quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O Reino de Deus e a Igreja de Cristo

Diferenças entre o Reino e a Igreja?
Há uma grande ignorância sobre as diferenças entre o Reino de Deus e a Igreja de Cristo.O ensinamento sobre o Reino de Deus não está confinado somente ao Novo Testamento.

O Reino de Deus é um tema importante através de toda a Bíblia. Vemos pela Bíblia que estabelecimento do Reino de Deus na terra é o objectivo para o qual toda a História humana progride, e que culminará com o Milénio.

Um estudo profundo do livro de Apocalipse é talvez a melhor maneira de compreendermos que é só mesmo no futuro que o Reino de Deus será completamente estabelecido sobre a terra. Como podemos ler, por exemplo, quando a sétima trombeta toca, dando começo às setes taças da ira de Deus, em Apocalipse 11:15 "e houve nos céus grandes vozes, que diziam: Os reinos do mundo,  vieram a ser do nosso Senhor Jesus Cristo, e ele reinará para todo o sempre"

O livro de Apocalipse fala precisamente da derrota completa do diabo, o deus deste século, que usurpou os reinos deste mundo e do estabelecimento do Reino de Deus na terra, através de Cristo, por 1000 anos e que continuará pela eternidade fora. Portanto o Reino de Deus e o Milénio estão ligados.

Vemos que a Bíblia utiliza alguns nomes para o Milénio.

“Regeneração” em Mateus 19:28 “E Jesus disse-lhes: Em verdade vos digo que vós, que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel”.

“Tempos de refrigério” em Atos 3:19 “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor”.

“Tempos da restauração de tudo” em Atos 3:21 “O qual convém que o céu contenha até aos tempos da restauração de tudo, dos quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio”.

“Dispensação da plenitude dos tempos” em Efésios 1:10 “De tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra”.

Eu me torno mais efectivo no meu ministério cristão, se compreender melhor estas diferenças:

O que é o Reino de Deus?

O que é a Igreja de Cristo?

Já alguma vez pensou nisso?

Sugiro que faça o seguinte: dê uma olhadela rápida ao índice aos capítulos e secções e leia um capítulo, ou somente uma secção que lhe possa ter despertado a curiosidade. Depois, é capaz de ler mais uma secção e sem dar por isso acaba por dar uma olhadela geral por todo o estudo.

I. Introdução ao assunto
A. O Reino de Deus é eterno e a Igreja de Cristo é temporal.
B. A relação entre o Reino de Deus, a Igreja e a Grande Comissão.
C. A relação entre o Reino de Deus o Evangelho e a Igreja de Cristo.
D. As nossas igrejas não são melhores do que as igrejas da Bíblia.
E. Muita ênfase na igreja local prejudica a expansão do Reino de Deus.
F. Os principios do Reino na Terra e as diversas Instituições.

I I. As diferenças entre o Reino de Deus e a Igreja
A. Natureza do Reino de Deus.
B. A Natureza da Igreja de Cristo.

I I I. As diferenças apresentadas nos Evangelhos
A. Sobre a Igreja
B. Sobre o Reino de Deus

I V. O Reino de Deus no Antigo e no Novo Testamento
A. A manifestação do Reino de Deus no Antigo Testamento
B. A manifestação do Reino de Deus no Novo Testamento

V. Os reinos do mundo foram entregues a satanás
A. O Diabo tranca a sua casa para proteger os seus bens.
B. O poder temporário que o diabo tem neste mundo.

V I. Aspectos impertinentes sobre o Reino e a Igreja
A. A Igreja não se confina a um Templo ou a uma denominação
B. O Reino de Deus tem uma acção mais abrangente do que a Igreja
C. A Igreja tem um lado humano, secular e até profano.
D. Os crentes vitoriosos são governados pelo Reino de Deus.
E. Conexão entre o Reino e os movimentos para-eclisiásticos e sociais.

V I I. As implicações práticas de uma concepção correcta
A. O reino de Deus pode tirar a noiva da igreja.
B. As igrejas devem pôr em prática os principios do Reino de Deus.
C. A união ou unidade entre as igrejas dá lugar ao Reino de Deus.
D. O Reino de Deus não é deste mundo.


I. Introdução ao assunto

A. O Reino de Deus é eterno e a Igreja de Cristo é temporal.

Somos amigos de um casal, vindos de uma outra igreja e que são agora membros da nossa igreja. O filho mais velho quando deixou a outra igreja magoado e amargurado, abandonou o caminho do Senhor com esta expressão fatídica:

“a minha igreja afastou-me para sempre dos caminhos do Senhor”.

Desde ai nunca mais quis saber de Deus, mais precisamente dito das igrejas.

Seja ou não a culpa da igreja no caso da pessoa em cima mencionada, nós temos que admitir que as igrejas têm a capacidade para ganhar pessoas para Cristo, mas, infelizmente, também têm a capacidade para revoltá-los e desviá-los do caminho do Senhor.

Este trabalho é dedicado a crentes que possam ter filhos ou amigos nesta situação, que decidiram nunca mais pôr os pés numa igreja, ao menos que aconteça um grande milagre de Deus. Oremos por esse milagre!

Dedico também este trabalho a todos aqueles que pela sua condição humana e social, podem ser facilmente marginalizados pelas igrejas. As escrituras revelam que os marginalizados da sociedade (e, às vezes, das igrejas) têm muitas vezes a prioridade aos olhos de Deus!

O Reino de Deus na terra é constituido em primeiro lugar por pessoas e não por igrejas.

As igrejas devem ter esta visão, se quiserem colocar os interesses do Reino de Deus à frente dos seus interesses locais. Quando os interesses locais passam a ser a prioridade das igrejas, estas deixam de procurar os interesses do Reino de Deus e em vez de orarem “venha o Teu Reino” passam a orar “venha a nossa igreja”.

Desta forma as pessoas passam a ser vistas simplesmente como candidatos potenciais para servirem o interesses locais da igreja. E, se a Igreja não receber um retorno imediato dos seus serviços, ficam esquecidos e marginalizados, pois não valem o tempo, o dinheiro e se calhar o sacrificio que a igreja irá investir na vida deles!!!

Pelas razões já apresentadas até aqui, é importante estudarmos bem as diferenças entre o Reino de Deus e a Igreja, para não cairmos numa concepção de igreja que fecha o Reino de Deus dentro de si própria, como se o Reino de Deus fosse mais pequeno do que a igreja.

Iremos ver que a igreja não deve ser um veículo de regras e tradições religiosas, que defende a todo o custo, nem que tenha que rejeitar ou afastar pessoas, mas deve ser, acima de tudo, um veículo que contribui para a implantação na Terra, dos verdadeiros principios do Reino de Deus encontrados nas Escrituras Sagradas.

A oração que Jesus nos ensinou diz: “Venha a nós o Teu Reino, assim na Terra como no Céu” e não “Venha a nós, a nossa igreja, na Terra!”

Fiquei surpreendido quando compreendi quantas vezes a palavra Igreja aparece nos Evangelhos. Somente três vezes. Uma vez em Mateus 16:18 e duas vezes em Mateus 18:17

E, também, quando compreendi mais a fundo que a Igreja começou no dia do Pentecostes, tem portanto um lado temporal e terreno.

Mas, depois, quando me apercebi das vezes que o Senhor Jesus fala do Reino de Deus nos Evangelhos, mais surpreendido e intrigado fiquei.O Senhor Jesus fala cento e vinte vezes no Reino de Deus nos Evangelhos.

E mais intrigado fiquei, quando me apercebi melhor que o Reino de Deus nunca teve início, nem terá fim, é Eterno.

Decidi então investigar um pouco mais a fundo sobre o assunto, para conhecer melhor a natureza do Reino de Deus e a natureza da Igreja, e daí compreender melhor as implicações impostas pelas suas diferenças.

A Igreja de um lado é um ‘organismo espiritual’ que evolui e vai gradualmente prevalecendo, pois é o corpo vivo de Cristo na terra, sendo Cristo a cabeça da Igreja. Mas, mas de outro lado, a Igreja é também uma ‘organização terrena’ que existe dentro do contexto das culturas humanas e é constítuida por homens que vivem condicionado por essas mesmas culturas.

