão ser dirigidos para o familiar, pois está acostumado a isto. Mas não sabe qual deva ser o seu comportamento diante daquilo que lhe não é familiar, pois não existem padrões de comportamento conhecidos. O que não é familiar atrai o interesse do homem e afecta as suas emoções, tornando-o nervoso e inquieto.


Por exemplo, quando cai um trovão ou uma chuva torrencial, o homem fica inquieto e começam as suas perguntas sobre o que causa os trovões e as chuvas torrenciais. Neste caso, trovões e chuvas, são forças muito familiares, e são naturais.


Mas quando falamos de forças que não nos são nem familiares, nem naturais, estamos falando de sobrenaturalismo


Resumindo, a religião não teve as suas origens na adoração da natureza, no culto aos ancestrais, no medo, na moralidade ou em hábitos sociais, mas antes na necessidade inata que o homem tem de ser protegido e, ao mesmo tempo, na intuição também inata que ele tem da existência do mundo sobrenatural desconhecido que o rodeia, que o leva a procurar padrões de comportamento religioso que permitam relacionar-se com esse mundo desconhecido e buscar ajuda, protecção, favores e bênçãos.


Por isso, os factores de ordem psicológica, em sintonia com o universo, que deram origem à religião, são os seguintes:


1. O sentimento de insuficiência humana que existe no homem.


2. Intuição do sobrenatural desconhecido.( Uncanny )


3. Espanto e deslumbramento que o magnificente universo inspira (awe- inspiring).


4. As experiências feitas pela contemplação do universo.


5. A intuição do sobrenatural (Numinous experience ).


6. A necessidade de procurar um relacionamento com Deus ou o com sobrenatural.


7. A necessidade do perdão, protecção, ajuda e receber os favores e dádivas de Deus ou o sobrenatural.


8. O medo de ser castigado por Deus ou pelos deuses.


D. A distinção entre magia e religião deu início à religião


Foi necessário haver um certo desenvolvimento, para o homem começar a distinguir a magia da religião. Mas, ainda hoje, quase todas as religiões têm certas dificuldades em fazer esta diferenciação.


No início não havia uma ideia clara do Ser, ou dos seres que eram responsáveis pelo mundo sobrenatural, nem se sabia se os poderes eram pessoais ou impessoais. Mais tarde, os poderes começaram a ser vistos como “agências” que deveriam ser aproximadas, tal como o homem se aproxima das “agências humanas".


É a partir desta busca que começa a surgir as origens da religião. Quando o homem chegou ao ponto de pensar, que era possível haver um relacionamento entre ele e os poderes sobrenaturais, os primeiros estágios da religião foram atingidos.


Depois desta etapa, os subsequentes estágios de desenvolvimento do facto religioso, consistiram unicamente na definição da natureza dos poderes sobrenaturais, e buscar e desenvolver um relacionamento pessoal com estes poderes sobrenaturais.



I I. A definição de Religião


Não há uma definição de religião que toque em todos os seus aspectos ou que recebeu uma aceitação universal. A razão disto, é que a religião é um facto muito complexo, pois toca em todos os aspectos da vida. A religião vai desde as orgias mais grosseiras que possamos imaginar até a um alto e reverente culto e respeito por Deus.


A religião é tanto individual como social. A religião abraça a Fé e a moral, envolve a razão e a emoção e está e misturada com os credos e os costumes culturais dos povos.

Devido às formas tão diversificadas e tão complexas que a religião pode tomar, não podemos esperar que todos estejam de acordo em tudo, na sua definição.

A. As diversas definições de religião


Hegel religião é o "conhecimento possuído pela mente finita", sobre a mente infinita.


Kant religião é o "conhecimento de todos os nossos deveres", como sendo ordens divinas.


Myers religião é a "sã e normal resposta do espírito humano" a

tudo o que se conhece sobre as leis cósmicas.

Whitehead religião é o que o "indivíduo faz com a sua própria solidão".


Mathew Arnold religião é "moralidade tocada pela emoção e por Deus".


Ames religião é o que o "indivíduo faz e pensa em sociedade".


Ames disse que a religião primitiva é social, no sentido em que a sua principal preocupação era a resolução dos problemas tribais. Segundo Ames a religião moderna também é social, no sentido em que se diz que quem ama a Deus ame o seu próximo. Mas há uma separação bem distinta entre o religioso e o social, que está bem marcada em todos os estágios da cultura humana. Mesmo para os povos primitivos nem tudo o que era social era religioso.


É claro que o religioso abrange todas as áreas da vida, no sentido em que tudo o que o homem faz, ou faz para Deus ou faz contra Deus. Mas o lado social não é de forma alguma a causa do fenómeno religioso. A própria legislação social não tem sempre um carácter directamente religioso.


Spencer religião é uma "hipótese que supõe tornar o universo compreensível", procurando compreender a mensagem que vem de poderes que transcendem o nosso conhecimento.


Nesta definição de Spencer, a religião torna-se puramente numa actividade intelectual à procura de compreender a mensagem que vem desses poderes. Mas de forma alguma a função intelectual é a característica principal da religião. Se assim fosse bastaria ao homem compreender o mundo transcendental através do seu intelecto, e já não era preciso Deus revelar ao espírito humano aquilo que Ele quer que o homem entenda do mundo transcendental.


Desta forma, o intelectual bania a revelação divina do fenómeno religioso e a religião ficaria resumida numa actividade intelectual em que o factor fé também deixa de ser necessário. A religião passaria a depender de uma actividade cognitiva, portanto filosófica.


McTaggart religião é uma "emoção que repousa numa convicção da harmonia que existe entre nós e o Universo".


McTaggart adiciona emoção à convicção, dando um passo em frente na noção de religião, apesar da ideia de Deus ainda não entrar na sua definição.


James religião é a "crença numa ordem invisível de que depende o nosso bem supremo" quando nos ajustamos harmoniosamente a esta ordem.


Esta definição não distingue religião de magia, a menos que aceitemos que a palavra harmoniosamente nos fala de um relacionamento não mecânico, mas afectivo e amigável.


Há ainda outras definições que apresentam a religião como um conjunto de cerimónias que interessa praticar, como rituais, danças, dramas etc. Alguém disse enquanto a criança brinca, o adulto ora. A ênfase nestas definições está nos rituais e não no relacionamento com Deus.


Outras definições dizem que a religião serve para avaliar e conservar valores. Sem dúvida que a religião avalia valores, mas nem todos os valores tem um carácter religioso.


Vemos então que a dificuldade em dar uma definição de religião, está no conseguir distinguir: religião de magia e culto ancestral; distinguir religião do social; distinguir religião do moral e finalmente distinguir religião do emocional e intelectual.


Tendo agora a ideia das dificuldades, vamos procurar formar uma definição de religião que incluía no máximo as características encontradas nas diversas definições, já que o facto religioso toca em todas as esferas da vida e do mundo.


B. Uma definição de religião o mais abrangente possível


A religião é uma característica natural e universal da forma do pensamento e da conduta humana, possuindo aspectos e valores específicos que a distinguem de qualquer outra actividade e forma do comportamento humano.


A religião inclui crenças e actividades que caracteriza o credo de um determinado grupo de pessoas.


A religião inclui ainda valores que o homem aspira, mas não pode por ele mesmo atingir. Desta forma atingir esses valores através do relacionamento com poderes superiores a ele.


A religião inclui a adoração a um ser superior proveniente da necessidade que o homem sente em relação ao universo e às forças invisíveis que o governam. Esta adoração é proveniente também do espantoso e deslumbrante sentimento que o grandioso e maravilhoso universo causa no homem.


A religião inclui o desejo inato e efectivo do homem ter um relacionamento correcto com o poder majestoso manifestado no universo.


A religião inclui um sentimento de respeito e de medo pelos poderes que governam o universo.


Se somarmos as definições sugeridas, fazendo uma síntese das mesmas, poderíamos chegar à seguinte definição:


“A Religião é uma tentativa do homem complementar a sua própria insuficiência, através do relacionamento dele próprio com uma ordem superior de seres superiores (ou de um ser superior), que ele acredita que existe e com os quais (ou o qual) ele pode relacionar-se se souber ou se aprender a aproximar-se deles (dele) de uma forma adequada.


Paralelamente a este sentimento de insuficiência, há um sentimento de dependência do homem em relação aos poderes grandiosos e majestosos do universo, que o impulsiona a um culto de adoração e de acções de graças e a uma busca intensa de perdão, protecção, favores, bênçãos e dádivas. Esta tentativa de complementar a sua insuficiência e de depender do ser superior é acompanhada de um sentimento de respeito pelo ser superior (seres superiores) e medo dos seus castigos e maldições.”


Vemos portanto com esta definição, que estes dois sentimentos, o de insuficiência e o de dependência, são os factores vitais do comportamento religioso do homem, sem ignorar o sentimento de respeito e de medo.



I I I. Religião e a vida humana e seus interesses



A. O desenvolvimento cultural processa-se em ligação estreita com a religião

Do ponto de vista histórico é muito claro que o desenvolvimento intelectual e social do homem processa-se em estreito relacionamento com a sua religião।


Aqueles que não acreditam que a religião é o factor mais importante e emancipador da vida humana e espiritual do homem, não encontram muito apoio na história para os seus pontos de vista. Pois vemos que a religião não só tem estado ligada muito de perto com o desenvolvimento moral do homem, mas tem sido a maior fonte de inspiração para a maior parte das artes humanas e da cultura em geral dos povos.


Por exemplo, antigamente, os reis eram reis e sacerdotes. "Os ofícios de rei e sacerdote eram muitas vezes ligados", mesmo no tempo em que Júlio César era o Pontífice máximo. "Os tribunais eram nos santuários ou nos templos". No princípio, a ciência foi iniciada pela classe dos sacerdotes, especialmente a astronomia. Nessa altura o "médico era o feiticeiro ou o sacerdote".


A filosofia tinha no início um carácter teológico। A arte dos homens da pré-história encontrou a sua inspiração nos templos e nas imagens e ídolos dos deuses. A música foi se desenvolvendo em conexão com as cerimónias e a adoração religiosa. Até mesmo os jogos e as festas estavam ligadas com factos religiosos.


A grande importância cultural da religião foi descoberta e provada nestes últimos 100 anos.


No passado, no Ocidente, falar de religião era falar de Cristandade। Aos outros credos chamavam-nos de “fés pagãs”. Por essa razão parecia que a religião não tinha tido grande importância no desenvolvimento humano. No entanto com o aparecimento da antropologia, tornou-se possível identificar que a religião tem caminhado em paralelo, desde o início, com o desenvolvimento humano. A religião foi o que ajudou o homem encaminhar a vida dos sentidos e a procurar atingir o que está para além dos sentidos.


