terça-feira, 3 de julho de 2007

8 - O dom de línguas

I. Introdução ao assunto

Todos nós gostaríamos de ter um pouco mais informação para compreender melhor esta questão das línguas, especialmente no contexto da Igreja de Coríntios - I Coríntios 12 a14.

No entanto, vemos que no livro de Atos é o contrário, pois contém informação suficiente para podermos chegar mais facilmente a uma conclusão bíblica daquilo que Atos está a dizer sobre as línguas.

É claro que a falta de informação e clareza, especialmente na epístola aos Coríntios, tem criado dificuldades nos meios evangélicos, onde existem algumas interpretações diferentes sobre as línguas.

Podíamos desde já perguntar: Será que o livro de Atos e a espístola aos Coríntios estão a falar da mesma experiência sobre as línguas ou estão a falar de experiências diferentes?

A maioria dos teólogos, senão todos, pensam que o livro de Atos e a espístola aos Coríntios estão exactamente a falar da mesma experiência sobre as línguas. Somente que uns acham que são línguas miraculosas conhecidas e outros acham são línguas miraculosas celestiais.

Normalmente falando, aqueles que acreditam que eram linguas miraculosas conhecidas, são os que acham que este dom cessou, mas o que acreditam que eram línguas miraculosas celestiais, acham que o dom  de línguas continuou nos tempos da Igreja.

Neste estudo, eu irei analisar os diversos textos bíblicos ligados às línguas, tanto no livro de Atos, como na epístola aos Coríntios. Irei também falar das diversas interpretações sobre as línguas nos meios evangélicos e procurar salientar a interpretação que eu acho ser a mais correcta.

Vamos então em primeiro lugar ver o que o Livro de Atos diz sobre as línguas.


I I. Interpretação das línguas no livro de Atos

A. Em Atos as línguas aparecem como um "sinal"

1. Um sinal para a Nação incrédula de Israel

Por aquilo que tenho lido na Bíblia e em comentários bíblicos, tudo parece indicar que as línguas aparecem em Atos 2 como um 'sinal' de julgamento para a nação judaica incrédula, que não quis ouvir os profetas e o Messias a falar-lhes da parte de Deus, na sua própria língua, antes rejeitaram e mataram alguns profetas e rejeitaram e mataram o messias.

Vemos em Mateus 21:33-46 que Jesus contou um parábola sobre o dono da vinha que arrendou a vinha a uns camponeses e foi viver para longe. Mais tarde enviou os seus criados para receber a parte do fruto que lhe pertenciam. Mas eles agarraram os criados, espancaram um, mataram outro e apedrejaram outro. Ele enviou o filho e eles também mataram o filho.

Quando Jesus perguntou aos ouvintes: "Em face disso, o que fará o dono da vinha àqueles camponeses quando voltar". Eles responderam: "Matará aqueles malvados e arrendará a vinha a outros camponeses que lhe dêm a sua parte da colheita no tempo devido".

Jesus respondeu: "... a pedra que os construtores rejeitaram veio a tornar-se a pedra de esquina! Por isso vos declaro que o Reino de Deus, vos vai ser retirado, para ser dado a um povo que produza os devidos frutos.

Então, vemos que tudo indica que as línguas são um "sinal" de julgamento para os judeus incrédulos que rejeitaram e mataram alguns criados (que são os profetas) e rejeitaram e mataram o Filho (que é o Messias) do dono da vinha (que é Deus).

Nós vemos que mesmo na epístola aos Coríntios, Paulo afirma que as línguas são um sinal para os incrédulos. Ele utiliza o texto de Isaías 28:10,11 para defender esta conclusão.

Isaías 28:11 Pelo que, por lábios estranhos e por outra língua, falará a este povo.

Por essa razão Paulo salienta esta passagem de Isaías em I Coríntios 14:20-21 Está escrito na lei: "Por gente de outras línguas,e por outros lábios falarei a este povo; e, ainda assim, me não ouvirão". Depois Paulo faz uma afirmação: "De sorte que as línguas são um sinal, não para os crentes, mas para os descrentes".

Este texto de Isaías 28:11 e I Coríntios 14:20-21, tem sido muito mal interpretado, pois muitos dizem que siginifica que Deus está a dizer que iria falar em línguas estranhas ao povo de Israel e isto foi cumprido em Pentecostes, tentando justificar assim o uso das línguas como um dom dado à Igreja, pelo qual Deus iria falar e edificar a Igrejas.

Mas, Isaías, está a dizer o contrário. Ele está a dizer que por causa da desobediência de Israel, Deus iria trazer julgamento sobre eles, utilizando o povo da Babilónia, cuja língua o povo de Deus não conhecia, para dominá-los e destrui-los. As línguas faladas pelo povo da Babilónio são um "sinal" de julgamento para a nação de Israel, que iria ouvi-los falar pois seria dominado por eles, sem os compreender, e que por final iria ser destruído por eles.

Paulo, está a fazer um paralelo e a dizer que as línguas estranhas faladas em Pentecostes são um "sinal" de julgamento para a Nação de Israel como foram naltura de Isaás. Por isso, depois de fazer referência a Isaías, ele diz aos Coríntios "De sorte que as línguas são um sinal, não para os crentes, mas para os descrentes - incrédulos".

2. Um sinal que os gentios iriam começar ouvir o Evangelho

Mas, ao mesmo tempo, eu acho que as línguas foram também um 'sinal' indicando que o Evangelho iria começar a ser pregado em todas as línguas aos outros aos gentios, os camponeses da nossa parábola a quem o dono da vinha arrendou a vinha, e disse que eles iriam dar fruto! Mateus 21:33-46

3. Um sinal estrictamente ligado ao cumprimento da profecia

A Festa do Pentecostes judaica celebrada há muitas centenas de anos pelos judeus, era uma predição sobre a descida do Espírito Santo e, por isso, a descida do Espírito Santo deu-se exactamente no decorrer da Festa do Pentecostes daquele ano, a seguir à morte de Cristo.

A descida do Espírito Santo também já tinha sido anunciado também pelo profeta Joel.

Joel 2:28-32 "Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel: E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne"

Não devemos esquecer que a profecia predita pela Festa do Pentecostes sobre a descida do Espírito Santo foi cumprida a seguir à paixão de Cristo que ocorreu durante a Festa da Páscoa, que por sua vez era uma predição da morte de Cristo.

Cristo é chamado na Bíblia a nossa páscoa e o cordeiro de Deus. I Coríntios 5:7 "Cristo, a nossa páscoa" e João 1:29 "eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo".

A morte de Cristo, predita e simbolizada pela Festa da Páscoa, foi seguida pela descida do Espírito Santo, predita e simbolizada pela Festa do Pentecostes e pelo profeta Joel.

Portanto, eu acho que as línguas no livro de Atos são um "sinal" estrictamente ligado ao cumprimento da profecia sobre a descida do Espírito Santo, predita pela Festa do Pentecostes judaica e pelo profeta Joel.

Logo, quando a profecia se cumpriu no livro de Atos, o "sinal" cessou, ou melhor as línguas cessaram! Estou somente a falar agora do livro de Atos e não da carta aos Coríntios.

4. As línguas faladas em Atos eram línguas miraculosas conhecidas

Além disso, vemos que o livro de Atos é também muito claro no que diz respeito à natureza das línguas que eles falaram. Eles falaram as línguas dos povos que tinham vindo à Festa do Pentecostes, que os ouviram a glorificar a Deus nas suas próprias línguas.

Atos 2:8 “e cada um os ouvia falar na sua própria língua”, “como pois os ouvimos falar, cada um, na nossa própria língua, em que somos nascidos”. “

Vimos então nestes 4 sub-pontos que as línguas no livro de Atos são claras:

Em primeiro lugar, aparecem como um "sinal" de julgamento para os judeus incrédulos que rejeitaram os profetas e o messias que lhes falaram na sua própria língua, mas eles não ouviram.

Em segundo lugar, era um "sinal" indicando aos gentios que o Evangelho iria pregado em todas as línguas a todos os povos do mundo.

Em terceiro lugar, era um "sinal" estrictamente ligado ao cumprimento da profecia sobre a descida do Espírito Santo predita pela Festa do Pentecostes e pelo profeta Joel. Logo, quando o cumprimento da profecia se deu no livro de Atos, o "sinal" cessou, ou seja, as línguas cessaram!

Em quarto lugar, as línguas miraculosas em Atos, eram línguas estrangeiras das pessoas reunidas ali que os ouviram glorificar a Deus nas suas próprias línguas. Não eram, portanto, línguas celestiais ou línguas estranhas, eram línguas humanas conhecidas e faladas.

Portanto as línguas em Atos são muito claras, mas já não podemos dizer o mesmo de I Coríntios 12 e 14 em que as línguas aparecem citadas no meio de um ambiente de confusão, que alguns chamam de "catástrofe corintiana", e isto tem permitido a criação de diversas interpretações nos meios cristãos.

5. A falta de informação sobre as línguas nas epístolas

A complicar mais esta questão é não termos mais informação espistolar, pois mais nenhuma epístola fala das línguas. É claro que o facto das línguas não ser falada em mais nenhuma epístola, complica a questão pois só existe informação na epístola aos Coríntios.

Eu não estou a dizer com isso que não é possível formar uma teologia correcta sobre as línguas a partir de I Coríntios 12 e 14. Estou simplesmente a comparar a clareza que encontramos no livro de Atos, com a falta de clareza que encontramos em I Coríntios 12 e 14.

Mas como disse há pouco, o facto das outras epístolas não falarem nas línguas limita a informação e dificulta a interpretação epistolar sobre as línguas. Mas, no entanto, eu terei que acrescentar também que isto pode ser uma prova que possivelmente nunca falaram línguas nas outras Igrejas, ou que pelo menos os apóstolos não deram grande importância às línguas, por isso nada disseram nas epístolas, excepto aos Coríntios.      
                                                                                                                             6. As línguas não valem a importância que lhes tem sido dada
                                                                                                                             Desta forma, eu acho que nós não devíamos dar às línguas, mais importância do que aquela que as epístolas dão. É melhor concentrar o nosso ensino nos dons e ofícios mais evidentes no Novo Testamento e que servem para a edificação da Igreja.

Como por exemplo os dons ligados aos ofícios citados em Efésios 4:11 - Apóstolo, Profeta, Evangelista, Pastor e Doutor, que foram dados para a edificação dos Santos para a obra do ministério.

Estes cinco ofícios estão todos ligados à proclamação e ensino da Palavra de Deus.

O Apóstolo prega e ensina a Palavra de Deus em locais aonde não existem Igrejas e dá início a novas Igrejas.

O Profeta utiliza a Palavra de Deus para exortar o povo de Deus a viver para Deus. O Profeta também utliza a Palavra de Deus para advertir quando o povo de Deus começa a viver na complacência e negligência, advertindo-os de castigo se não se arrependem se voltam-se para Deus.

O Evangelista prega o Evangelho aos perdidos.

O Pastor ensina, exorta e cuida das ovelhas segundo a Palavra de Deus.

O Doutor ensina e edifica a Igreja no conhecimento das doutrinas da Palavra de Deus.

Mas vamos agora analisar o que o livro de Atos diz sobre as línguas e depois o que Coríntios 12 e 14 também diz sobre sobre as línguas e depois podemos então chegar a uma conclusão:

B. As línguas são o resultado de um "enchimento" único e especial

Como já disse, as línguas foram o resultado de um enchimento especial que vemos no livro de Atos, em cumprimento das profecias preditas pela Antiga Festa do Pentecostes e pelo profeta Joel, sobre a descida do Espírito Santo.

