terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Cessacionismo ou continuacionismo?

I. Introdução

Este assunto já vem a ser discutido a mais de cinquenta anos, mas, está hoje mais do que nunca na ordem do dia, pois atingiu diferentes contornos, especialmente por causa da grande ênfase dada ao dom da profecia e aos sinais, prodígios e maravilhas, o que tem alimentado ainda mais a controversa.


Eu penso que devemos procurar formar uma opinião bíblica a respeito deste assunto sobre o Cessacionismo ou continuacionismo (vindo da lingua inglesa - cessacionism and continuacionism), e não esperar para altura em que a controversa já esteja instalada nas nossas Igrejas ou denominações. 


É o que está a acontecer em grande escala nas Igrejas e denominações da Inglaterra e E.U.A e muitos lideres não sabem como lidar com o assunto sobre os "dons miraculosos do Espírito Santo"



I I. Continuacionismo


A. Os continuacionistas e os dons miraculosos 


Continuacionismo é um termo criado para procurar definir a doutrina cristã que acredita que os dons e operações miraculosas do Espírito Santo continuam até aos nossos dias.


Os continuacionistas acreditam que todos os dons e operações enumerados em Romanos 12, 1 Coríntios 12 e 14, Efésios 4 e noutros textos são para os tempos da Igreja.


Mas há alguns continuacionistas que são muito moderados.


Os continuacionistas mais extremistas além dos dons, dão uma grande ênfase aos sinais, prodígios e maravilhas, querendo que os mesmos ocorram até com mais frequência, grandeza e intensidade do que nos tempos de Jesus e dos Apóstolos.


B. Os continuacionistas e o dom da profecia  


Eles dão de uma maneira muito especial uma grande ênfase ao dom da profecia, que pensam ser dado a todos os crentes, baseando-se em Actos 2 e I Coríntios 14.  


De facto se estes textos forem analisados fora do contexto parecem dizer que todos os crentes devem ser profetas ou profetizar.


Actos 2:17-18 E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos; até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e profetizarão.


I Coríntios 14:24-25 Porém, se todos profetizarem, e entrar algum incrédulo ou indouto, é ele por todos convencido e por todos julgado; tornam-se-lhe manifestos os segredos do coração, e, assim, prostrando-se com a face em terra, adorará a Deus, testemunhando que Deus está, de fato, no meio de vós. Porém, se todos profetizarem, e entrar algum incrédulo ou indouto, é ele por todos convencido e por todos julgado;


I Coríntios 14:31 Porque todos podereis profetizar, um após outro, para todos aprenderem e serem consolados.


Mas se fizermos uma análise a estes textos dentro do contexto mais alargado e à luz do contexto geral das escrituras sagrados, vemos que não podemos apoiar esta posição continuacionista que afirma que todos os crentes devem profetizar.

  
C. Os continuacionistas e o dom de línguas

A ênfase ao dom de línguas mantém-se, sem ter havido grandes alterações.


Sobre o dom de línguas, os continuacionistas em geral, baseiam-se em Actos 2 para dizer que é o sinal do Batismo do Espírito Santo. Logo todos os crentes devem falar línguas, desde que tenham sido batizados pelo Espírito Santo.


Um outro aspecto que enfatizam, é que o dom de línguas referido em Actos 2, não eram só línguas estrangeiras, mas havia línguas celestiais que o Espírito Santo interpretou para que pessoas de outras  línguas que estavam presentes pudessem compreender. 


Portanto, defendem que o uso das línguas celestiais deve continuar a ser praticada dentro das Igrejas.

 
D. Os continuacionistas e a concepção de Igreja.  

Eu acho que no fundo os continuacionistas mais extremistas estão a dizer que a Igreja é uma nação profética (prophethood nation) e não é um nação sacerdotal (priesthood nation).


Numa nação sacerdotal, todos exercem o sacerdócio, mas tendo diferentes dons e funções. Numa nação profética, todos exercem o dom de profecia. A profecia é por isso vista como o dom mais importante da Igreja.


Para os continuacionistas prophethoodistas (desculpem os termos) a Igreja é acima de tudo um povo em que todos devem falar línguas e exercer o dom da profecia e os crentes devem esperar ver acontecer sinais, prodígios e maravilhas com mais intensidade e grandeza e em maior escala do que nos tempos dos apóstolos (e Jesus).


Segundo os continuacionistas mais extremistas, o exercício dos dons miraculosos devem tomar grande parte do tempo dado aos cultos e outras actividades efectuadas a nível das suas Igrejas. E os outros dons, como o do evangelista, pastor e doutor passam a ter um papel mais secundário. 


Aliás o dom de pastor e mestre que está muito ligado ao ensino das Escrituras e ao seguimento pastoral do rebanho,  perde muito a sua relevância, por causa da ênfase dada aos dons miraculosos e às revelacões, incluindo o dom da profecia, línguas, palavra de sabedoria e da ciencia e aos sinais, prodígios e maravilhas.


Há Igrejas em que o tempo dado às profecias, línguas e aos dons de revelação e de poder em geral, é mais importante que o tempo dado à pregação do Evangelho e ao ensino! Além disso, os crentes que pretendem exercer com mais regularidade dons de revelação e de poder dentro da Igreja, passam a ter muito domínio sobre a Igreja.


E. Os continuacionistas não diferenciam a missão profética e apostólica da nossa 


Os continuatonistas mais extremistas não gostam muito de diferenciar a missão dos profetas do Antigo Testamento e dos apóstolos de Cristo, e a missão messiância de Cristo, da missão dos chamados profetas e apóstolos da Igreja, atribuindo a estes até mais poder e autoridade do que aqueles.


Para dar um exemplo ligado ao dom da profecia, há muitos que ao pronunciarem as suas profecias, tomam a posição dos profetas que escreveram as escrituras debaixo de inspiração absoluta, e dizem “Assim diz o Senhor”.


E alguns chegam mesmo a profetizar na primeira pessoa dizendo “Eu ... digo-vos que ...”.


O Eu é Deus ... como se fosse mesmo Deus a falar directamente através das suas bocas, coisa que nem os profetas e apóstolos da Bíblia fizeram.


