terça-feira, 26 de junho de 2007

7 - A ideia do Bem e do Mal

A Fé cristã do ponto vista filosófico e racional

Introdução geral


Veja debaixo de Assuntos os 12 posts ligados com Religião e Filosofia... 


Eu fiz este trabalho a pensar em todos aqueles que se interessam pela filosofia, religião e as ciências em geral. 


O livro toca em muitas esferas da realidade e procura determinar aquilo que o cristianismo, a religião, a filosofia e a ciência dizem da realidade que podemos ver e da realidade que está para além dos nossos cinco sentidos.


Embora muitos estudiosos agarrem-se à ideia de que somos seres racionais, quando no entanto pensamos na pesquisa da realidade que está para além dos nossos cinco sentidos,  nós temos que incluir também o coração e não só a mente na busca dessa realidade sobrenatural.


Ninguém pode ter uma compreensão global da vida e do mundo só pelo uso do seu intelecto – ou razão. 


Afinal de contas a razão só nos permite conceber e compreender o mundo e a vida através da nossa própria perspectiva racional e cultural e de uma forma muito parcial.


É por essa razão que é errado dizer que nós somos unicamente seres racionais, pois além dos nossos pensamentos nós temos também sentimentos, emoções, impulsos e as crenças profundas que existem dentro da nossa alma.


Não se pode reduzir a nossa actividade cognitiva, assim como as nossas pesquisas filosóficas e religiosas unicamente à esfera do nosso raciocíno, ignorando o nosso lado sentimental e emocional e a faculdade que temos de crer num mundo sobrenatural que ultrapassa a esfera do racional e do natural.


Nós só podemos ter uma compreensão global da existência e dos relacionamentos humanos, se compreendermos que temos que envolver não somente o raciocínio, mas também o nosso coração nessa pesquisa/processo.


O raciocínio pode ser a sede dos nossos pensamentos, mas o coração é a sede dos nossos sentimentos, emoções, impulsos e crenças.


Por essa razão, neste trabalho, eu irei falar das três grandes actividades do ser humano na procura da compreensão global da existência, que são: o pensamento, o sentimento e a crença. Irei tentar mostrar que estas actividades não se contradizem, mas antes se completam. 


Claro que ao querer mostrar que o cristianismo é uma fé que “sente e crê”, irei salientar também que o cristianismo é uma fé  que “pensa”. É por isso que o título deste trabalho é A fé cristã vista do ponto vista filosófico e racional.


Neste livro eu procuro também dar uma explicação para questões misteriosas que estão ligadas com o nosso mundo natural, com a revelação bíblica e com o campo filosófico.


Vale a pena ler sobre a abordagem que faço acerca de alguns temas misteriosos relacionados com o universo, o homem e com Deus.



Capitulo 7 - A idea do bem e do mal


I. A ideia do bem

A. Introdução ao assunto
B. As teorias do bem
C. As bases para a autoridade moral

I I. A ideia do mal

A. O mal o sofrimento e Deus
B. As preposições: o mal existe e Deus existe
C. Razões filosóficas válidas

I I I. Razões bíblicas válidas 

A. O teste moral do homem
B. Ser com moral superior ou não ser


I. A ideia do bem


A. Introdução ao assunto



1. A discussão filosófica e religiosa inclui a questão do bem e do mal.

Uma discussão filosófica e religiosa deve incluir uma discussão sobre moralidade. A moralidade é uma área da ética. A ética pode referir-se a costumes morais e religiosos, como pode referir-se a ética desportista, profissional ou no negócio.


Inclui ainda o estudo científico do comportamento humano, que não pode ignorar a tentativa de definir o que significa o bem e o mal, que são afinal os dois principais predicados de toda a conduta humana.



2. A lei moral é objectiva e absoluta

Já estudamos o argumento moral na secção sobre religião, sobre Deus etc e não vamos fazê-lo aqui outra vez.


Mas é bom salientar que: "A lei moral se for subjectiva, não tem mais autoridade do que as nossas preferências".


Mas se é objectiva então é igual a qualquer outra lei universal, sendo descoberta pela nossa mente e não inventada.


A lei moral não é o que é o homem, mas é o que o homem deve ser. Se é objectiva, só pode ser a expressão da realidade espiritual do nosso Universo. Por isso, a convicção mais forte que existe em nós é que:


"fazer bem é muito melhor do que fazer mal". É uma ideia que não se aprende, pois é inata em nós.


A lei moral não existe por causa de uma questão de procurar um equilíbrio social. Uma sociedade de canibais até pode ter equilíbrio social, mas no fundo, não é mais do que uma sociedade de assassinos, isto vendo as coisas do ponto vista moral e não cultural.


"O dever moral das pessoas deve seguir o curso da natureza que normalmente se dirige para o bem dos outros".



3. Uma ideologia verdadeira tem uma "boa influência" na história

Uma ideologia verdadeira tem que ter uma influência boa na história humana, que se traduza num progresso social, económico, político, moral, familiar e espiritual para os povos.


No caso do Cristianismo, este trouxe a abolição da escravatura, a emancipação da mulher, deu as bases para o estabelecimento da democracia nas sociedades ocidentais, isto pode ser chamado de Bom.


Se, por outro lado, uma ideologia trouxer alienação, fanatismo, o terrorismo e rebaixar a dignidade da mulher, levantar filhos contra os pais, isto deve ser chamado de Mau. Isto tanto do ponto vista social, como moral e espiritual.


"É quase impossível discutir sobre argumentos morais com alguém que não consegue distinguir uma acção social indigna da condição humana de uma acção social nobre".


Há várias teorias sobre moralidade, que já foram faladas num capítulo anterior.


Entretanto iremos falar de algumas teorias do ponto vista do bem, que afinal são iguais às teorias da moralidade, só que vistas de um outro prisma:


B. As teorias do Bem



1. O prazer como bem

Os gregos defenderam muito a teoria de que o homem teria de procurar o prazer, custe o que custasse, afim de atingir a felicidade. O próprio Aristóteles identificou o prazer com a felicidade.


"O hedonismo, a doutrina que defende o prazer como sendo a raiz de toda a acção humana, é inconsistente, pois, como se pode conciliar a satisfação do nosso prazer pessoal e o prazer dos outros?"