Foi por essa razão que a descida do Espírito Santo aconteceu exactamente durante a Festa do Pentecostes naquele preciso ano, a seguir à morte de Cristo, que por sua vez foi predita pela Festa da Páscoa e aconteceu também durante esta Festa da Páscoa.

Os discípulos falaram as línguas dos povos ali reunidos, glorificando a Deus através das línguas, como um "sinal" de julgamento' sobre a Nação incrédula de Israel que rejeitaram os profetas (os criados do dono da vinha) o messias prometido (o filho do dono da vinha).

Mas, ao mesmo tempo, como um "sinal" a indicar que a morte e a ressureição do messias prometido e rejeitado pela Nação judaica, iria ser proclamada a partir daí a todas as gentes, ou seja, em todas as línguas, a muitos gentios iriam dar fruto para Deus!

Era, portanto um "sinal" temporário, ligado estrictamente ao cumprimento da profecia sobre a descida especial do Espírito Santo. Logo, tendo o Espírito Santo descido à terra, o "sinal" cessou.

Mas, para melhor compreendermos estes aspectos, vamos ver as diferenças entre esta operação da descida especial do Espírito Santo no Pentecostes narrada no livro de Atos e as outras operações do Espirito Santo que vemos também acontecer no livro de Atos.

C. Sabendo diferenciar a descida no Pentecostes das outras operações do Espírito

1. As três ocasiões especiais da descida especial do Espírito Santo no Pentecostes

Eu acho que um dos grandes grandes erros nesta matéria, começa logo a partir da nossa compreensão do capítulo dois do livro de Atos.

1.1 Descida do Espírito Santo em Atos capítulo 2

Atos 2 não está a falar do Batismo do ou no Espírito Santo, ou de qualquer outra operação do Espírito Santo, mas está a falar sim de um derramamento especial do Espírito Santo, como vemos revelado claramente no versículo:

“eis que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne” Atos 2:17

As línguas aparecem em Atos 2 como resultado do cumprimento deste derramamento profético, em que eles foram cheios do Espírito Santo de tal maneira que falaram miraculosamente nas línguas dos povos ali reunidos.

Atos 2:4 "E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem"

Eu acredito que este acontecimento se repetiu mais duas vezes no livro de Atos, até a profecia simbolizada pela Festa do Pentecostes e feita pelo profeta Joel sobre a descida do Espírito Santo ter sido completamente cumprida.

1.2 Descida do Espírito Santo na casa de Cornélio, o gentio:

Aconteceu em Atos 10:44-46

É a história de Cornélio o gentio, na casa do qual Pedro não estava disposto a entrar. Ele teve que receber uma visão para ir à casa de Cornélio.

Depois de Pedro ter pregado o Evangelho e o Espírito Santo ter descido sobre os gentios na casa de Cornélio, a Bíblia diz que "os judeus ficaram maravilhados, de que o dom do Espírito Santo se derramasse também sobre os gentios, porque os ouviam falar línguas e magnificar a Deus". Atos 10:45

Agora, não eram só os judeus que em Atos 2, ao receberem a descida especial do Espírito Santo, falaram línguas, chegou a vez dos gentios, que na casa de Cornélio, ao receberem também a descida especial do Espírito Santo também falaram línguas, glorificando a Deus.

O cumprimento da profecia sobre a descida do Espírito Santo sobre toda a carne, mais uma vez se cumpriu, e irá acontecer mais uma vez no capítiulo 19 e cessar.

Portanto, o acontecimento na casa de Cornélio, o gentio, é um acontecimento especial, é a continuação do cumprimento da profecia sobre a descida do Espírito Santo, que começa em Atos 2 e por isso é acompanhado das línguas.

É por isso que vemos no capítulo 11, que quando Pedro desceu a Jerusalém e disputava com os judeus que não gostaram que ele tivesse vistado e batizado Cornélio, o gentio, ele justificou-se, e relatando o que aconteceu, dizendo:

Atos 11:15 "E, quando comecei a falar, caiu sobre eles o Espírito Santo, como também caiu sobre nós no princípio" (quer dizer em Atos 2).

O acontecimento na casa de Cornélio, é especial, é uma extensão do que aconteceu em Atos 2 e que dali a pouco ia cessar.

Mas, daqui a pouco, vamos ver que nos acontecimentos normais do livro de Atos, ou seja quando alguém se converte, é cheio, equipado ou ungido pelo Espírito Santo nunca há nenhuma referência às línguas.

1.3 Descida do Espírito Santo sobre os díscipulos de João Batista:

De novo aconteceu em Atos 19:1-7 e é a última vez que se houve falar em línguas no livro de Atos.

De novo, é um acontecimento especial. Não é um acontecimento normal envolvendo enchimento, unção ou salvação.

É um acontecimento especial, sendo de novo uma extensão de Atos 2, assim como foi Atos 10.

Pois, desta vez, eram os discípulos de João que foram convertidos na dispensação anterior pela pregação de João Batista e não foram convertidos na dispensação da Igreja. O Espirito Santo desceu sobre eles, para que transitassem da dispensação anterior para a nova dispensação da Igreja e, deste modo, eles falaram línguas, tal como em Atos 2 e Atos 10

Atos 19:6 "e impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas e profetizavam".

Notem bem o seguinte:

Atos 10:45 fala da descida do Espírito Santo igual à descida de Atos 2, pois diz "os judeus maravilharam-se que o Espírito Santo também se derramasse sobre os gentios"

Atos 11:15 Pedro ao explicar aos judeus este acontecimento, de novo fala dessa descida especial, dizendo "caiu sobre eles o Espírito Santo, como também sobre nós ao princípio". Em Atos 2!?

Tudo isto para dizer que Atos 10 e Atos 19 está a fazer referência à descida do Espírito Santo como cumprimento da profecia, tal como aconteceu em Atos 2 na festa do Pentecostes, quando esta profecia começou a cumprir-se.

Portanto, Atos 2, Atos 10 e Atos 19 não está a falar de um dom comunicado pelo Espírito Santo para ser utilizado para a edificação da Igreja. Não está a falar de uma unção, enchimento, equipamento ou do batismo do Espírito Santo que todos os crentes recebem quando nascem de novo.

É por essa razão que em 11 e 19 eles falam línguas, como aconteceu em Atos 2, pois é a mesma operação especial ligada ao cumprimento da profecia sobre a 'descida' do Espírito Santo, predita pela Festa do pentecostes e pelo profeta Joel.

Mas tirando as três ocasiões, Atos 2, Atos 11 e Atos 19, não há mais nenhuma narração no livro de Atos onde vemos os discípulos a falarem línguas ou proclamarem o Evangelho através das línguas, assim como também aqueles que receberam a mensagem e se converteram, não há nenhum narração sobre terem falado línguas.

D. Conclusão sobre a descida do Espírito Santo em Pentecostes

1. Tirando as 3 ocasiões não se ouve falar mais de línguas em Atos

Tirando estas 3 ocasiões, Atos 2, Atos 10 e Atos 19, o livro de Atos revela que o Espírito Santo desceu diversas vezes sobre os discípulos para dar poder, ousadia, equipar, ungir e desceu muitas vezes sobre uma pessoa ou um grupo de pessoas, para dar salvação, mas nunca diz que eles falaram línguas.

Porquê, porque estamos aqui a falar de operações diferentes efectuadas pelo Espírito Santo. Pode ler isto no meu blog sobre o Espírito Santo.

O derramamento do Espírito Santo no Pentecostes como vemos em Atos 2, Atos 10 e Atos 19, é uma operação especial da descida inaugural do Espírito Santo, que cumprida naquele Pentecostes, em que o Espírito Santo encheu os discípulos de forma tal que eles receberam poder para falarem línguas estrangeiras.

Mas as outras operações, nomeadamente as operações de equipamento, enchimento, unção e salvação são operações normais do Espírito Santo na vida dos crentes, que nunca vemos acompanhadas pelas línguas no livro de Atos.

É claro que não estou a dizer que esta descida especial e colectiva, sobre os judeus em Atos 2, sobre os gentios em Atos 10 e sobre os discípulos de João em Atos 19, não pudesse ter acontecido mais uma vez ou outra ocasionamente nos primeiros anos da Igreja primitiva.

Há alguns que pensam que o que Paulo está a falar em Coríntios 12 a 14 sobre as línguas, é o que aconteceu em Atos 2, Atos 10 e Atos 19, em que na Igreja de Coríntios ainda se falavam miraculosamente línguas estrangeiras.

O problema em Coríntios é que as línguas eram faladas  dentro de um ambiente de desordem e má utilização das línguas, e Paulo teve que intervir para explicar a razão de Deus ter permitido este sinal das línguas e também explicar a sua utilidade.

É de notar que tirando Coríntios, não se ouve falar em mais nenhuma epístola sobre as línguas.

Isto revela que se de facto Paulo em Coríntios está a falar das línguas que aconteceram em Atos 2, Atos 10 e Atos 19, temos que concluir que isto só estava a acontecer na Igreja de Coríntios por ser uma das primeiras Igrejas a serem formadas.

Mas, não vemos falar das línguas nas Igrejas que foram formadas mais tarde e, por isso, as linguas não vêm mencionado em mais nenhuma espístola.

E, não devemos esquecer, que Paulo está dar uma repreensão aos Coríntios, dizendo ainda por cima que as línguas não são para serem faladas no contexto da Igreja, pois é a profecia que deve ser utilizada para edificar a Igreja.

I Coríntios 14:22 "De sorte que as línguas são um sinal não para os crentes, mas para os incrédulos; e a profecia não é sinal para os descrentes, mas sim para os crentes"

I Coríntios 14:23 "Se todos falarem línguas, e entrarem indoutos, não dirão que estais loucos"

Mas iremos desenvolver este ponto mais à frente, onde iremos ver o que se passou na igreja de Coríntios.

2. As operações normais do Espírito Santo que se manifestam sem as línguas

Mas, vamos agora ver então que em todo o livro de Atos, tirando aquelas 3 ocasiões, as línguas nunca foram utilizadas para pregar o Evangelho, ou faladas quando as pessoas eram ungidas, cheias ou receberam a salvação.

Iremos ver que nestas ocasiões, tanto os transmissores (que transmitiram a mensagem) como os receptores (que receberam a mensagem) nunca falaram línguas.

Atos 2:37-42 Neste texto diz que logo a seguir ao primeiro derramamento, Pedro levantou-se, explica o acontecimento, prega o Evangelho, diz que se eles se arrependerem receberão o dom do Espírito Santo. Três mil pessoas são salvas, perseveram na doutrina, na comunhão, na ceia e orações, mas não há nenhuma menção que falaram línguas.

Eu creio que o dom do Espírito Santo fala do Batismo do Espírito Santo na altura da conversão.

Atos 3:1-16 Temos todo o direito de pensar que o coxo foi curado e salvo, e andou e saltou louvando a Deus, mas não há uma menção que ele falou línguas. Mas se ele foi salvo, é porque foi certamente batizado pelo Espírito Santo e de tal maneira que até foi curado, mas não falou línguas!

Atos 4:8 "Então Pedro Cheio do Espírito Santo", em todo o capítulo 4 não fala das línguas, mas diz que Pedro estava cheio do Espírito Santo.