Os continuacionistas como dizem que os apóstolos de hoje têm mesma autoridade ou mais do que os apóstolos de Cristo, criaram Igrejas apostólicas com apóstolos que que governam e nomeiam os outros oficiais da Igreja nomeados em Efésios 4:11 - profetas, evangelistas, pastores e doutores. 


Algumas mesmo têm um Apóstolo no topo que por sua vez governa e nomeia os outros apóstolos. 



Estas Igrejas nunca chegam a  ser "congregacionais" pois os membros não se podem pronunciar no que diz respeito à nomeação ou eleição dos líderes da Igreja, nem se pronunciarem em matérias administrativas importantes, como a utlização das finanças, compra de imóveis etc 

Nas estruturas de governo chamadas apostólicas é tudo decidido a partir do topo, sem qualquer aprovação das bases. 


No entanto embora não concorde com estas estruturas de liderança, existem algumas Igrejas com estas estruturas que são bastante equilibradas no ensinamento geral das Escrituras e não seguem as chamadas teologias da prosperidade etc



I I I. Cessacionismo


A. Os cessacionistas e os dons miraculosos  


Os cessacionistas ensinam que nem todos os dons enumerados em Romanos 12, I Coríntios 12 e 14 e Efésios 4 e noutros textos são para os tempos da Igreja.


Eles acham que os dons, especialmente os de carácter miraculoso passaram. Além de outros textos biblicos, baseiam-se muito na seguinte passagem:


I Coríntios 13:8 “O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará”.


Eu acho que não devemos basear simplesmente neste texto para dizer que os dons miraculosos passaram. Terá que haver muito mais base bíblica para se fazer tal afirmação.


Como no caso do continuacionismo, há também cessacionistas que são mais moderados do que outros.


B. A. Os cessacionistas e o ministério dos profetas e apóstolos 


Os cessacionistas mais extremistas atribuem todos os dons miraculosos, portanto os dons de revelação e poder, à função dos profetas e apóstolos, que era a de escrever as escrituras debaixo da inspiração absoluta de Deus. Além das escrituras, foram eles que colocaram os fundamentos jurídicos e espirituais da Nação de Israel e mais tarde colocaram os fundamentos da doutrina cristã.


Acham que os profetas e os apóstolos, estes sim, é que precisavam de ser revestidos destes dons de revelação e poder.


Eles acham que os ofícios de Apóstolo e de Profeta referidos em Efésios 4:11 já passaram, pois estando a escritura acabada e os fundamentos da Igreja colocados, estes dois oficíos deixaram de existir. Por isso, não existe mais qualquer razão para o uso dos dons miraculosos.


Para os cessaccionistas extremistas o dom da profecia referido nas epístolas é o dom actual da pregação e mais nada.


É um facto que tem que ser tomado em consideração, pois normalmente falando os dons de revelação e poder, incluindo sinais, prodígios e maravilhas aparecem na Bíblia ligados à missão dos apóstolos (e dos profetas da Bíblia)


Não estou a dizer contudo que não havia outros crentes que pudessem ter estes dons de revelação e poder, na Igreja primitva. Certamente que havia crentes muito ligados ao ministério dos apóstolos e possívelmente estes e até outros crentes exercitaram estes dons. 


Nós temos que realçar que a missão dos profetas e apóstolos da Bíblia é única, pois foram eles que escreveram a Bíblia debaixo de inspiração absoluta e puseram os fundamentos da Nação de Israel e a lei mosaica no caso dos profetas, e no caso dos apósotolos foram eles que puseram os fundamentos da Igreja.


Portanto era uma missão única, acompanhada de sinais, prodígios e maravilhas únicos. Isto não quer dizer que somente os apóstolos exercitavam estes dons de poder e revelação, mas quer sim dizer que não podemos comparar a nossa missão com a deles, nem podemos comparar os sinais e prodígios e maravilhas que eles fizeram, com os sinais e prodígios que eventualmente Deus poderá efectuar em nossos dias através da Igreja. 


Os cessacionistas não colocam os apóstolos (missionários) com uma posição de destaque, autoridade e governo sobre os outros ministérios ou ofícios - profeta, evangelista, pastor e doutor de Efésios 4:11 - profetas, evangelistas, pastores e doutores.


Os cessacionistas que eventualmente possam aceitar a designação de 'Apóstolos da Igreja' (missionários) não acham que eles têm mesma autoridade que os apóstolos de Cristo.


As suas Igrejas emboram tenham liderança, possuem um sistema de governo "congregacionalista" e embora as matérias principais possam ser discutidas e decididas pela liderança são contudo levadas à aprovação de uma assembleia de membros. Alguns assuntos são decididos por aprovação relativa, em que 51% dos votos ganha. Outros assuntos mais fundamentais precisam de uma aprovação absoluta em que são necessário no mínimo 2/3 dos votos para ganhar.

  
C. Os cessacionistas e o dom de línguas

Acerca das linguas, eles acreditam que as línguas em Actos 2 eram línguas estrangeiras e eram um sinal que as profecias sobre a descida do Espirito Santo feitas no Antigo Testavam foram cumpridas no dia do Pentecostes.


Os povos que estavam naquela grande festa puderam ouvir falar de Deus e do Evangelho na sua própria língua. O dom de línguas foi um acontecimento muito ligado ao dia Pentecostes e ao início da formação da Igreja primitiva. O dom de línguas era um sinal que aquele derramamento seria universal "sobre toda a carne".


Este dom era um sinal, que significava que o Espírito Santo desceu para dar poder aos discípulos para irem pregar o Evangelho a toda criatura até aos confins da terra. E de certo modo, era um sinal de rejeição dos judeus, pois Deus tirou o Reino das mãos deles, que rejeitaram crucificaram o seu Messias, para entregar o Reino de Deus a todas as nações.


Nós vemos nas três parábolas em Mateus 21:28 a 22:14, que Jesus ensinou sobre Deus tirar o Seu Reino a uns e dar a outros.