Conclusão:


Vimos nesta secção da definição de religião que Deus não é uma necessidade social ou uma mera sugestão inventada pelo homem. Não é também uma força impessoal que pode ser negociada pelo homem através de técnicas adequadas. Não é um poder mágico desencadeado através de certos rituais.


Deus é uma pessoa que existe para além dos nossos sentidos e com quem o homem sente necessidade de relacionar-se, afim de o adorar, buscar o seu agrado, protecção e as suas bênçãos.


B. O Relacionamento com Deus só é possível através de Cristo


A religião tem em si mesma algo que dignifica o homem, pois as suas causas estão na motivação sincera do homem buscar e encontrar um relacionamento com um Deus sobrenatural que o pode proteger e salvar.


No entanto, os cristãos acreditam que segundo a Bíblia, o relacionamento com Deus só pode ser feito através do Cristo revelado nas escrituras. Ele próprio disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vai ao Pai senão por mim”. João 14:6.


Isto quer dizer que as outras avenidas religiosas falham o alvo embora tenham surgido de uma motivação sincera do homem querer relacionar-se com Deus, pois estão desviadas da única avenida que leva a Deus, que é Jesus Cristo.


Por essa razão, as avenidas religiosas acabam por conduzir o homem para longe do alvo procurado - Deus. Sendo assim, a religião, com excepção do Cristianismo, actua como um factor alienatório e degenerativo da identidade humana.


A religião não regenera o “Imago Dei” (a imagem de Deus) no homem. Desta forma, o conteúdo racional, moral, social e espiritual conferido ao homem pela imagem de Deus, não reaparece com a religião, mas vai antes desaparecendo e se degradando cada vez mais. É por esta razão que ficamos horrorizados com muitas práticas religiosas que nos leva mesmo a exclamar vejam só o que o Diabo (ou a ignorância) fez a este povo.


Cito como exemplo algumas tribos que por convicções religiosas tratam as esposas como tratam os porcos e sacrificam os filhos aos deuses.


Isto para não falar de horrores cometidos mais recentemente em nome de religiões mundialmente aceites!


Pensemos na Inquisição praticada pela Igreja Católica no terrorismo praticado em nome de Deus pela religião Islâmica!


Entretanto, o cristão deve saber que a religião em si mesmo é uma coisa boa. A motivação mais profunda da religião é a busca por um relacionamento com Deus. Sabendo isto, o cristão deve usar de amor e de paciência para com os não cristãos. Deve ser tolerante e respeitador da religião dos outros. Deve procurar de uma forma pacífica, pelo diálogo e uma linguagem de amor, apresentar a mensagem de Cristo.


Os não cristãos só estarão dispostos a abandonar as suas ideias religiosas e voltarem-se para Cristo, se sentirem que vale a pena. Se sentirem que no cristão há mais verdade, mais moralidade, mais santidade, mais amor, mais paciência e mais sabedoria.


Se os não cristãos virem que o cristão tem uma compreensão da existência, do mundo e do homem mais coerente com a história e com o pensamento humano, isto os fará pensar! E se aprenderem que os conceitos de justiça, santidade, moralidade e amor dos cristãos são mais elevados do que os seus, então haverá conversões.


É preciso o cristão cultivar uma atitude de respeito pelos outros, e estar disposto a aceitar um diálogo religioso aberto e sem receios. Cristo não será rebaixado através de uma atitude de amor e de tolerância, será antes exaltado e glorificado pelos homens que sentirão o bom cheiro de Cristo nas palavras e nas obras dos cristãos.




I V. Religião e Ciência

Logo no início da história, a Ciência e a Religião andaram juntas. De toda a maneira não podia ser de outra forma, pois a educação estava virtualmente entregue nas mãos dos sacerdotes, por muitas centenas de anos. Vemos isto na Grécia. Na idade média os pioneiros da ciência como Grossetête, Copernicus, Bacon, eram monges. Na altura em que houve uma viragem devido a um desenvolvimento na aprendizagem, que levou ao início da separação entre a Religião e a Ciência, foi a Igreja que liderou esta viragem.


É evidente que aos poucos começou a haver uma clivagem entre a razão e a revelação. Nos países protestantes em 1700, chegou-se a fazer um compromisso estabelecendo o mundo físico para a Ciência e o mundo espiritual para a Religião. Homens como Kepler, Newton, Faraday eram verdadeiros cristãos e o compromisso para eles não ofereceu qualquer problema.


Os primeiros grandes conflitos entre a ciência e a religião surgiram com os geólogos quando começaram a estimar a idade da Terra, e isto marcou um novo estágio nos problemas entre a religião e a ciência. O estudo da geologia começou a defender a hipótese da evolução das espécies. Nesta altura parecia que a ciência era totalmente oposta à religião. Felizmente que este período passou, pois com o aumento do conhecimento cada campo começou a conhecer melhor as suas limitações, e começaram a deixar de parte as discussões sobre assuntos controversos. É lógico que desde que a ciência nasceu, irá haver sempre confrontos entre esta e a religião, especialmente vindos da ala mais radical da ciência.


Apesar dos seus instrumentos tecnológicos, a ciência está muito dividida nas suas opiniões. É por essa razão que há alas que são mais favoráveis a aceitar o conhecimento religioso do que outras. Há homens da ciência sensatos, que estão conscientes dos limites da ciência. Estes cientistas defendem a ideia da ciência ficar circunscrita ao estudo do campo físico e deixar o campo espiritual para a religião ou a filosofia.


Não nos devemos esquecer que há muitos cientistas cristãos devido ao grande crescimento do cristianismo. Eles não encontram qualquer contradição maior entre a ciência e o cristianismo.


A. Os pressuposto em que a ciência se baseia:


Não podemos esquecer também que a ciência moderna está assente em pressupostos herdados pelo cristianismo, tal como a ideia de um universo regular, que permite aos cientistas predizer o seu comportamento.



1. O primeiro pressuposto é a harmonia e a regularidade da natureza.

A ciência demonstra claramente que na sua base existem pressupostos herdados da filosofia bíblica sobre o universo, que nunca foram investigados pelo método científico. Por exemplo, os gregos tinham a ideia de um universo irregular e caprichoso que oferecia poucas condições para um estudo sistemático. Este conceito foi substituído pelo conceito cristão de um universo harmonioso e regular, sujeito a um estudo sistemático, que acabou por influenciar a filosofia e a ciência.


Como é que a ciência pode saber que o nosso universo é harmonioso e regular?


a. Pela observação e a experimentação dirá o cientista.


b. Pela observação e a experimentação podemos dizer que o ano tem 365 dias. Que há 4 estações.


c. Mas porquê que sabemos que o ano tem sempre 365 dias e há sempre 4 estações, nunca muda?


A resposta já não poderá ser, sabemos pela observação e a experimentação. Mas sim, sabemos porque há leis regulares que regem a natureza!


Mas nunca, nenhum cientista observou ou experimentou as leis que estão por detrás da natureza?


Os cientistas pura e simplesmente acreditam no pressuposto de que a natureza é regular, mas eles nunca observaram ou experimentaram as leis que produzem tal regularidade na natureza, e que estão por detrás da formação regular do ano e de estações regulares.


Esta regularidade provém de um Deus que criou a natureza. Na natureza, nada acontece ou se forma pelo ocaso. As leis do universo são pré determinadas e a natureza obedece naturalmente ao seu curso.



2. O segundo pressuposto diz a ciência utiliza a percepção sensorial na investigação.

Grande parte do método científico assenta na pressuposta crença que os nossos sentidos são dignos de toda a fidelidade. Podemos confiar cegamente em nós, podemos ter fé em nossos sentidos.


Por exemplo, como sabem os cientistas que os seus aparelhos são fiáveis? Pelos sentidos humanos.


Mas como sabem que os sentidos humanos são dignos de toda a fidelidade? Não há meio de saber, têm que pura e simplesmente crer nesse pressuposto.


Não há meio de testar/avaliar os nossos sentidos pois é impossível criar um aparelho que possa testar/avaliar os sentidos humanos!


Um aparelho pode testar a tensão arterial do homem ou fazer outros exames, mas testar os sentidos para provar a sua fiabilidade é impossível.


A ciência da mesma forma que acredita que o universo é regular, acredita também que a percepção sensorial do homem é fiável.


Portanto, o cientista acredita, a prior, no pressuposto que o universo é regular e pode ser estudado. Acredita também, a prior, no pressuposto que o homem é um ser digno de toda a fidelidade. São crenças, como outras quaisquer, que não podem ser cientificamente provadas!


Estes dois pressupostos, não tendo demonstração empírica, conduzem a um terceiro pressuposto que também não pode ser cientificamente provado.


3. O terceiro pressuposto diz que o homem tem dimensão psicológica de confiança.

É o pressuposto que o homem tem uma dimensão psicológica digna de toda a confiança. O cientista não pode investigar nada se não acreditar que a sua dimensão psicológica é digna de toda a fidelidade.


Portanto, o cientista precisa de ter fé num universo regular, na sua percepção sensorial e no seu psiquismo, antes de ter fé na sua ciência.


Esta tese dos pressupostos que a ciência acredita para poder estudar o universo, levam-nos ao segundo ponto:


B. A ciência devia acreditar que é possível haver um sistema conceptual


Um sistema coneptual que usando o modo pensante e a análise dos factos históricos no seu método de investigação, consiga formar conclusões consistentes que não entram em contradição com os princípios básicos da lógica e da razão humana. Um sistema conceptual, religioso ou filosófico, a partir do qual o homem pode ter um conhecimento global e verdadeiro da realidade.


Afinal de contas, qual é o homem que não busca e não quer ter um conhecimento global e verdadeiro da sua existência!? A verdade é que através do método científico o homem nunca poderá atingir esta meta! Esta meta só pode ser atingida através do método filosófico ou então da religião.


No que diz respeito à aprovação de um sistema religioso é necessário verificar se as suas concepções recebem a credibilidade dos factos humanos e sociais registados na nossa história. Um sistema religioso tem que ter evidências e coerência histórica.


Tem que se avaliar também o seu impacto sobre a sociedade em termos quantitativos e qualitativos.


Não se pode aprovar um sistema conceptual religioso que não receba, pelo menos, o respeito e o crédito de uma boa ala histórica, filosófica e científica.


Doutra forma virá alguém dizer: "um anjo falou comigo", vem outro e diz: "eu falei com a minha tia que já morreu", e ainda outro: "eu sou um iluminado”.