Vejamos Atos 4:31, eles oraram a pedir poder para pregar o Evangelho com ousadia na língua deles, acompanhado de prodígios e maravilhas, e quando o Espírito Santo cai sobre aquele local, o narrador não fala das línguas, mas somente que anunciaram o Evangelho com ousadia.

Atos 4:31 “Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus”.

Atos 6:6 Os diáconos foram escolhidos e "os apresentaram antes os apóstolos, e, estes, orando, lhes impuseram as mãos". Para quê, para eles receberem uma unção ligada ao serviço que iriam desempenhar, mas ao receberem esta unção pela imposição das mãos dos apóstolos, não está dito que falaram línguas.

Atos 6:8 "Estevão que cheio de fé e de poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo". Ele pregou com poder e foi de tal maneira cheio de Deus que viu Cristo de pé à direita de Deus, é morto, mas o texto não diz que Estevão falou línguas.

Em Atos 8:17, vemos que o Espírito Santo desce sobre os Samaritanos "então impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo". Não fala de línguas.

Em Atos 8:26-40 O Eunuco é salvo, pela pregação de Isaías 53. "então Filipe, abrindo a sua boca, e começandonesta escritura, lhe anunciou a Jesus. Ele creu e é batizado. Portanto ele recebeu o batismo do Espírito Santo porque creu, mas não está dito que ele falou línguas.

Atos 9:1-18 relata a conversão mais fantástica da Bíblia, a de Saulo de Tarso. E está dito "e Ananias impondo-lhe as mãos, disse ... para que tornes a ver e sejas cheio do Espírito Santo, e logo lhe cairam dos olhos como escamas, e recuperou a vista; e levantando-se foi batizado. Não fala que Paulo falou em línguas ao ser cheio do Espírito Santo.

Uma nota interessante sobre Paulo: dificilmente podemos provar pela Bíblia que Paulo falou línguas.

Não devemos esquecer que de um lado, ele era um Judeu que não estava na ocasião em que o Espírito Santo desceu sobre os judeus em Atos 2. De outro lado, ele não era gentio e não estava na casa de Cornélio na descida do Espírito Santo em Atos 10; e também não era um discípulo de João Batista e não estava na descida do Espírito Santo em Atos 19.

Quando ele diz em Corintios 14:18 "eu falo mais línguas do que vós todos", dificilmente podemos provar que ele estava a falar de línguas miraculosas. Paulo era conhecedor de pelo menos 4 línguas daquela época.

Paulo devia falar judaico, aramaico (língua comercial da judéia), siríaco, turco, grego e latim. 6 línguas!?

Atos 9:32-42 Eneias é curado por Pedro, houve muitas conversões, a seguir Tabita é ressucitada, e muitos creram no Senhor, mas não há nenhuma referência às línguas.

Atos 13:9 "Todavia, Saulo, que também se chamava Paulo, Cheio do Espírito Santo e fixando os olhos nele, disse". Paulo falou com Elimas, o encantador, repreendendo-o e lançando uma praga contra ele. No final do capítítulo 13 n v52 diz "E os díscípulos estavam cheios de alegria e do Espírito Santo". Mas não vemos nenhuma menção das línguas em todo o capítulo 13.

Podíamos continuar a citar os acontecimentos no livro de Atos até o ao final e ver que mais ninguém falou línguas. O leitor pode consultar isto lendo Actos a partir do capitulo 10, mas vou terminar salientando 3 pessoas que se converteram no capítulo 16 e não se houve falar de linguas, nem uma só vez nesse capítulo.

Capítulo 16:9-40

v14 Conversão de Lídia "e o Senhor lhe abriu o coração, para que estivesse atenta ao que Paulo dizia".

v 18 O demónio é expulso da vida da da jovem que estava possessa: "em nome de Jesus Cristo, te mando que saias dela. E na mesma hora saiu".

v 30-32 Conversão do carcereiro e dos da sua casa. "que é necessário fazer para me salvar; e eles disseram: crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa; e lhe pregaram a palavra do Senhor, e a todos os que estavam em sua casa".

Nestes 3 acontecimentos toda a tónica é colocada na Palavra de Deus que ao ser proclamada, Deus toca o coração dos ouvintes, como aconteceu com Lídia e com o carcereiro. No caso da jovem endeminhada a tónica é posta no nome poderoso de Jesus, que ao ser proclamado até os demónios são expulsos. Mas tudo isto acontece sem haver nenhuma referência às línguas.

E. O Batismo do Espírito é uma operação distinta da descida especial do Espírito.

Se falarmos da operação do Espírito Santo que é denominada por Baptismo do ou no Espírito, esta é uma operação distinta desta descida especial do Espírito Santo, relatada em Atos 2, Atos 10 e Atos 19.

O Batismo do Espírito Santo é uma operação resultante desta descida. Depois do Espírito Santo ter descido e dando poder e ousadia para os discipulos proclamarem o Evangelho, as pessoas que ouviram o Evangelho que lhes era proclamado pelos apóstolos e pelos primeiros discípulos, ao decidirem-se para Cristo são batizados pelo Espírito Santo, como vemos no texto em baixo:

"Arrependei-vos, para perdão dos pecados, e recebereis o dom (batismo) do Espírito Santo”. Atos 2:38

Diz claramente que eles receberão o dom do Espírito Santo e não o dom de línguas.

1. O derramamento pentecostal do Espírito é único

A grande diferença entre o derramamento pentecostal e os outros falados no Antigo Testamento, é que este derramento teve e ainda tem um objectivo universal é sobre “sobre toda a carne”.

Nesta festa de Pentecostes festejada mais uma vez em Jerusalém, “deu-se o cumprimento da profecia sobre do derramamento do Espírito Santo sobre toda a carne” profetizado em Joel 2:28-32, como vemos relatado em Atos 2, Atos 10 e Atos 19.

Mas temos que tomar em consideração que o que aconteceu naquele dia da Inauguração da descida universal do Espírito Santo foi um acontecimento histórico e único, com sinais históricos e únicos ligados àquele momento.

2. Os sinais únicos do derramamento pentecostal do Espírito

Vejamos os sinais históricos e únicos que acompanharam esta descida especial e única do Espírito Santo, em cumprimento das profecias antigas sobre a descidas do Espírito Santo:

barulho como de um vento “e de repente veio do céu um som como de um vento veemente e impetuososo e encheu toda a casa em que estavam assentados” v2

línguas de fogo “e foram vistas, por eles, línguas repartidas, como de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles”v3

Estamos a ver a cena “um barulho que enche todo o quarto onde eles estavam e línguas de fogo pousam sobre a cabeça dos presentes”.

Por quê e para quê estes sinais?

Para dar lugar a algo único e histórico em toda a história da Igreja, que surge a seguir:

poder para falar as línguas dos povos presentes “e todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo concedia que falassem”. V4

Se continuarmos a ler o capítulo, vemos que eles falavam nas línguas dos povos ali presentes que tinham vindo visitar Jerusalém para a grande Festa do Pentecostes.

“e cada um os ouvia falar na sua própria língua”, “como pois os ouvimos falar, cada um, na nossa própria língua”. “

Este acontecimento foi único, aparecendo ainda em forma muita reduzida noutras duas ocasiões do livro de Actos e depois extingue-se completamente. Atos 10:44-46 explicado em 11:17 e Atos 19:2-6.

De certo modo, com o "sinal" das línguas, em que as Nações representadas em Jerusalém puderam ouvir Deus ser glorificado na sua própria língua, Deus está a predizer que esta descida do Espírito Santo, irá capacitar a Igreja para levar o Evangelho até aos confins da terra, como diz Atos 1:8,

“e recebereis o poder do Espírito Santo que há-de descer sobre vós e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, na Judeia e Samaria, e até aos confins da Terra”.

Mas ao tempo tempo as línguas servem como um sinal de julgamento sobre a nação incrédula de Israel, julgamento este que começou a cair sobre esta nação logo a seguir à subida de Jesus aos céus, quando os Romanos vieram e destruiram completamente o Templo e a cidade e os judeus começaram a ser espalhados por todo o mundo.

Mateus 24:2 "Jesus porém lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada"
                                                                                                                                F. Vou desmistificar  o assunto das línguas

Atos 2, e eu creio também Atos 10 e Atos 19, estão a falar de um “enchimento espiritual especial” que se deu quando a profecia sobre a descida do Espírito Santo se cumpriu com o derramamento em Pentecostes, tendo-lhes dado a capacidade miraculosa para Glorificar a Deus, na língua dos estrangeiros presentes nesta grande festa do Pentecostes.

Estes textos não estão a falar do Baptismo do Espírito Santo que é recebido pelas pessoas que se arrependem, colocam a fé em Cristo e se convertem. Está sim a falar de uma operação especial, que é a descida inaugural do Espírito Santo em Pentecostes, segundo o predito no Antigo Testamento, que como lemos em Atos 1:8 veio para iniciar a Igreja e equipar os crentes para irem pregar o Evangelho até aos confins da Terra.

Não podemos esquecer que os primeiros discípulos de Cristo viveram numa época de transição entre o antigo concerto e o novo concerto. Desta forma, eles já eram já crentes na altura em que o Espírito Santo ainda não tinha descido com a missão de dar nascimento à Igreja de Cristo.

Os discípulos, viveram antes da descida do Espírito Santo à terra.

Portanto, embora eles já fossem crentes antes do Pentecostes, vemos que quando o Espírito Santo desceu para começar o ministério de convencer os pecadores, batizar aqueles que cressem, formando e equipando a Igreja - Corpo vivo de Cristo; os discípulos entraram então nessa nova dispensação do Espírito Santo iniciada de uma forma tão espectacular que eles receberam o poder de falar as línguas dos estrangeiros presentes, como um "sinal" para a nação judaica incrédula, que tinha rejeitado a Cristo, mas ao mesmo tempo com um "sinal" que nesta nova dispensação, Deus voltou-se para todas as nações e línguas e o Espírito Santo iria formar um corpo universal - a Igreja - composta de judeus e de gentios.

Deste modo, tudo parece indicar que os sinais que acompanharam a época inaugural do derramento universal do Espírito Santo, nomeadamente um som veemente, línguas de fogo e o poder para falar línguas estrangeiras foram exclusivos daquele época, e ao fechar-se o capítulo dos “Actos dos Apóstolos” ou “Actos do Espírito Santo”, estes sinais cessaram.

Mas, devo salientar duas coisas importantes:

Eu não estou a dizer que o derramamento do Espírito Santo iniciado no dia de Pentecostes cessou, pois os efeitos desta descida continua e continuará até o Evangelho ser pregado aos confins da Terra.

O que cessou foi aquele enchimento único e histórico e especial, quando a profecia ficou cumprida pela descida do Espírito Santo e cessaram os sinais simbólicos que acompanharam o cumprimento da profecia sobre descida do Espírito santo, nomeadamente, o barulho como de vento, línguas de fogo sobre a cabeça dos presentes e poder para falar a língua dos estrangeiros presentes.

O prezado leitor conhece alguém que durante a história da Igreja testemunha que num certo lugar qualquer no mundo onde havia muitos estrangeiros a viver, o Espírito Santo desceu e os crentes daquele lugar começaram a falar na língua daqueles estrangeiros, glorificando miraculosamente a Deus, nas línguas deles, como aconteceu em Atos 2, Atos 10 e Atos 19!? Tenho a certeza que não.