Na segunda parábola “a parábola dos lavradores maus”, Jesus disse: “Portanto, eu vos digo que o Reino de Deus vos será tirado, e será dado a uma nação que dê os seus frutos”.


Veja o meu post Fator Estranho em baixo:




D. Os cessacionistas e dom da profecia 


Os cessacionistas mais extremistas acham que o dom da profecia cessou. Era um dom dado exclusivamente aos profetas e apóstolos que debaixo da inspiração absoluta de Deus escreveram a Bíblia e puseram o fundamento da Igreja.


Efésios 2:20 Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra de esquina.


Portanto já não há mais profetas e apóstolos pois a sua missão terminou. 


Os cessacionistas mais moderados, embora mantendo esta posição, acreditam contudo que o ministério do apostolado continua com "os apóstolos da Igreja" que afinal são missionários enviados para os lugares aonde o Evangelho ainda não foi proclamado. Os profetas, são aqueles que pregam a palavra de Deus, aplicando as profecias escritas aos nossos tempos. 


Mas não o fazem debaixo da inspiração absoluta como os outros, por isso se houver um elemento de revelação ou predicão na sua pregação, este reveste unicamente uma forma relativa e não uma forma absoluta como os profetas e apóstolos da Bíblia, que eram os únicos que podiam dizer "Assim diz o Senhor".




I V. Não podemos atestar que cessaram completamente, mas ...

A. Não há base bíblica para atestar que cessaram completamente


Eu penso que não há base bíblica tão clara e evidente que podemos atestar a cem por cento que os dons miraculosos e os milagres cessaram completamente  e que foram dados simplesmente à Igreja primitiva ou apostólica e que não assistiremos a mais nenhum milagre nos tempos da Igreja.


B. Mas há 4 pontos que podemos atestar com base na Bíblia


No entanto, eu penso que há base bíblica para podermos salientar 4 pontos muito importantes, quando falamos sobre este assuntos dos dons e milagres - cessacionismo ou continuacionismo?


1. Primeiro ponto,


Grandes parte das curas e milagres foram efectuados pelo Senhor Jesus para provar que Ele era o Messias. Além disso Jesus sendo Deus, tinha poder para fazer os milagres que fez, afinal para fazer o que ele queria.


S.João 3:2 "Mestre, ninguém pode fazer estes sinais, que tu fazes, se Deus não for com ele".


Nicodemos conhecia as Escrituras e por isso sabia que o Messias esperado faria muitos sinais, como já estava predito nas Escrituras. Reparem que Nicodemos colocas os milagres de Jesus na categoria de sinais. Os milagres de Cristo sinalizam que Ele era o Messias. Ao mesmo tempo Ele era o Filho de Deus que tinha poder para fazer tudo.


S.João 10:38 "Mas se as faço, e não credes em mim, crede nas obras, para que acrediteis que o Pai está em mim".  Jesus pede aos fariseus para acreditarem nos milagres que sinalizam que Ele é o Messias.


Mateus 11:4-6 “Ide e anunciai a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres está sendo pregado o evangelho. E bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço”.


João mandou os discípulos olhar e ver o que estava acontecendo. Jesus relacionou o que mandou dizer a João às declarações do profeta Isaías. Este havia profetizado que o Messias, iria pregar boas-novas e curar os quebrantados, sarar os cegos e os surdos e proclamar libertação aos cativos Is 42.6-7,18; Is 61.1-2


Além disso, nás vemos também que há dons de poder e de revelação e milagres  que foram efectuado pelos profetas antigos e pelos apóstolos para autenticarem a veracidade da sua mensagem. No caso dos Apóstotlos eram sinais para autenticarem a sua mensagem acerca da morte e da ressureição de Cristo, antes do canon sagrado estar completo. E, ao mesmo tempo, eles também foram capacitados de dons de revelação,  para ajudá-los na formação do canon sagrado.


Marcos 6:7-13 "Jesus chamou para si os "12" discípulos começou a enviá-los dois a dois ... e deu-lhes poder ... e, saindo eles, expulsavam muitos demónios e ungiam os enfermos com óleo, e os curavam"


Atos 5:112 "E muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos".


2. Segundo ponto


Quando lemos a Bíblia de capa a capa, vemos que os milagres feitos pelas mãos de um servo de Deus nunca são a regra normal, mas revestem sempre um carácter excepcional.


Eu não estou a falar aqui de intervenções sobrenaturais de Deus, mas dos milagres, sinais, prodígios e maravilhas feitas pelas mãos de alguém.


A Bíblia não relata nenhum milagre feito pelas mãos de um servo de Deus, desde Adão, passando por Enoque, Noé até Abraão, Isaque e Jacó e José. De José, relata simplesmente que ele era capaz de interpretar alguns sonhos.


Portanto, vemos que estes servos de Deus nunca fizeram milagres. Depois deles, só no tempo de Moisés é que vemos milagres feitos pela mão de Moisés.


Entretanto, desde Moisés, passando por Josué e os Juízes, incluindo Samuel até ao Rei Davi, a Bíblia não relata mais nenhum milagre feito pela mão de um servo de Deus. Simplesmente,  relata o poder de vidência de alguns servos e algumas intervenções sobrenaturais vindas directamente da mão de Deus, como foi o caso das muralhas de Jericó, por exemplo.


Foi preciso chegarmos aos tempos de Elias e Eliseu para vermos então alguns milagres feito pelas mãos destes dois profetas. Mas depois, desde Eliseu até João Batista, passando por todos os profetas, tanto os profetas maiores, como os profetas menores, não vemos nenhum milagre relatado, feito pelas mãos de um profeta.


João Batista que foi o maior entre os homens, segundo o que disse Jesus, não fez um único milagre.


O único aspecto miraculoso ligado com os profetas, era a questão da vidência, em que eles recebiam visões e palavras vindas directamente da mente e da boca de Deus.


Veio Cristo, que além de ser o Messias era o Filho Deus, e então vemos muitos milagres, prodígios e maravilhas feitas pela sua mão, a sinalizarem que Ele era o messias, o Filho de Deus que havia de vir, acompanhado de muitos sinais e maravilhas.