Se quisermos procurar um equilíbrio entre o nosso prazer e o prazer dos outros, teremos que forçosamente "criar uma doutrina moral" ou pelo menos prudente.


Como esta noção psicológica de que o prazer é que motiva toda a acção é falsa, o hedonismo se encontra em declínio.


Vejamos o seguinte:


Em primeiro lugar, do ponto vista psicológico: "o prazer não é um impulso que precede o acto".


O prazer pode sim, surgir do acto de comer, brincar, jogar etc.


Em segundo lugar, do ponto vista psicológico: "as motivações conscientes e inconscientes dos nossos actos nunca são feitas de forma a evitar sempre a dor e procurar sempre o prazer".


Muitas vezes, nós actuamos, sabendo que as nossas acções irão provocar dor. Não haveria altruístas nem mártires se assim não fosse!


Os altruístas, mártires são pessoas, convictas, dispostas a defender uma causa, mesmo a troco da dor e da morte.


Na nossa luta pela justiça e o bem social, somos levados à conclusão de que o bem estar dos outros, pode depender da nossa abnegação e desinteresse pessoal.


No fundo, a abnegação e desinteresse pessoal, produz no homem:



a. Um prazer espiritual

No caso expectativa de uma recompensa recebida no além, o que nos dá um prazer de natureza espiritual, isto se o ideal em questão que se quer atingir ser de carácter religioso.



b. Um prazer moral.

Especialmente nos casos em que o ideal em questão que ser atingir ser de natureza moral.



c. Um prazer social.

Especialmente nos casos do ideal em questão ser uma luta de carácter social, cultural, económico ou político.


Se a psicologia analisar os sentimentos que estão por detrás das motivações que provocam as acções humanas, terá que concluir que há uma percentagem muito mais alta de sentimentos de abnegação a motivar as acções humanas, do que sentimentos de hedonismo.


Os sentimentos de abnegação e desinteresse pessoal, têm produzido mais felicidade e bem estar na história social dos povos, do que o sentimento de hedonismo.



2. A perfeição como bem

A ética tem tentado estabelecer a perfeição como o Bom, mas há ideias tão diferentes acerca do que é perfeição, que praticamente não se pode falar de um escola definida de pensamento sobre a perfeição.


Há muitas opiniões sobre isto. Muitas coisas têm sido advogadas como perfeição: "o eudaimonismo" de Aristóteles, "a evolução" de Darwin, "a realização pessoal com o superman" de Nietzsche, "a finalidade moral" de T. H. Green etc.


A partir da perfeição é difícil então estabelecer-se o bem (bom), embora o bem (bom) seja sinónimo de perfeito, é claro!



3. Ética evolutiva

Há uma ideia que defende que o dever moral deve seguir a evolução da natureza. Dizem que as flores nascem, crescem e morrem, preenchendo o seu ciclo de vida. Da mesma forma o homem deve nascer, viver despreocupadamente de acordo com os seus instintos, sem se preocupar com o exterior, e morrer preenchendo o seu destino.


Esta ideia, da parte de Lao, está inculcada de inactividade. Ele disse que: "o homem deve viver impassível diante da vida e da morte". O silêncio é a melhor palavra e a tranquilidade é a sabedoria do coração. Desta forma a vida corre e o homem cumpre o seu dever.


Embora Confúcio trouxesse uma doutrina mais prática, esta ideia de seguir tranquilamente os nossos impulsos naturais, continuou a ter muitos aderentes. Com a vinda da teoria de evolução, surgiu a ideia de selecção natural, que tem se estendido a todas as áreas, inclusive à área da ética.


O indivíduo começa a ser visto como alguém dependente do seu meio ambiente, vivendo de acordo com seus impulsos naturais e culturais.


A própria natureza seleccionará naturalmente aquilo que deve sobreviver. Mas, de facto, esta ideia falha, pois a moralidade em vez de ser uma questão de selecção natural, tem sido, pelo contrário, um instinto natural, normativo, que está em luta constante contra esta selecção.


"Moralidade é um esforço contra a adaptação ao meio. Em muitos casos, perde a moralidade, quem se adapta facilmente ao meio".


Quem se conforma com o estilo de vida e com a forma de pensar da sociedade em que vive, não vive, mas sim, naufraga moralmente falando.


Toda a história do progresso das ciências morais, é devido ao esforço de homens e mulheres que vivendo para além dos conceitos da sua sociedade, ensinaram ou proclamaram conceitos morais nunca existentes ou então totalmente esquecidos.


Vendo isto, não há nenhuma verdade na preposição que diz que:


"A sobrevivência das espécies é eticamente boa. Antes pelo contrário!"


Às pessoas que extenuadamente procuram defender as suas más acções dizendo: eu tenho que fazer isto para viver. A essas pessoas devia-se dizer:


"não há nenhuma razão para um homem viver, se não viver correctamente".


No entanto, às vezes, são estes que sobrevivem, apesar da vida desregrada e corrupta que fazem! Os outros, que vivem regrada e rectamente, morrem, não sendo seleccionados pela natureza!?


A história revela-nos que a sobrevivência do mais forte, está muito longe de significar progresso moral. Ao contrário, nós vemos muitas vezes na história, que os mais fortes são os que menos acreditam na moralidade.



4. Intuição ética

Esta ideia afirma que o centro do julgamento moral só pode ser apreendido pela nossa intuição. Entretanto, esta ideia foi ultrapassada, devido aos progressos feitos na esfera da psicologia humana.


Esta ideia surgiu no intuicionismo modificado de Moore, que defendeu que o "Bom" é uma concepção simples que não pode ser analisada. Tem havido muito controvérsia sobre a concepção do Bem (Bom)


Para uns "Bom" é algo que tem valor para atingir certos fins. Para outros "Bom" tem que ter um valor moral. Outros acham que é impossível definir o que é "Bom".


Os intuicionistas tratam a consciência como uma faculdade abstracta, que se desenvolve conforme o homem procura a sua integração social, felicidade e prazer. O homem foi desenvolvendo esta capacidade de aprovar e desaprovar as acções de outrem e, aos poucos, foi criando standards em suas leis tribais, mais tarde a nível de Nação, que lhes foram dando o critério para julgar o comportamento social dos seus concidadãos.


Para esta ideia a raiz para criar ou julgar o Bem (Bom) é meramente subjectiva e emocional.


"Dizem que não se pode postular um instinto moral".