Desta forma, o lado terreno da igreja pode ser facilmente ser penetrado pelo secular, pelo profano e pode mesmo ser penetrada por Satanás.

Satanás sabe que não pode atacar a cabeça da Igreja – que é Cristo, mas sabe também que pode facilmente atacar o Seu corpo que vive na terra – a Igreja, por causa do seu lado humano.

B. A relação entre o Reino de Deus, a Igreja e a Grande Comissão.

Em baixo, podemos ver alguns textos que grande parte dos teólogos utilizam para definir o que é a Grande Comissão da Igreja e fazer referência à sua natureza, amplitude e complexidade?

Mateus 24:14 E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim.

Mateus 28:18-20 “E chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-Me dado todo o poder no céu e na terra.” Portanto ide, ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo; Ensinando-as a guardar todas as coisas que Eu vos tenho mandado; e eis que Eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém.

Marcos 16:15-18 “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem crer e for baptizado será salvo; mas quem não crer será condenado. E estes sinais seguirão aos que crerem: Em Meu nome expulsarão os demónios; falarão novas línguas; Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão.”

Lucas 24:45-48 “Então abriu-lhes o entendimento para compreenderem as Escrituras. E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dos mortos, e em Seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém. E destas coisas sois vós testemunhas.”

João 20:21-23 “Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco; assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós. E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhes são retidos.”

Actos 1:8,9 “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há-de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra. E quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos.”

No entanto, alguns teólogos dizem que estas passagens só estão ligadas à comissão dada aos "11" discípulos que eles chamam a comissão do Evangelho do Reino, e não à comissão dada aos "12" discípulos e à Igreja "a chamada grande Comissão dada à Igreja". 

Portanto, dizem que a comissão dos "11" referida nestes textos não dizem respeito à Comissão do apóstolo Paulo e da Igreja.

Vou procurar explicar em baixo os aspectos em que eu concordo e os aspectos que não concordo com estes teólogos: 

Aspectos em que eu concordo com o ponto de vista dos teólogos:

 Eu concordo com eles, quando dizem que não podemos aplicar tudo o que vem nos Evangelhos e no Livro de Actos à dispensação da Igreja. Aquilo que nos Evangelhos e no livro de Actos é meramente descritivo (história) e não prescritivo (doutrina) e aquilo que ainda está ligado a questões da lei e ritualismo mosaico, deve ser interpretado dentro do seu contexto e não fazermos aplicações erradas para a Igreja.

O Reino e a Igreja?
Por exemplo, na comissão dada aos "11" o Senhor Jesus está a falar também do Evangelho do Reino que será estabelecido na terra quando da 2ª vinda de Cristo. 

Quando falamos do estabelecimento do Reino de Deus na terra podemos dizer:

O Reino de Deus é estabelecido AGORA, pois Jesus já veio, mas NÃO AINDA completamente, pois Jesus ainda não voltou!

Não há Reino sem Rei. Só quando o Rei voltar dos céus, o seu Reino será completamente estabelecido nesta terra. 

Portanto o Evangelho do Reino que vemos falado nos Evangelhos e do qual os 11 discípulos de Jesus foram comissionados a pregar, está também a fazer referência ao estabelecimento do Reino de Deus na terra, não quando Jesus veio a 1ª vez, pois foi rejeitado e cruxifcado, mas quando voltar a 2ª vez para julgar e reinar.
Estes teólogos e eu também, repudiamos os ensinamentos que pretendem que os dons miraculosos e os acontecimentos no tempo do Messias e no livro de Atos dos Apóstolos devem ser completamente restaurados e acontecerem hoje. Estes ensinamentos extremistas deturpam as Escrituras.

Não estou a dizer que Deus não age sobrenaturalmente e com milagres. Claro que Deus continua a agir sobrenaturalmente neste mundo e efectuando milagres.

Mas, acho que é errado dizer que pelas nossas mãos, nós podemos operar os mesmos milagres e ainda maiores que os discípulos comissionados por Cristo fizeram e podemos mesmo fazer milagres maiores que o próprio Cristo fez. Como dizem por exemplo Bill Johnson e outros pregadores. Veja no meu blog sobre Bill Johnson!

Nós devemos considerar que as Escrituras Sagradas ainda não estavam terminados nos tempos dos Evangelhos e de Actos dos apóstolos. Desta forma, os sinais e prodígios nos Evangelhos e o enchimento e as revelações espirituais durante o Pentecostes e nos dias primitivos da Igreja, acompanhado de muitos sinais, prodígios e maravilhas, faziam parte da época em que o messias veio à Terra e a época inaugural da descida do Espírito Santo à Terra.

Além disso, não estando ainda as Escrituras completas, é possível que muitos desses milagres e revelações tivessem a função de fazer com que os primeiros discípulos, mais parte apóstolos, ficassem completamente debaixo do controlo do Espírito Santo, afim de que não houvesse a possibilidade de nenhum erro afectar a redação das Escrituras Sagradas, que só acabou alguns anos depois do Pentecostes.

Nos textos acima citados, há alguns aspectos dentro desta comissão dada por Cristo que estão ligados à comissão dos "11". Aliás, não podemos esquecer que a comissão é dada primeiramente a eles e eles ainda não viviam dentro da dispensação da Igreja. 

Por isso vemos que durante a sua comissão havia práticas que estavam estrictamente ligadas àquela dispensação dos "11" díscipulos, antes da dispensação da Igreja. Por exemplo, a prática do Batismo como remissão de pecados, pegar em serpentes venenosas, beber veneno, impôr as mãos nos doentes e curá-los instantaneamente como vemos em Marcos 15, isto está muito ligado à missão dos "11" é claro. 

Além disso tudo, eu creio que a profecia em Mateus 24:14 E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim" não terá o seu cumprimento completo na era da Igreja.

O completo cumprimento desta profecia e de outras iguais, só acontecerá depois da Igreja ser arrebatada e o Evangelho do Reino ser pregado finalmente a todas as nações durante a primeira parte da tribulação - 3 anos e meio, pelos 144.000 e todos aqueles que se converterem e depois será pregado às restantes nações e línguas pelas 2 testemunhas já na segunda parte da tribulação, que será a pior parte da Tribulação, pois a Besta abandonará o tratado de paz que fez com Israel e passará ao ataque. Apocalipse 6 a 11.

E depois do Anti-Cristo se manifestar contra estas 2 testemunhas e contra os crentes daquele tempo, perseguindo-os e matando-os, vemos em Apocalipse que logo a seguir à ressureição das 2 testemunhas o Senhor Jesus descerá dos céus, com toda a Igreja e os seus anjos, para fazer guerra à besta, prender satanás e estabelecer o Reino de Deus na terra por 1000 anos em cumprimento a todas as profecias antigas. Apocalipse 19 e 20.

Nunca podemos esquecer que o Reino de Deus só descerá completa à terra, quando o Rei dos Reis e o Senhores dos Senhores, que foi rejeitado pelos seus na sua primeira vinda, mas vai voltar à terra para julgar o mundo e reinar na terra, na sua sª vinda. 

Mas há alguns aspectos em que eu não concordo com estes teólogos


Quando dizem que nos chamados textos da Grande Comissão, Cristo não está a fazer qualquer referência à comissão dada da Igreja. Acho que isto é colocar a mensagem dos Evangelhos e do início do livro de Atos dentro de uma dispensação muito rígida e desvirtuar a mensagem que Cristo.

Eu penso que é verdade que Cristo se apresenta nos Evangelhos como o Rei dos judeus e virá um tempo em que os judeus irão acreditar no Evangelho do Reino e o Reino de Deus será implantado na Terra, com Cristo reinando em Jerusalám. 

Mas, nos evangelhos, Cristo se apresenta também como o salvador e redentor de todo o mundo. Vemos nos Evangelhos que Ele também revela que veio morrer e ressuscitar segundo as escrituras, para quem Nele crer ter a Vida Eterna. 

Os textos são claros, pois vemos que Jesus ordenou também que em seu nome se devia pregar o arrependimento e a remissão dos pecados a todas as nações. Ele diz também "pregai o Evangelho a toda a criatura", "este evangelho será pregado a todas as gentes", "ser-me-eis minhas testemunhas até aos confins da terra", "fazei discipulos", "batizando-os em nome do pai, e do Filho e do Espírito Santo". 