Jesus, depois também enviou os discípulos dando-lhes poder para fazerem milagres.  Reparem bem que foi Jesus quem deu directamente poder aos discípulos, mais tarde apóstolos para fazerem milagres. 


Marcos 6  "Ele envia os Seus discípulos a pregar e fazer milagres".


Atos 5:1212 "E muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos".



Hebreus 1:4 Deus também deu testemunho dela por meio de sinais, maravilhas, diversos milagres e dons do Espírito Santo distribuídos de acordo com a sua vontade

 Mas os discípulos fizeram muito menos milagres que Cristo e os seus milagres não se podem comparar com os milagres de Cristo tanto na qualidade como na espectacularidade.


Entretanto quando lemos as epístolas, estas não dão ideia de que os membros nas igrejas primitivas faziam os milagres que os apóstolos faziam.


Por essa razão eu disse em cima "quando lemos a Bíblia toda de capa a capa, milagres feitos por um servo de Deus nunca são a regra normal, mas revestem sempre um carácter excepcional".


Mas, se estudarmos a história da Igreja, que praticamente começa com os patriarcas que sucederam os Apóstolos até aos dias de hoje, vemos uma redução de milagres feitos pela mãos de um servo de Deus.


Repito, não estou forçosamente a falar de intervenções sobrenaturarais de Deus, mas simplesmente de milagres, sinais, prodígios e maravilhas feitas pelas mãos de alguém.



3. Terceiro ponto

A Bíblia adverte para termos cuidado com os sinais e milagres. Devemos examinar e tudo e testar os espíritos para ver se vêm de Deus. 

Paulo exortou a igreja de Tessalônica: “Examinai tudo. Retende o bem” 1 Ts 5.21. 

Toda e qualquer manifestação espiritual precisa ser examinada e avaliada segundo a Palavra de Deus. Vivemos tempos difíceis, de muita heresia e engano. Como discernir o verdadeiro do falso? 


Podemos identificar a fonte da mensagem, dos milagres, visões ou revelações, de duas maneiras:


Primeiro, mediante o conteúdo doutrinário Hb 5:14. 


Segundo, mediante a revelação do Espírito Santo — o dom de discernimento At 5:1-5. 


O crente não pode deixar-se levar pelos sinais e manifestações sobrenaturais, sem antes ter a certeza de que a sua origem é divina 1 Jo 4:1-3.

Nunca podemos perder estes três pontos de vista, ao estudar sobre os dons e milagres do Espírito Santo, para ficarmos dentro do equilibrio revelado pelas Escrituras Sagradas.


Há Igrejas que perderam de vista estes três pontos importantes e cairam no exagero e interpretam erradamente alguns textos das Escrituras. E as Igrejas mais modernas, neo-pentecostais ou as chamadas Igrejas da Terceira Vaga, Teologia do Reino e as que pregam as doutrinas da prosperidade, perderam o equilíbrio e algumas cairam mesmo em heresias muito graves.


4. Quarto ponto


Vemos na Bíblia que há sinais ligados à missão de Cristo, dos apóstolos e profetas


Muitos textos na Bíblia revelam que há milagres, prodígios, sinais, maravilhas e dons de revelação e poder que estão ligados à missão de Cristo e à missão dos apóstolos e profetas que puseram o fundamento da Igreja e que escreveram a Bíblia


Vejamos somente três destes versículos, mas o leitor pode procurar outros com ajuda da Internet.


João 10:24-25 Se tu és o Cristo, dize-no-lo abertamente. Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo tenho dito, e não o credes. As obras que eu faço, em nome de meu Pai, essas testificam de mim.


II Coríntios 12:12 Pois as credenciais do apostolado foram apresentadas no meio de vós, com toda a persistência, por sinais, prodígios e poderes miraculosos.


Hebreus 2:4.Deus tem apoiado esses testemunhos atraves de sinais, de milagres, manifestações do seu poder e dons da parte do Espírito Santo, concedidos segundo a sua vontade.

 

V. Alguns comentários pessoais


A. Introdução


Eu prefiro não ser muito dogmático em minhas posições pessoais. No entanto se lerem os comentários ficarão com uma ideia de algumas convições que tenho.


Este assunto é vasto e complexo e, por isso, existem pelo menos 2 ou 3 avenidas de pensamento nos meios evangélicos, sobre esta matéria do continuacionismo ou cessacionismo.


Eu penso que cada Igreja tem o direito de ensinar o ensinamento que acha mais correcto do ponto vista biblico e haver um respeito recíproco entre as igrejas, o que poderia proporcionar um diálogo esclarecedor e esta matéria deixaria de causar tanta divisão no corpo de Cristo.


É claro que não estou a falar de respeitarmos heresias, como é o caso os movimentos de fé e de prosperidade, e algums igrejas carismáticas da chamada Terceira Vaga, que estão a utilizar os dons miraculosos de uma forma herética e completamente ligados à teologia da prosperidade.


Vemos que por final alvo deles é o lucro financeiro e a sede de poder.


Tais heresias deviam ser denunciadas e condenadas, mas, infelizmente, alguns evangélicos preferem manter um compromisso com estas Igrejas e isto não é bom para o Corpo de Cristo, pois há crentes e mesmo lideres que acabam por se deixarem influenciar pelas doutrinas dos movimentos de fé e prosperidade e dos movimentos extremistas da terceira vaga.


B. Sobre sinais, prodígios e maravilhas


A minha posição situa-se muito entre um cessacionismo moderado ou equilibrado e um continuacionismo moderado ou equilibrado. 


Isto porque penso que, de um lado, a missão dos profetas e apóstolos da Bíblia e a missão de Cristo são únicas e são acompanhados de sinais, milagres, prodígios e maravilhas que são únicos também. 


Mas de outro lado, eu penso também que Deus pode ainda hoje intervir com sinais, prodígios e maravilhas. 


Eu penso que quando a Igreja obedece à ordem da Grande Comissão, a proclamação do Evangelho pode ser (ou não) acompanhada de sinais, prodígios e maravilhas. 


Claro que ter em conta de "toda a proporção guardada", quando comparamos os feitos da Igreja dos nossos tempos, com os sinais, prodigios e maravilhas feitas por Cristo, pelos profetas e apóstolos.