Mas, afinal, há tantos instintos que têm sido postulados, que parece quase impossível que um instinto tão universal e importante, como é o julgamento moral, não possa ser postulado, e aceitemos que tenha as suas raízes na própria natureza humana.


Enfim, tudo parece mostrar que o instinto moral tem a sua raiz numa lei objectiva, normativa, inata na natureza do homem e não na sociedade.


C. As bases para a autoridade moral


É óbvio que um ser que é simplesmente o resultado de uma ordem de forças naturais, combinadas por acaso ou por determinismo, forçando-o cegamente a obedecer às suas leis, é um ser sem significado - valor - nenhum.


Há duas coisas que devemos diferenciar:


Uma é dizer que nós possuímos uma tendência "para agir de uma certa forma".


Outra é dizer que nós possuímos uma tendência que "nos diz o que devemos fazer ou não fazer".


Não é correcto do ponto vista psicológico aceitarmos que temos a primeira tendência e negar a segunda. É da segunda tendência ou sentido moral, que vêm as sanções ao nosso comportamento.


Apesar de haver muitos que dizem que a moralidade não necessita de sanções sobrenaturais, pois a autoridade de decidir o que é certo ou errado, vem do próprio homem e da sociedade em que vive; não podemos, no entanto, anular um facto:


“a religião tem sido desde o passado até hoje, a única autoridade para determinar a nossa moralidade”.


Se estudarmos a história da moralidade, vemos que a definição de Bem (Bom)depende da nossa interpretação do universo. Mas a história revela que não tem sido a interpretação natural do universo, mas sim, a interpretação religiosa do universo que tem sido a única base de autoridade do nosso sentido moral.


Portanto o homem tem dentro de si uma tendência moral de carácter absoluto, que lhe diz o que é bem e o que é mal, ou seja, que "nos diz o que devemos fazer ou não fazer".


Daí nasce o conceito de moralidade que não é de maneira nenhum um valor relativo, mas sim abslouto.

obre a
Consulte os outros assuntos sobre Religião e Filosofia, capitulo 2 sobre Religião, a secção Religião e Moralidade e também no capítulo 4 sobre Ideia de Deus, na secção dos argumentos, veja o argumento moral.


I I. A ideia do mal


A. O mal, o sofrimento e Deus


Sem dúvida que a existência do mal no mundo é uma evidência. Relacionar o monoteísmo cristão com esta evidência é algo complicado.


"A religião judaica cristã é uma religião de salvação e perdão, de julgamento e redenção. De toda a forma, a religião cristã não teria razão de existir num mundo sem mal, pois os seus conceitos principais não teriam nenhuma aplicação".


Num mundo sem mal, não havia necessidade de proclamar uma salvação. Não haveria nada para perdoar, para punir ou para redimir.


O monoteísmo cristão é portanto categórico na sua preposição "existe o mal".


De outro lado, a existência do mal tem sido, talvez, a mais poderosa objecção ao monoteísmo cristão. Muitos têm achado que a existência do mal constitui um obstáculo válido à crença de uma Deidade competente, benevolente, omnisciente, omnipresente e omnipotente.


Apesar de parecer que a compreensão da ideia do mal é uma questão insolúvel, não deve ser uma desculpa para ignorar a questão, ou pensar que é impossível encontrar uma solução para a compreensão da mesma.


A dor e do sofrimento fazem parte integrante da natureza, mas, se pensarmos bem, só representam uma pequena parte. Pensemos, por exemplo, no animal selvagem, que sofre somente uma pequena quantidade de dor e de medo, comparado com o prazer que ele encontra em viver.


Ninguém pode dizer que o facto do pássaro viver em constante alerta por causa dos seus inimigos, isto estraga a sua felicidade. O pássaro não vive a pensar no medo; o seu estado de alerta não lhe causa nenhum desconforto. Eles revelam felicidade no seu viver.


Nós, os humanos, temos medo, muitas vezes, porque sendo racionais vivemos a pensar no pior, mas a nossa felicidade de viver é maior do que o nosso medo.


"De uma maneira geral, o processo da vida, não é um processo penoso tanto para a vida animal, como para a vida humana, apesar da dor e do sofrimento. Claro que há excepções, pois não há regra sem excepção".


Além disso, há muitas virtudes que estão ligadas à questão da dor e do sofrimento "como sofrer com paciência, com coragem e sem perder a piedade" etc. Isto não quer dizer que estas virtudes são razões que devem justificar o sofrimento, pois nós sabemos bem que o sofrimento traz consigo muitos males como: "o desalento, a mágoa, a depressão, a doença e mesmo a morte".


Só estou tentar atenuar a opinião tão negativa que existe sobre a dor e o sofrimento.


Para isto saliento algumas opiniões importantes sobre a dor e o sofrimento:



1. Existe mais felicidade no mundo do que sofrimento

"Na natureza existe muito menos quantidade de dor e de sofrimento do que de felicidade"


"Não há uma razão suficientemente convincente que prove que a dor seja sempre um mal. Em certos casos a dor é uma protecção"


"Há muitas virtudes ligadas à dor e ao sofrimento"


"Não há razão suficientemente convincente que prove que a existência da dor e do sofrimento nega a existência de Deus".


Quem é que pode negar categoricamente estas opiniões?


"Portanto, devíamos ter uma concepção menos negativa da dor e do sofrimento".


No entanto, apesar dessas opiniões sobre a dor e o sofrimento, devemos reconhecer que não é fácil explicar a razão da existência do mal e relaioná-la com Deus.


Devemos reconhecer também que não é fácil rebater a opinião que defende que a existência do mal coloca algumas dificuldades à concepção da existência de um Deus perfeito e Todo Poderoso.


É verdade que o problema do mal é um facto da realidade. Todos acreditam na existência do mal, de uma forma natural. O problema não é bem discutir se existe mal, mas é se a existência do mal coloca em questão a existência de Deus.


Se a ideia do mal não interferisse tanto com esta grande questão filosófica "existe Deus", toda a gente aceitaria o mal como uma realidade da vida, por mais duro que fosse aceitá-lo mesmo em nossa própria vida.



2. O mal na sua relação entre o sofrimento e o pecado.

Vamos falar da questão do "mal moral" ou daquilo que a Bíblia chama de "pecado".