Eu penso que Atos 2, Atos 10 e Atos 19 nunca mais se repetiu em toda a história da Igreja, naquela escala, nem numa escala mais pequena!!! Em que estrangeiros reunidos num local, pasmados disseram como em Atos 2:7-8

"Pois quê! não são portugueses (galileus) todos esses homens que estão falando? Como, pois, os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos?"

As línguas em Actos, não foram usadas para evangelizar ou edificar a Igreja, mas sim para glorificar a Deus, como um sinal de julgamento para a parte incrédula, a nação judaica, e um sinal para a outra parte, os gentios, que a partir dali iriam ouvir o Evangelho a lhes ser proclamado nas suas próprias línguas.

G. Em Atos as línguas são um "sinal" temporário e não para evangelizar

As línguas no livro de Atos, foram um sinal e não um meio de evangelização como muitos pensam. Em Atos 2, eles simplesmente glorificaram a Deus pelas suas maravilhas e mistérios, e depois então Pedro e os discípulos iniciaram a Evangelização falando na sua própria língua.

O mesmo aconteceu em Atos 10 e Atos 19, as outras duas ocasiões onde falaram línguas, não foi para evangelizar, mas sim para glorificar a Deus.

Reparem bem que depois do "sinal" miraculoso se ter dado, alguns foram tocados pelo sinal, outros zombaram do sinal, e a Bíblia diz:

Então Pedro levantou-se com os onze e, em alta voz, dirigiu-se à multidão: Homens da judeia e todos os que vivem em Jerusalém, deixem-me explicar-lhes isto! Ouçam com atenção:

E, a seguir, pedro explica o acontecimento que foi ali cumprido segundo a profecia do profeta Joel e depois começa a evangelização falando a sua própria língua. Não se esqueçam que a evangelização segundo Atos em Jerusalém e m toda a judeia.

Eles estavam em Jerusalém, quando o Espírito desceu. Por isso Pedro disse "homens da judeia e todos os que vivem em Jerusalém". Pedro falou com eles na sua língua e na línguas deles, não em línguas miraculosas.

Desta forma começa a evangelização esta que continua por todo o livro de Actos e nunca vemos uma única menção que os apóstolos ou discípulos tivessem utilizado línguas miraculosas para evangelizar.


I I I. Interpretação de I Coríntios 12 e 14

Há muito teólogos que acham que o que aconteceu em Coríntios foi o que aconteceu no livro de Atos em que alguns membros da Igreja ainda falavam miraculosamente línguas estrangeiras, como falaram em Atos 2, Atos 10 e Atos 19.

Estes teólogos, que acham que as línguas cessaram, crêem no entanto que isto ainda acontecia na Igreja de Coríntios porque tendo sido uma Igreja que nasceu muito cedo, a epístola foi escrita talvez uns 15 ou 20 anos a seguir aos acontecimentos do Pentecostes, logo a prática das línguas ainda estava em vigor.

Há uma certa verdade no que dizem, pois de facto não vemos mais nenhuma epístola falar de línguas, visto as outras epístolas terem sido escritas depois da epístola aos Coríntios quando, talvez, as línguas já tinham cessado completamente, segundo a opinião destes teólogos.

Então do ponto de vista desta teologia, as línguas miraculosas faladas em Coríntios, eram línguas estrangeiras tal e qual como aconteceu em Atos. A única questão é que em Coríntios havia uma grande confusão e o genuíno dom de línguas estava misturado com muitas outras manifestações não genuinas, de carácter meramente psicológico e emocional e mesmo de natureza diabólica.

Enfim, há muitas interpretações que iremos ver mais abaixo, mas é muito possível que estes teólogos tenham razão. No entanto, eu acho que devemos considerar todos os aspectos escritos nesta epístola aos Coríntios, analisando as diversas interpretações e tentar chegar a uma interpretação o mais literal possível dos textos.

Vou procurar chegar a conclusões em pontos que não deixam quaisquer dúvidas como é o caso das línguas no livro de Atos, mas vou procurar ser humilde em pontos talvez mais obscuros em Coríntios 12 a 14 e não tentar manipular estes textos para chegar forçar uma conclusão.
                                                                                                                           A. O que quer dizer Atos 2 e I Coríntios 12 e 14 sobre as línguas.
                                                                                                                           1. As línguas um sinal de julgamento e de proclamação.
                                                                                                                           As línguas foram para uma parte (os incrédulos) um sinal de julgamento, para a outra parte (todos que irão ouvir o Evangelho), um sinal que o Evangelho vai começar a ser proclamado em todo o mundo.

Nós já vimos que em Atos 2, quando o Espírito Santo desceu em Pentecostes, em cumprimento das profecias antigas, encheu os discípulos de um poder tal que eles falaram as línguas dos povos ali reunidos.

As línguas eram um 'sinal' de julgamento para os judeus incrédulos como foi explicado por Paulo na epístola aos Coríntios 14:20-25. Iremos falar disto mais à frente.

Ao mesmo tempo, as línguas eram também um 'sinal' para os estrangeiros ali reunidos, que ouviam os discípulos glorificarem a Deus diante deles, nas suas próprias, eram um 'sinal' que o Evangelho da Igreja iria ser proclamado a todos os povos.

Atos 1:8 E recebereis o poder do Espírito Santo e ser-me-eis minhas testemunhas em Jerusalém, e em toda a judeia e Samaria, até aos confins da Terra.

Mas a proclamação do Evangelho naquele dia comemorável, não se deu forçosamente quando eles estavam a falar línguas, embora é claro que as línguas tiveram certamente um impacto sobrenatural sobre as pessoas que estavam a assistir àquele milagre, ouvindo os discípulos a glorificarem a Deus nas suas próprias línguas.

A proclamação do Evangelho começou sim de uma forma clara e concreta quando Pedro se levantou para explicar na sua prórpia língua o que estava ali a acontecer e a seguir ele e os outros discipulos, começaram a proclamar o Evangelho e muitos se arrependeram e naquele dia 3000 pessoas foram batizados.

Atos 2:14 Então Pedro levantou-se com os onze e, em alta voz, dirigiu-se à multidão: Homens da judeia e todos os que vivem em Jerusalém, deixem-me explicar-lhes isto! Ouçam com atenção:

Vemos então o discurso de Pedro que vai do v14 aos v36.

Do v14 ao v20 Pedro explicou que ali se cumpriu a profecia prometida pelo profeta Joel sobre o derramamento do Espírito Santo sobre toda a carne.

A partir do v21 até ao v36, Pedro prega o Evangelho:

Vemos no v23 "tomando-o vós, o cruxificastes" - prega a cruificação.

Vemos no v24 "ao qual Deus ressuscitou" - prega a ressureição.

Vemos no v36 "Saiba, pois, com certeza, toda a casa de Israel, que a esse Jesus, a quem vós cruxificastes, Deus o fez Senhor e Cristo" - prega a cruxificação e o Senhorio de Cristo.

Além disso ele salienta claramente que foram os judeus que o cruxificaram v 23 "tomando-o, o cruxificastes" e no 36 "a quem vós cruxificastes". Desta forma as línguas são para os "judeus" um sinal de julgamento!
                                                                                                                              A seguir ao impacto sobrenatural que as línguas miraculosas tiveram sobre eles e à primeira proclamação do Evangelho feita pelo apóstolo Pedro e os outros discípulos, muitos foram tocados no seu coração, converteram-se e foram batizados.

Atos 2:37-38 E ouvindo eles isto, perguntaram: que faremos varões irmãos? Arrependei-vos...para perdão dos pecados... e recebereis o dom do Espírito Santo.

Atos 2:41 De sorte que foram batizados os que, de bom grado, receberam a Palavra; e naqueles dias se agregaram 3 mil almas.

Notem bem que eles foram tocados pela Palavra, como está dito "receberam a Palavra", ou por outras palavras, eles foram tocados pela proclamação do Evangelho.

É neste momento que começa então a etapa missionária em que os apóstolos e discípulos iriam por todo os lugares, segundo a ordem de Cristo, proclamar a Palavra, o Evangelho de Cristo, nas suas próprias línguas.

O Apóstolo Paulo que conhecia seis línguas (judaico, aramaico, sríraco, turco, grego, latin) foi escolhido para ser o apóstolo dos gentios.
                                                                                                                           2. A catástrofe na Igreja de Coríntios.
                                                                                                                            2.1 Está Paulo a dizer que as línguas são para edificação pessoal e para falar a Deus?
                                                                                                                            O objectivo das línguas no livro de Atos é apresentado com clareza. Mas, em Coríntios, já não podemos  dizer que as línguas aparecem apresentadas com tanta clareza.

O quê que Paulo quer dizer com os textos em baixo:

I Corintios 12:2 “ o que fala línguas estranhas, não fala aos homens, senão a Deus”.

I Coríntios 14:2 “Pois quem fala em outra língua não fala a homens, senão a Deus, visto que ninguém o entende, e em espírito fala de mistérios”.

I Coríntios 14:4 "O que fala língua estranha edifica-se a si mesmo".

I Coríntios 14:28 "Mas se não houver intérprete, esteja calado na Igreja, e (ou) fale consigo mesmo e Deus". 

Será que Paulo está a falar de um "dom" que é dado aos crentes para eles falarem  a Deus, ou seja para edificação pessoal, mas que ao ser utilizado publicamente na Igreja devia ter interpretação? 
                                                                                                                               Ou então, estará a dizer simplesmente que quando aquele dom fosse exercitado publicamente na Igreja devia ser interpretado. Se aasim não fosse, então que a pessoa falasse a Deus pessoalmente, pois de toda a maneira se ela não fosse interpretada, ela só podia edificar-se a ela própria e não a Igreja e além disse os indoutos que entrassem na Igreja e os ouvissem iriam dizer que estavam loucos? I Coríntios14:23
                                                                                                                               Ou estará Paulo a querer dizer outra coisa?

Em Atos, as línguas foram faladas diante dos estrangeiros que os podiam ouvir na suas própria línguas, foram públicas e serviram para falar aos homens de Deus, ou para glorificar a Deus diante dos homens e não para falar ou orar a Deus. E não precisavam de ser interpretadas, pois cada um os podia ouvir falar em suas próprias línguas. 

Se lermos Atos 2:4-8 não pode ser mais claro:

v4 “e todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo concedia que falassem”.

v6 “e cada um os ouvia falar na sua própria língua”, “como pois os ouvimos falar, cada um, na nossa própria língua”.

v7-8 não são estes varões galileus, como pois os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que nascemos.

Portanto, no livro de Atos, as línguas não precisaram de ser interpretadas, nem pelo Espírito Santo, nem por alguém com um dom de interpretação.

Então aqui aos Coríntios, nos versículos acima citados, o que está Paulo a dizer?

Eu penso que Paulo está a dizer que sempre que este dom fosse exercitado na Igreja devia ser interpretado, senão era melhor as pessoas utlizarem o dom para a sua edificação pessoal e falarem com Deus. Ao menos assim, o entendimento delas poderiam não perceber o que eles diziam, mas Deus sabe o que eles estão a dizer.

Neste caso, era o mesmo dom de Atos, em que eles falavam línguas estrangeiras. O problema que fica é o seguinte:

No livro de Atos o objectivo é claro. As línguas são um sinal de julgamento para os judeus incrédulos, que rejeitaram a mensagem que lhes foi pregada na sua língua e é também um sinal para os gentios que a partir daí o Evangelho iria ser pregado em todo o mundo em todas as línguas.