Temos que nos lembrar sempre o texto de Hebreus 13:8 é actual. "Cristo é o mesmo ontem, hoje e para sempre" e aplicar esta verdade de uma maneira equilibrada, não criando doutrinas e excessos que vão contra o ensinamento geral das Escrituras Sagradas.


Eu acredito na cura física, mas acho que a proclamação do Evangelho está ligada em primeiro lugar à salvação da nossa alma. 


S.João 3:16 “Para que todo aquele que Nele crer tenha a Vida Eterna”.  


Lucas 24:47 “E em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados”


É por essa razão que eu não abono as doutrinas dos movimentos de fé ligadas com o Evangelho da cura ou da prosperidade, que ensinam que pela fé Deus cura todas as doenças e não deixa nenhum crente ficar pobre.


A redenção de Cristo na vida de uma pessoa pode incluir a cura física, pois sabemos que Jesus tomou sobre si todas as nossas transgressões e enfermidades.  Mas a Bíblia revela claramente que a redenção do nosso espírito vem em primeiro lugar, pois é o resultado da redenção em nossas vidas enquanto vivermos nesta terra.


A redenção do corpo é para o dia da ressureição, é algo que estamos à espera, por isso corporalmente falando, nós estamos salvos "em esperança".


Romanos 8:20- 25 Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora. E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo. 


Porque, na esperança, fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera?


Mas como já disse, embora estejamos à espera da redenção do corpo no dia da ressureição, as 

Escrituras Sagradas revelam que Deus pode ainda intervir miraculosamente, e de uma maneira especial dentro de um contexto de evangelização e de missões transculturais.

C. Sobre o Baptismo do Espírito Santo


O Baptismo do Espírito Santo segundo os pentecostais refere-se ao Baptismo de Enchimento ou de Poder, falado em Lucas 24:49 e Atos 1:8 e que teve lugar no dia do Pentecostes.


Mas eu penso que Baptismo do Espírito Santo dá-se na altura do novo nascimento, é para todos os crentes.


Neste caso, o outro Baptismo, ou Baptismos que se seguem ao novo nascimento, eu prefiro chamar de plenitude”, “unção”, “enchimento” ou de “ Baptismo de plenitude para equipar o crente para testemunhar”, distinguindo este Baptismo de plenitude.


Há uma diferença entre estes dois Batismos ou experiências


Eu penso que a utilização dos termos Batismo Do Espírito Santo e Baptismo No Espírito Santo é boa, pois servem para identificar duas experiências diferentes reveladas nas escrituras, e, que ajudam a diminuir o poço entre a posição pentecostal/carismática e a posição tradicional sobre o Batismo do Espírito Santo.


1. O Batismo Do ou No Espírito Santo


O Batismo Do Espírito Santo ou No Espírito Santo como preferem dizer alguns, pois de facto é Jesus quem baptiza no Espírito Santo, faz sem dúvidas referência há recepção do Espírito Santo no momento em que cremos em Jesus e que produz pelo menos nove operações no crente, nomeadamente, vida eterna, novo nascimento, regeneração, selo, justificação etc


Leia no meu blog sobre o Batismo do Espirito Santo – Doutrinas do Espirito Santo.


2. O Batismo de Poder do Espírito Santo


O Baptismo de Poder no Espírito Santo fala da operação do Espírito Santo quipar os crentes com dons e poder e ajudá-los a desenvolver os seus ministérios afim de edificarem a Igreja preparando-a para ser testemunhas “em Jerusalém, em toda a judeia, até aos confins da terra”.


Alguns tradicionalistas preferem chamar a esta operação do Espírito Santo de plenitude, enchimento ou unção do Espírito Santo, visto que para eles o Baptismo do ou no Espírito é único e é aquele que concede a salvação e o novo nascimento a todo aquele que Nele crê.


Para muitos pentecostais e carismáticos este Batismo de Poder é o único Batismo do Espírito Santo e é visto como uma segunda benção que deve seguir-se à conversão.


No entanto há carismáticos que distinguem estes dois Batismos.


Falam precisamente no Baptismo Do ou No Espírito Santo e acham que este Batismo se dá no momento que o crente recebe o Senhor Jesus. É portanto a recepção do Espírito Santo.


 E falam também no Baptismo  de Poder ou de Baptismo de Plenitude e acham que este Batismo refere-se ao Batismo ou enchimento que teve o inicio no Pentecostes, e que serve para equipar os crentes para levarem a cabo a ordem da Grande Comissão de Cristo.


É portanto uma operação, não de recepção, mas de enchimento do Espírito Santo.


Para estes carismáticos o Baptismo de Poder, Plenitude ou de Enchimento do Espirito Santo é contínuo e devia aumentar de intensidade. Ou seja os crentes devem procurá-lo continuamente e com mais intensidade.


Parece que a Bíblia fala destes dois Baptismos:


Do ou No Espírito Santo, em que recebemos o Espírito Santo e nascemos de novo.


Baptismo de Poder, Plenitude ou de Enchimento, como queiramos chamar, que deve ser procurado constantemente pelos crentes, sempre com mais intensidade, para o bem da edificação da igreja e da evangelização do mundo.


Eu tenho estes assuntos mais aprofundado no meu blog português.


http://religiao-filosofia.blogspot.co.uk/2007/07/enchimento-4.html



V I. Alguns aspectos sobre o assunto da profecia


A. Introdução ao assunto


Vamos supor que somos cessacionistas muito moderados e cremos que o dom de profecia ainda existe como um dom para avisar a Igreja mas somente através da pregação da Palavra de Deus, ou se formos continuacionistas moderados acreditamos que pode ser também através de um meio sobrenatural e que inclui uma certa predição do futuro de algo que vai acontecer na vida de uma pessoa, de numa igreja ou mesmo no mundo.


Por quem achamos deve ser feita essa profecia? E, como deve ser feita?


Em primeiro lugar eu penso que deve ser feita por alguém que tem o dom da profecia, e já vimos que nem todos os crentes têm o dom da profecia.