Este tipo de mal é um problema mais complicado de compreender e aceitar que a dor e o sofrimento. Porque não se pode dizer que a dor e o sofrimento é um mal moral - pecado. Ou seja, sofrer ou ter dor não pode não estar directamente associado a "um pecado" cometido por alguém.


Em muitos casos o pecado - o mal moral, pode trazer dor e sofrimento, mas muitas vezes a dor e o sofrimento não estão relacionados directamente com o pecado. Por exemplo, se uma pessoa parte uma perna de uma queda, isto provoca sofrimento, mas não tem nada a haver directamente com o seu pecado.


Por exemplo, podemos pensar que Deus sofre, mas não podemos pensar que Deus peca. Portanto a dor, sofrimento e o pecado são problemas que devem ser analisados separadamente. Desta forma podemos distinguir dois tipos de dor e sofrimento: a dor e o sofrimento físico e a dor e o sofrimento moral.



3. Sem Deus não há lei moral e reconhecimento do pecado

Não haveria reconhecimento de pecado ou de mal moral se Deus não existisse. Sem Deus, a moralidade adquire um carácter relativo ou utilitário. Paulo disse que sem o conhecimento da lei de Deus, não há conhecimento do pecado.


Vemos isto em Romanos 7 que pode ler na Bíblia.


"É por essa razão que as leis morais são ignoradas ou transgredidas quando um povo vive na decadência espiritual. Mas conforme um povo eleva o seu nível espiritual, começa a ficar mais preocupado com a observância das leis morais".


A história nos revela este facto através da influência que a sociedade ocidental teve sobre os povos que colonizou. Independentemente do problema da exploração económica e opressão política que se seguiu à colonização, e que é um assunto que deve ser tratado aparte, vemos que os povos colonizados elevaram a sua vida espiritual/moral ao entrarem em contacto com o cristianismo.


Parece que quando um povo começa a ter temor de Deus, isto faz com que comece a distinguir as noções de bem e mal e viver uma vida mais digna do ponto vista moral.


Nós podemos fazer algumas perguntas sobre o mal:


São o mal e o bem partes naturais de um mesmo processo evolutivo?


Podemos crer em Deus num mundo onde existe o mal?


É Deus indiferente ou impotente diante do mal?


Mas, por muitas perguntas que se façam, uma coisa temos que admitir. O mal existe!



B. As preposições: o mal existe e Deus existe

Vamos então anlisar estas duas preposições:  "o mal existe" e "Deus existe"



1.  "o mal existe" e "Deus existe"

Muitos concluem que: a preposição o "mal existe" é verdadeira e isto dá bases para afirmar-se que a preposição "Deus existe" é falsa.


Esta alegação está baseada em dois raciocínios:


a. A coexistência de Deus e o mal é contraditória.


b. Como o mal existe isto dá razões para negar-se a preposição Deus existe.


Mas, vamos ver algumas razões que mostram que estas duas preposições "Deus existe" e "o mal existe" além de não serem contraditórias, a existência de uma não nega a existência da outra.



A Primeira razão:

Se aceitarmos como verdadeira a preposição:


"Deus tem uma razão moral para permitir o mal".


Neste caso, não há contradição entre Deus e o mal? O que teremos de fazer, é procurar saber qual será a razão moral para Deus permitir o mal?



A Segunda razão:

Se conseguirmos formar esta tríade de ideias:


"Deus existe/o mal existe/Deus tem uma razão moral para permitir a existência do mal".


Neste caso, temos o problema axiomático resolvido, e não podemos mais dizer que a preposição o mal existe dá razões para negarmos a preposição Deus existe.


É muito claro que filosoficamente ninguém pode contestar a ideia de que uma Deidade pode ter uma razão moral suficientemente forte para permitir a existência do mal. É uma preposição que pode ser absolutamente verdadeira até que se consiga filosoficamente constituir uma outra preposição que a coloque em causa.


A Filosofia é um sistema concepcional de investigação racional. Só pode anular preposições a um nível racional. Por essa razão, quando uma preposição não puder ser racionalmente negada, a Filosofia terá que considerá-la nem que seja como uma hipótese.


"Mas é verdade que especialmente nesta questão da relação entre Deus e o mal, só será possível haver uma verdadeira crença se abraçarmos a esfera sobrenatural da Fé. Se a crença ficar exclusivamente na esfera intelectual, o conhecimento do homem pode ser facilmente abalado ou poderá entrar num estado de confusão, sempre que as circunstâncias à sua volta ou em sua vida forem fustigadas por uma grande dose de mal".


Até mesmo a Fé dos cristãos é abalada quando uma forte presença do mal se manifesta no mundo à sua volta ou nas suas vidas.


2. Razões que mostram a validade da "tríade" preposicional.

"Deus existe/o mal existe/Deus tem uma razão moral para permitir a existência do mal".


Portanto que mostram "que Deus e o mal podem coexistir".


Há muitas razões que são apresentadas para defender a tríade "Deus existe e tem uma razão moral suficientemente forte para deixar o mal existir".


Vejamos algumas, como exemplo:


Precisamos de saber ultrapassar o mal, para adquirirmos carácter.


As virtudes coragem e força adquirem-se ultrapassando obstáculos.


O sofrimento ensina-nos a suportar a dor e o medo.


Estas virtudes adquiridas em nosso conflito com o mal, têm um valor moral e eterno e, por isso, vale a pena pagar o preço que custa nesta vida.


Além disso, devo salientar que a Bíblia revela que as tribulações da vida, fazem parte da disciplina divina, que tem o alvo de preparar o homem para a eternidade - preparar o homem para uma jornada mais longa!


Romanos 5:3 "E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; 4 e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. 5 Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado".


Romanos 8:28 "Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito".


Efésios 5:20 "dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo" .


É claro que não há quaisquer razões lógicas para crermos que este ponto vista cristão dê automaticamente credibilidade à nossa tríade.


Pois há muitas perguntas que se fazem, como por exemplo:


"Que razão moral terá Deus para permitir que uma pessoa morra lentamente passando por uma longa e dolorosa agonia?"


"Que carácter produz isto na pessoa? Ou que valor moral tem uma morte destas?"


No entanto, apesar de muitas perguntas como estas, ninguém pode negar que há situações de sofrimento que podem providenciar oportunidades para crescimento.