Será que sem terem qualquer fiabilidade histórica, filosófica e científica nós podemos acreditar em tais profetas? Se assim fosse a religião não passaria de um abstraccionismo ou esoterismo qualquer.


Mas, não é assim, pois a religião deve estar baseada em realidades históricas e concretas. E é nisto que o Cristianismo faz a diferença. O cristianismo começa por basear-se em duas realidades históricas que são desde sempre as duas maiores realidades que o mundo conheceu: "A Bíblia e Jesus Cristo". É por essa razão que o cristianismo possui um conjunto valioso e único de ideias, valores, factos, artes, doutrinas e todo o tipo de associações de carácter religioso e social.


A maior associação é a "Igreja de Jesus Cristo", composta por homens e mulheres de todas as culturas. O número de membros da Igreja de Jesus Cristo deve rondar 1 bilião e meio de pessoas, incluindo os católicos, protestantes e evangélicos.


Isto para não falar de todo "O Corpo de Cristo" que inclui é claro todos os crentes que já morreram e os que ainda irão converter-se.


Uma religião para ser credível, tem que ter as suas raízes no mundo concreto dos factos históricos, culturais e científicos e ter dado provas da sua sobrenaturalidade através do impacto que os seus valores e doutrinas têm tido sobre as sociedades. De outra forma não passará de um conjunto de fanatismos e caçoadas seguida por fanáticos ou por lunáticos.


Em termos de conhecimento intelectual a única forma de dar credibilidade a uma religião é verificar se esta possui uma fé que sente mas que é pensante também. A verdadeira fé é proveniente de uma fusão entre o sentimento e a razão de tal forma que se poderá dizer: eu creio verdadeiramente porque a minha fé é uma razão que sente e um sentimento que pensa. Não é um fanatismo, nem uma aberração ou uma chalada como tanta fé que anda por aí e engana muita boa gente.


O cristianismo é sem dúvida a fé com mais raízes históricas e é uma fé filosoficamente racional e cientificamente comprovada. É por isso que os cristãos não deviam ter medo de apoiar uma tese que defenda que a religião para comprovar a sua credibilidade, deve ser avaliada através do modo racional e científico, embora seja claro que não é a mesma coisa avaliar cientificamente a matéria inanimada ou avaliar factos, valores, ideologias, filosofias e religiões. Mas há uma possibilidade relativa de avaliação científica dessas coisas.


"O cerne do Cristianismo encontra-se em I Coríntios 15:3-4":


A mensagem principal que revela que Jesus Cristo foi morto pelos nossos pecados e ressuscitou para nossa justificação. O cerne do cristianismo é fundamentalmente um produto da revelação divina. Não é um conhecimento adquirido através de uma actividade cognitiva e racional. É um conhecimento divino que deve ser correctamente interpretado e isto só é possível através da iluminação do Espírito Santo.


Em redor do "cerne da mensagem bíblica", existe um "contexto de informações, factos e preposições sobre a natureza/sociedade/mundo/homem/ Deus".

Eu tenho feito um esforço através deste livro para mostrar que no que diz respeito ao seu "contexto", cristianismo é um sistema filosófico conceptual como qualquer outro. É um sistema que como qualquer outro pretende responder às perguntas que o homem faz e oferece soluções para os problemas que o homem enfrenta no seu dia a dia.

A revelação bíblica é o guia e o manual de conduta do cristão e este não deve aceitar nada que entre directamente em conflito com o cerne da Bíblia (the core). No entanto, apesar disso, o cristão deve recorrer ao uso da razão para analisar e tomar decisões sobre o "contexto" que o rodeia.

"por exemplo, em questões que envolvam política, economia, educação, saúde, tecnologias, guerra, paz, riqueza, pobreza, desporto e outras questões em que não haja directrizes específicas na Bíblia, o cristão deve procurar pelo uso da razão e ajuda de outros campos de conhecimento, encontrar as respostas e soluções que o homem procura nessas esferas da vida"

"A teologia do cristianismo embora tenha um cerne, não responde a tudo o que inquieta o homem. É necessário que o cristão aprenda a filosofar um pouco e a conhecer um pouco de ciência, para ajudar os homens a encontrarem respostas para muitas das suas perguntas e inquietações".

Nesta secção do livro eu estou a defender a tese que o cristianismo assume um estatuto filosófico e mesmo científico em muitas questões da vida. Estou também a enfatizar a credibilidade intelectual do cristianismo sobre as outras religiões. Procurei também salientar que o cristão embora coloque a sua fé no cerne da mensagem bíblica, utiliza a razão humana e a lógica humana como se o cristianismo fosse um sistema conceptual igual a outro qualquer.

O cristianismo é inigualável do ponto de vista intelectual. É isto que tem levado milhões de intelectuais de todas as épocas e de todas as culturas a colocarem a sua fé na mensagem redentora de Cristo.

Devemos insistir no facto que se o cristianismo respondesse a todas as perguntas do homem ou agradasse em tudo ao intelecto do homem, teria que retirar a fé do seu sistema e acabaria por tornar-se meramente numa Filosofia da existência. O cristianismo não admite que a razão pode pesquisar sozinha o mundo natural e o mundo sobrenatural. Há questões existenciais acerca do mundo e da vida que só podem ser compreendidas pela fé.

"A fé do cristão é um factor indispensável nesta questão de formar-se um conhecimento coerente e verdadeiro de toda a realidade".

Para apanhar o fio à meada tenho que voltar ao pensamento que comecei a desenvolver anteriormente sobre a questão da ciência também ser um sistema conceptual na investigação da realidade. Eu salientei anteriormente que a ciência não utiliza só o método científico, mas utiliza também o método filosófico, pois tem na sua base pressupostos que não podem ser avaliados pelo método científico, mas a Ciência os utiliza.

Portanto a ciência também utiliza de certo modo a fé !!!

Por essa razão não é descabido a ciência fazer uma análise das religiões, comparando-as, analisando as suas raízes históricas e o seu impacto social, pronunciando-se sobre a credibilidade de cada uma.

Já foi dito que a filosofia e a ciência deviam dar o seu crédito à religião, para esta poder ser aceite como verdadeira. Uma religião sem credibilidade científica e filosófica é porque não possui evidências coerentes enraizadas na verdade histórica dos factos humanos e sociais da humanidade.

Foi dito também que o cristianismo é a única religião que recebe este crédito científico e filosófico. O cristianismo é a religião por excelência do homem. Além da história mostrar a sua veracidade o cristianismo recebe também o apoio inegável de todas as ciências.

C. A historicidade do cristianismo

Começo por fazer referência a alguns personagens de grande credibilidade histórica: "Abraão, Moisés, Davi, Salomão, os discípulos de Cristo e Jesus Cristo que é o maior personagem da História de todos os tempos".

Abraão foi o pai da nação hebraica e um dos pais do monoteísmo. Moisés, também hebreu, foi quem deu os 10 Mandamentos à nação hebraica. São os 10 mandamentos mais perfeitos e mais belos da cultura humana. Segundo o texto bíblico foi Deus quem deu os 10 mandamentos a Moisés, escrevendo-os nas tábuas com o seu próprio dedo. David e Salomão, reis de Israel, deixaram grandes obras, incluindo obras de carácter literário como o Livro de Salmos, Cantares, e Eclesiastes. Gladstone, antigo ministro britânico, considerou os Salmos uma das maiores maravilhas do mundo.

Os discípulos de Cristo escreveram o Novo Testamento e espalharam a mensagem de Cristo dando início à maior e a mais multicultural associação do mundo - A Igreja de Jesus Cristo.

E o que dizer de Jesus Cristo o homem histórico que se apresentou ao mundo como sendo o "Filho de Deus", o "Messias prometido" à humanidade pelas sagradas escrituras?

Podemos dizer que a sua influência chegou até aos recantos do globo e está viva e patente em todas as esferas da vida humana. "O nome de Jesus Cristo é o nome mais falado na Internet".

É pelas razões acima expostas que o cristianismo tornou-se no maior movimento religioso do mundo. A sua influência operou mudanças aos níveis mais importantes e profundos da raça humana, tanto económico, como político, intelectual, religioso e moral.

"O pensamento cristão influenciou as artes, a música, a moral, a religião, a filosofia e a ciência. Aboliu a escravatura, emancipou a mulher e foi o motor principal para a criação da democracia e a constituição dos direitos humanos".

Muitos querem negar esta influência benéfica agarrando-se a coisas negativas como a Inquisição e outros erros cometidos pelas Igrejas.

Mas não devemos confundir a Bíblia ou Cristo com a Igreja, seja Católica ou Protestante, nem condenar a Bíblia ou Cristo por causa dos erros e dos abusos cometidos pelas Igrejas.

O que devemos fazer é verificar a influência positiva que o pensamento cristão operou na humanidade e que não pode ser desmentida por qualquer pessoa que seja honesta.

D. A historicidade da Bíblia

A Bíblia, cuja credibilidade histórica é extraordinária, tornou-se o livro mais importante, mais lido, mais traduzido em línguas e dialécticos e possui a mensagem que teve mais impacto sobre a cultura

A ciência não pode refutar o impacto do cristianismo na história e na cultura humana pois há muitos dados e factos evidentes deste impacto.

A ciência está confrontada com factos e dados de natureza histórica sobre a evidência, coerência e impacto da Bíblia sobre a sociedade que não podem ser refutados.

Os factos históricos são factos físicos que não podem ser negados, mesmo que não possam ser transportados para dentro dos laboratórios para serem verificados pelos cientistas. Os factos históricos fazem parte da realidade do dia a dia dos homens: são as ideias, os valores, as artes, as crenças, as acções, os livros, os personagens, as associações, os governos, as cidades, os monumentos, as igrejas, os conflitos existentes em determinada época e em determinada sociedade. São ouvidos, lidos, vistos e são palpáveis.

A ciência tem o dever de verificar os factos históricos com toda a honestidade e não ignorá-los só por conveniência.

A ciência torna-se insensata quando não aceita os depoimentos das outras ciências humanas, especialmente daquelas que como o cristianismo tiveram tanto impacto sobre as culturas. Uma ciência que pensa que sozinha pode explicar toda a realidade é uma ciência sem consciência.

A religião, a filosofia e a ciência podem dar as suas opiniões sobre o mundo e a vida, mas não podem alterar um facto que é o peso das evidências. Este peso das evidências é que ditará por final qual das opiniões é verdadeira.