Em segundo lugar, normalmente como regra geral os profetas não deviam ultrapassar o seu nível de autoridade ou proporção da sua fé, ou medida do dom de Cristo que lhes foi dada.


Ou seja um profeta de uma pequena “igreja”, não devia estar a fazer profecias para uma “nação”.


E, um profeta que funciona num lar, não devia estar a fazer profecias a nivel da sua denominação.


Deus deu os 5 ofícios e devem ser aqueles que exercem estes ofícios a desempenharem estas funções, cada um, segundo a porporção da sua fé e a medida do dom de Cristo como vemos em Efésios 4:7-11.


É claro que é o mesmo com muitos pastores e doutores nunca chegarão a um ponto de pregar em grande conferência, ou terem ministérios a um nível nacional e internacional. O mesmo poderíamos dizer dos evangelistas, profetas e apóstolos.


Alguns desempenharão uma pequena função dentro de uma pequena Igreja, outros dentro de uma grande maior, outros serão úteis dentro da sua própria denominação e nação, e alguns poderão ter mesmo um ministério internacional.


Eles funcionarão segundo a proporção da sua fé, a medida do dom de Cristo que foi dada a cada uma.

Um dos grande erros cometidos por aqueles que acreditam que o dom da profecia é para todos os crentes, é que não controlam quem faz as profecias, e qualquer pessoa dentro da congregação pode levantar-se e a profetizar.

Depois se os lideres acharem que a profecia está errada, dizem “não se incomode irmão (ã), a profecia é assim mesmo, pode estar certa ou errada”!


A profecia tem que estar sempre certa, pois vem de Deus e se alguém não tem 100% a certeza que vai falar da parte de Deus deve ficar sentado. É isto que pelo menos devia ser ensinado nas Igrejas mais continuacionistas, para evitar a grande confusão que as profecias trazem para dentro destas Igrejas.


Além disso nunca deviam comparar o grau de inspiração e exatidão das profecias feitas pelos profetas e apóstolos que profetizaram debaixo de uma inspiração absoluta, com o grau de inspiração e exatidão de uma profecia feita hoje debaixo de uma inspiração relativa. 


Neste caso as profecias devem ser testadas, mas isto não quer dizer que devemos ensinar “não faz mal irmãos se errarem, pois a profecia é assim mesmo, pode estar certa ou errado”.


A profecia está sempre certa, pois vem de Deus, se alguém profetizar erradamente, temos que chamar no mínimo de profecia falsa e isto é grave aos olhos de Deus.


Deuteronómio 18:20-22 Mas o profeta que ousa falar em meu nome alguma coisa que não lhe ordenei, ou que falar em nome de outros deuses, terá que ser morto. Mas voçês perguntem a si mesmos: “Como saberemos se uma mensagem não vem do Senhor?” Se o que o profeta proclamar em nome do Senhor não acontecer nem se cumprir, essa mensagem não vem do Senhor. Aquele profeta falou com presunção. Não tenham medo dele.” 


A profecia tem que estar sempre certa, para podermos chamar de profecia. Eembora saibamos que o profeta do novo testamento, se de facto este ofício ainda existe, não profetiza debaixo de inspiração absoluta como os profetas antigos.


Ele  é um pregador que avisa o povo da parte de  Deus, mas baseando-se principalmente na Bíblia, sempre que o povo se está a desviar de Deus.


É possível que ele tenha um certo dom de revelação e predição, mas se assim for é claro que temos que admitir que a margem de erro é muito maior do que a margem de erro de um profeta que está a profetizar debaixo de inspiração total.


Mas deixo este tema que em aberto.


Há muitos pastores continuacionistas, estão a chegar à conclusão que devem controlar muito mais o exercicio da profecia e dos dons miraculosos dentro das suas igrejas, por causa da grande confusão que isto está a causar nas Igrejas.


Nenhuma Igreja irá pedir a um crente qualquer para subir ao púlpito para dar uma pregação ou um ensino, ou não é verdade? Porque razão então é que qualquer crente pode levantar-se dirigir-se à Igreja dando uma profecia. Será que a porpoção da sua fé, e a medida do dom de Cristo, lhe foi dada para este fim?


B. Comentário sobre I Coríntos 14


I Coríntos 14:29 E falem dois ou três profetas e os “outros” julguem ... Porque os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas.


Quem são os “outros”?


“Os outros” dentro do contexto só pode estar referir-se aos “outros profetas” e não aos outros membros da congregação. Por isso o texto continua e diz no v32 “Porque os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas”.


Segundo o contexto são os profetas que fazem as profecias, não todos os membros. E, Paulo, está a alertar aos profetas para serem cuidadosos, pois as suas profecias serão julgadas pelos outros profetas, que podem não concordar que a profecia veio de Deus.


I Coríntios 14:31 Porque “todos” podereis profetizar, um após outro, para todos aprenderem e serem consolados.


Quem são “todos”?


De novo, este verso está dentro do mesmo contexto, mas alguns utilizam o versículo, que tirado do contexto, parece estar a dirigir-se a todos os membros ao utilizar a palavra “todos”.


Mas dentro do contexto, a palavra “todos” não pode estar a referir-se “aos outro”, ous seja aos outros profetas. Por essa razão Paulo ja tínha dito antes, vemos no v29 “Tratando-se de profetas, falem apenas dois ou três, e os outros julguem”.


Aliás do versiculo 29 ao versículo 33 Paulo está a falar dos profetas.


Portanto a expressão “todos podem profetizar” e “os outros julguem” diz respeito aos profetas.


I Coríntios 14:24-25 Porém, se todos profetizarem, e entrar algum incrédulo ou indouto, é ele por todos convencido e por todos julgado; tornam-se-lhe manifestos os segredos do coração, e, assim, prostrando-se com a face em terra, adorará a Deus, testemunhando que Deus está, de fato, no meio de vós.


O texto em cima, se o tirarmos do contexto geral do caps 12 e 14, também parece dizer que “todos” podem profetizar.