De que Evangelho ou comissão Ele está a fazer referência ao utilizar estes termos?

Ele pode estar certamente a falar do Evangelho do Reino nestes textos, mas certamente que os termos específicos que vemos em cima, dizem respeito ao Evangelho da Igreja.

O Evangelho do Reino de Deus é eterno, e já aparece revelado no Antigo Testamento, e as Escrituras revelam que Jesus virá estabelecer durante 1000 anos o Reino de Deus na terra depois da Igreja ter sido arrebatada, momento em que Ele reinará em Jerusalém. 

O Evangelho da Igreja, que não tem sm primeiro lugar um alvo terreno, de estabelecer o Reino de Deus na terra, tomando o lugar das estruturas sociais terrenas, mas é no entanto parte integrante do Evangelho do Reino. O primeiro alvo do Evangelho da Igreja é de estabelecer espiritualmente o reino de Deus no coração daqueles que crerem em Jesus e formar o corpo universal de Cristo na terra, que a Bíblia chama de Igreja.

Portanto, todas as passagens nos Evangelhos referidas em cima, incluindo o capítulo um de Atos, falam de uma comissão que está ligada ao estabelecimento do Reino de Deus na terra sobre as estururas humanas e ao mesmo tempo fala de uma comissão que está ligada ao estabelecimento da Igreja de Cristo na terra. 

C. A relação entre o Reino de Deus o Evangelho e a Igreja de Cristo.

Na tentativa de procurar caracterizar a natureza do Reino de Deus e a natureza da Igreja de Cristo, para melhor compreendermos as suas diferenças e as suas ligações, teremos que dizer desde já alguma coisa sobre o Evangelho.

Afinal o que diz a Bíblia, sobre "o que é o Evangelho"?

Claro que não precisamos fazer essa pergunta como tendo dúvidas sobre o Evangelho – pois o Evangelho não muda. Mas o problema é que nós e os tempos mudamos e com o tempo pode mudar também a nossa maneira de entender o que diz a Bíblia sobre o Evangelho.

É por isso que vale a pena perguntar: o que entendemos por Evangelho?

Vamos ver 3 maneiras como as igrejas entendem o que é o Evangelho:

Primeiro, para alguns de tradição mais conservadora, a resposta é rápida: o Evangelho significa a proclamação da vinda, morte e ressurreição de Jesus Cristo, para dar o perdão dos pecados e consequentemente a vida eterna para os que disseram "sim" a Cristo. A única coisa que interessa é proclamar esta mensagem por toda Terra.

Segundo, para outros, o que interessa é o estabelecimento do Reino de Deus na Terra. Jesus veio estabelecer um tipo diferente de ordem social na Terra caracterizada por justiça, paz e reconciliação entre os homens. O que interessa é lutar por uma ordem política mais justa na Terra, com base nos principios enunciados na Bíblia.

Terceiro, para aqueles da tradição mais pentecostal e carismática, a resposta pode ser um pouco diferente: Jesus veio para que conhecêssemos o seu poder em nossa vida cotidiana. Não precisamos mais ser escravos dos nossos temores, vícios, doenças, pobreza e sofrimento. Jesus veio para acabar com tudo isto e dar-nos prosperidade não só espiritual, mas física e material.

Qual é o problema para haver tantas prespectivas sobre o que é o Evangelho?

Se realmente desejamos uma compreensão bíblica do Evangelho, a nossa definição precisa refletir o tipo de coisas que Jesus tinha em vista quando falava acerca do Evangelho.

Todas as vezes que Jesus falou do Evangelho, referiu-se também ao Reino de Deus. O Reino de Deus foi o assunto do primeiro sermão de Cristo (Marcos 1:14 e Mateus 4:23) - “pregando o Evangelho do Reino”.

Notem que não diz “pregando o Evangelho da Igreja”!? Nem podia dizer, pois nem havia ainda Igreja nessa altura, mas já o Reino de Deus existia, e Cristo revela que o Evangelho é em primeiro lugar e acima de tudo “o Evangelho do Reino de Deus”.

O tema por ele focado quando ministrou aos seus discípulos nos seus últimos quarenta dias sobre a Terra, em Atos 1:3, foi o Reino de Deus – “sendo visto por eles por espaço de 40 dias e falando do que respeita ao Reino de Deus”.

Jesus dizia que no Reino “reside a chave da compreensão de seu ensinamento” (Lucas 8:10).

No Sermão da Montanha, ele afirma que o “Reino de Deus é a primeira coisa que deveríamos procurar, e que tudo mais viria na seqüência” (Mateus 6:33).

A vinda do Reino é a primeira súplica a ser feita na prece que ele nos ensinou (Mateus 6:10). “venha a nós o Teu Reino ... assim na Terra ... como no céu”.

Jesus chegou a dizer que “este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo como testemunho a todas as nações, e então virá o fim” (Mateus 24:14).

Por tanto não podemos fazer uma separação entre o Evangelho e o Reino de Deus.

O Evangelho pertence ao Reino de Deus, o Evangelho é acima de tudo a proclamação dos princípios inerentes e designios eternos do Reino de Deus que é Eterno.

Se Jesus associa ao Evangelho a ideia do Reino de Deus, nós devemos fazer o mesmo. E isto coloca então em questão a compreensão que as igrejas têm do Evangelho, nomeadamente as três maneiras referidas em cima de compreender o Evangelho pelas as igrejas.

Vimos que para os primeiros o Evangelho do Reino fala do perdão dos pecados e da Vida Eterna, para os segundos o Evangelho do Reino faz apelo a uma ordem social diferente na Terra, para os terceiros o Evangelho do Reino de Deus fala de poder espiritual e restauração física e material que Deus quer dar aos crentes já aqui na Terra.

Os primeiros, profundamente interessado na verdade da Boas Novas, inclinam-se mais para a pregação, para o evangelho como palavra. Os segundos, interessados na questão social, chocados com o desprezo pela justiça que é notório em tantos crentes, inclinam-se para o Evangelho como obra social. Os terceiros preocupados com convicção de que os dons espirituais são para os nossos dias, inclinam-se muito para o evangelho como sinal.

Estão todos certos, pois estão a viver uma parte do Evangelho, mas estão todos errados também, pois estão a ignorar o Evangelho integral.

Porque o Evangelho integral inclui precisamente estas três vertentes:

· Evangelho-como-palavra compreende: pregação do Evangelho e acompanhamento das pessoas evangelizadas; discipulado, batismo e edificação dos convertidos; ensino da teologia cristã e envolvimento da Igreja em evangelismo e missões.

· Evangelho-como-obra significa trabalhar pelo bem-estar físico, social e psicológico do mundo que Deus criou.  

· Evangelho-como-sinal significa esperarmos que Deus, quando vivemos o Evangelho integral e o proclamamos ao Homem integral (inteiro) irá também agir sobrenaturalmente, podendo operar sempre que quiser sinais, prodígios e maravilhas, essas coisas que só Deus pode fazer.

O Evangelho integral que Jesus Cristo viveu e pregou na Terra, o Evangelho do Reino, é um Evangelho como palavra, Evangelho como obra e Evangelho como sinal.

Todos nós sabemos que a alma de uma pessoa é muito mais importante do que todo o resto, e que nesta tentativa de levarmos o Evangelho integral a uma pessoa, com o objectivo de responder a todas as suas necessidades como ser humano, não podemos esquecer, nunca, que o seu destino eterno está em jogo – o céu ou o inferno.

Por essa razão, quando a prioridade entra em questão, temos que dar prioridade ao Evangelho-como-Palavra.

No entanto, isto não quer dizer que vamos ignorar o Evangelho-como-obra e o Evangelho-como-sinal, pois o Evangelho integral do Reino é um Evangelho para o homem integral – espírito, alma e corpo, e as igrejas e os crentes devem refletir no seu viver esse Evangelho integral e proclamá-lo ao homem integral.

O livro de Tiago é um estímulo para os crentes dedicarem-se às obras de caridade. É neste livro que lemos o famoso versículo 1:27 “religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os ófãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção deste mundo.