Estou a fazer ainda a relação entre religião e ciência, por isso cito um parágrafo do Philosophical Approach to Religion de Eric S. Waterhouse de 1933 página 29-30:

A Ciência lida com o "que está de fora” a religião lida com o “que está dentro”. AcCiência embora esteja preocupada com aquilo que tem propriedades sentidas, tem que aceitar que é necessário transcender os sentidos para podermos compreender e explicar as origens do mundo. A função da religião é transcender, é lidar com o que está dentro.

A vantagem do cristianismo sobre as outras religiões é que o cristianismo embora seja transcendente é também coerente com o mundo dos sentidos e é coerente com a razão humana e coerente com a história.

O cristianismo "não é uma fábula e muito menos uma farsa qualquer"!

No que diz respeito aos sentidos, já houve momentos em que a ciência presumiu que a realidade para além dos sentidos tinha as mesmas propriedades que os sentidos, logo cabia ao método científico procurar defini-las.

Várias experiências foram feitas por Michelson e Morley, Fitzgeral e Lourenz nesse sentido. Mas todas elas mostraram que a Ciência só pode ir até um certo ponto e que o mundo dos sentidos quando tenta explicar aquilo que está para além dos sentidos, só serve para confundir"

Estou falando disto para mostrar que a ciência também está preocupada com aquilo que está para além dos sentidos. O problema é que as concepções matemáticas não podem descrever o carácter de toda a realidade explorada. A ciência só consegue lidar com um aspecto seleccionado da realidade e não com toda a realidade.

A religião além de utilizar o método filosófico e sensorial utiliza também a história das civilizações, as explorações arqueológicas, a escrita, a literatura e a cultura na formação do seu sistema religioso. É por isso que uma verdadeira religião não devia ser um puro abstraccionismo ou espiritualismo, mas uma ortodoxia rigorosa cujas as ideias e doutrinas estejam materializadas na história humana e recebam crédito da mesma.

A ciência e a religião estão ambas interessadas “no que é”, mas enquanto que a ciência fica ali a religião procura o significado e está interessada “no que devia ser”. A ciência tenta explicar as coisas, a religião procura interpretar o que está por detrás das coisas. A ciência explica o universo físico, mas a tarefa de interpretar o significado do universo não é matéria que caiba à ciência.

E. A historicidade de Jesus Cristo

Ninguém pode negar a veracidade histórica de Jesus Cristo, nem o impacto que Ele teve sobre a história da humanidade. Basta pensarmos na civilização ocidental cujos os valores e ideias ou nasceram do cristianismo ou se desenvolveram em parceria com o cristianismo.

Devemos considerar também a influência que a civilização ocidental teve sobre o resto do mundo, por causa do cristianismo. É fácil pensarmos nas influências negativas, mas será que estas se podem comparar com as influências positivas que o ocidente teve sobre o resto do mundo, tanto a nível social/económico como a nível espiritual?

"Jesus Cristo é o homem que revolucionou completamente o nosso mundo!"

O homem que se apresentou ao mundo como sendo o Messias prometido pelas escrituras antigas. O homem que se apresentou como sendo o Filho de Deus, como sendo Deus. A razão principal da sua vinda foi para cumprir um plano redentor para a humanidade que já se vinha desenrolando desde o início da história humana.

Jesus Cristo apresentou-se como sendo o redentor da humanidade ao dar a sua vida na cruz pelos pecados dos homens e ressurgindo da sepultura ao terceiro dia. I Coríntios 15:3-4

Pensemos no efeito da sua mensagem redentora ao longo destes dois mil anos: as percentagens são estonteantes. "Actualmente, 34% das pessoas do nosso planeta acreditam na mensagem de Cristo", representando quase 2 biliões da população mundial.

Como é possível que um homem que nasceu há dois mil anos é hoje seguido por quase dois biliões de pessoas? E fazem parte deste número pessoas provenientes de todas as raças, culturas, classe social e ideologia política.

Jesus e a Bíblia são os autores da única religião mundial que se encontra em contínuo crescimento. A moral bíblica é o expoente mais elevado da moralidade conhecida em todo o mundo. A mensagem bíblica ensina, cultiva e sublima os valores humanos mais elevados da humanidade:

"A paz, a justiça, a tolerância, a bondade, a paciência, a mansidão, a moderação, a alegria, a esperança, a fé e o amor", são valores provenientes do cristianismo e que têm tido um poder transformador e renovador em todas as épocas e culturas humanas. Não admira a sua aceitação!

Podemos afirmar que Jesus Cristo foi o homem mais poderoso e mais bondoso que a história jamais conheceu e que a sua mensagem tem um valor perene, permanente e supra-cultural.

Ele próprio disse: “Os céus e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar” Mateus 24:35

As suas palavras passaram? Nunca!.

Ele é o Filho de Deus. Ou acreditamos nisto ou vamos rasgar as nossas roupas como Caifás quando perguntou a Cristo: "tu és o Cristo, o Filho de Deus, e Ele respondeu: tu o disseste. Então o sumo sacerdote rasgou os seus vestidos, dizendo: Blasfemou". Mateus 26:63-66.

Oxalá Caifás tivesse rasgado as suas ideias e tradições!!!

F. A historicidade do cumprimento das profecias

Se alguém quiser verificar se as profecias bíblicas foram cumpridas ou não, basta começar a ler a Bíblia e a comparar as profecias com os acontecimentos históricos.

"Analise as profecias feitas a respeito do povo de Israel, de Jesus Cristo e de muitos outros acontecimentos que envolvem povos e nações "

Analise também as profecias relacionadas com a segunda vinda de Cristo e a época que a Bíblia chama: o fim do mundo। Leia estas profecias nos Evangelhos e no Apocalipse. Algumas profecias já se encontram no Antigo Testamento.

Leia também com a devida atenção o Evangelho de S. Mateus. Este Evangelho foi escrito para mostrar que Jesus Cristo era de facto o Messias, prometido ao povo de Israel como Rei, e como Salvador a todo o mundo. Ao lermos S. Mateus, vemos que o evangelista sempre que relata um acontecimento ligado com Jesus, acrescenta o seguinte: tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta.

O Evangelista relata que quando José soube que Maria estava grávida e quis fugir, um anjo veio num sonho anunciar a José que Maria estava grávida em cumprimento à profecia e que a criança que a virgem Maria tinha em seu ventre era o próprio Filho de Deus. Por isso o evangelista acrescentou: tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta, que diz: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será chamado Emanuel, que traduzido é - Deus connosco. Mateus 1:23, Isaías 7:14.

Eu quis mostrar nesta secção da religião e ciência que a historicidade, o impacto sobre o mundo e a credibilidade científica, demonstram que o cristianismo é a única religião que nos dá uma explicação global e verdadeira do nosso mundo.


V I. Religião e Filosofia

Que a religião é idêntica à filosofia ou que não tem nada a ver com isto, são posições que têm sido mantidas até hoje e, sem qualquer dúvida, serão sempre mantidas.
A não identificação da religião com a filosofia está baseada no facto dar religião conter uma visão do mundo e de Deus. Mas a filosofia não têm um relacionamento com o mundo e Deus, igual ao relacionamento da religião.

Na religião a teoria está subordinada à prática.

Na filosofia é o contrário, pois a teoria é o seu elemento mais importante.

A chave para o sucesso na filosofia é o intelectual, na religião é a fé.

"A religião não só procura ter um conhecimento do mundo e de Deus, mas leva o homens a buscar um relacionamento harmonioso relacionamento com o Universo e com Deus (ou deuses)"

A religião vive de certezas e de dogmas a filosofia vive de hipóteses e de dúvidas.
Estou só procurando mostrar que há uma distinção entre a atitude pessoal e concreta da religião e a atitude impessoal e não concreta da filosofia.

Mas apesar destas distinções, não podemos fazer uma grande separação entre a religião e a filosofia. A religião por mais desenvolvida que seja, tem sempre uma acompanhante filosófica, cujos principais ramos são: a metafísica, a epistemologia e a axiologia.

A metafísica é a matéria que trata da natureza da realidade: o que existe?

A epistemologia trata da natureza do conhecimento: o que é verdade?

A axiologia trata da natureza do valor: o que tem valor?

"O cristianismo providencia teorias sobre a natureza da realidade, a natureza do conhecimento e do वलोर".

A diferença entre as teorias do cristianismo e as teorias da filosofia sobre estas matérias é o cristianismo basear as suas teorias numa ortodoxia. Enquanto o cristianismo proclama crenças absolutas que servem para todas os tempos e culturas, a filosofia gira muito à volta de valores relativos e culturais.

Para o cristão: "Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente". Hebreus 13:8; e: "os céus e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar". Mateus 24:35.

Para o cristão, Jesus e a Palavra de Deus são a fonte absoluta do conhecimento.

Vejamos então o relacionamento do cristianismo com estes três campos filosóficos: a metafísica, a epistemologia e a axiologia.

A. O Cristianismo e a metafísica

A metafísica é a matéria que trata da natureza da realidade: o que existe?.

O cristianismo fala de duas categorias de existência:

Fala de Deus e fala do mundo criado por Ele. Não há mais nada para além disto. O Criador e a criação.

O cristianismo histórico afirma que Deus é espírito, ilimitado, soberano, auto-suficiente e criador de tudo o que existe.

Isto revela que tudo o que existe, excepto Deus, teve um princípio. Mas revela também que a criação é totalmente distinta de Deus e está totalmente dependente do seu poder pessoal e transcendental.

Em contraste com outras cosmologias a Bíblia defende que o mundo não é idêntico a Deus como diz o panteísmo, nem é uma emanação do seu ser como diz o neo-platonismo. O mundo também não é um produto proveniente de uma dualidade, tal como Deus e o diabo. Nem é uma combinação entre o bem e o mal, como dizia Platão.

Contrário a certas teologias e filosofias, para o cristianismo as pessoas são mortais e não parte de qualquer substância divina primordial. Além disso o cristianismo ensina que as pessoas também são responsáveis.

Portanto a doutrina da criação tem as seguintes implicações filosóficas:

Primeiro, o mundo físico que eu vejo e que posso tocar é um mundo real.

Segundo, a natureza é inteligível. Foi criada por uma mente infinita e suprema e pode ser investigada racionalmente através das nossas mentes finitas. O conceito cristão da concepção da realidade contradiz todos os conceitos que afirmam que a realidade é uma ilusão ou é má ou não é inteligível.