Mas de novo tenho que dizer que não podemos esquecer, que o capítulo I Coríntios 14 é o seguimento do assunto que vem a ser tratado desde o capítulo 12 sobre os dons do Espírito Santo. O capítulo 14 trata dos dois dons que estão a trazer mais problemas dentro da Igreja, como também é o caso hoje, o dom de línguas e o dom de profecia.


A palavra “os outros”, “todos” analisado dentro do contexto refere-se aos profetas.


Aliás no capítulo 12, Paulo já tinha dito muito claramente que os dons do Espírito Santo são diferentes, são dados a cada um para a edificação, como o Espírito quer, e a um é dado o dom de línguas, e a outro é dado o dom de profecia.


Não há ninguém que tenha “todos” os dons, nem há nenhum dom que “todos” tenham, segundo o contexto dos capítulos 12-14 de Coríntios, Efésios 4 e Romanos 12.


A uns o Espírito deu um dom, a outros o Espírito deu um outro dom, tudo para a edificação da Igreja.


Portanto Paulo deixa bem claro que nem todos têm o dom de línguas, nem o dom de profecia, embora os Coríntios pensassem o contrário, ambicionando estes dons, devido à sua espectacularidade.


Por essa razão Paulo diz no final do capítulo 12 “a uns pois Deus na Igreja, primeiramente, apóstolos, em segundo lugar, profetas, em terceiro doutores” etc etc e depois pergunta “Porventura são todos profetas?”.


Mas a corrida atrás dos dons, e o mau uso dos dons, era tão grande, que causou uma grande confusão na Igreja. Os dom de língua e o da profecia eram os dons que causavam mais confusão, daí Paulo sentir necessidade de dedicar o capítulo 14 a esses dois dons, onde ele aproveita para estabelecer mais alguns princípios, especialmente no que diz respeito à forma ordeira como estes dois dons, e os outros dons, deviam ser utilizados na Igreja.


Ainda hoje estamos a assitir ao mesmo problema e os dons miraculosos, e de uma forma especial o dom de profecia e de línguas está a causar muita confusão nas Igrejas, e a criar divisão no corpo de Cristo.


C. Enchimento de poder e profecia


Uma coisa é estar Cheio do Espirito Santo:


Efésios 5:18 “enchei-vos do Espírito Santo”


Isto fala de plenitude, em que o crente pode crescer na santidade, no conhecimento do seu dom (ou dons) e nos frutos do Espírito Santo. Este devia ser o estado normal do crente. O crente deve procurar contínuamente viver cheio do Espírito Santo.


Outra coisa é estar cheio do poder do Espírito Santo:


Miqueias 3:8 Eu, porém, estou cheio do poder do Espírito do SENHOR, cheio de juízo e de força, para declarar a Jacó a sua transgressão e a Israel, o seu pecado.


Isto fala de uma plenitude maior que pode, muitas vezes, estar associada com o ministerio dos 5 servos, nomeado em Efésios 4:11.


Por exemplo no caso dos profetas antigos, vemos em Ezequiel, o Espirito descia sobre eles com poder para revelar-lhes algo da parte de Deus, isto através de uma visão, sonho, revelação, ou podiam mesmo ouvir a voz audível de Deus, como foi o caso de Samuel, Elias e Moisés.


No caso de Moisés ele não so ouviu a voz audível de Deus, mas ele teve um encontro face a face com Deus. Numeros 12:6-8


Aliás, tudo parece indicar que aqueles que exercem o dom de profecia - os profetas, tanto antigos, como os de hoje, devem entrar no concelho de Deus para ouvirem a mensagem ou revelação que Deus quer que eles declarem. Isto só é possível pelo Poder de Deus.


Leia com atenção as passagens:


Números 12:6-8

Juizes 14:6
Jeremias 23:18
Amós 3:7
I Reis 22:19-22
Salmos 82:1
Salmos 89:5

Cito em baixo dois exemplos de duas coisas que acontecem quando um profeta faz uma profecia, ou seja, quando ele fala em nome de Deus, directamente da parte de Deus:


D. O Espirito desce sobre o profeta com poder:


II Cronicas 20:14-16 Então, veio o Espírito do SENHOR no meio da congregação, sobre Jaaziel, filho de Zacarias, filho de Benaia, filho de Jeiel, filho de Matanias, levita, dos filhos de Asafe, e disse: Dai ouvidos, todo o Judá e vós, moradores de Jerusalém, e tu, ó rei Josafá, ao que vos diz o SENHOR. Não temais, nem vos assusteis por causa desta grande multidão, pois a peleja não é vossa, mas de Deus. Amanhã, descereis contra eles; eis que sobem pela ladeira de Ziz; encontrá-los-eis no fim do vale, defronte do deserto de Jeruel.


E. O profeta apresenta-se no concilio celestial


Os profetas antigos apresentavam-se no concilio celestial, e era lá que ele viam e ouviam o que deve comunicar ao povo da parte de Deus:


Jeremias 23:16-18 Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Não deis ouvidos às palavras dos profetas que entre vós profetizam e vos enchem de vãs esperanças; falam as visões do seu coração, não o que vem da boca do SENHOR. Dizem continuamente aos que me desprezam: O SENHOR disse: Paz tereis; e a qualquer que anda segundo a dureza do seu coração dizem: Não virá mal sobre vós. Porque quem esteve no conselho do SENHOR, e viu, e ouviu a sua palavra? Quem esteve atento à sua palavra e a ela atendeu?


Será que podemos atribuir este mesmo poder aos que supostamente dizem ser profetas nos tempos de Hoje?


Eu acho que não.




V I I. Perguntas para a reflexão:

Qual é o ensinamento da Biblia, nestas coisas, por exemplo se um crente ou pastor estiver a pecar, deverá ser denunciado, disciplinado ou destituido publicamente por uma profecia?


Um exemplo: Como lidar com o pecado de um irmão ou presbitero Mateus 18:15-22, I Timoteo 5:19-20


Se os exemplos em cima forem exageros, será que como está a haver exageros no uso da profecia, isto prova que é um dom que já não existe hoje, e, por isso, ninguém deveria profetizar?


Será que não poderão haver exageros noutras àreas, como por exemplo, no uso da pregação, música, acção social ou outros ministérios dentro da Igreja?