Vale a pena ler outra vez o livro de Tiago.

Todo o Antigo Testamento está voltado para o “Evangelho das Obras”, e os profetas acusam constantemente o povo de Deus de viver de um ritualismo religioso sem as obras. Dai o famoso versículo em Oseias 6:6 “misericórdia quero e não sacrificio”.

Mateus, revela que durante o julgamento final, Deus irá basear em parte o seu julgamento “na base das obras feitas neste mundo, em relação aos estrangeiros, doentes, presos, famintos e nus”. Mateus 26:32-46

Depois vem o Evangelho como sinal, que diz respeito aos milagres que acompanham a proclamação do Evangelho.

Nota importante: Eu não estou aqui a falar das novas vagas sobre o Espírito Santo e que dão uma grande ênfase aos sinais, prodigios e maravilhas e que dizem que nós temos tanto poder para operar milagres e sinais iguais ou maiores do que os que Cristo e os apóstolos operaram. E alguns chegam mesmo a dizer que nenhum crente deve ficar doente ou pobre, pois Jesus já cravou todos os nossos pecados, enfermidades e maldições, só fica doente e pobre quem quiser, quem não tiver fé.

Eu não estou a falar deste Evangelho confuso.

Estou simplesmente a falar do Evangelho-como-sinal – ou seja, dos milagres e sinais que ainda hoje podem e devem acompanhar a proclamação do Evangelho, toda a proporção guardada.

Nós vemos na Bíblia que os sinais feitos pelo Senhor Jesus além de serem uma demonstração de compaixão eram também uma prova que Jesus era o Messias prometido cuja vinda seria acompanhada de sinais espantosos.

Por essa razão Jesus respondeu como vemos em baixo aos discipulos de João, que vieram perguntar se ele era o messias:

Mateus 11: 2-5 Tendo João, em sua prisão, ouvido falar das obras de Cristo, mandou-lhe dizer pelos seus discípulos: 3 Sois vós aquele que deve vir, ou devemos esperar por outro? 4 Respondeu-lhes Jesus: Ide e contai a João o que ouvistes e o que vistes: 5 os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, o Evangelho é anunciado aos pobres...

Podemos dizer o mesmo dos sinais feitos pelos Apóstolos, que faziam parte da missão única dos discipulos de Cristo que eram testemunhas oculares da sua morte e ressureição, foram os escritores do Novo Testamento e foram quem estabeleceu os fundamentos da Igreja.

O Evangelista S. Marcos nos informa que Jesus “escolheu doze homens - aos quais denominou apóstolos -, para que permanecessem ao seu lado, sendo depois por ele mesmo enviados a outras partes, a fim de que pregassem e tivessem autoridade de expulsar demônios” (Marcos 3:14-5) e também nos relata que “eles foram e pregaram exortando o povo ao arrependimento. Expulsaram então muitos demônios, ungiram com óleo a muitos enfermos e os curaram” (Marcos 6:12-13).

Há sem dúvidas algo de especial, único e extraordinários nos sinais feitos por Jesus e pelos seus discípulos. É por isso que não ouvimos falar em nossos dias de andar sobre as águas, multiplicar os pães, ressuscitar os mortos, curar os paralíticos, leprosos e dar vista aos cegos. É errado querermos forçar e pensar que temos que copiar integralmente estes milagres em nossos dias.

Mas isto não quer dizer que o Evangelho-como-sinal acabou, pois Deus ainda hoje, sempre que quiser, opera milagres, sinais e prodigios e maravilhas.

Quando separamos o Evangelho, da Palavra, da Obra e do Sinal, a vida e a verdade do Evangelho perdem a sua força e valor. Por quê?

Porque nenhum destes três aspectos do Evangelho integral, separadamente, iguala o Evangelho na sua integridade.

O Reino de Deus é um convite a uma forma de relacionamento completo com Deus e com o nosso próximo, e não um simples programa de evangelismo, ou de acção social, ou uma estratégia de igreja ou a um mero apelo a guerra espiritual. É viver com o Cristo vivo nesta Terra, e procurar ser como Ele e fazer o que Ele fez.

Quando as igrejas perdem a visão do Evangelho do Reino de Deus, que é Integral, correm o risco de viverem uma meia-mensagem, salientando do Evangelho somente as verdades que lhes interessam para o seu crescimento imediato e local. O restante do Evangelho é excluido, pois viver e proclamar Todo Evangelho exige perseverança, tempo, dinheiro e muito amor. Viver e pregar o Evangelho integral custa, dói e exige muito sacrificio pessoal.

Nós não devemos ignorar nenhum dos três aspectos do Evangelho. Nunca perdendo de mente que o destino eterno das almas tem sempre a prioridade. Devemos também saber destacar o aspecto do Evangelho (qualquer deles) mais diretamente voltado para as necessidades da pessoa a quem damos o testemunho.

Se a pessoa tem fome da verdade, o melhor a oferecer-lhe rapidamente é a Palavra e falar-lhe da Obra Redentora de Cristo.

Se a pessoa sofre de pobreza material, mas se encontra ainda indiferente ao destino da sua alma, podemos logo de imediato oferecer-lhe o pão e a roupa. Ou se ela padece de injustiça e opressão, deveríamos oferecer-lhe um tipo de acção social que lhe satisfaça esta necessidade.

É claro que gradualmente e pacientemente vamos procurando arranjar oportunidades para ilucidá-la pela Palavra da sua pobreza espiritual e levá-la a Cristo.

Se a pessoa se sente angustiada, fisica ou emocionalmente doente, com relacionamento familiares quebrados, com problemas graves de comportamento, se sente apavorada pelos espíritos ou mesmo possessa, então o ponto de partida mais adequado será, provavelmente, orar para o poder de Deus se manifestar na pessoa e sobre as suas moléstias e mesmo sobre os espíritos que as atormentam e escravizam, buscando libertação para a pessoa, ao mesmo tempo que gradualmente e pacientemente vamos ilucidando as pessoas através da Palavra.

Desta forma o Evangelho integral começa aonde se encontram as pessoas, pode ser logo com a Palavra, ou simplesmente com a oferta de pão, roupas ou medicamentos, ou somente com uma visita, um abraço consolador ou uma oração de ilucidação e libertação.

E, assim, aos poucos, a necessidade e curiosidade das pessoas em relação a uma mudança radical do seu comportamento e ao destino eterno das suas almas vai aumentado, e chegará o dia em que estarão preparadas para ouvir o Evangelho-como-palavra e aceitar o Cristo vivo como Salvador e Redentor.

Mas sinto que devo terminar esta secção alertando para o seguinte:

Quando falamos da relação entre o Reino de Deus e o Evangelho, nunca podemos esquecer que Jesus comissiona a Igreja para ir pregar o Evangelho da salvação da alma - que é o Evangelho-como-palavra Lucas 24:47 - "E lhes disse: Está escrito que o Cristo haveria de sofrer e ressuscitar dos mortos no terceiro dia,  e que em seu nome seria pregado o arrependimento para perdão de pecados a todas as nações, começando por Jerusalém"

É claro que os outros conceitos que nos permitem formar uma definição de Evangelização Integral se encontram na Bíblia em geral, tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento.

Por isso é bíblico dizer que juntamente com a pregação do âmago do Evangelho que é pregar Cristo morto e ressucitado para nos salvar, que deve ocupar lugar central ter sempre prioridade na evangelização, nós também somos comissionados a pregar o Evangelho Reino de Deus.  

Vendo as coisas da perspectiva do Reino de Deus, isto nos permite formar uma definição de Evangelização Integral, pois vemos isto faldo tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento, pois já vemos que era prática da Igreja primitiva cuidar dos órfãos, viúvas e pobres; orar pelos doentes e pelos reis para haver paz e justiça na terra.

Era bom consultar o meu post sobre o Cristão e a Política, onde eu falo do Mandato Cultural.


Mas quando eu realço em cima que "quando falamos da realação do Reino de Deus e o Evangelho, nunca podemos esquecer que Jesus comissiona a Igreja para ir pregar o Evangelho da salvação da alma" - que é o Evangelho-como-palavra, é porque em nossos dias corremos o perigo de estarmos a dar uma ênfase demasiadamente grande ao Evangelho-como-obra e ao Evangelho-como-sinal e a diminuir a ênfase no Evangelho-como-palavra, que deve ocupar sempre lugar central na Evangelização e ser prioritário.