Podemos desenvolver a seguinte antropologia a partir do conceito metafísico cristão:

Os seres humanos foram criados finitos, falíveis e mortais, características que os não diferenciam de qualquer outro animal. O imago Dei, ou seja, a imagem de Deus no homem é que o diferencia dos outros animais. A identidade pessoal do homem é um reflexo da semelhança que ele tem com Deus. Por essa razão o homem possui um grande poder racional, uma vida emocional e mental intensa e uma incrível habilidade para escolher e criar coisas.

O homem é apresentado pela Bíblia como sendo um criador em miniatura. Pois o homem tem capacidade para criar coisas. A grande diferença é que a esfera do homem é limitada pelo seu mundo natural, enquanto Deus não tem limitações. Deus além de criar, pode fazer milagres e fazer surgir a sua criação do nada. Deus é um criador Todo Poderoso.

A consciência é uma outra capacidade do homem que os animais não possuem. A consciência é o juízo privado e interior de si próprio e da realidade que o rodeia. Funciona e realiza-se no relacionamento com os outros, no mundo social e cultural em que o homem está inserido.

É porque pelo o facto do homem ter sido criado à semelhança de Deus, que pode também desempenhar um papel na família, na sociedade, no trabalho, no desporto, na arte, no governo etc. que são funções estritamente humanas.

A metafísica cristã tem duas coisas: "Deus e a criação".

A criação nasce segundo leis e padrões internos, mas desenvolve-se em absoluta e perfeita harmonia com o seu meio ambiente e cultural. Mas Deus nunca nasceu e é totalmente independente.

B. O Cristianismo e a epistemologia

A epistemologia é a matéria que trata da natureza do conhecimento: o que é a verdade? ou o que podemos ou não podemos conhecer.

O ponto vista cristão do conhecimento não assegura que o homem está livre do erro ao tentar atingir o conhecimento das coisas, mas assegura-nos que temos capacidade e habilidade para ganhar um conhecimento verdadeiro acerca da realidade.

Uma verdadeira epistemologia cristã defende que o conhecimento é complexo e, por isso, cada campo de conhecimento deve ser analisado dentro da sua própria esfera.

Além disso, assegura que não é possível para uma filosofia ou ciência qualquer conhecer todas as diferentes verdades que existem. Há diversas verdades sobre a realidade:

Há verdades empíricas, que são descobertas através da observação e da experimentação.

Há verdades históricas que são descobertas através de relatos e de manuscritos.

Há verdades sobre a matemática e a lógica descobertas através do raciocínio ou da ciência.

Há verdades humanas, pessoais, psicológicas e sociais que são descobertas através das ciências da vida.

Há verdades para além da psicologia que são descobertas através da parapsicologia científica.

Há verdades sobrenaturais de carácter místico que são descobertas através da processo religioso.

Os cristãos, como todas as outras pessoas, utilizam os campos de conhecimento que existem para estudarem todas as verdades, excepto a verdade de carácter sobrenatural. É na verdade sobrenatural que o cristão se diferencia dos outros, pois baseia-se única e exclusivamente na Bíblia.

A crença cristã acredita que o mundo é real e que se pode adquirir um genuíno conhecimento dele. Deste modo, uma das aspirações mais profundas do nosso ser pode ser satisfeita - o desejo de conhecer ou o chamado Saber.

Além da diferença sobre o Saber sobrenatural, que para o cristão é adquirido só através da revelação – a Bíblia, há uma outra diferença entre o cristianismo e os outros campos. O cristianismo não concorda que o conhecimento só pode ser obtido através dos sentidos. O cristianismo acredita que além dos sentidos há um outro meio de conhecimento, um sexto sentido se o quiserem chamar, que é a Fé.

É por essa razão que só através da Fé na revelação divina se pode adquirir o Saber sobrenatural. Há conhecimentos que só se podem adquirir através da crença ou melhor da Fé.

Mas aonde o cristianismo se diferencia totalmente dos campos de investigação é que, para o cristão, Cristo é o centro do conhecimento. Cristo é o verbo, ou seja, o pensamento e a palavra donde tudo provém e tudo depende.

Isto sugere que o coração do conhecimento cristão é racional e histórico.

E porquê?

Porque Jesus Cristo foi um personagem histórico e a Bíblia, a fonte por excelência, é histórica também. Sendo Cristo o coração do conhecimento para o cristão, todas as outras perspectivas do conhecimento são tomadas em relação a Cristo. De outro lado, sendo Cristo e a Bíblia históricos, não podem ser ignorados como fontes de conhecimento. Os homens são obrigados a pensar e a raciocinar acerca deles.

A investigação do conhecimento a partir da perspectiva cristã assume um carácter histórico e racional que o torna de longe superior a todas as outras religiões.

"Este facto acentua a grande responsabilidade que os homens têm de não ignorar o cristianismo como fonte de conhecimento".

Eu defendo que a preposição o cristianismo é verdadeiro ou o cristianismo é falso, pode e deve ser avaliada do ponto vista filosófico e científico, pois o cristianismo é histórico. Jesus Cristo e a Bíblia, fundadores do cristianismo, são referências históricas por excelência e que tiveram grande impacto sobre as nossas culturas.

Por essa razão é possível construir um sistema conceptual que nos garanta uma viagem segura e racional, através do conhecimento e decidir se uma religião, ou corrente de pensamento é falsa ou verdadeira.

"Claro que isto não anula a componente Fé, pois é impossível pensar num relacionamento entre Deus e o homem somente na base da razão".

Pensar assim seria reduzir Deus a um ser humano ou material. Mas sendo Deus de essência espiritual, "muito do conhecimento sobre Deus só pode ser adquirido através de um processo único e exclusivamente espiritual, através deste sentido que tem um lado psicológico e um outro lado espiritual, que chamamos de Fé".

Aliás algumas correntes mais radicais do cristianismo acreditam que a Fé só tem um lado espiritual, provindo unicamente e exclusivamente de Deus.

C. O Cristianismo e a axiologia

A axiologia é a matéria que trata da natureza do valor: o que tem valor?.

O Cristianismo providencia uma teoria do valor que é consistente com as teorias da realidade e do conhecimento. A ética cristã repousa na convicção básica de que o Criador da realidade é completamente moral e a sua criação exibe uma estrutura moral.

"A cosmovisão (worldview) judaica/cristã do mundo nega todas as posições que dizem que a moral não existe ou a moral é relativa".

Para o Cristianismo os princípios morais são imutáveis e significativos, pois são o reflexo dos valores absolutos da realidade.

Esta posição não nega o facto que, muitas vezes, pessoas e culturas diferem em seus conceitos morais ou os aplicam de maneiras diferentes. O facto das pessoas discutirem valores morais, revela que o conteúdo da moral tem um aspecto que é também cognitivo e que se pode atingir concepções diferentes, até mesmo, por causa do condicionamento cultural das pessoas.

No entanto, apesar disso, a maior parte das sociedades estão de acordo com valores básicos como a justiça, o amor, a paciência e a bondade, demonstrando que há uma percepção moral comum nas questões básicas, entre todas as pessoas de todas as épocas e culturas. Este assunto será mais desenvolvido no capítulo sobre religião e moralidade.

Segundo a ortodoxia cristã os "10 mandamentos escritos nas tábuas no Monte Sinai, que Moisés deu ao povo de Israel, já estão escritos por Deus no coração dos homens, formando desta forma a consciência humana".

Não admira que a Bíblia diga que foi o próprio Deus que escreveu com o seu próprio dedo os mandamentos nas tábuas. Não foram invenções morais de Moisés. Exôdo 34:1

A consciência humana é o produto de uma lei absoluta escrita na natureza humana.

Não é algo que o homem adquire por evolução, ou relativamente à sua cultura. A Palavra consciência provêm de um verbo em Latim que significa: “conhecimento com” ou “conhecimento de”. Tirado do livro Conscience de O. Hallesby editado em 1950.

Logo, o homem, nasce com um conhecimento interior de Deus e das suas leis morais.

Ele não precisa de aprender nada sobre os valores morais que formam a sua consciência. O que ele precisa é cultivar e aprofundar estes valores existentes dentro de si próprio, no relacionamento diário com o seu semelhante. Este aprofundamento só é possível pela leitura da Bíblia, a oração e o relacionamento pessoal com o Espírito de Deus.

Resumindo, o homem já tem uma consciência interior que lhe diz que Deus existe e que lhe dita o que é mal e bem.

A partir deste valor absoluto o homem só pode ter duas escolhas:

"Procurar conhecer Deus" e desenvolver a sua vida moral. Ao decidir por esta escolha o homem receberá a aprovação da sua consciência!

"Rejeitar Deus" e degradar-se moralmente. Se ele decidir-se por esta escolha, a sua consciência o reprovará, quer ele queira ou não!

Mas é possível que alguém pergunte: o super-ego do homem não é um produto social? Não é o super-ego que dirige as escolhas e acções do homem? O homem não entra em conflito consigo próprio quando desobedece às ordens do super-ego?

O super-ego é a consciência colectiva do homem. É claro que o super-ego é em grande parte um produto social. É verdade também que é o super-ego que dirige as escolhas e as acções dos homens. Também é verdade que o homem entra em conflito com o super-ego se não gratificar os seus impulsos.

Mas, não deixa de ser verdade também que a consciência colectiva não substitui a consciência moral do indivíduo que está escrita no mais profundo do seu ego.

É de notar ainda que estar em conflito com a ordem social ou com a consciência colectiva é uma coisa, mas estar em conflito consigo próprio é outra coisa totalmente diferente.

"Estar em conflito consigo próprio é estar em conflito com o seu imago Dei, com a sua consciência moral, em suma é estar em conflito com Deus".

A vida do homem gira constantemente à volta do conflito produzido entre o super-ego que é a consciência colectiva, que quer ser gratificado, e o ego que é a consciência pessoal e moral que procura fazer a vontade da lei moral de Deus escrita no coração do homem.

É claro que a pressão dos impulsos do super-ego sobre o homem é muito intensa.

Não podemos esquecer que o homem é também um produto social. Quando não segue os padrões sociais existentes em sua cultura, o homem entra em conflito. No entanto, não é fazer a vontade à sociedade que torna o homem feliz ou realizado.

O Homem só se sente feliz e realizado se estiver bem com a sua consciência moral, consigo próprio. Estar bem com a sua consciência, significa: estar bem com Deus do qual ele tem conhecimento com. É estar bem com um padrão moral absoluto, do qual ele tem conhecimento de, pois está escrito em seu coração (ou mente, se preferirmos).

Cabe ao homem decidir entre fazer a vontade do super-ego ou ficar mal com a sua consciência moral absoluta!

Como estamos no capítulo da axiologia, deixem-me afirmar que o Cristianismo é o sistema conceptual que defende a ideia mais elevada de valor.