E vimos que aconteceu 3 vezes: Atos 2, Atos 10 e Atos 19, não havendo mais nenhuma menção no livro de Atos. Desta forma as línguas no livro de Atos está estrictamente ligado ao cumprimento da profecia sobre a descida do Espírito Santo, e quando esta foi cumprida ao descer naquelas 3 ocasiões, o sinal cessou, ou seja as línguas cessaram.

As línguas são portanto o resultado de  enchimento especial ao cumprir-se a profecia.

Mas vamos supor que ainda se manifestaram na Igreja aos Coríntios que foi uma Igreja que nasceu bem dentro da era apostólica. Porque precisaria então de ser interpretada? Porque Paulo diz para falarem consigo mesmo e a Deus, se não houvesse intérprete?

Parece que isto não se encaixa nada com o dom das línguas, da forma como é apresentado no livro de Atos, não é verdade?

Como explicar estas pelo menos aparentes discordâncias?

2.2 Está Paulo a dizer que as línguas não servem para edificar a Igreja?

Além disso, parece que Paulo, às vezes, está a rebater a utilização das línguas na Igreja.

I Coríntios 12:22 "De sorte que as línguas são um sinal, não para os crentes, mas para os descrentes".

I Coríntios 14:4 O que fala língua estranha edifica-se a si mesmo; mas o que profetiza edifica a Igreja.

Não servem para a edificação, para quê então utilizar na Igreja, é o que Paulo parece estar a dizer?

E depois continua "mas a profecia não é sinal para os descrentes, mas para os crentes" e depois continua a explicar que eles deviam antes utilizar a profecia na Igreja. Para alguns teólogos profecia aqui está a referir-se unicamente à pregação da Palavra de Deus, e não a qualquer revelação ou predição, como outros acreditam.

2.3 O que Paulo quer dizer quando fala de Interpretação?
                                                                                                                              Em alguns textos parece que Paulo está a dizer que entretanto se alguém falar línguas publicamente na Igreja, devia haver interpretação.

I Corintios 14:5 “E eu quero que todos faleis línguas estranhas, mas, muito mais do que profetizeis, o que profetiza é maior do que aquele que fala línguas estranhas, a não ser que também interprete, para que a Igreja receba edificação”.
                                                                                                                              I Coríntios 14:27-28 "E, se alguém falar língua estranha, faça-se isso por dois, ou, quando muito, três, e por sua vez, e haja intérprete. Mas, se não houver intérprete, esteja calado na Igreja e fale consigo mesmo e com Deus".

Alguns dizem que Paulo está a falar simplesmente de interpretar um estrangeiro que entra na Igreja e ora ou fala publicamente, neste caso este devia ser interpretado. É verdade que segundo o parecer de alguns eruditos, estes textos, juntamente com alguns outos, poderão se inclinar para esta posição.

Mas também é verdade que estes textos, juntamente com outros poderão estar mesmo a revelar que Paulo está a falar de um dom genuíno de falar línguas miraculosas. Para uns línguas estrangeiras, para outras línguas celestiais.

Desta forma, os eruditos que dizem que em Coríntios estava a acontecer o que aconteceu no livro de Atos, em que os discípulos falaram miraculosamente línguas. Se, esta posição estiver certa, eu estou mais a favor de que eram línguas estrangeiras.

Mas, de toda a maneira, neste caso, independentemente de que línguas eles estavam a falar em Coríntios, línguas estrangeiras ou celestiais, Paulo está a dizer que eles ao orarem o entendimento deles não compreende e muito menos as pessoas que os ouvirão na Igreja, por isso, estas línguas precisam de interpretação, senão é melhor a pessoa ficar calado, ou então falar consigo mesmo ou com Deus.

Se ele falar consigo mesmo e com Deus e não houver intérprete, o entendimento da pessoa fica sem fruto, pois não entende o que está a ser dito, mas pelo menos Deus entende.

Então, estes eruditos acreditam que há um dom miraculoso de interpretação.

Os que acreditam que as línguas são celestiais, tanto em Atos com em Coríntios, dizem que os discípulos falaram línguas celestiais e que o Espírito Santo traduzia as línguas celestiais para os povos ali reunidos.

Mas é aqui que as coisas se complicam, pois esta interpretação parece um pouco forçado, pois anula totalmente a literalidade do texto em Atos que revela claramente que eles falaram línguas estrangeiras ouvidas e compreendidas pelos estrangeiros ali reunidos e que não foi preciso nenhuma interpretação, nem do Espírito Santo, nem através de um dom miraculoso de interpretação.

Se lermos Atos 2:4-8 não pode ser mais claro:

v4 “e todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo concedia que falassem”.

v6 “e cada um os ouvia falar na sua própria língua”, “como pois os ouvimos falar, cada um, na nossa própria língua”.

v7-8 não são estes varões galileus, como pois os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que nascemos.

Portanto, no livro de Atos, as línguas não precisaram de ser interpretadas, nem pelo Espírito Santo, nem por alguém com um dom de interpretação.

Então, que línguas são estas as de Coríntios, que precisam de interpretação? Serão as línguas de Atos que não precisaram de interpretação?

E se Coríe são as línguas de Atos, são línguas miraculosas estrangeiras iguais ou são línguas celestiais?

O quê que Paulo quer dizer ao falar de interpretação, o que não existe nem é dito nada em Atos?

Estará Paulo a falar mesmo de línguas miraculosas, que fossem faladas publicamente deviam ser interpretadas por um dom miraculoso de interpretação?

Ou estará Paulo simplesmente a falar de estrangeiros a falar na Igreja e que deviam ser interpretados, e desta forma Paulo não está a falar de línguas miraculosas em Coríntios?

Portanto, no livro de Atos, as línguas não precisaram de ser interpretadas, nem pelo Espírito Santo, nem por alguém com um dom de interpretação.

Porque falaria então Paulo num dom miraculoso de interpretação aos Coríntios, seja para a pessoa entender na sua mente o que está a dizer, ou seja para os ouvintes na Igreja entenderem o que ele disse?

É nisto que nós vemos que o livro de Atos apresenta muito mais clareza que a epístola aos Coríntios, pois em Coríntios o texto fala de muitas coisas que não são referidos em Atos.

2.4. O que Paulo está a dizer ao falar das línguas como um "sinal" para os incrédulos?
                                                                                                                               Os judeus que viviam dos sinais, certamente perguntaram que "sinal" seria aquele? Talvez alguns se perguntassem "será que estaria ali a cumprir-se o anunciado por Isaías que Paulo mais tarde faz referência em I Coríntios 12:21-24, revelando que as línguas eram um sinal para a nação Judaica incrédula?
                                                                                                                                Para confundir ainda mais a interpretação do que se está a passar em Coríntios, Paulo afirma que as línguas são um sinal para os incrédulos. Ele utiliza o texto de Isaías 28:10,11 para defender esta conclusão.

I Coríntios 14:20-21 Está escrito na lei: Por gente de outras línguas,e por outros lábios falarei a este povo; e, ainda assim, me não ouvirão. De sorte que as línguas são um sinal, não para os crentes, mas para os descrentes.

Paulo parece explicar a razão porque houve línguas a acompanhar a descida do Espírito Santo no livro de Atos e o início da proclamação do Evangelho que deu nascimento à Igreja - o corpo de Cristo que iria unir judeus e gentios.

Parece que Paulo quer dizer que as línguas foram dadas como um "sinal" de julgamento para a nação judaica incrédula, que rejeitou sempre os profetas (criados) que vieram a eles na sua própria língua e finalmente rejeitaram a Cristo (o filho do dono da vinha), o messias prometido, que também lhes falou claramente na sua própria língua.

Então Deus voltou-se para os outros camponeses, que falam das nações gentias, como já tinha prometido no Antigo Testamento e, desta forma, as línguas foram também um "sinal" que Deus ia voltar-se a partir dali para todas as nações, que iriam ouvir o Evangelho a ser proclamado nas suas próprias línguas e iriam dar fruto.

Devo salientar aqui, que as línguas serem um "sinal" para os incrédulos, referido aos Coríntios, em que Paulo baseia-se em Isaías, para dizer isto, é praticamente o único ponto que faz ligação entre o que se passou em Atos e o que se passou em Coríntios.

Se repararem bem, quase tudo o que Paulo fala aos coríntios sobre as línguas, não é referido em Atos, como por exemplo, utilizar as línguas para falar com Deus, falar de mistérios através das línguas, a mente não entende, a necessidade de interpretação miraculosa etc Não vemos nada disto em Atos.

Da mesma maneira, quase tudo o que Lucas fala em Atos sobre as línguas, não é referido em Coríntios, ou seja, a clareza do livro de Atos em que os discípulos falam as línguas das pessoas à sua volta, não é referido em Coríntios, com a mesma clareza.

Mas, acerca das línguas serem um sinal para os incrédulos, isto faz ligação com o que está dito em Atos:

Pois, tudo indica que Paulo está a apontar para o que aconteceu em Atos 2, Atos 10 e Atos 19, como a dizer aos Coríntiso: "quando os judeus em Jerusalém, os gentios na casa de Cornélio e os discípulos de João falaram línguas, isto foi em cumprimento da profecia sobre a descida do Espírito Santo, pois alías Isaías já tinha dito que isto is acontecer, e por isso ele diz aos Corintios:

I Coríntios 14:20-21 Está escrito na lei, em Isaías 28:10-11 Por gente de outras línguas,e por outros lábios falarei a este povo; e, ainda assim, me não ouvirão. De sorte que as línguas são um sinal, não para os crentes, mas para os descrentes.

Para Paulo, as línguas eram um sinal que cessou.

Será que é por isso, que no final do Capítulo 13 no verso, Paulo disse:

"A caridade (o amor) nunca falha, mas profecias serão aniquiladas, havendo línguas cessarão..."

Não podemos esqucer que o capítulo 13 faz parte da secção em que Paulo está a falar destes dois dons, o dom de línguas e o da profecia. No capítulo 13, Paulo salienta a excelência do amor sobre os outros dons. É por isso que ele acaba o capítulo dizendo que tudo passa, cessa, menos o amor.
                                                                                                                               2.5 Porque Paulo diz que o entendimento fica sem fruto 
                                                                                                                               Paulo disse que quem falar este “linguajar”, o entendimento fica sem fruto.

I Corintios 14:14 “pois se eu orar em língua estranha, o meu espírito ora, mas o meu entendimento fica sem fruto”.

Não irei comentar agora este versículo a fundo, pois algumas coisas que disse nos pontos anteriores estão ligado a este ponto.

Mas, somente para ficar neste versículo, parece que Paulo está a dizer que as línguas não edificam o entendimento, porque o entendimento não compreende o que a pessoa está a dizer, na língua em que está a orar. Provavelmente ele refere-se ao próprio entendimento da pessoa que está a falar, como da pessoas que o estão a ouvir.

O problema é que, como já disse, isto entra em discordância total com o livro de Atos que não diz nada sobre isto e também sobre interpretação.

No livro de Atos eles glorificaram a Deus em línguas estrangeiras, de sorte que os judeus não compreendessem, pois era um sinal de julgamento para a incredulidade deles, mas os gentios compreenderam pois os ouviram falar na sua própria língua, em sinal que Deus se estava a voltar para eles, como já vimos anteriormente.