Se acreditamos em todos os dons e oficios, incluindo os dons miraculosos, o que deveriamos fazer para haver uma utilização útil destes dons em serviço da Igreja e à sua expansão no mundo, dando cumprimento à Grande Comissão de Cristo? Como poderiam ser ensinados, cultivados e não permitir um uso abusivo dos mesmos dentro da Igreja.


Uma proposta: Ensinar sobre os dons e oficios aos membros que queiram crescer nesta àreas em reunuião destinadas para este fim. Os cultos normais da Igreja devem estar debaixo do controle dos presbiteros, anciaos (que são os pastores). Eles são os responsáveis pela congregação, por tudo o que se passa, tambem na questão do exercicio dos dons e oficios dentro da Igreja.


Não devemos nem impedir nem brincar com profecias, seja quais for a posição que tivermos sobre as mesmas, cessacionistas moderados ou continuacionistas moderados, pois as profecias não são pensamentos que vêm da nossa mente, mas sim da Mente Divina.



V I I I. Perguntas e respostas 


Gostaria de terminar com algumas perguntas e respostas bíblicas


Depois de ter lido o comentário em cima, pense nestas perguntas e respostas e veja qual é a posição bíblica mais correcta. 


A de um continuacionista ou de um cessacionista? Ou, então, a de um continuacionista moderado, ou cessacionista moderado!?


1º Pergunta 


Os dons miraculosos cessaram ou continuam a existir?


Resposta:

1. Alguns textos em que se baseiam os continuacionalistas:


I Coríntios caps 12 e 14, Romanos 12 e Efésios 4:7-16


2. Alguns textos em que se baseiam os cessacionistas:


Hebreus 2:3 Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram; dando Deus testemunho juntamente com eles, por sinais, prodígios e vários milagres e por distribuições do Espírito Santo, segundo a sua vontade.


I Coríntios 13:8 “O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará”.


2ª Pergunta 


Devem todos os crentes ter o dom de línguas?



Resposta:

I Coríntios 12:30 Têm todos dons de curar? Falam todos em outras línguas?


3ª Pergunta  


É o dom de línguas um sinal do Baptismo do Espírito Santo?



Resposta:

I Coríntios 12:30 Falam todos em outras línguas?


4ª Pergunta 


É o dom da profecia dado a todos os crentes?



Resposta:

I Coríntios 12:7-11 A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso. Porque a um é dado ... os dons de curar e a outro a profecia. Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente.


I Coríntios 12:29 Porventura, são todos apóstolos? Ou, todos profetas? São todos mestres? Ou, operadores de milagres?


Romanos 12:4 Porque assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função, tendo, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi dada: se profecia, seja segundo a proporção da fé.


5ª Pergunta  


Se aceitarmos que existem ainda profetas e apóstolos, mas não com o mesmo poder e autoridade e missão que os profetas e apóstolos da Bíblia ... ou acreditando que tenham o mesmo poder, autoridade e missão.


Quem tem no entanto o governo das Igrejas: os profetas e apóstolos ou os pastores?


Resposta:


Tito 1:5 Por esta causa, te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as coisas restantes, bem como, em cada cidade, constituísses presbíteros, conforme te prescrevi:


I Pedro 5:2 pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho.


6ª Pergunta  


Acreditando ou não que os apóstolos e profetas de hoje, tenham o mesmo poder e autoridade e missão que os profetas e apóstolos da Bíblia.


Há uma continuação dos ofícios dos profetas e apóstolos nos tempos da Igreja?


Resposta:


Efésios 4:11 E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres


I Coríntios 12:29 A uns estabeleceu Deus na igreja, primeiramente, apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres; depois, operadores de milagres; depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. Porventura, são todos apóstolos? Ou, todos profetas? São todos mestres? Ou, operadores de milagres?


7ª Pergunta 


Será que devíamos utilizar os termos: 


Batismo DO Espírito Santo e Batismo de Poder NO Espírito Santo, para definir duas experiências diferentes?


Resposta:


1. Alguns textos que parece falarem do Batismo DO Espirito Santo


Mateus 3:11 Eu vos batizo com água, para arrependimento; mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, cujas sandálias não sou digno de levar. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.


Atos 2:38 Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.


Atos 11:16 Então, me lembrei da palavra do Senhor, quando disse: João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis Batizados com o Espírito Santo


1 Corintios 12:13-14 Pois, em um só Espírito, todos nós fomos Batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito. porque todos quantos fostes Batizados em Cristo de Cristo vos revestistes.


Efésios 1:13 em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa


2. Alguns textos que parece falarem do Batismo de Poder NO Espirito Santo?


Lucas 24:49 Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder.


Atos 1:8 mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.


Atos 2:4 Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem


Atos 4:29 -31 agora, Senhor, olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra, enquanto estendes a mão para fazer curas, sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus. Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus


Efésios 5:18 E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas Enchei-vos do Espírito


Conclusão:


Será que se obedece ao mandamento para manter a ordem na igreja, quando se fazem publicamente as seguintes profecias:


Profetizar o movimento da Bolsa para ajudar crentes a investir ou retirar investimento da bolsa?


Denunciar publicamente crentes que pensam estar a viver em pecado? (descrevendo o tipo de pecado que estão a cometer).


Profetizar sobre a prosperidade material de crentes? (dizendo por exemplo que um crente virá a possuir este ou possuir aquele bem)


Profetizar a destituição de pastores ou lideres dos seus cargos?


Profetizar sobre a pessoa que alguém deve casar? (dizendo o nome da pessoa que deve casar com este (a) ou aquele(a) crente).


E quem faz estas profecias, utilizar constantemente figuras, ou imagens, por exemplo, o suposto profeta levanta-se e diz: “eu vi um rio de agua limpida a correr ... etc” ou “eu vi uma lagarta ... a comer etc” e fazer uma aplicação desta imagens, ou outras, pretendendo que Deus está a dizer alguma coisa para a Igreja.



Será que devemos abonar este tipo de coisas, ou que chamam profecias, dentro das nossas Igrejas?


Final

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