Por isso, não se pode dizer, que é logicamente impossível Deus ter uma razão moral suficientemente forte para permitir o sofrimento. Desta forma, teremos que nos render às evidências e aceitarmos que pelo menos em algumas situações, Deus tem uma razão moral suficientemente forte para permitir o sofrimento.


No entanto, o que poderemos dizer de casos de sofrimento e de mal, que parecem não dar crédito à nossa tríade?


"Como por exemplo, a pessoa que é cortada em fatias por um criminoso, e os seus bocados são colocados em sacos diferentes e deitados em caixotes do lixo?"


Claro que em situações em que parece que Deus não tem razão nenhuma moral para permiti-las, tal é a intensidade com que o mal se apresenta, a Bíblia lança a responsabilidade sobre a maldade humana que é exercida segundo o livre arbítrio de cada indivíduo e sobre a maldade satânica que é exercida dentro dos limites permitidos por Deus.


Mas, mesmo assim, temos que admitir que isto levanta outro tipo de perguntas e objecções aos caminhos de Deus.


É por essa razão que já dissemos que este assunto da ideia do mal é bastante complicado e é difícil encontrar razões sólidas do ponto vista lógico e racional.


O homem além de ter que raciocinar com realismo e sensatez, terá que exercer um acto de Fé na revelação bíblica:


"para poder crer sem questionar na tríade Deus existe e tem uma razão moral suficientemente forte para permitir que o mal exista".



O livro de Habacuque e de Jó na Bíblia são muito bons para nos ajudar a compreender um pouco melhor os caminhos de Deus nesta questão do sofrimento. 

Pode ler no meu blog um post sobre Habacuque na secção - Profetas, e ler um post sobre o sofrimento, onde menciono Jó na secção - Problemas. 

C. Razões filosóficas válidas


1. O mundo que existe é melhor do mundo que não existe


Alguns podem dizer que um mundo sem mal é melhor do que um mundo com mal, logo Deus nunca iria criar um mundo com mal, mas sim um mundo sem mal.


Mas isto não é forçosamente verdade.


Analisemos estes dois mundos:


"No mundo A sem mal", os homens não precisam fazer decisões morais pois não são agentes livres.


"No mundo B com mal", os homens sendo agentes livres, podem fazer escolhas morais certas ou erradas. As erradas providenciam o mal.



2. Qual destes mundos é o melhor?

Uma pessoa realista e sensata diria:

"apesar do mal, o mundo B é o melhor". De facto, é uma resposta sensata, pois nós vivemos neste mundo B.

É o único mundo que existe, que nós conhecemos. E somos agentes morais ivres!

E acerca da Soberania de Deus:

"O exercício da soberania de Deus é mais rígido no mundo A, onde os agentes não são livres e por isso não existe o mal, ou no mundo B, onde existe o mal, mas os agentes morais são livres?"

De novo, uma pessoa estudiosa, realista e sensata, responderia:

"a soberania de Deus é mais rígida no mundo A, e é por isso que nesse mundo não existe o mal, mas o homem não passa de uma marioneta".

Então qual é o mundo melhor o "A" ou o "B"? Parece que é o mundo "B", pois embora exista o mal, os agentes (homens) são morais, livres.

Por isso não é ilógico ou irracional concluir que: 

Se Deus na Sua Soberania criou-nos como agentes morais livres, com decisão para escolher entre o mal e o bem, é porque este mundo (que já existe) é melhor do que um mundo (que não existe) sem mal e aonde o homem não seria um agente moral livre, mas sim uma "marioneta".


3. Mas continuemos com as nossas preposições:

Mundo A: "Se Deus criou Y como um agente não livre, então é Deus o único que pode ditar as suas acções". A responsabilidade e as decisões são totalmente de Deus.

Mundo B: "Se Deus criou X como um agente moral livre, então Deus não pode determinar totalmente as suas acções". O homem é responsável pelas suas acções.

Vemos que Deus decidiu criar o mundo B, aonde habita X, um agente livre, e onde existe o mal, porque achou que seria melhor do que criar o mundo A onde habita Y, um agente não livre e onde não existe o mal.

Ninguém pode arranjar provas lógicas para incriminar Deus, "dizendo que o mundo A aonde habita Y é melhor do que o mundo B, onde habita X".

Porquê? Porque acima de tudo o mundo A, de Y, é um mundo que não existe!!! Não há provas que é melhor!

Em termos de existencialismo o que é melhor. É o mundo que existe ou o mundo que não existe?

Os estudiosos podem dizer muita coisa sobre a lógica da existência, mas não tem lógica nenhuma dizer que é lógico:

"que um mundo que não existe é melhor do que um mundo que existe".

O mais lógico é dizer o contrário:

"um mundo que existe é melhor do que um mundo que não existe".

Para contrariar isto, alguém poderá aproveitar a deixa e argumentar que se Deus existisse teria criado o mundo A, sem mal, que seria muito melhor do que o mundo B, com mal.

Por esta razão, o mundo B é uma prova de que Deus não existe. Este argumento pode ter uma certa validade, mas é fraco do ponto vista filosófico.

E Porquê?

Porque já vimos que não tem validade formal e lógica o argumento que diz: "este mundo que existe devido ao mal é uma evidência que Deus não existe".

Pois já vimos que se este é o único mundo que existe, Deus pode ter muitas razões, aceites em parte pela nossa lógica e em parte pela nossa Fé, para ter criado o mundo assim.

Por isso, o mundo B é o melhor mundo que pode haver.

Ninguém que seja sensato pode dizer que estas preposições não têm argumento. Elas têm argumento, a pessoa pode é precisar de um pouco de Fé, além da sensatez, para crer nelas.

3. A cada bem há um mal correspondente

A coragem é um bem e a cobardia é um mal. Mas logicamente falando não pode haver coragem sem haver cobardia.

Dizer que X é corajoso e que nunca precisou de ultrapassar uma situação de cobardia é uma contradição.

"É impossível haver compaixão sem sofrimento"!

A todos os sentimentos virtuosos que existem, existe um mal correspondente. Uma existência moral, tem que envolver males. É num mundo assim que nós vivemos, nós não conhecemos outro. Dizer que um outro mundo seria melhor do que este é conversa barata, sem fundamento.

Nós quase que podíamos afirmar: que um mal necessário a cada bem forma a nossa lei da consciência. Pois não haveria consciência se não houvesse o mal!