É por causa da elevada concepção na esfera da metafísica, epistemologia e axiologia que o Cristianismo teve um impacto sem ímpar na cultura humana. Lembro algumas estatísticas tirada de Intercessão Mundial de Patrick Jonhstone:

A doutrina cristã é seguida por 35% da população mundial.

A Bíblia está traduzida totalmente ou em porções em mais de 3000 línguas.

A sua mensagem está em vias de ser pregada a todas as gentes em cumprimento da promessa de Cristo:

"E este Evangelho será pregado em testemunho a todas as gentes" Mateus 24:14.

A mensagem de Cristo tem transformado costumes bárbaros e desumanos, tendo introduzido na raça humana os mais profundos conceitos de liberdade, justiça, moral e dos direitos humanos.

Introduziu ainda no sistema conceptual da realidade a ideia monoteísta da Deidade e também a ideia de um Universo uno, único, regular e harmonioso.

Gostaria de acrescentar o seguinte como conclusão sobre a questão da metafísica, epistemologia e axiologia:

As preposições feitas por Jesus e a Bíblia, respondem perfeitamente aos clamores metafísicos, epistemológicos e da axiologia da nossa existência.

Jesus Cristo, a maior referência da humanidade é sem dúvida o objecto final de todas as buscas honestas que possam ser feitas pela filosofia, religião e a ciência, mesmo que estes mantenham, e devam manter, os seus processos próprios de investigação.

Nenhuma filosofia e ciência verdadeiramente honesta atacará a Cristo. Antes, Jesus Cristo será exaltado por todos tão real e magnificente Ele é.

O cristão rejeita completamente a teoria relativa da moral e da ética utilitarista. Estas teorias têm algo em comum: nunca catalogam as acções como más ou boas. As acções são escolhidas e aceites segundo o interesse geral ou particular. Não há uma regra bem definida e clara sobre a conduta humana. O comportamento é sempre relativo.

Mas assim como a linguagem pode tornar-se incompreensível, por ser confusa, por falta de clareza, por falta de pureza, também a linguagem filosófica soa mal à nossa percepção quando não apresenta conceitos claros, correctos e puros sobre Deus, o mundo e o homem.

A alma humana aspira por: "clareza, rectidão, pureza e harmonia e mais filosoficamente dito: aspira pela moral, pelo sublime e pela verdade".

A ciência pode desvendar o mundo físico, a sua composição, limites e o seu funcionamento. A filosofia pode trazer ao de cima muito conhecimento útil e necessário à nossa investigação sobre a função do Universo e do homem.

Mas é à alma humana a quem cabe, por final, inventar, controlar, aceitar ou rejeitar todo o Saber. Na alma humana está a sede do Saber. Ela é quem decide e dá a última palavra.

Queiramos ou não, os instrumentos mais usados pela alma humana na formação do Saber, não são forçosamente os aparelhos que ela inventa, nem são os seus sistemas conceptuais, mas, sim, a razão, a inteligência e os seus cinco sentidos, a visão, o tacto, a audição, o cheiro, o gosto e por último o sexto sentido que é a Fé.


V I I. Religião e Cultura

A. A relação entre a Religião e a Cultura

No que diz respeito à relação entre a religião e a cultura temos pouco a dizer.

Queremos dizer somente que a antropologia cultural do cristianismo não aliena o homem da realidade do seu meio cultural. O cristianismo pode desenvolver-se em qualquer cultura, deixando intacto muito das estruturas sociais, arte e valores que conferem uma particular identidade, dignidade e continuidade a um povo.

O âmago da revolução cristã está acima de tudo no sector moral e religioso. É claro que se os costumes morais e religiosos de um povo são remexidos, a sua cultura também será remexida. A cultura é um sistema integrado de valores, crenças, ideias e factos que quando se mexe num bloco, todo o sistema abana. Mas mesmo assim eu acho que é possível o cristianismo mudar a face moral e religiosa de um povo, deixando intacto muitos dos seus costumes e hábitos culturais.

B. O Cristianimso não é um destruidor das culturas humanas

 "O cristianismo não é um portanto um destruidor de culturas, pois Deus é o criador das diversas raças e culturas humanas".

É por essa razão que as missões cristãs modernas aprofundam o estudo da antropologia cultural, com a finalidade de introduzir numa determinada cultura não cristã, conceitos morais e religiosos de uma forma o mais progressivamente possível.

Para quê? Para que os diversos valores culturais não levem um abanão muito brusco, mas sejam afectados lenta e progressivamente.

Por exemplo, nas sociedades que ainda se pratica a poligamia, há que haver muito cuidado, afim de não criar-se situações de ruptura familiar que seriam mais destrutivas do que construtivas.

Mesmo no que respeita à religião, há que ter muito cuidado com certos costumes que ao serem acabados de um dia para o outro, poderão criar situações de ruptura social e familiar desaconselháveis.

Deve ser a própria vontade de um povo, que aceitando a conversão, começa pouco a pouco a ver as coisas com um outro olhar cultural, ou seja com a mente de Cristo.

Quando assim é, os valores e símbolos culturais que necessitam de transformação, são transformados progressivamente de geração em geração, pela própria vontade desse povo. Isto só é possível através da paciência, perseverança, oração e o ensino progressivo das sagradas escrituras

O alvo do cristianismo é deixar intacto aquilo que não precisa de ser mudado na cultura e transformar o restante de forma sábia e progressiva, de maneira que a dignidade, identidade e continuidade da pessoa evangelizada, tribo ou povo, se mantenha o mais coeso possível e sofrendo poucos abanões.

"O cristianismo é acima de tudo uma filosofia de amor e de graça divina oferecida a todos os povos, acompanhada de valores e de símbolos que podem substituir e compensar os valores e símbolos antigos".

O cristianismo sendo o representante do amor e do poder de Deus, possui uma força cultural transformadora que a médio e longo termo tem tido um impacto imparável sobre todas as culturas. A nossa história é a grande testemunha deste facto.


V I I I. Religião e Revelação

Apesar de haver um duelo entre a ciência e a religião há muitas coisas em comum entre as duas.

Se o nosso conhecimento aumentar e conseguirmos ter uma visão da vida como um todo inseparável, atingindo um ponto de vista mais sinóptico da experiência, compreenderemos melhor que as questões científicas e religiosas estão mais aproximadas do que aquilo que pensamos.

É por ver as coisas deste ponto de vista que tenho vindo a defender que a religião deve ser avaliada racionalmente e deve ser considerada falsa ou verdadeira segundo o crédito que recebe das diversas ciências, tanto humanas como físicas.

È claro que ao avaliar racionalmente uma religião e chegarmos à conclusão que ela é verdadeira por causa da credibilidade científica, isto não implica que entramos automaticamente num relacionamento pessoal com Deus.

Uma coisa é a avaliação racional e científica de uma religião, outra coisa é o relacionamento com Deus.

"Alguém pode aprovar totalmente as doutrinas cristãs por causa da sua coerência e evidências históricas e do seu valor moral, mas nunca ter um verdadeiro relacionamento com Cristo".

Neste caso a pessoa possui uma fé intelectual, mas não possui ainda a fé viva dos crentes.

Aliás, Jesus Cristo é mais acreditado, por causa do seu peso histórico, do que verdadeiramente seguido. É por essa razão que ouvimos dizer que há muitos cristãos nominais. Cristãos só de nome! Mas há poucos de coração!

Um relacionamento com Deus não pode ser feito na base de uma avaliação racional e científica, mas única e exclusivamente na base de uma "Fé salvadora".

"Se dissermos que a razão não precisa da Fé para crer, estamos a dizer que a razão pode compreender Deus". No entanto a razão humana só pode compreender a imanência de Deus: aquilo que de Deus é revelado na criação e na história. O lado não imanente de Deus, a sua transcendência, o seu carácter e os seus desígnios só pode ser compreendida pela Fé em Deus e na revelação que a Bíblia faz Dele.

A diferença entre a razão e a Fé, é que a Fé não é uma cognição, nem se envolve em pesquisas. A única e exclusiva função da Fé é aceitação de algo revelado por Deus através de diversos meios, cujos mais excelentes são o Espírito e a Palavra de Deus.

O leitor não se esqueça que estamos a falar do capítulo: religião e revelação.

O cristão não tem uma compreensão racional completa de tudo aquilo que acredita da revelação de Deus.

Por exemplo, a Bíblia afirma que Deus criou tudo pela Sua palavra: "pois mandou e logo foram criados" Salmos 148:5, e: "pela fé entendemos que os mundos pela Palavra de Deus foram criados" Hebreus 11:3

O cristão pela Fé acredita nesta revelação, mas não compreende racionalmente tudo o que nisso está implicado. Como é que a razão pode crer que tudo o que existe, surgiu simplesmente de uma ordem de Deus: pois mandou e logo foram criados.

A razão pergunta logo: criado a partir de quê? Do nada? E qual foi o processo? Mágico? Então Deus é uma fada?

Deus não pode explicar as coisas mais misteriosas e mais profundas. Só pode revelá-las e serem aceites pela Fé, pois são coisas que não se conseguem compreender racionalmente.

O Cristão acredita que a natureza e a Bíblia lhes revelam Deus. Ele tem fé na revelação natural e na revelação escrita sobre Deus, mesmo sem compreender tudo do ponto vista racional.

Mas a revelação natural e escrita de Deus recebe a credibilidade da razão por ser coerente, evidente e pelo impacto que tem tido sobre a história humana.

O cristão não acredita em coisas irracionais, lunáticas, esotéricas, fanáticas e insensatas, totalmente desacreditadas pela razão humana.

"Há também um valor moral na revelação de Deus que desencadeia a Fé nos crentes".

O valor moral revelado por Deus na sua natureza e na Sua palavra é o mais alto e o mais sublime valor moral da terra. Um incrédulo ao rejeitar a revelação natural e escrita de Deus está também a rejeitar valor morais sublimes.

O capítulo 1 e 2 de Romanos revelam a degradação moral do homem ao rejeitar esses valores morais.

Portanto, existem muitas coisas sobre Deus que a razão não pode compreender. Terá de haver uma revelação, em vez de uma explicação para estas coisas! Terá de haver uma Fé no homem que crê sem ter explicações.

A. A revelação natural de Deus

Deus revela-se claramente através da sua criação, pelas suas obras. Por isso a preposição Deus existe é de carácter filosófico, pois pode ser aceite como verdadeira através da nossa contemplação da criação. Ao contemplar, não compreendemos tudo, estamos a contemplar um grande mistério, grandioso demais para o nosso pequeno raciocínio; mas, ao contemplar, compreendemos claramente que existe um poder divino por detrás das obras grandiosas da criação.