2.6 Porque diz Paulo que é um dom dado para falarem a Deus de mistérios

I Corintios 14:2 “em espírito fala de mistérios”

Há quem utlize este teto para dizer que Paulo aqui está a falar de um linguajar diabólico, por isso a pessoa que está a falar, está a falar de mistérios, de coisas esquistas e que ninguém entende, mas que no fundo são tanto diabólicas como as línguas que se falam nas religões pagãs.
                                                                                                                               2.7 Porque Paulo inclui as línguas e a interpretação na lista dos dons do Espírito Santo?
                                                                                                                               Romanos 12:10 ... E a outro pelo mesmo Espírito a profecia ... E a outro a variedade de línguas, e, a outro a interpretação das línguas...

Vou falar um pouco sobre a Igreja primitiva e os dons de revelação e de poder falados em Coríntios.

Faço notar em primeiro lugar que os dons de revelação e poder citados em Coríntios não são citados em mais nenhum espístola da Bíblia, e não vêm incluindo nas duas outras passagens principais que falam dos dons na Igreja, nomeadamente Romanos 12:3-8 e Efésios 4:7-16

Esta opinião sobre os dons de revelação é minha, mas é simplesmente uma interpretação pessoal que pode dar alguma luz à nossa compreensão de I Coríntios 12 e 14, onde os dons de revelação são muito salientados.

Provavelmente muitos leitores da ala conservadora como da ala pentecostal não concordarão com esta interpretação:

Nós não podemos ignorar que a Igreja de Coríntios ainda estava incluída dentro da época em que a Igreja não estava edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular (Efésios 2:20). Pois, o “canon sagrado” ainda não estava concluido.

Coríntios foi uma das primeiras Igrejas a nascer. Não podemos esquecer que é a única epístola que fala das línguas, pois não vemos mais nenhuma epístola a falar das línguas.

Eu acho que pudesse haver dons de revelação (e de * poder) que aconteciam dentro das Igrejas primitivas que nasceram mais cedo, constituídas antes de terem recebido umas boa parte das epístolas do apóstolos, mas conforme estas epístolas começaram a ser escritas em preparação da constituição do "cano sagrado" - a Bíblia, estes dons de revelação e de poder tornaram-se menos necessáriso, pois a Igreja passou a ter documento inspirados que deviam seguir.

Além disso tudo parece indicar na Bíblia que os dons de revelação e poder estavam muito ligados à missão dos apóstolos. Praticametn em Atos estes dons de revelação e de poder, foram utilizado pelos apóstolos, ou por um daqueles que os acompanharam de perto.

Desta forma, com o tempo, conforme a missão dos apóstolos foi terminando e eles foram morrendo, mas, ao mesmo, as Igrejas começaram a possuir as suas epístolas inspiradas por Deus, os dons miraculosos de revelação e poder foram cessando.

* os dons de poder dizem mais respeito à operação de milagres, prodigios e maravilhas, por isso devem ser analisados distintamente dos dons de revelação, ou seja da profecia, línguas, sabedoria e de conhecimento.

Não me interprete mal, eu não estou forçosamente a dizer agora que os dons de revelação cessaram completamente, mas estou simplesmente a dizer que a partir da altura que as Igrejas formadas passaram a ter parcialmente a Palavra de Deus nas mãos e os apóstolos foram morrendo e com isto foram desaparecendo os sinais e prodígios ligados à sua missão, estes dons foram desaparecendo, ou pelo menos deixaram de ser necessários.

A Palavra de Deus aos poucos foi ocupando o lugar central no culto oe na evangelização, pela pregação, como pelo ensino.

O leitor note bem que há Igrejas em nossos dias, em que é o dom de línguas e de profecia e outros dons de revelação e poder procuram ocupar o lugar central do culto, e a Bíblia passou a ter ter um lugar secundário, passaram a ter um lugar central na evangelização, e a pregação do Evangelho aos perdidos passou a ter um lugar secundário.

Há cultos em que se não houver profecias ou línguas ou palavras de sabedoria dizem que Deus não falou, mesmo que a pregação seja excelente e ungida. Mas a pregação pode ser "fraca", mas se houver línguas, profecias, revelações sem qualquer relevância, os presentes emocionam-se pois para eles Deus falou.

Acho que como as Escrituras não estavam ainda concluídas, suponho que  a Igreja primitiva poderia alimentar-se mais de revelações dadas aos crentes, para a sua edificação pessoal ou para edificação da Igreja, nomeadamente através do dom das linguas, da profecia, da palavra da sabedoria e do conhecimento.

Mas começando a ter cada vez mais "canou sagrado" completo, e nada mais se pode acrescentar ou tirar, pois todos os mistérios e desígnios contidos na mente de Deus estão revelados nas Escrituras, já não há tanta necessidade para o exercício dos dons de revelação, que podem ter existido na Igreja primitiva de uma forma mais proeminente (ou necessária).

É claro que o dom de profecia e as revelações poderão ainda ser necessárias em questões práticas e orgânicas ligadas com a vida da Igreja, dos crentes e até do mundo, em que Deus através do Seu Espírito precisa de dar alguma orientação ou até um aviso à Igreja, aos crentes e ao mundo.

2.8 Perguntas pertinentes para resumir o que tenho dito até agora:

Afinal de quê que Paulo está aqui a falar ao dizer tudo isto aos Coríntios?

Será que ele está a falar daquilo que aconteceu em Atos, em que os discípulos falaram miraculosamente as línguas estrangeiros dos povos ali reunidos, glorificando a Deus diante deles? Só que devido a uma grande confusão dentro da Igreja por causa do dom de línguas (e da profecia), Paulo está a procurar pôr ordem, mas devido a confusão, não se compreende muito bem tudo o que Paulo está a dizer?

Estaria Paulo a falar aos Coríntios das mesmas línguas estrangeiras de Atos, que deviam ser faladas com o mesmo propósito, ou ele está a falar de um outro tipo de línguas que tinha um propósito diferente?

Está Paulo a dizer que o que aconteceu em Coríntios era exactamente o que conteceu em Atos 2, Atos 10 e Atos 19, mas que iria cessar daqui a pouco, quando a era apostólica passasse?

Ou será que Paulo está a falar de acontecimentos diferentes, que em Atos é um "sinal" que cessou, mas que em Coríntios é um "dom" dado à Igreja e que continua?

Afinal o quê que estava a passar-se naquela Igreja? Onde Paulo parece mostrar que quem falasse línguas, que o fizesse para a edificação pessoal ou para falar com Deus, pois de toda a maneira as línguas não servem para a edificação da Igreja? E parece que ele está a dizer que as línguas não devem ser utilizado na congregação, mas se forem utilizado na congregação que haja interpretação?

Ao mesmo tempo ele fala das línguas como um sinal para os descrentes, sendo a profecia o dom que deve ser utilizado para os crentes? Além disso ele inclui o dom de línguas e de interpretação na lista dos dons do Espírito Santo?

São algumas perguntas, para o leitor ponderar, mas pouco a pouco eu irei procurar chegar a algumas conclusões.

Muitos acreditam que Paulo aos Coríntios está a falar línguas estrangeiras tal como em pentecostes, mas que estão a ser mal utilizado na Igreja.

Que não deviam ser utilizadas na congregação, pois as línguas eram um sinal para os judeus incrédulos, a profecia é que devia ser utilizado na congregação, mas, se por acaso alguém ainda falasse línguas publicamente que devia haver interpretação miraculosa.

Acreditam ainda que mais tarde este dom cessou, com o cessar da era apostólica.

Outros acreditam que eram línguas celestiais, como aconteceu no livro de Atos e que o dom nunca cessou, mas continua na Igreja.

E ainda há outros que acreditam que em Coríntios Paulo está simplesmente a falar de estrangeiros que para falarem publicamente na Igreja devem ser interpretados por alguém que conheça a línguas deles.

Há ainda outra questão pertinente: 

Eu tenho vindo a dizer que as línguas aconteceram em Atos 2, Atos 10 e Atos 19, como resultado de um derramamento especial, ligado ao cumprimento da profecia sobre a descida do Espírito Santo profetizada no Antigo Testamento, que produziu naqueles momentos um "enchimento tão especial" que eles falaram línguas.

Disse também que além dessas três ocasiões não se fala mais das línguas no livro de Atos, quando o Espírito Santo encheu, ungiu, equipou e salvou pessoas. Tudo indicando que as línguas cessaram.

Mas, vamos supor que esta experiência ainda estava  acontecer na Igreja de Coríntios, pois foi uma das primeiras Igrejas a nasceu e esta experiência única de Atos ainda estava a acontecer naquela Igreja.

A pergunta que fica é a seguinte: neste caso, havia pessoas em Coríntios que estavam a beneficiar deste "enchimento especial" por isso falaram línguas?

Aliás, os pentecostais, como confundem esta operação especial, com a operação do Batismo do Espírito Santo que todos os crentes recebem quando aceitam Cristo, dizem que quando somos batizados pelo Espírito Santo como aconteceu em Atos, temos que falar línguas.

Eles têm razão, mas aonde estão errados é que as línguas são de facto um resultado do enchimento do Espirito Santo. Mas, não do Batismo do Espírito Santo que é quando alguém recebe a salvação, mas sim de um "enchimento especial" que só aconteceu em Atos 2, Ato 10 e Atos 19 e provavelmente segundo alguns eruditos ainda estava a acontecer em Corintios.
                                                                                                                                   Fica a minha pergunta para a reflexão do leitor, se compreende aonde eu quero chegar.

Será que no meio daquela confusão toda em Coríntios, havia mesmo crentes que estavam a beneficiar deste "enchimento especial"? Não esqueçam o que eu disse, que sem estes "enchimento especial" ligado àqueles momentos especiais  que cessaram, não pode haver línguas, por isso as línguas também cessaram.

B. Resumo da Interpretação de Atos e I Coríntios 12 a 14

Primeiro salientei diversos aspectos apresentados no livro de Atos e aos Coríntios e temos vindo a perguntar se de facto o que se passou em Coríntios com as línguas, foi a mesma coisa que se passou em Atos 2, Atos 10 e Atos 19, as três ocasiões aonde falaram línguas no livro de Atos.

Segundo  também disse que se no livro de Atos, as línguas foram um resultado de um "enchimento especial" ligado com o cumprimento da profecia sobre a descida do Espírito Santo, então se o que aconteceu aos Coríntios é a mesma coisa, isto quer dizer que o Espírito Santo ainda estava a "encher" algumas pessoas em Coríntios com este "enchimento" único e especial referido em Atos.

Terceiro temos vindo a sugerir que tudo parece indicar que as línguas em Atos cessaram, pois foram unicamente um sinal ligado estritacmente ao cumprimento da profecia sobre a descida do Espírito Santo. Um sinal para os judeus incrédulos, que rejeitaram a mensagem na sua própria língua, e também foi um sinal para os gentios que iriam ouvir o Evangelho nas suas próprias línguas.

Quarto eu disse ainda que o “dom” das línguas, assim como os outros dons de revelação deixaram de ter importância significativa conforme as Igrejas foram recebendo as epístolas e a era apostólica que foi acompanhada de sinais e prodígios terminou.
                                                                                                                       
                                                                                                                               I V. As interpretações sobre as línguas em Coríntios
                                                                                                                           A. As seis interpretações sobre as línguas em Coríntios

Há pelo menos 6 maneiras diferentes de interpretar I Corintios 12-14. Vamos ver então o que é este “linguajar” falado em I Coríntios 12 e 14?