Ou seja, ouve-se falar muito de obra social e de sinais prodigios e maravilhas, mas menos do âmago do Evangelho que é a morte e ressureição de Cristo para nos salvar do Inferno e nos dar a Vida Eterna.

D. As nossas igrejas não são melhores do que as igrejas da Bíblia.

Lembro o que ficou referido no ponto 1. com esta frase em baixo:

“Desta forma, o lado terreno da igreja pode ser facilmente ser penetrado pelo secular, pelo profano e pode mesmo ser penetrada por Satanás”.

Os crentes caem muito no erro de pensar que a sua igreja é fora de série, a melhor, e não há nenhuma igreja tão boa como a deles? E daí podem concluir: a minha igreja!? Influenciada pela cultura humana, capaz de ser penetrada pela influência do secular, profano e até de Satanás? Nunca.

Se temos tanta presunção, devemos ler o que Apocalipse caps 2 e 3 diz sobre as 7 igrejas, utilizando os termos:

“perdeu o primeiro amor”, “alberga a sinagoga de Satanás no meio dela”, “alguns seguem a doutrina de Balaão”, “outros seguem a doutrina dos nicolaitas”, “alguns toleram Jezabel, mulher que se diz profetiza e conhecem as profundezas de satanás”, “alguns pensam que vivem, mas estão mortos”, “uma Igreja que tem pouca força”, “alguns não são frios, nem quentes, são mornos” etc

Teríamos que fazer um estudo profundo sobre todos estes termos e ver as lições que a nossa igreja pode aprender com estas 7 igrejas.

Mas, se pensarmos que as coisas negativas ditas sobre estas 7 igrejas, não dizem respeito à nossa igreja, então, deviamos ler I Corintios e ver se não há nada do que se passou naquela igreja que possa estar a passar na nossa igreja. “Algum fermento, alguma desordem, alguma meninice, alguma carnalidade, alguma prostitiuição”.

Se mesmo assim, não houver nada da igreja de Coríntios que diz respeito à nossa igreja, leiamos a carta aos Gálatas e Colossences e “ver se não há algum legalismo que reduziu o efeito da graça de Deus na nossa igreja”.

Podemos perguntar: o quê que está a nossa igreja a oferecer às pessoas? A Graça de Deus em toda a sua ‘completude’, ou uma ‘descompletude’ graça, misturada com regras, preconceitos, tradições e “preceitos e doutrinas segundo os homens” ?. Colossences 2:17-23

Devemos ler também Filipenses que fala da penetração de “alguns erros doutrinais”, da “desavença de duas irmãs” e onde os crentes são exortadas imitarem a Cristo. Colossences fala de uma “mistura de astrologia, judaismo com o cristianismo” e Tessalonicenses revela que os crentes “vivem confusos a respeito da segunda vinda de Cristo”.

Nada disto tem a haver com a nossa igreja?

Leiamos Tiago, que exorta os crentes a refrear a sua língua, a não fazer distinção de pessoas, a pôr em prática a verdadeira religião que é visitar os órfãos e as viúvas e haver obras a acompanhar a sua Fé, saber resistir às paixões do mundo e não seguir a sabedoria terrena e diabólica que julga os outros e cria divisões, mas antes seguir a sabedoria que vem do alto.

Penso que tudo isto revela que a igreja primitiva vivia influenciada pelo lado terreno, cultural, secular, profano, e mesmo diabólico, que também pode estar presente nas nossas igrejas, mais do que podemos estar a pensar.

Nós sabemos que “as portas do inferno não vão prevalecer contra a Igreja”, mas isto é simplesmente porque o Senhor Jesus, o Cabeça da Igreja fez-nos a promessa: “eu edificarei a minha Igreja”. O inferno vai sair derrotado, por causa do Seu sangue, porque ELE nos resgatou da maldição da lei, porque ELE triunfou na cruz sobre as potestades e principados. A vitória vem do Seu triunfo, e não de nós, nem da santidade ou espiritualidade da nossa igreja. Mateus 16:18 Gálatas 3:13, Colossences 2:15.

Tem sido sempre assim na história, onde vemos que a Igreja mesmo quando se instituicionaliza e satanás estabelece a sua sinagoga no meio dela, através de sucessivas reformas continua a sua marcha triunfante.

A Igreja marcha triunfantemente - mesmo quando a doutrina dos nicolaitas faz com que o clero passe a mandar na Igreja, e esta deixa de ser a Eklesia (congregação) de Jesus, um povo sacerdotal, onde todos os membros são iguais, a diferença está nas suas funções. Mesmo quando Jezabel estabelece-se como profetiza no seio da Igreja. Mesmo quando perde o seu primeiro amor, mesmo quando se torna morna, esfria, morre, ou é penetrada por toda a espécie de fermento, e cair mesmo na prostituição!

Deus levanta sempre homens e mulheres que com uma visão renovada, santa, crentes reformados que continuam a marcha vitoriosa da Igreja pela história fora.

Mas, nunca devemos pensar que a nossa igreja é uma “super Igreja”. Nós não somos, de certeza, melhores do que os outros que um dia também pensaram que eram “super-crentes”, mas sucumbiram. O orgulho procedeu a sua queda. Provérbios 16:18

Devemos vigiar e orar a todo o tempo, como o Senhor nos ensina “venha a nós o Teu Reino”.

Infelizmente a igreja com o passar dos tempos, perde o julgamento sobre si própria, já não consegue enxergar a sua fragilidade diante dos ataques do mundo e de satanás e cai no orgulho pensando ser muito forte, perfeita, melhor do que os outros.

Mas quando os crentes despertam e pedem a Deus para o Seu Reino crescer dentro dos seus corações, então conhecerão a vitória sobre o secular, sobre o profano, sobre o mundano e sobre o diabólico. Os crentes são vitoriosos quando deixam Deus reinar, e não forçosamente as regras e estratégias impregnadas pelo pecado das suas igrejas a reinar.

No final deste estudo iremos falar nestes princípios do Reino de Deus. Continue a ler e compreender as diferenças que existem entre a Igreja e o Reino de Deus.

E. Muita ênfase na igreja local/denominicional prejudica o Reino de Deus.

Um ensinamento bíblico e sólido sobre a Igreja local é vital para os membros serem edificados e poderem desempenhar cada um a sua função na Igreja Corpo vivo de Cristo, exercitando assim os seus dons, ofícios e serviços para a expansão e a extensão da igreja. Efésios 4:9-16, I Corintios 12, Romanos 12.

A Igreja Universal de Cristo nunca poderá crescer como deve ser, se as igrejas locais não crescerem como deve ser segundo o padrão estabelecido pelo Novo Testamento com os Apóstolos, Profetas, Evangelistas, Pastores e Doutores a edificarem cada um dos membros para poderem desempenhar a sua função.

Alguns acreditam que os Apóstolos e Profetas da Igreja têm exctamente a mesma função, poder e autoridade que os Apóstolos de Cristo e os Profetas de Deus que escreveram a Bíblia e puseram o fundamento da Igreja, mas eu acho que não. Eu acho que hoje ainda existem Apóstolos e Profetas, mas como uma função, poder e autoridade diferente. Eu trato deste assunto noutra parte do meu blogue.

O assunto desta secção é, no entanto, mostar que uma concepção muito fechada de Igreja local ou denominicional, pode excluir em parte a visão de Igreja Universal, da Grande Comissão de Cristo e também a visão de Reino de Deus.

Se é verdade que as Igrejas históricas perderam o contacto com o mundo, pois não adaptaram o seu formato e a suas metodologias aos tempos, elas incluiam contudo na sua Teologia, uma visão da Obra de Cristo em todo o mundo e de Reino de Deus. Fazem parte destas Igrejas históricas, as grandes Igrejas Protestantes provenientes da reforma assim como os movimentos mais recentes que deram inicio as Igrejas Baptistas, as Assembleia dos irmãos e as Assembleias de Deus, que até ao século passado entraram em todos os continentes e países.