A criação é uma revelação natural muito evidente de Deus Romanos 1:18-21.

Logo, se não compreendemos todo o mistério que estamos a contemplar, pois é grandioso demais para o nosso raciocínio, a Fé vem em nosso socorro para nos ajudar a crer. Se assim não fosse, a nossa razão cairia fatalmente na descrença, pior ainda, na incredulidade.

A razão sem a Fé, torna-se no "positivismo" de Auguste Compte ou no "ateísmo" de Karl Marx, podíamos dizer torna-se na "rameira do Diabo".

B. A revelação escrita de Deus

A Segunda revelação de Deus é escrita, a Revelação Bíblica. Lembramos que Deus tem de revelar-se. Ele revela-se pela criação, mas também pela Bíblia. A criação não é suficiente para revelar certos aspectos da sua Pessoa e o caminho pelo qual podemos ter um relacionamento com Ele. Havia necessidade de uma revelação escrita.

Antigamente, antes da revelação Bíblica, o homem descreveu Deus de diversas maneiras, caindo no animismo, no panteísmo e em religiões muito piores. A magia, a penitência, os sacrifícios humanos, o histerismo sexual e toda uma sorte de rituais pagãos, foram descritos como caminhos para o homem procurar receber as bênçãos e a protecção dos deuses ou das forças cósmicas; e como meios para os homens procurarem um relacionamento com tais poderes sobrenaturais.

Os homens compreendiam pela criação que existiam poderes pessoais ou impessoais atrás da mesma, mas a criação não lhes revelava os caminhos e meios de relacionamento com tais poderes.

Era necessário que Deus escrevesse aos homens e explicasse-lhes melhor a natureza da Sua Pessoa e o caminho para o poderem conhecer. A Bíblia é a carta de Deus escrita aos homens, para lhes falar Dele próprio e do Seu plano redentor para a humanidade.

O homem ao depositar a sua Fé nessa revelação escrita, começa a compreender aquilo que o olho não viu, nem o ouvido ouviu, e nem subiu ao coração do homem. I Coríntios 2:1-14, Hebreus 11:1.

Mas de nada serviria a revelação natural e a escrita se Deus não se revelasse na própria natureza humana. O homem só pode absorver o cheiro da rosa, porque contêm em si próprio a capacidade para cheirar. O homem só pode aceitar a revelação natural e escrita de Deus porque têm uma consciência moral e normativa dentro dele próprio. Esta revelação de Deus na natureza humana chama-se consciência.

C. A revelação de Deus através da consciência

A consciência é a terceira revelação de Deus.

É através da consciência que é constituída por um conjunto de leis morais normativas que o homem aceita a revelação natural e escrita de Deus ou rejeita.
É por ter consciência, razão e vontade humana que o homem tem o poder de acreditar ou desacreditar as coisas. Ele tem o poder para acreditar ou desacreditar naquilo que a razão não compreende, mas que lhe é revelado pela revelação natural e escrita de Deus.

De facto, se o homem, pela consciência que também é uma revelação de Deus dentro da própria natureza humana, desacreditar a revelação natural e escrita de Deus, a Bíblia diz que ele será indesculpável.

"Os capítulos 1 e 2 de Romanos dizem que a incredulidade nunca será desculpável. Pois o poder, a glória e a divindade de Deus está revelada claramente na natureza, na Bíblia e na consciência humana. Os incrédulos não têm desculpa nenhuma!"

D. Jesus Cristo é a revelação suprema de Deus

Jesus Cristo é a Revelação pessoal de Deus. Jesus é Emanuel que quer dizer: "Deus connosco" Mateus 1:23, Ele é: "o verbo que se fez carne e habitou entre nós" João 1.

A Revelação de Deus atinge o clímax com Jesus Cristo, que é ao mesmo tempo Homem e Deus perfeito. Ele desceu do céu e revelou-se como sendo o Messias prometido, que veio morrer e ressuscitar para nos salvar, segundo as escrituras sagradas. Romanos 15:1-10, Lucas 24:36-47.

O homem ao rejeitar Deus está a rejeitar quatro revelações de Deus: a natural, a escrita, a consciência e Jesus Cristo que é a suprema revelação de Deus.

E. O Espírito Santo a última revelação de Deus

Finalmente, o Espírito Santo desceu à terra para revelar Jesus Cristo espiritualmente aos homens e permitir que o homem tenha um relacionamento com Ele.

O homem ao ser iluminado pelo Espírito Santo e compreender quem é Cristo, o Salvador do mundo, recebe-o em seu coração e automaticamente passa a ter comunhão com Deus.

Jesus disse: "Eu Sou o caminho, a verdade, e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim" João 14:6. Jesus Cristo leva-nos ao Pai das luzes.

Jesus fez muitas referências à vinda do Espírito Santo no Evangelho S.João para desempenhar o ministério de revelar Cristo ao pecador, convencendo-o de: "pecado, da justiça e de Juízo" João 16:8; e guiando-o na verdade: "Quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiaará em toda a verdade" João 16:13

Esta inter-comunicação entre o Espírito Santo e o espírito humano é espiritual e não racional. É por essa razão que um iletrado, que não tem qualquer poder cognitivo, pode ter comunhão com Deus.

No entanto, os mestres da cognição, podem nunca a vir ter comunhão com Ele: "Graças te dou, ó Pai, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelastes aos pequeninos". Mateus 11:25-30.

A Fé é esta capacidade espiritual que o homem tem para acreditar nas revelações de Deus, sem que a razão tudo compreenda.

É uma capacidade que não exclui a razão humana, antes trabalha em conjunto com essa razão. A Fé utilizando a razão, que accionando a volição, a emoção e a percepção sensorial do homem, torna-se o canal através da qual o homem dialoga com Deus e Deus dialoga com ele. Era impossível ao homem dialogar com Deus só pela Fé, sem o uso da razão.

Poderíamos dizer com toda a certeza que a Fé é o canal de Deus e a razão é o canal da Fé.

Mas, podemos perguntar: Porquê que o homem tem tanto dificuldade em crer no desconhecido, no misterioso?

Porque esta capacidade para crer foi afectada pelo pecado original. Antes do pecado original, a Fé exercitava-se na dimensão natural e espiritual do homem. Com a entrada do pecado no mundo, veio a morte espiritual e a Fé passou exercitar-se exclusivamente no reino natural e tornou-se cega no reino espiritual.

É no contexto da queda do homem, que se situa a revelação escrita, a revelação de Cristo e do Espírito Santo.

Deus, pela Bíblia, pelo Seu Filho e pelo Espírito Santo, faz um trabalho na consciência, na razão e na percepção sensorial do homem, convencendo-o a crer. A Fé é reavivada através de um dom espiritual que Deus concede ao homem. A Fé é um dom de Deus.

Nenhum homem pode crer se Deus não tocar a sua mente e o seu coração com o dom da fé. É por essa razão que se diz que a Fé Salvadora em Cristo é um dom de Deus. O homem ao deixar-se despertar pelas revelações de Deus, recebe o dom de crer. A Fé é um dom!

Como o homem é incapaz de compreender Deus pela sua razão, ele terá que depender forçosamente de um acto de iluminação proveniente de Deus - a Revelação.

Não é o homem que descobre o caminho para Deus, pela sua razão, mas é Deus que lhe revela o caminho – Jesus Cristo.

A Filosofia e a Ciência pensam que este caminho, se de facto existe, deve ser encontrado através da investigação. As religiões pregam que o caminho pode ser encontrado através das suas formas: magia, rituais e crenças inventadas por cada religião.

Segundo a Bíblia – o caminho é Jesus Cristo. O trabalho do Espírito Santo é revelar Jesus Cristo.


I X. Religião e Moralidade

A. A relação entre religião e moralidade

As origens da Religião estão na busca do homem por um relacionamento com o mundo sobrenatural, afim de receber a ajuda que necessita para resolver situações que estão para além do seu controle. Inicialmente as origens da Religião não tinham nada a haver com a área chamada moral. Para os povos primitivos não havia distinção entre o social, o moral e o religioso. Estas áreas da vida formavam um todo, do qual nasciam os diversos costumes e leis da tribo.

Portanto, pode-se dizer com toda a certeza que tecnicamente falando a Religião e a Moralidade têm diferentes raízes históricas. Por essa razão, querer dar à Religião uma definição equivalente à moralidade ou vice-versa não é correcto.

Antigamente, a conduta moral dos povos, parecia não ser mais do que a obrigação de seguir as leis e regras ditadas pela comunidade. A moral era vista como um costume social, distinto de quaisquer acções que lhe fossem próprias. A moral falava de regras, preceitos, deveres e costumes, constituídos pela sociedade para orientar os homens nas suas relações com os seus semelhantes.

Enquanto que a Religião falava da busca do sobrenatural e do desconhecido, no sentido de tentar estabelecer um relacionamento - adequado e benéfico - com Deus ou os deuses que nos governam.

A religião envolvia o sobrenatural: o relacionamento com Deus.

A moralidade envolvia o natural: o relacionamento social do homem com a sociedade.

Neste aspecto a Religião e a Moralidade são totalmente distintas e têm raízes e causas totalmente diferentes.

Vemos ainda que a religião não é um sinónimo de moralidade. Por exemplo, há povos muito religiosos que podem transgredir leis morais básicas.

E há pessoas que não seguem qualquer Religião que podem cumprir leis morais básicas, melhor do que os religiosos.

"Devemos então compreender que a moralidade refere-se a um sentimento comunitário existente nos homens e que se expressa pela conduta de cada um, ao tentar contribuir o melhor que pode para o bem estar de todo o grupo. A essência da moralidade provêm do sentido de obrigação de fazermos o que pensamos ser correcto fazer para o bem comunitário".

Mas, apesar de serem distintas no que respeita às suas esferas principais de acção, será que não devemos procurar estabelecer uma conexão entre Religião e Moralidade?

É claro que devemos, mas, para isso, teremos que reconhecer que este sentido moral que leva o homem a procurar contribuir o melhor que pode para o bem estar da comunidade, "provêm de uma lei moral absoluta que existe dentro dos homens".

No entanto, muitos estudiosos, acham que este sentido moral não é proveniente de uma lei absoluta existente no interior do homem. Dizem que este sentido moral, longe de ser absoluto, é um produto do desenvolvimento comunitário que possuem todos os animais que vivem em comunidade.