1ª Interpretação - São as línguas estrangeiras faladas em Atos 2?

2ª Interpretação - Paulo está simplestemente a dizer, que quando houvesse estrangeiros na congregação, se falassem ou orassem na sua própria língua, deviam ser interpretados por alguém que tivesse o “dom” (talento/conhecimento) da língua falada?

3ª Interpretação - São línguas dos anjos ou línguas celestiais?

4ª Interpretação - São simplesmente “lingueta” ou “glossalia” faladas debaixo de inspiração diabólica ou de uma transe meramente emocional e psicológica como acontece em seitas e religiões pagãs, ou falada por pessoas que estejam a sofrer de problemas mentais e psicológicos?

5ª Interpretação - Está Paulo a dizer que os Corintios estavam a falar aos demónios através daquelas línguas, que não passavam de um “linguajar” demoníaco falado por pessoas que se encontravam debaixo de possessão diabólica, como acontecia noutros cultos pagãos?

6ª Interpretação - Ou será que este “dom” está a falar da capacidade para falar uma língua humana nunca falada por ninguém, mas que debaixo do poder do Espirito Santo, os crentes recebem o “poder” de as articular em seus espíritos e pronunciaram através dos seus lábios?

B. Análise das seis interpretações de I Coríntios 12 e 14

Para nos apercebermos da complexidade deste assunto, cada um dos 6 pontos citados em cima são defendidos pelos diversos comentadores da Bíblia, e todos usam argumentos com alguma base bíblica.

Por que razão há tantas interpretações?

Porque de facto Paulo não nos deu mais dados na epístola aos Coríntios, ou alguns dados são confusos, havendo falta de clareza, e também não encontramos dados nas outras espístolas e em toda a Bíblia, excepto em Marcos 16:17 e em Atos 2, Atos 10 e Atos 19, mas em cima já demos a nossa interpretação sobre as línguas no livro de Atos, e dissemos que em Atos é tudo muito claro.

No que diz respeito a Marcos 16:17, isto está ligado à comissão dada aos 11, em que parte desta comissão pode estar ligada ao Evangelho da Igreja, mas outra parte está ligada exclusivamente ao Reino de Deus. Além disso grande parte dos eruditos diz claramente que o texto em Marcos 16:17-18 não se encontram na maior parte dos manuscritos antigos. Tudo indica que acrescentado muito tempo depois.

Mas, não há dúvidas nenhumas que o nosso inimigo, o diabo, por causa de alguma falta de clareza, tem conseguido utilizar as línguas para dividir a Igreja e também para seduzir Igrejas e crentes. O inimigo utiliza tudo, até mesmo doutrinas que são muito claras na Bíblia, o diabo procura torcê-las para dividir e seduzir.

Vejamos então o que eu entendo sobre I Corintios 12. e 14

1ª Interpretação - O dom de línguas de Coríntos são as línguas estrangeiras faladas em Atos 2?

Resposta: Eu já afirmei em cima que as línguas estrangeiras faladas em Atos 2, só aconteceram mais 2 vezes no livro de Atos, nomeadamente em Atos 10 e Atos 19. Não há mais línguas no livro de Atos. Tudo parece indicar que depois de Atos 19 as línguas cessaram.

No entanto há muitos teólogos que pensam que se em Coríntios Paulo está mesmo a falar de um dom para falar línguas conhecidas, ele só podia estar a fazer referência à capacidade ou dom manifestado em Atos 2, que se manteve pelo menos durante algum tempo na Igreja primitiva, mas depois cessou.

Possivelmente esta poderá ser a interpretação mais clara sobre as línguas.

No entanto há outros que acham que Atos 2 e Coríntios está a falar da mesma coisa, mas são línguas celestiais, não conhecidas e que este dom continuou pela Igreja primitiva fora até aos nossos dias, por essa razão vem falado na espistola aos Corintios.
                                                                                                                            2ª Interpretação - Paulo está simplestemente a dizer, que quando houvesse estrangeiros na congregação, se falarem ou orarem na sua língua, deviam ser interpretados por alguém que tivesse o “dom” (talento/conhecimento) da língua falada?

Resposta: Esta é talvez uma das soluções mais atraentes utilizada por alguns comentadores, e de facto parece ter muita base, mas não consegue explicar todos os versículos em I Corintios 12-14.

No entanto, eu penso não haver dúvidas que Paulo não está a dizer que fala muitas línguas miraculosas, mas está sim a dizer que fala 6 línguas estrangeiras, nomeadamente, Judaico, Aramaico, Síriaco, Turco, Grego e Latin, quando ele diz:

I Corintios 14:18-19. “ Dou graças ao meu Deus, porque falo mais línguas do que vós todos. Todavia eu antes quero falar,na Igreja, cinco palavras na minha língua, do que dez mil palavras em língua desconhecida”

Ele está a dizer de certeza que falava mais línguas estrangeiras do que eles!

Paulo está a dizer que embora conheça muitas línguas, ele prefere falar na Igreja na língua que os outros conhecem, do que falar numa das línguas que ele conhece, mas os outros não conhecem.

É claro que esta é uma interpretação a tomar sempre em conta, poderá até ser a interpretação mais clara para compreendermos as línguas em Coríntios, embora não consiga explicar o conteúdo de todos os versículos.
                                                                                                                             3ª Interpretação São línguas dos anjos? Ou línguas celestiais?
                                                                                                                              Resposta: Com toda a honestidade não vejo aonde encontramos base bíblica para dizer que as línguas referidas em I Coríntios 12-14, eram línguas dos anjos ou celestiais.

Utilizar I Corintios 13:1 “ainda que eu falasse a línguas ... dos anjos ...” é um fraco argumento. Não posso fazer uma doutrina na base de um único texto bíblico, aonde Paulo está simplesmente a dar um exemplo, não a fazer doutrina.

O termo “línguas estranhas”, utilizado por exemplo em I Corintios 14:5-6 também não quer dizer “línguas dos anjos ou celestiais”, mas sim línguas conhecidas - estrangeiras.

4ª Interpretação  São simplesmente “lingueta” ou “glossalia” faladas debaixo de inspiração diabólica ou de uma transe meramente emocional e psicológica como pode acontecer nas religiões pagãs, ou com pessoas que estejam a sofrer de problemas mentais e psicológicos?
                                                                                                                                Resposta: Deste ponto só vou dizer uma coisa da minha experiência. Eu penso que 80% ou mais do que tenho ouvido nas Igrejas, são com toda a certeza “lingueta” ou “glossalia”.

Acho que uma boa parte, não passa de uma imitação daquilo que ouvimos os outros dizer, e, desta forma, as pessoas caem muito no uso da “lingueta” ou “glossalia” tão falada nas Igrejas.

5ª Interpretação  Está Paulo a dizer que os Corintianos estavam a falar a demónios através daquelas línguas, que não passam de um “linguajar” demoníaco falado por pessoas que se encontram debaixo de possessão diabólica?

Resposta: Certos comentadores baseiam-se em I Corintios 12:3, para afirmar que debaixo daquelas línguas, Cristo estava a ser blasfemado “ninguém que fala pelo Espírito de Deus. Diz: Jesus é anátema”.

Dizem ainda que em I Corintios 14:2, Paulo está a proibir de falarem aos “deuses” naquelas línguas, quando disse: “o que fala línguas, não fala senão a Deus”. Estes comentadores acham que devia ser “o que fala línguas, não fala senão aos deuses”.

Será que era isto mesmo que Paulo estava a dizer?

Como em todos os pontos, faltam dados no texto, para podermos afirmar totalmente esta ideia, mas é também uma posição defendida por muitos bons teólogos e fica perto de alguns textos citados nas cartas de Coríntios.

Primeiramente, tudo indica que havia uma grande desordem causada por aquele “linguajar”. Em segundo lugar, no texto que vemos em cima, parece que alguns através de um “linguajar” diabólico blasfemavam de Jesus. Além disso, misturado com aquele linguajar diabólico, infiltraram-se práticas pagãs que utilizavam a “lingueta” e “glossalia” nos seus rituais religiosos.

No entanto, parece que às vezes Paulo fez referência a um “dom” genuino de falar línguas aos Coríntios, que se fosse utilizado na congregação devia ser utilizado com um objectivo e de forma ordeira.

O problema é que pela falta de mais dados no textos e em outros textos da Bíblia qualquer destes seis pontos pode encontrar bases que sejam tanto a favor, como contra, e isto complica muito a interpretação.

6ª Interpretação - Paulo está a falar de uma língua humana desconhecida, ou seja nunca falada, mas que debaixo do poder do Espirito Santo, os crentes recebem o “dom” de miraculosamente conceber esta língua, articulá-la e a pronunciarem através dos seus lábios?

Resposta: Embora o texto sugira que havia grande desordem, talvez lingueta, glossalia e até linguajar diabólico, em que pessoas blasfemavam de Deus, em algumas partes parece que Paulo parece referir-se também a um “linguajar” genuino, falado debaixo da inspiração de Deus.

Mas dizer que este linguajar genuíno é falar miraculosamente uma língua humana que nunca foi falada por ninguém é do meu ponto vista forçar muito o texto a dizer aquilo que não está a dizer.

Parece que, sempre que no texto aparece a palavra "línguas" ou "língua", a palavra utilizada refere a uma língua humana conhecida e nunca a uma língua celestial ou miraculosa.

                                                                                                                               V. A minha conclusão sobre as línguas:

Todas estas interpretações sobre as línguas, podem ter alguns aspectos fortes e outos fracos, mas do meu ponto de vista a interpretação que consegue ligar mais Atos à epístola aos Coríntios é a 1ª Interpretação - O dom de línguas de Coríntos são as línguas estrangeiras faladas em Atos 2?

Se tivesse que escolher uma outra a seguir a esta, eu escolheria talvez a 2ª Interpretação - Paulo está simplestemente a dizer, que quando houvesse estrangeiros na congregação, se falarem ou orarem na sua língua, deviam ser interpretados.

Em terceiro lugar talvez escolhesse a 4ª Interpretação as línguas, eram ão simplesmente “lingueta” ou “glossalia” e Paulo está a repreendê-los sobre isto.

Mas como disse eu acho que a 1ª Interpretação é a mais coerente e que consegue fazer mais ligação entre o livro de Atos e a epístola aos Coríntios.

Neste caso eram línguas estrangeiras, como em Atos, que eram unicamente um sinal que aparece citado 3 vezes em Atos, Atos 2, Atos 10 e Atos 19, mas que ainda se prolongou um pouco pela Igreja primitiva durante a época apostólica, mas depois cessou.

No entanto, como havia muita confusão naquela Igreja, eu compreendo que alguns dizem que Paulo está simplesmente a repreender a Igreja por alguns estarem a falar "lingueta e glossalia" e outros que Paualo está a repreendê-los pelo seu "linguajar diabólico", pagão, que penetrou naquela Igreja.

Eu penso que havia muito "lingueta e glossalia" e "linguajar diabólico" naquela Igreja e e outras confusões ligadas com profecia, pois a porfecia era feita e não esta testada, mas parece que havia também um dom genuíno de línguas que deve ser aquele que é falado em Atos 2, Atos 10 e Atos 19.