As Igrejas contemporâneas, com cento e tal anos de existência, muitas delas de tendência pentecostal ou carismática, mudaram de formato e de metodologias para se adaptarem melhor ao mundo que nos rodeia, conseguindo atingir com mais facilidade as pessoas em geral dentro das sociedades actuais.

No entanto, estas Igrejas modernas, apesar de darem mais valor ao lado emocional e cultural do homem, descuraram o seu conhecimento biblico, e caíram numa visão muito estreita de Igreja, dando demasiada ênfase à sua própria igreja local ou a sua própria Denominacão, tudo gira a volta disto, reduzindo desta forma a visão de Igreja Universal, da Grande Comissão e do Reino de Deus.

Muitas destas Igrejas não cooperam como o corpo Universal de Cristo e, por exemplo, todo o dinheiro dos crentes têm que ser entregue aos líderes das Igrejas. Ninguém pode apoiar outra obra, tudo passa pela Igreja, que enriquece, crescendo para dentro, não para fora, especialmente, não para fora das suas fronteiras culturais.

Normalmente, algumas “megas” igrejas e alguns grupos modernos de igrejas, nascem deste concepção estreita. São Igrejas que estão a crescer localmente com a vinda de crentes que deixam as suas Igrejas e aderem a estas igrejas seduzidos pelo espectacular e pelo emocional.

Mas, no fundo, embora hajam conversões, vemos que estas igrejas não estão a levar o Evangelho aos perdidos e aos locais aonde o Evangelho ainda não foi pregado tal como a Bíblia nos ordena, ir por todo os cantinhos da Terra, dando prioridades aos menos privilegiados, pregando o Evangelho de Cristo.

Além disso, vemos hoje muitas igrejas locais, ou familias de igrejas, cada uma com um nome muito particular, criando ainda mais divisão no corpo de Cristo, impedindo uma cooperação conjunta da Igreja Universal em prol da conquista de todo o mundo para Cristo. Muitos destes grupos ou igrejas actuais são governados por um Pastor, às vezes reconhecido como um Apóstolo, que do topo da organizacão domina e dirige completamente a vida desse tipo de igreja ou denominacão. O que ele diz “é Bíblia”.

Isto dificulta muito a expansão do Reino de Deus por todo o mundo, que só pode acontecer através da obediência de uma igreja que coloca os perdidos e os não alcançados no topo das suas prioridades, e não os interesses locais da Igreja ou da denominação.


F. Os principios do Reino na Terra e as diversas Instituições.

Antes de falar deste assunto, devo salientar que não sou um seguidor das doutrinas sobre a Teologia do Reino e muito menos sobre a Teologia do Reino "Agora" ou da Teologia do Dominio. Isto porque eu não creio que o Reino de Deus vai ser estabelecido sobre as estruturas terrenas como estas teologias advogam, dizendo que através da Igreja o Reino de Deus vai governar a Terra e atestam mesmo que os crentes não deviamm conhecer a doença, nem a pobreza. Os crentes já são "principes" nesta Terra!

Segundo a compreensão que tenho das Escrituras, o Reino de Deus vai ser estabelecido na Terra, tomando se assim posso dizer o "Governo da Terra" quando Cristo voltar na sua segunda vinda. Eu acredito que os 1000 anos, ou o "milênio" falado no Apocalipse faz referência ao Reino de Cristo na Terra, quando Ele voltar e reinar 1000 anos na terra, e os crentes vão reinar com Ele, como reis e sacerdotes. Eu acredito que a Igreja vai ser arrebatada e depois voltar com Cristo para reinar com Ele na Terra.

Mas Deus quer já estabelecer "Agora" alguns princípios eternos ligados com o Seu amor e da Sua Justiça no coração dos crentes, e Ele faz isto através da Igreja. Quando estes princípios eternos do Reino de Deus, ligados com o seu amor, bondade, retidão, justiça, são pela Obra Redentora de Cristo estabelecidos na vida dos crentes de uma determinada sociedade e cultura, é claro que nós já vemos alguns efeitos visíveis do Reino de Deus nessa tal sociedade e cultura, pois a vida dos crentes vai ter uma certa influência à sua volta.

Portanto, o Reino de Deus só vai ser estabelecido em completo mais tarde, mas Deus estabelece já alguns dos princípios do Reino, e para isto Ele utiliza diversas agências.

Mas a agência principal é a Igreja que é o corpo de Cristo, é a noiva de Cristo na Terra.

Efésios 5:25 Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela 27 para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito. 29 Porque ninguém jamais odiou a própria carne; antes, a alimenta e dela cuida, como também Cristo o faz com a igreja; Como, porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido. 29 Porque ninguém jamais odiou a própria carne; antes, a alimenta e dela cuida, como também Cristo o faz com a igreja; 32 Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja

Não é preciso ler mais textos, para ver como a Igreja é tão preciosa para Jesus. É a sua noiva na Terra e, um dia, será a Sua esposa no céu.

A igreja tem uma posição muito grande e privilegiada neste propósito de Deus estabelecer já alguns dos princípios do Reino eterno d eDeus na Terra.

Mas, devemos compreender que Igreja não é a única pedra em jogo neste tabuleiro, há outras pedras no tabuleiro.

Po isso,  a Igreja ão é a única instituição/poder estabelecida por Deus no céu e na terra, pois há outras instituições/poderes nos céus e na terra que Deus utiliza para estabelecer os propósitos do Seu Reino eterno na Terra e no Céu.

Vejamos algumas destas outras pedras/instituições/poderes do tabuleiro de Deus:

1) Os anjos que além das suas funções nos céus, têm funções na terra.

Salmos 104:4 Fazes a teus anjos ventos e a teus ministros, labaredas de fogo.

2) O povo de Israel, que teve e ainda terá um função a desempenhar neste propósito eterno de Deus, de estabelecer o Seu Reino na Terra e no Céu.

3) Autoridades/governos estabelecidas por Deus, que são uma espada contra o mal, e por quem devemos orar para que estabeleçam duas colunas da manifestação do Reino de Deus na terra - a justiça e paz

Romanos 14:4 visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal.

4) Instituições e obras de caridade – algumas de carácter cristão, outras de carácter secular e mesmo governamental.

5) Organizações para-eclisiásticas cristãs e associações seculares que de uma forma ou de outra Deus utiliza para ajudar a estabelecer o Seu Reino na terra.

6) E a célula mais imporante de todas - as famílias humans.

6) Pense noutros aspectos que Deus poderá utilizar para este fim.

Vemos que há muitas pedras em jogo no tabuleiro de Deus, nesta Sua activididade de estabelecer o Seu Reino nos Céus e na Terra. A Igreja é somente uma delas, talvez a mais importante, pois a Bíblia revela a Igreja como sendo a expressão mais visível da manifestação do Reino de Deus na Terra.

No entanto pelo que já falámos em cima, vemos que a igreja, noiva de Cristo, não é perfeita. Cristo tem o trabalho de alimentar e purificar a sua noiva terrestre, para a apresentar ao Seu Pai, cuidada, submissa, sem ruga e sem mácula.

Portanto se a Igreja quer de facto ajudar para que a manifestação do Reino de Deus seja cada vez maior na Terra até que a 'completude' do Reino de Deus venha, terá que se tornar mais e mais imaculada.

Por essa razão, neste estudo, eu estou a procurar apresentar alguns factores que nos poderão ajudar a investir em aspectos fracos e vulneráveis da Igreja, afim de se tornar cada vez mais esta noiva imaculada a quem Cristo tanto ama, tendo dado a Sua Vida por ela.


I I. AS DIFERENÇAS ENTRE O REINO DE DEUS E A IGREJA

Há uma grande confusão entre o que é o Reino e o que é a Igreja. Muitos pensam que o Reino de Deus diz unicamente respeito à Igreja de Cristo, mas de facto não é isto o que a Biblia ensina.

Embora alguns estudiosos achem que não existe nenhuma diferença entre o Reino de Deus e a Igreja de Cristo, a Biblia revela que são duas coisas diferentes, embora possam estar ligadas em alguns aspectos.

Para os crentes poderem desempenhar efectivamente a sua missão na Terra, eles devem conhecer muito bem as diferenças entre os dois.