4. Agente moral ou não

O homem só pode ser um agente moral ou não ser. Se ele não for um agente moral, não têm imago Dei (imagem de Deus) e consequentemente não tem livre arbítrio. Ele será no fundo um animal como outro qualquer, dominado pelos instintos, só que de categoria mais elevada devido à sua evolução mais avançada.

"Se o homem for um agente moral, isto implica ter imago Dei e consequentemente livre arbítrio".

Qual é melhor:

"Que X seja um agente moral livre, autónomo, e de vez em quando possa fazer escolhas erradas?"

"Que Y não seja um agente moral livre, e Deus faça todas as escolhas por ele?"

Claro que a pessoa sensata responderá:

"X é muito melhor do que Y, apesar de fazer algumas escolhas erradas".


I I I. Razões bíblicas válidas

A Bíblia dá-nos razões válidas para aceitarmos que não há contradição entre as duas preposições principais que temos vindo a analisar "o mal existe" e "Deus existe".

A. O teste moral do homem

1. Deus fez um teste ao homem quando vivia no estado da inocência.

A Bíblia dá algumas razões para a existência do mal. Umas são misteriosas e necessitamos de um acto de Fé para as aceitarmos, outras podem ser compreendidas pela nossa razão.

Quando falamos da Bíblia, não podemos deixar de vista a revelação bíblica que diz que Deus é quem comunica a Fé ao homem, afim de que o homem possa crer na Sua palavra.

Por essa razão a fé pode ser comparada a uma veste.

"O interior da veste é sobrenatural o exterior é humano":

A Fé é à partida uma convicção divina colocado no coração do homem - é o lado interior da veste , que se consuma quando o homem num acto de livre vontade decide aderir a esta convicção, passando ter fé em Deus, em Cristo - é o lado exterior da veste .

Desta forma o homem é vestido pela fé que tem um lado sobrenatural e outro intelectual.

Vamos falar do teste moral do homem.

E ver então uma razão válida para a existência do mal, dada pela Bíblia. Há um lado misterioso nesta revelação, mas há também um lado que pode perfeitamente ser assimilado pela lógica e pelo raciocínio.

É o teste que Deus fez ao imago Dei no homem, no jardim do Éden:

Génesis 1 a 3 revela o seguinte :

a. Deus criou o homem à sua imagem:

"e criou Deus o homem à sua imagem, macho e fêmea" Génesis 1:27

b. Deus testou a livre obediência do homem:

"de toda a árvore do jardim comereis, mas da árvore que está no meio do jardim

não comereis, porque senão morrereis" Gén 2:17-17

Segundo Génesis 1 a 3, a intenção de Deus depois de o homem ter passado o teste, era elevar o homem a um estado superior - dar-lhe a Vida Eterna, e Ele passaria logo do estado da inocência para um estado de Santidade.

De certo modo, no seu estado de inocência, o homem agia como um agente moral, pois tinha liberdade de escolher e Deus colocou em frente dele a escolha do "bem e do mal".

Esta mudança de estado aconteceria se o homem comesse da árvore da vida. Génesis 3:22-24

O homem ao pecar, perdeu o acesso à árvore da Vida Eterna, ao estatuto de santidade, e morreu. Deus lhe tinha dito: "certamente morrerás".

A morte foi consequência do seu pecado.

Gênesis 3:22 "Então, disse o SENHOR Deus: Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal; assim, que não estenda a mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente. 23 O SENHOR Deus, por isso, o lançou fora do jardim do Éden, a fim de lavrar a terra de que fora tomado. 24 E, expulso o homem, colocou querubins ao oriente do jardim do Éden e o refulgir de uma espada que se revolvia, para guardar o caminho da árvore da vida".

Devemos notar que se Adão comesse da árvore da vida "e viva eternamente". Ele iria receber Vida Eterna. Só como ele não passou no teste, Deus colocou os querubins para lhe vedar o acesso à àrvore da vida - Vida Eterna.

Romanos 6:23 "porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor".

Neste verso, vemos que Jesus era figurativamente aquela árvore da vida que Adão rejeitou no jardim do Éden, e que comendo dela passaria a ter a Vida Eterna - um estatuto de Santidade, deixaria de ser um mero agente moral, com capacidade para escolher o bem, mas também para escolher o mal.

Jesus oferece agora a Vida Eterna, como ofereceu no Jardim do Éden a Adão, mas este rejeitou e daí como consequência recebeu a morte como salário do seu pecado.

2. Jesus Cristo é a nossa árvore da Vida (Eterna)

Por ter falhado o teste da obediência, o homem em vez de subir de estatuto de inocência e moralidade e ser elevado a um estado de santidade superior, o homem caiu para um estado pecaminoso, passando da inocência para um estado de pecado.

"Vemos que em vez de subir no seu estatuto, o homem desceu". Génesis 3:22-24.

No Novo Testamento lemos que Deus providenciou a salvação, enviando o Redentor que expiou os pecados da humanidade, oferecendo a vida eterna ao homem que crer.

Afinal era esta vida eterna que Deus queria dar ao homem se ele tivesse passado o teste e tivesse comida da árvore da vida.

Podemos dizer que Cristo é agora nossa árvore da vida. Nele e por Ele podemos receber a Vida Eterna. João 3:16, 5:24, 6:47 etc. Podemos passar o teste agora e comer da árvore da vida, pela crença em Jesus Cristo.

Segundo a revelação bíblica Deus atribui a sua própria natureza divina ao homem, quando ele aceita Cristo. A Bíblia, em II Pedro 1:3-4, não fala só da atribuição de um comportamento piedoso àquele que crer, mas também da atribuição de uma natureza divina.

2 Pedro 1:3 "Visto como, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude, 4 pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis co-participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo"

"Portanto, inicialmente Deus conferiu imagem divina ao homem, com a intenção de lhe conferir natureza divina".

Então, o teste é um método utilizado por Deus para atribuição de recompensas e novos estatutos de santidade no seu Universo. Deus também fez um teste aos anjos.

3. Deus fez um teste aos anjos antes de elevá-los a um estatuto superior

A bíblia fala de anjos caídos "anjos reprovados" e de anjos eleitos "anjos aprovados" em II Pedro 2: 4.

Parece que Deus faz um teste aos seres a quem Ele dá a sua semelhança imago dei, antes de lhes conferir um estatuto de santidade mais alto?"