Mas devo realçar outra vez o seguinte:

Se o “dom” de línguas era falado na Igreja de Coríntios, juntamente com os outros dons de revelação nomeados em I Corintios como o “dom de profecia”, “dom da sabedoria”, “dom do conhecimento” tiveram muita utilidade e razão de ser, na era da Igreja primitiva, quando eles não tinham ainda muitas epístolas para estudarem e se edificarem na doutrina dos apóstolos e precisavam de alguma revelação.

A Bíblia não nos dá uma indicação muito clara para dizermos que os “dons” de revelação cessaram, mas acho que podemos subentender que foram mais necessários naquela época do que na nossa, pois agora já temos tudo revelado no canon sagrado.

Estou a salientar isto, porque muitas vezes, quando damos demasiadamente importância aos dons de revelação, rebaixamos a importância das Escrituras Sagradas, e estas deixam de ser pregadas como devia ser, e deixam de ser a nossa única revelação divina em matéria fundamental.

É lógico que há revelações que podem não ter nada a haver com regras e doutrinas fundamentais, mas simplesmente com situações, decisões práticas, pessoais etc, e, neste casos, estes dons de revelação podem - e eu acredito que têm - ainda ter uma certa relevância para a nossa época.

É neste sentido que embora seja um cessacionista, não sou um “cessacionista” radical, pois acredito que possa haver uma continuação relativa (não absoluta e espectacular) dos dons de revelação e de poder, mas com toda a porporção guardada.

Em primeiro lugar, visto estes dons estarem também muito ligados à missão dos profetas, de Jesus e dos Apóstolos. Acho que tendo terminada a missão de Jesus e dos apóstolos, estes dons terminaram, ou pelo menos perderam o seu carácter absoluto e extraordinário e passaram a ter um carácter meramente relativo.

Em segundo lugar, porque penso que os dons de revelação e de poder perdem a sua razão de ser e a sua utilidade a partir de altura que o “canon sagrado” está concluído e passa a ser a única e principal regra de orientação para a Igreja.


V I. Distinção entre línguas e profecia

I Coríntios 12:4 O que fala língua estranha edifica-se a si mesmo; mas o que profetiza edifica a Igreja. 

Vemos neste versículo uma distinção nítida entre línguas e profecia. Um perigo que as Igrejas estão a correr é confundir o dom das línguas com o dom profético.

Ou seja, um membro começa a falar línguas e força-se uma interpretação para haver uma conatação profética. Ou seja, pretende-se que a pessoa através das "línguas" está a revelar (profetizar) da parte de Deus alguma coisa para a congregação.

Por isso, não podemos confundir profecia com línguas, pois isto está a causar confusão e mau estar dentro das Igrejas.

Uma coisa errada é atribuir conotações proféticas quando membros se levantam pretendendo ter uma revelação de Deus através de uma profecia, e de facto vê-se que o que a pessoa disse não é nem revelante, nem profético.

Outra coisa errada , ainda pior, é forçar a interpretação das línguas, pretendendo que a uma pessoa através das línguas está a revelar (profetizar) qualquer coisa à Igreja da parte Deus e que precisa interpretação

                                                                                                                                 V I I. Os dons mais proeminentes na Bíblia

Uma coisa que parece clara nos textos que falam do dom das línguas em I Corintios 12 e 14, é que não é um dos dons mais proeminentes na Bíblia. 

Os dons e ministérios mais proeminentes na Bíblia encontram-se em Efésios 4:11-16.

Profeta (expôr a palavra/revelação de Deus, com autoridade profética)

Apóstolo* (trabalho de missões – plantação de Igrejas)
* algumas Igrejas dão uma dimensão maior às funções do Apóstolo.

Evangelista (pregador das boas novas do Evangelho).

Pastor (acompanhar, encorajar, consolar, ensinar, edificar e repreender).

Mestre (ensinar e edificar os santos no conhecimento das doutrinas e práticas cristãs).

Paulo revela claramente que estes 5 servos e os seus respectivos dons e serviços, foram estabelecidos por Deus na Igreja para a edificação dos outros membros.

Efésios 4:11,12 "E ele mesmo deu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e doutores, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo".

 Os dons de poder e de revelação podem até ser necessários ainda hoje em certas situações, mas com um carácter relativo, mas não são apresentados na Bíblia como sendo os mais proeminentes.

Os mais proeminentes são os dons ligados com exortação, pregação, edificação e plantação de Igrejas, centralizados na exposição e proclamação da Palavra de Deus.

Doutro lado, devo salientar também que os dons de poder e revelação aparecem na sua maior parte ligados a estes 5 ministérios de liderança, pois grande parte dos sinais e prodigios e milagres no Novo Testamento estão ligados ao oficio destes 5 servos: Profeta, apóstolo, Evangelista, Pastor e Doutor.

No Antigo Testamento estavam ligados aos oficio dos juízes, sacerdotes e profetas.

Provavelmente ainda hoje, os dons de revelação estão muito ligados a estes 5 ofícios, mas repito, tendo um carácter relativo e não absoluto e espectacular como foi nos tempos de Jesus e dos apósotolos e profetas.


V I I. Anexo: Sobre línguas ou glossalia

A. O significado da palavra "glossalia"

1. A palavra utilizada em Actos 2 significa “dialecto”

A palavra grega “glossa” or “língua” refere-se a uma língua humana - um dialecto, falado pelos homens.

A glossalia, que não é o que "glossa" significa, um dialecto humano, começou a ser utilizada por algumas Igrejas cristãs, para justificarem o “gibberish” iniciado em suas Igrejas.

Gibberish (palavra inglesa)– significa jargão "linguagem incompreensível e estropiada". Algumas pessoas chamam de “lingueta”.

A glossalia que é afinal "jargão ou lingueta" é um pronunciar de sílabas completamente desconectadas.

2. A glossalia é praticada em muitas religiões

Segundo estudiosos a glossalia é praticada em muitas religiões e faz parte da adoração religiosa dos povos.

Pode também surgir como consequência de uma doença mental.

3. A glossalia teve o inicio durante o avivamento pentecostal

No cristianismo, a glossalia começou a ser introduzida a pouco mais de 100 anos, surgindo no meio do poderoso avivamento pentecostal, e, por essa razão, os pentecostais começaram a ensinar que os discípulos falaram línguas “estranhas ou celestiais". E ensinaram ainda que o falar línguas celestiais é o sinal visível do Baptismo do Espírito Santo.

É claro que a grande controvérsia destes últimos 100 anos de Igreja é:

Se as línguas faladas nas Igrejas pentecostais depois deste avivamento é "glossalia" ou é mesmo uma "língua celestial" (estranha) dada pelo Espírito Santo?

Alguns dizem que a Bíblia não deixa qualquer possibilidade de justificar o tal “gibberish” nas igrejas, pois as línguas faladas no pentecostes eram línguas estrangeiras e não estranhas. Desta forma se houver ainda um dom de línguas é o mesmo revelado em Atos 2, o poder de falar línguas estrangeiras.

Atos 2:1 "Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar 2 de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. 3 E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. 4 Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem. 5 Ora, estavam habitando em Jerusalém judeus, homens piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu. 6 Quando, pois, se fez ouvir aquela voz, afluiu a multidão, que se possuiu de perplexidade, porquanto cada um os ouvia falar na sua própria língua. 7 Estavam, pois, atônitos e se admiravam, dizendo: Vede! Não são, porventura, galileus todos esses que aí estão falando? 8 E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? 9 Somos partos, medos, elamitas e os naturais da Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia, 10 da Frígia, da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia, nas imediações de Cirene, e romanos que aqui residem".

B. Muitos pensam que a Bíblia fala de língua estrangeira

Embora em cima eu falei dos seis pontos, um dos pontos é precisamente este em que muitos pensam que tanto em Atos 2, como em Coríntios a Bíblia fala de um dom para falar línguas estrangeiras.

1. A língua estranha nas Igrejas parece mais "glossalia" que celestial.

Se analisarmos a língua falada nas Igrejas de um modo honesto, parece que teremos que admitir que é "glossalia" e não nenhuma "língua celestial".

A "glossalia" é a nossa ou outra língua estrangeira falada, só que de uma forma estropiada. "As sílabas da glossalia" não são celestiais ou estranhas são as de uma língua humana. Notem que as sílabas utilizadas são as da língua em questão, em nosso caso são sílabas das língua portuguesa, só que pronunciadas de uma forma desconectada.

2. O avivamento pentecostal foi um avivamento do Espírito

No entanto, os mais conservadores embora achem que o que se pratica nas Igrejas Pentescostais é "glossalia", deviam admitir que as Igrejas Pentecostais surgiram de avivamentos poderosos que vieram sem quaisquer dúvidas do Espírito Santo e mudaram o curso da história da Igreja cristã, apesar dos problemas que trouxeram para dentro da Igrejas.

Que movimento evangélico de expansão mundial, não trouxe também, além das muitas bençãos, alguns problemas e erros para dentro da Igreja? Ou foram só os pentecostais que trouxeram problemas e erros para dentro da Igreja!?

A "glossalia" apareceu misturada com "manifestações reais do Espírito Santo" e foi tomada logo desde o início por muitos dos crentes "avivados", como sendo uma língua celestial, o sinal do Baptismo do Espírito Santo ensinada nos meios pentecostais até aos dias de hoje, que devia acompanhar sempre o Batismo do Espírito.

Ficou claro na minha exposição que eu não subescrevo esta posição. Eu acho que este erro doutrinal, embora possa a ser à partida um erro de interpretação abriu a porta a muitos problemas dentro das Igrejas, que se têm vindo a agravar até aos dias de hoje.

O mesmo acontece com o dom da profecia que tem tomado porporções gigantescas e enveredado as Igrejas em tantos erros. Poderia dizer o mesmo da cura e dos sinais, prodígios e maravilhas que tem criado muitos problemas.

Acho que os nossos irmãos da ala pentecostal e carismática deviam rever todo este assunto e evitar que alguns dos extremismos em nossos dias ensinados pelos movimentos da Terceira Vaga, do Evangelho do Reino "Agora" e pelos Movimentos de Fé, entrem dentro das suas Igrejas, nomeadamente ensinamentos acerca das línguas, do dom da profecia, das curas e dos sinais, prodígios e maravilhas e sobre o reino de Deus, para não darem lugar ao diabo nas suas Igrejas.

Ao dizer isto as Igrejas mais conservadoras nestas áreas, têm também os seus pontos fracos e devem vigiar, pois o diabo também pode utilizar esses pontos fracos para enfraquecer as Igrejas tradicionais.

FIM

1 comentário:

Anónimo disse...

Graça e paz Pastor Viriato,
Tenho lido alguns estudos referentes ao dom de língua estranha e tenho observado que embora os autores desses estudos transmitam com convicção aquilo que estão falando sobre ou contra a existência de uma lingua celestial, quando nos deparamos com os textos bíblico citados pelos próprios autores nos seus estudos, percebemos uma controvérsia. Penso ser muito interessante entendermos esse assunto e assim como o Senhor também percebo que em algumas igrejas a glossalia realmente exista até por uma imaturidade espiritual, mas eu creio até por uma experiencia pessoal, que o dom de lingua existe (língua celestial) e que tbm independente de ter esse dom ou não , eu devo me preocupar cm minha salvação, pq foi isso que Jesus disse aos discipulos: "Vocês devem se alegrar por o nome de vocês estarem escritos no livro da vida.
Isso que importa. Obrigada Pr.pelo estudo achei muito interessante...Deus o abençoe no seu ministério!