A. Natureza do Reino de Deus

O Reino de Deus diz respeito ao governo soberano de Deus sobre todas as coisas que foram criadas por ELE. Isto inclui todas as coisas nos céus e na terra, anjos e homens, e outras coisas que possamos desconhecer, e estão submetidas ao Seu governo. O Reino de Deus diz respeito a TUDO e ao TODO criado por Deus e sobre o qual ELE governa.

Salmos 103:19 Nos céus, estabeleceu o SENHOR o seu trono, e o seu reino domina sobre tudo.

Daniel 4:3 Quão grandes são os seus sinais, e quão poderosas, as suas maravilhas! O Seu Reino é reino sempiterno, e o Seu Domínio, de geração em geração.

B. A Natureza da Igreja de Cristo

A palavra Igreja vem da palavra grega “Assembleia”. A Igreja diz respeito ao conjunto dos homens que nasceram de novo, ao povo de Deus redimido na terra através da obra de Cristo.

No entanto, apesar de ter o lado celestial, como é uma Assembleia composta de pessoas que ainda vivem na Terra, a Igreja pode facilmente ser influenciada pelo mundo e pelo pecado.

Em alguns textos a Biblia faz referência a uma assembleia universal – a Igreja Universal de Cristo, noutros a Biblia faz referência a uma assembleia local – a Igreja Local de Cristo.


I I I. AS DIFERENÇAS APRESENTADAS NOS EVANGELHOS

A. Sobre a Igreja

Nós encontramos somente três lugares em todo o Novo Testamento onde o Senhor Jesus fala da Igreja. Uma vez em Mateus 16:18 e duas vezes Mateus 18:17

Mateus 16:18 Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

Mateus 18:7 E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano

No primeiro texto Jesus faz a referência a Igreja Universal, e no segundo texto ele faz referência a Igreja local. Tanto a Igreja Universal como a local são temporais.

Não encontramos qualquer menção sobre a Igreja nos evangelhos de Marcos, Lucas e João.

B. Sobre o Reino de Deus

No entanto nos 4 Evangelhos encontramos 120 menções do Senhor Jesus sobre o Reino de Deus, ou o Reino dos Céus.

Se lermos estes 120 versículos, concluiremos que muitos aspectos citados nestes versiculos, não dizem respeito à Igreja, mas a um Reino maior, mais abrangente que inclui o governo de Deus sobre todas as coisas, na Terra e no Céu.

Mateus 6:10 Venha a nós o Teu Reino, seja feita a Tua vontade assim na Terra como no Céu.

Marcos 14:25 Em verdade vos digo que jamais beberei do fruto da videira, até àquele dia em que o hei de beber, de novo, no Reino de Deus.

Vemos portanto a grande importância que Jesus colocou no Reino de Deus, afirmando que aqueles que aceitarem o Reino de Deus, receberão as bençãos de Deus.

Uma pessoa pode pertencer à Igreja e não viver os principios do Reino de Deus, se a sua vida não for governada por Deus. Infelizmente muitos crentes não deixam as suas vidas serem totalmente governadas por Deus.

As nossas vidas tem que estar completamente submetidas a Deus, para vivermos debaixo dos principios do Reino de Deus.

É preciso que os crentes compreendam esta grande verdade.

Deus não pode reinar sobre uma pessoa, mesmo sendo um crente, que não se quer submeter completamente ao Seu Governo.

Uma pessoa que aceita Jesus Cristo, pode ser batizada pelo Espirito Santo e passar a pertencer ao corpo de Cristo, à Igreja Universal, ter uma igreja local, mas se não submeter a sua vida completamente ao governo de Deus, ela não viverá debaixo dos principios do Reino e nunca ajudará o Reino de Deus a crescer neste mundo, da forma como Deus quer.

Mas temos que também compreender que Deus não quer só reinar sobre a "pessoa", Deus quer também reinar sobre a "terra". Foi também para isto que Cristo veio, para ser o Rei dos Judeus, o Rei sobre a Terra.

Mas Cristo foi rejeitado, e cruxificado. Somente que isto tudo já fazia parte dos planos de Deus, que queria através da Obra Redentora de Cristo, redimir um povo para si - a Igreja - contituída por pessoas de todas as línguas e nações da Terra.

Entretanto, não há Reino na terra, sem Rei. Mas, quando Cristo voltar, o Senhor dos Senhores e o Rei dos Reis, Ele estabelecerá do Reino de Deus na Terra por 1000 anos e depois nos céus para sempre.


I V. O REINO DE DEUS NO ANTIGO E NO NOVO TESTAMENTO

O Reino de Deus é eterno, existe desde toda a eternidade, pois Deus é Eterno e reina desde toda a eternidade como diz Daniel 4:3 O Seu Reino é sempiterno.

Portanto o Seu Reino existiu, existe e existirá para Sempre.

No que diz respeito à Terra, o Reino de Deus se manifestou no Antigo Testamento através da linhagem messiânica que jà vinha desde Adão, passando pelos Patriarcas que deram início ao povo de Israel, e essa linhagem continuou ate a vinda de Jesus Cristo, o messias prometido.

Jesus Cristo, o messias, cumpre todas as profecias ao seu respeito, morrendo e ressuscitando dando início à Igreja - corpo vivo de Cristo na terra.

A. A manifestação do Reino de Deus no Antigo Testamento

No que diz respeito a manifestação do Reino na Terra, nós podemos dizer que o Reino de Deus veio (no Antigo Testamento), está a vir (durante o Novo Testamento) e virá com a segunda vinda de Cristo, altura em que Cristo reinará durante 1000 anos na terra.

Através da linhagem que vinha desde Adão e que deu mais tarde inicio ao povo de Israel, Deus deu os 10 mandamentos à humanidade e através dos 10 mandamentos Deus revelou a base legal do Seu Reino, que deveria regulamentar o relacionamento entre o homem e Deus, e entre o homem e o seu semelhante.

A base legal do Reino de Deus na Terra foi também revelada através dos oráculos que ele comunicou aos homens através dos profetas, sacerdotes e outros servos de Deus.

Portanto, vemos que os principios e estatutos do Reino de Deus já existiam muito antes de existir o Evangelho da Igreja.

Estes Estatutos foram entregues no Antigo Testamento a todos aqueles que se submeteram completamente ao Seu Governo Soberano, pelo concerto que Deus estabeleceu com Abraão, Isaque e Jacó e mais tarde através das leis mosaicas e criação da Nação de Israel.

Deus destinou a Nação de Israel para ser uma Nação sacerdotal, e incumbiu-lhes a responsabilidade de espalhar os Estatutos do Reino às outras Nações, numa tentativa de implantanção já naquela altura de alguns princípios do Reino de Deus na Terra.

Exodos 19:6 vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel.

Salmos 62:1 Aclamai a Deus, toda a terra. Salmodiai a glória do seu nome, dai glória ao seu louvor

Mas, como vemos na Bíblia, a Nação de Israel em vez de influenciar as Nações, deixou-se seduzir pelos seus costumes e deuses. Deus enviou profetas, uns atrás dos outros, para chamarem-na ao arrependimento e pronunciaram castigos severos contra eles, se Israel não abandonasse os pecados.

Ezequiel 5:6 Ela, porém, se rebelou contra os meus juízos, praticando o mal mais do que as nações e transgredindo os meus estatutos mais do que as terras que estão ao redor dela; porque rejeitaram os meus juízos e não andaram nos meus estatutos

Malaquias 3:7 Desde os dias de vossos pais, vos desviastes dos meus estatutos e não os guardastes; tornai-vos para mim, e eu me tornarei para vós outros, diz o SENHOR dos Exércitos; mas vós dizeis: Em que havemos de tornar?

No entanto, apesar da desobediência, Israel é o povo eleito de Deus, no Antigo Testamento, através do qual Deus continuou a manifestar os principios do Seu Reino na Terra, principios esses, já revelados em parte aos Patriarcas Abraão, Isaque e Jacó.

Portanto a eleição de Israel é irrevocável, há muitas promessas sobre a sua restauração futura, quando então o reino de Deus será completamente estabelecido na terra pelo Rei dos Reis, Senhor dos Senhors, o Senhor Jesus Cristo na sua segunda vinda.