Os aprovados são os eleitos, tanto anjos como pessoas, e os reprovados são os anjos decaídos e os homens que se vão perder são banidos da Sua face, como vemos na Bíblia. Podemos ler em: II Pedro 2:4, II Tessalonicenses 1:9.

Portanto não Deus não fez somente este teste aos homens, ele também fez aos anjos muito antes de ter criado Adão e Eva.

4. O homens aprovados passam do estado de moralidade para santidade

Esta ideia tem uma certa lógica. De um lado, o homem não merece o imago dei que recebeu gratuitamente de Deus, sem ter feito nada para o merecer. Do outro lado, ele também não pode comprar o imago dei a Deus, pois foi-lhe oferecido gratuitamente não é algo negociável.

Mas é aqui que o problema se coloca. Como é que o homem pode fazer uso de uma coisa que não merece, que não conquistou por mérito pessoal e que não comprou? É impossível, ele não sabe como fazer uso de uma coisa assim.

O teste que Deus fez, não foi para ver se o homem merecia ou não ficar com o imago dei (imagem divina) também não era como um negócio que Deus estava a fazer com o homem.

Era um teste que servia pura e simplesmente para o homem por a funcionar uma coisa nova, que não era dele, e precisava de começar a exercitá-la como deve ser.

Não há melhor exercício do que um teste!

"O homem reprovou logo no primeiro teste, porque não utilizou como devia ser o seu imago dei".

Além disso o teste servia para ver se Deus poderia atribuir algo ainda muito maior do que a sua imagem ao homem, o imago dei, atribuir-lhe a sua própria natureza divina.
Se o homem com imago dei, a imagem de Deus, fez o que fez, o que não faria com a natureza divina, se a recebesse sem passar em primeiro lugar no teste?

2 Pedro 1:4 "pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis co-participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo"

Deus não quer deuses no universo, quer anjos e pessoas que lhe estão gratos pelo que receberam e lhe são obedientes.

5. Os homens aprovados passam do temporal para o eterno

Do ponto vista teológico vimos que o homem para passar para o estatuto da Santidade, teria que saber o que era ter vivido como agente moral e voluntariamente escolher um estatuto superior pela obediência a Deus.

Parece que o mesmo se aplica aos anjos que foram testados e alguns aprovados passando para um estatuto celestial superior, outros decaíram da sua posição e tornaram-se diabólicos.

Vimos anteriormente que há muita base bíblica para defender esta posição.

Do ponto vista filosófico, poderíamos dizer que o homem para viver na dimensão eterna, teria que viver primeiro na dimensão temporal. Isto nos leva praticamente a dizer que "os novos céus e a nova Terra" que a Bíblia fala, devem pertencer a uma dimensão que não mais nada a haver com o nosso actual espaço e o tempo.

Falam de novos céus e nova terra numa dimensão espiritual, no Reino de Deus.

Isaías 51:16 Ponho as minhas palavras na tua boca e te protejo com a sombra da minha mão, para que eu estenda novos céus, funde nova terra e diga a Sião: Tu és o meu povo.

Isaías 65:17 Pois eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, jamais haverá memória delas.

Isaías 66:22 Porque, como os novos céus e a nova terra, que hei de fazer, estarão diante de mim, diz o SENHOR, assim há de estar a vossa posteridade e o vosso nome.

2 Pedro 3:13 Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça.

Apocalipse 21:1 Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe.

B. Ser com moral superior ou não ser

Ao lerem a secção anterior, muitos poderão argumentar que se Deus fosse um ser competentíssimo no sentido da sua bondade, poder, sabedoria, presença, teria criado pessoas à sua imagem, moralmente superiores, ou seja, que tivessem um status superior de santidade e nunca caíssem no pecado.

Diriam, que Deus nunca teria criado pessoas como Hitler, Staline, Genghis Kan etc E como no nosso mundo existem muitas pessoas assim, logo Deus não criou o mundo. Por isso Deus não existe, logo o teísmo e o cristianismo são falsos!

Podemos combater estes argumentos com o seguinte:

"Deus criou o homem à sua imagem, com imago Dei, mas o homem sendo livre, decidiu responsavelmente optar pelo mal".

Apesar disso, Deus providenciou um plano redentor, ou seja um plano resgatador através de um preço que Deus próprio decidiu pagar – aliás só Ele podia pagar - enviando o seu único Filho o nosso Senhor Jesus Cristo para morrer na cruz pelos nossos pecados.

Este sacrifício é, ao mesmo tempo, uma expressão do amor que Deus tem pelo homem, e um sacrifício que satisfez plenamente as exigências jurídicas de Deus.

Deus, como criador e legislador do universo, exigirá certamente que as transgressões feitas contra as suas leis morais sejam devidamente saldadas.

"O homem culpado não pode passar por inocente, sem ser castigado". Deuteronómio 5:11

Jesus Cristo o inocente e justo decide então ser castigado no lugar do pecador e culpado. João 3:16, Romanos 5:8, Hebreus 9, I Pedro 1:18-19, 2:24.

Cabe ao homem decidir que teoria ele quer seguir!

A teoria bíblica, não pode ser provada filosoficamente, ou explicada cientificamente. Se pudéssemos provar pela razão tudo o que está ligado ao bem e ao mal e a Deus, não precisávamos de Fé para nada.

No entanto, se a razão filosófica quiser negar a teoria bíblica, terá de confrontar-se com os dois factos históricos:

1. O primeiro facto é o próprio comportamento do homem:

Todas as ciências exactas e da vida, pela observação, a investigação e a experimentação, sabem que o homem é um ser superior aos animais.

Pois possui características que os animais não têm, tais como:

a. nível intelectual:

A razão, a consciência de si próprio e do exterior; a concepção do infinito e do abstracto; a inteligência e a vontade; a imaginação e o poder criativo.

Todo este intelectualismo confere ao homem o que chamamos de pensamento. O homem é o único animal que pensa, por isso lhe é conferido um estatuto de animal racional, de humano, por outras palavras de pessoa que em hebraico é traduzido muitas vezes por alma.

b. nível social:

O instinto de solidariedade social; o instinto de conservação e de pertença cultural; o instinto de organização e regulamentação da vida social.