Portanto, o Universo interpretado de uma forma naturalista ou materialista, não possui nenhuma lei moral absoluta.

Por exemplo, Westermarck, considerava que o julgamento moral é emocional e não racional. Neste caso a lei moral é subjectiva. É uma tendência que aprova ou desaprova, de acordo com as leis comunitárias do grupo em que o indivíduo está inserido.

Mas, segundo o Cristianismo, a lei moral é um sentido inato, independente do julgamento de um povo, da mesma forma que o mundo físico é constituído por factos que não podem ser alterados pelo nosso julgamento.

"O mundo físico pertence à realidade. É a expressão das coisas tal como são - criadas imutáveis - que não podem ser alteradas, e, o mesmo se passa com a lei moral, faz parte da realidade e não podem ser alteradas!"

Segundo o Cristianismo não podemos procurar a lei moral na história, como se fosse uma voz que é consolidada através das idades. A lei moral possui um carácter intrínseco e absoluto. Infelizmente, através da História, a força das armas e a força da injustiça têm feito calar muitas vezes a voz da nossa consciência, esse tal sentido moral inato.

É seguindo a concepção de uma lei moral objectiva e absoluta, que se pode formar uma conexão entre Religião e Moralidade. Doutra forma isto não seria possível.

B. A lei moral depende da lei divina

Quando aceitamos que a lei moral depende de uma lei divina, a Moralidade passa a ser para nós a expressão da vontade de Deus para o comportamento humano. Passa a ser reconhecida como a lei mais absoluta da realidade, da qual o homem não pode escapar, de todas as leis que o homem conhece.

Se a consciência tivesse o poder que tem a sua autoridade, a consciência governaria o mundo, segundo disse Butler. Mas o grande problema é que o poder da moral não se encontra na sua história, mas, sim, no seu carácter intrínseco.

Segundo o ponto de vista cristão, a rectidão ou o erro de uma acção não é determinado meramente pelo prazer ou a dor que isto dá ao seu executante ou aos outros.

Vimos assim que apesar da Moralidade circunscrever-se ao comportamento comunitário, as suas directrizes não dependem:

dos nossos julgamentos.

da nossa razão.

dos costumes dos povos.

das leis sociais.

dos gostos subjectivos dos homens.

As leis morais pertencem ao Universo, à constituição da sua realidade. É uma expressão de coisas imutáveis.

É a partir deste ponto de vista que a lei moral encontra a sua conexão com Deus, ou com o poder sobrenatural que existe por detrás do Universo.

Se assim não fosse, a moral seria algo totalmente definida pela sociedade segundo os seus interesses. Infelizmente, tem sido assim.

A Moralidade tem sido baseada e promulgada pela sociedade e não segundo a natureza santa de Deus. Iremos citar algumas situações no final deste capítulo que nos mostram que as leis promulgadas pela sociedade vão contra a natureza e o carácter intrínseco da moralidade.

Então, vemos que embora haja uma distinção entre moral e religião, a religião devia ser o agente que permitisse manter uma verdadeira conduta moral dentro da sociedade.

A ideia de que o homem nasce bom, perdeu toda a sua força, com a expansão teológica do cristianismo afirmando que o homem nasce depravado por causa do pecado original.

A doutrina da depravação do homem devido ao pecado original, ganhou muita força e influenciou os pensadores da época até agora. A teologia cristã é autor do dogma que atesta que Deus criou o homem à sua semelhança, inocente e livre, mas, por causa do pecado original, o homem perdeu a influência da semelhanças de Deus, especialmente no que diz respeito à sua conduta moral e espiritual.

Não temos dúvida nenhuma, que a concepção teológica do pecado original, encontra algumas dificuldades no campo científico, nomeadamente da biologia. No entanto, esta doutrina tão antiga e tão amplamente aceite até aos dias de hoje, tem uma base sólida.

Apesar das dúvidas na área biológica, as ciências da vida em geral parecem estar de acordo com a concepção de pecado original. Pois há na mente humana uma mancha hereditária histórica. Há traços de um lapso, de um erro e de perversões dentro da alma humana, mesmo nas vidas mais cultivadas e ordenadas, que dão a impressão que a natureza humana está fatalmente inclinada para o erro.

Embora o velho dogma da culpa original, esteja lutando com muitas dificuldades em nossos dias, por causa do avanço das diversas ciências, continua, no entanto, a manter a sua ligação com os factos do comportamento humano. Pois os factos históricos, queiramos ou não, dão razão à ideia da culpa original ou da depravação do comportamento humano.

É um facto real que existe no homem uma inclinação inata para a imoralidade, mesmo que queiramos ver isto só a um nível social. Este facto é comprovado pelo comportamento do homem à nossa volta: a vaidade, o egoísmo e a avareza; a exploração do homem, a violência e o crime; a guerra e o terrorismo; a droga e o desregramento sexual, são provas disto.

"Romanos capítulo 7 ainda não está derrotado. Por muitas teorias que se façam, nenhuma delas derrubará, o peso das evidências que dão razão à doutrina exposta em Romanos capítulo 7".

Se não podermos dizer que a base moral do nosso ser pode ser racionalmente demonstrada, podemos pelo menos argumentar que há uma certeza moral na nossa base existencial. Uma certeza moral que nos revela que a lei moral não é subjectiva. É, sim, objectiva e absoluta.

Enquanto estivermos dispostos a manter que: é melhor salvar a vida do que matar e é melhor não ser egoísta do que ser, teremos de acreditar que existe um elemento objectivo na moralidade.


C. Teorias erradas sobre moralidade

1. Relativismo moral

A teoria do relativismo cultural está na base de muitas das doutrinas da moralidade que se opõem ao Cristianismo.

A tese é a seguinte: não há nada que seja feito ao mesmo tempo, em todos os lugares do mundo, como sendo errado ou sendo correcto। Para esta ideologia, o que uma cultura pode crer como certo pode estar totalmente errado noutra cultura.

Se uma cultura achar que não é errado roubar, sendo bom que todos os seus cidadãos roubem uns aos outros com vistas a aumentarem a sua riqueza pessoal, será neste caso o roubar certo? O leitor tem que responder.

Sabemos que o roubar seria errado. Pois, o certo e o errado não pode ser meramente julgado por uma cultura, sem atender a factores importantes que estão directamente implicados nesta concepção do certo e do errado. Considerando isto, podemos desde já concluir que a moral não ser determinada a partir de um relativismo cultural.

A questão da moral é muito mais profunda e delicada do que isso, para que a reduzamos a um mero relativismo cultural. O Cepticismo moral deriva deste relativismo cultural. É a suposição que afirma que é impossível haver uma avaliação racional da moral.

Mas vejamos o seguinte: está certo ou errado o argumento: nunca se deve torturar alguém.

Não nos parece que um argumento deste tipo possa ser decidido segundo os nosso ponto de vista. A resposta certa é sem dúvida: nunca se deve torturar alguém.

O problema do cepticismo moral é decidir se proposições morais como as de cima, podem ser catalogadas de falsas ou verdadeiras.

É devido ao relativismo moral que a sociedade em nossos dias, está tendo muitas dificuldades em decidir questões como: aborto, eutanásia, homossexualismo, casamento e divórcio, manipulação genética, e questões políticas como a paz, guerra, direitos humanos, desarmamento nuclear e o globalismo.

2. O egoísmo ético

Outra teoria, é a do Egoísmo Ético. Normalmente, esta teoria defende que uma pessoa deve fazer aquilo que for de seu próprio interesse

3. O hedonismo

Defende que o que é intrinsecamente bom é o que produz prazer, ou ausência de dor। Isto quer dizer, que o que é intrinsecamente mau é tudo o que causa dor, ou ausência de prazer.

Alguns dos conhecimentos foram adquiridos através da leitura de alguns livros. Em baixo seguem o nome de alguns desses livros

Christianity in a Mechanistic Univers escrito por D.M.Mackay em 1965.

The Philosophical Approach to Religion escrito por Eric S. Water em 1933.

Christianity and Fhilosophy escrito por Keith E.Yandell

Intercessão Mundial escrito Patrick Jonhstone

Mas, embora este trabalho faça muitas referência ao conteúdo destas obras, a tese que eu defendo sobre as evidências históricas do cristianismo, a sua coerência com a vida e a realidade e o seu impacto sem ímpar sobre a nossa humanidade, é da minha autoria.

INDÍCE

Capítulo 1 INTRODUÇÃO
A Definição de Filosofia
O Cristianismo e a Filosofia

Capítulo 2 CRISTIANISMO E RELIGIÃO
As origens da Religião
Definição de Religião
Religião a vida humana e seus interesses
Religião e Ciência
Religião e Filosofia
Religião e Cultura
Religião e Revelação
Religião e Moralidade

Capítulo 3 OS CAMPOS DE CONHECIMENTO
O Campo da Filosofia
O Cristianismo e o conhecimento
A Natureza do conhecimento
O Conhecimento religioso

Capítulo 4 A IDEIA DE DEUS
Deus e a razão humana.
As primeiras perguntas.
Provas teístas
Os Diversos argumentos
Natureza e atributos de Deus
Conceito moderno quasi-teísmo
É Deus inefável?
A natureza da experiência

Capítulo 5 A IDEIA DO UNIVERSO
Dualismo.
Monismo.
Pluralismo
Materialismo

Capítulo 6 A IDEIA DO HOMEM
Conversão do homem segundo o cristianismo
Relação do homem e a sociedade
A personalidade e o livre arbítrio

Capítulo 7 A IDEIA DO BOM
As teorias do bom

A IDEIA DO MAL
O mal o sofrimento e Deus
As preposições: o mal existe e Deus existe
Razões filosóficas válidas
Razões bíblicas válidas p/existência do mal

Capítulo 8 DEUS E O MUNDO
O panteísmo.
O deísmo
O monoteísmo

Capítulo 9 DEUS E O HOMEM
A concepção da teologia natural
A relação entre a razão e a revelação
Relação entre Deus e a humanidade
É Deus finito ou é infinito

Capítulo 10 OS MILAGRES E O ALÉM
Evidências para os milagres
A ressurreição de Cristo
O método do processo histórico
Algumas provas históricas que são
evidentes da ressurreição de Cristo.

Capítulo 11 A IDEIA DO ALÉM
As relaçõe dos conhecimentos com a morte
O Cristianismo e a morte

Capítulo 12 ASSUNTOS CONTROVERSOS
A posição sobre diversos campos:Aborto, eutanásia, sodomia, divórcio, bebé proveta, manipulação genética, clonagem, guerra, paz, terrorismo, globalismo.

FIM

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