O instinto de conservação e de justiça social, lhe confere um estatuto de animal racional também.

c. nível moral:

O instinto normativo do bem e do mal que determina as leis morais universais. Lembramos que todos as culturas aceitam a base moral dos 10 Mandamentos.

Portanto, matar, roubar, cobiçar, mentir, adulterar, ser falso e desonrar o pai e a mãe é considerado mal em toda a parte do mundo. O contrário também é considerado bom em todo mundo, não só para o indivíduo, mas também para a sociedade.

d. nível religioso:

O homem além de ser o único ser que pensa , organiza, cria e tem a noção do bem e do mal, é também o único ser religioso que procura agradar a um ser superior a ele.

Por isso busca um relacionamento com esse Ser, adorando-o e temendo-o ao, mesmo tempo.

Estes 4 níveis em que o homem vive, comprovam que o homem é naturalmente regido por um status superior de comportamento, mas por outro lado, quando estudamos, não o status, mas sim o comportamento, vemos que ele não consegue manter o seu comportamento natural ao nível do seu status..

Este paradoxo, está perfeitamente de acordo com a revelação bíblica. O homem criado com imagem divina, comporta-se opostamente à tal imagem.

A bíblia explica a razão, pelo facto do pecado original ter entrado no mundo e desvirtuado o comportamento humano. Ele deixou de se comportar como Deus, o Pai do Céu.

Desta forma, a seguinte preposição é verdadeira:

“Deus pode criar um homem à sua imagem, que por livre vontade, devido a um acontecimento especial, decidiu escolher um status de comportamento moral inferior a essa imagem”.

A Bíblia revela que este acontecimento especial foi o pecado original, ou seja, a queda de Adão e Eva relatada no capítulo 3 de Génesis. Romanos 5:12-21, II Coríntios11:3, I Timóteo 2:13-14, Apocalipse 12:

2. O Segundo facto além do comportamento humano, é o facto religioso:

Apesar da onda de tecnologia e ciência não abandonou a experiência religiosa. Antes pelo contrário, a religião começou a tornar-se um facto inquestionável da cultura humana e a suas origens e a sua evolução histórica começaram a despertar, mais do que nunca, o interesse dos estudiosos.

O que nos revela o facto religioso?

Revela um homem semi-afastado ou completamente afastado de um ser superior: Em quem o homem acredita, de quem o homem espera as suas bênçãos, com quem o homem procura ter uma relacionamento, e a quem o homem procura prestar culto e adorar.

Isto leva-nos a fazer algumas indagações:

a. Por que é que o homem

Duvida da existência do ser sobrenatural em quem no fundo acredita e espera bênçãos?

b. Por que é que o homem

Não recebe as bênçãos, antes pelo contrário, a sua vida parece repleta de maldições e contrariedades?

c. Por que é que o homem 

Não procura ter um relacionamento íntimo com Deus?

d. Por que é que o homem 

Não presta culto e adora a Deus como no fundo desejaria fazê-lo?

Qual é a razão para todos estes paradoxos?

Se estudarmos a personalidade humana vemos que existe no mais íntimo do homem - a crença em Deus. Assim como a necessidade das suas bênçãos e o desejo profundo de ter um relacionamento com Ele e adorá-lo.

Se estudarmos a história vemos que os homens têm expressado esta crença, esta necessidade, esta aspiração através do facto religioso histórico que caracteriza todas as culturas humanas

"E, afinal, voltando aos nossos paradoxos: vimos que o homem não consegue atingir Aquele em que ele mais crê e mais aspira – Deus".

E afinal! Porquê?

A resposta é simples. Por causa do tal acontecimento especial que deu entrada ao pecado original.

Portanto, as preposições Bíblicas em baixo, são verdadeiras:

"Deus criou o homem à sua imagem, mas devido a um acontecimento especial, o homem deixou de viver em conformidade com a imagem de Deus".

Deus criou o homem com necessidades e aspirações que só Ele pode preencher, mas devido a um acontecimento especial – a queda - o homem deixou de viver em conformidade com Deus e não permite que Deus preencha estas necessidades e aspirações.

FIM

INDICE

Capítulo 1 INTRODUÇÃO
A Definição de Filosofia
O Cristianismo e a Filosofia

Capítulo 2 CRISTIANISMO E RELIGIÃO
As origens da Religião
Definição de Religião
Religião a vida humana e seus interesses
Religião e Ciência
Religião e Filosofia
Religião e Cultura
Religião e Revelação
Religião e Moralidade

Capítulo 3 CRISTIANISMO E FILOSOFIA
O Campo da Filosofia
O Cristianismo e o conhecimento
A Natureza do conhecimento
O Conhecimento religioso

Capítulo 4 A IDEIA DE DEUS
Deus e a razão humana.
As primeiras perguntas.
Provas teístas
Os Diversos argumentos
Natureza e atributos de Deus
Conceito moderno quasi-teísmo
É Deus inefável?
A natureza da experiência

Capítulo 5 A IDEIA DO UNIVERSO
Dualismo.
Monismo.
Pluralismo
Materialismo
Novo conflito – idealismo e realismo

Capítulo 6 A IDEIA DO HOMEM
A questão do pecado original
Conversão do homem segundo o cristianismo
Relação do homem e a sociedade
A personalidade e o livre arbítrio

Capítulo 7 A IDEIA DO BEM
As teorias do bom

A IDEIA DO MAL
O mal o sofrimento e Deus
As preposições: o mal existe e Deus existe
Razões filosóficas válidas
Razões bíblicas válidas p/existência do mal

Capítulo 8 DEUS E O MUNDO
O panteísmo.
O deísmo
O monoteísmo

Capítulo 9 DEUS E O HOMEM
A concepção da teologia natural
A relação entre a razão e a revelação
Relação entre Deus e a humanidade
É Deus finito ou é infinito

Capítulo 10 OS MILAGRES E O ALÉM
Evidências para os milagres
A ressurreição de Cristo
O método do processo histórico
Provas históricas evidentes da ressurreição de Cristo.

Capítulo 11 A IDEIA DO ALÉM
As relações dos conhecimentos com a morte
O Cristianismo e a morte

Capítulo 12 ASSUNTOS CONTROVERSOS
A posição sobre diversos campos:Aborto, eutanásia, sodomia, divórcio, bebé proveta, manipulação genética, clonagem, guerra, paz, terrorismo, globalismo.

FIM

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