Há no entanto estudiosos bíblicos que não subscrevem a doutrina da restauração da Nação de Israel e seguem a chamada “Fulfillement Theology”, uma doutrina da Fé reformada, em que acham que todas as promessas feita no Antigo Testamento sobre a restauração da Nação de Israel são cumpridas na Igreja. A Igreja é o Israel celestial.

Com todo o respeito por esta posição e estando consciente que é só no além que iremos saber quem é que estava mais certo, eu creio, no entanto, que devemos tomar literalmente as profecias feitas a Israel e não ver o seu cumprimento na Igreja.

Penso que Romanos 11, e especialmente os v25-36 é muito claro sobre a salvação de todo o povo de Israel, como Nação.

E passagens am Zacarias 8 a 13, Isaias 60 a 62, Ezequiel 34 a 37, Deuteronómio 28 a 30, assim como em Apocalipse, e muitas outras, revelam que quando o plano redentor de Deus para os gentios se tiver concretizado, Deus cumprirá todas as promessas feitas ao povo da Antiga Aliança, que ainda não foram cumpridas.

Estas promessas feitas a Abraão, com quem Deus fez uma aliança perpétua, confirmadas depois directamente a Israel, serão cumpridas na altura do Milênio, depois do Arrebatamento da Igreja. Nessa altura haverá uma manifestação massiva do Reino Eterno de Deus em toda a terra, em que Jesus reinará sobre a Terra por 1000 anos.

A aliança entre Deus e Moisés, na altura em que Deus deu a Lei Moisaica ao povo, foi em parte quebrada pelo povo ao desobedecerem aos mandamentos, era uma aliança condicional.

Mas a aliança feita entre Deus e Abraão, que é sinalizada pelo corte do prepúcio, que diz respeito a Israel, pois Deus disse “Far-te-ei uma grande Nação”, e diz respeito também à Igreja quando diz “e em ti serão benditas todas as familias da terra”, esta aliança é incondicional, não pode ser quebrada.

Na aliança feita com Abraão, quando Deus lhe apareceu mais vez, confirmando as promessas, mudando-lhe o nome para ABRAÃO, prometeu que lhe daria perpetuamente a terra das suas perigrinações.
Gênesis 17:1-8

DAR-TE-EI E À TUA DESCENDÊNCIA A TERRA DAS TUAS PEREGRINAÇÕES, TODA A TERRA DE CANAÃ, EM POSSESSÃO PERPÉTUA, E SEREI O SEU DEUS.

É devido a esta aliança e promessa que estamos ainda hoje a assistir ao conflito na Palestina, pois os judeus não querem largar a sua possessão perpétua dada por Deus.

Deus tem um concerto com um povo terreno, Israel, e um concerto com um povo celestial, a Igreja, baseado na aliança feita com Abraão, Isaque e Jacó. Logo, Deus irá cumprir todas as promessas feitas a estes dois povos, incluindo as promessas da futura restauração de Israel.

Por essa razão, a maior parte do mundo evangélico acredita que Cristo primeiramente arrebatará a Igreja, e depois de alguns anos de Tribulação na terra, dar-se-á a Sua segunda vinda, em que Cristo estabelecerá o Reino de Deus na terra - o Reino Milenar de Cristo, com capital em Jerusalém. Depois seguir-se-á o Julgamento final, e finalmente o Reino de Deus será estabelecido nos novos céus e na nova Terra onde os crentes irão habitar.

Apocalipse 20:4 E Reinaram com Cristo durante 1000 anos.

A Teologia do Reino que ensina que a Igreja vai ter dominio sobre o mundo, e que já não vai haver mais doença, pobreza, maldições e tentações sobre os crentes, não tem bases bíblicas.

Estas Teologias do Reino de Deus revogam que quando o Reino de Deus invade a terra, deixa de haver doença, pobreza, maldições, satanaz é completamente destituido do seu poder e os crentes passam a viver muito bem e devem gozar das bençãos materiais que o Reino de Deus traz, ensinando que Igreja passará a ser dominante na terra.

Há doutrinas que são mais moderadas e não dão abertura para algumas heresias mencionadas no parágrafo anterior. As que nromalmente ensinam tais heresias estão muito associadas às doutrinas da terceira vaga e do Evangelho da Prosperidade.

No entanto, a Bíblia parece indicar que Deus não estabelecerá completamente o Seu Reino sobre a Terra através da Igreja. A Igreja é sempre revelada nas escrituras, vivendo debaixo de perseguição e sofrimento, que vai piorar no final dos tempos com o aumento da iniquidade.

Sobre a vinda do Reino de Deus à Terra, o Reino de Deus só terá dominio na terra quando o sucessor de Davi o Senhor Jesus Cristo voltar e reinar 1000 anos na terra, com uma vara de ferro. Nessa altura, a Bíblia diz que satanás será amarrado por 1000 anos. Apocalipse 20:1-6

Isto acontecerá quando na altura da primeira ressureição a Igreja for arrebatada e voltar a seguir com o Senhor Jesus dos céus para reinarem com Ele na terra durante 1000 anos. I Tessalonicenses 4:13-18, I Corintios 15:50-52, Mateus 24:30-31

Os profetas deixaram ao povo de Isarel muitas promessas ligadas a uma restauração final do povo de Israel, que parece não terem ainda sido cumpridas.

Atos 15:16 Cumpridas estas coisas, voltarei e reedificarei o tabernáculo caído de Davi; e, levantando-o de suas ruínas, restaurá-lo-ei

Apocalipse 12:5 Nasceu-lhe, pois, um filho varão, que há de reger todas as nações com cetro de ferro. E o seu filho foi arrebatado para Deus até ao seu trono.

Apocalipse 20:6 Serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele os mil anos.

Atos 1:6-7 Perguntaram-lhe dizendo: Senhor restaurarás tu neste tempo o reino de Israel: E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos e as estações que o Pai estabeleceu pelo Seu próprio poder

Portanto o reino de Deus, eterno, manifestou-se na terra pela primeira vez através dos patriarcas que deram o início à nação de Israel. Através dos 10 mandamentos, Deus coloca a base legal do seu Reino da Terra, que ainda está hoje em vigor, embora do ponto salvacional ninguém possa ser salvo pela observação da Lei, antes pela contrário a Lei revela o pecado, a incapacidade do homem agradar a Deus.

Desta forma, Cristo se manifestou e pela sua Obra redentora oferece salvação a todos os homens e através do Seu Espírito continua a estabelecer agora de uma forma mais Universal o Reino de Deus na Terra, pela implantação da Sua Igreja.

No entanto a acção de Deus, na tentativa de estabelecer o Seu Reino de justiça e paz na Terra, nunca para, e continua paralelamente com o trabalho da Igreja.

A Igreja, mesmo quando erra e se desvia, não trava a acção de Deus na Terra, com vista à implantação do Seu Reino, pois o Reino de Deus sempre foi e será sempre maior e mais abrangente do que a Igreja.

Desta forma, quando a Igreja terminar o seu trabalho na terra, que é de anunciar o Evangelho a todas as gentes, será retirada da cena mundial e Deus continuará o Seu plano de estabelecer o Seu Reino na Terra. Um Reino fala sempre de um Rei. Sem Rei na terra, não há Reino. Isto só acontecerá quando Jesus Cristo voltar e reinar na terra, em Jerusalém, a cidade santa, sobre todas as nações.

Desta forma todas as promessas dadas ao povo de Israel que ainda não foram cumpridas, serão cumpridas durante o Milênio.

Eu sei que os que super-enfatizam a vocação da Igreja, em prejudício do Reino de Deus, pensando que a Igreja é o Israel espiritual, que veio substituir completamente o povo de Israel, não concordam com este aspecto, mas tudo parece indicar nas Escrituras que assim será.

Nós vemos em Apocalipse que não há somente 12 anciãos à volta do Trono, há 24 anciões, que representam sem dúvidas estes dois povos – 12 deles, representam as pessoas ganhas através do Reino de Deus manifestado pelo povo de Israel antes e depois da Igreja, os outros 12 representam as pessoas ganhas pela Igreja.

Há ainda o povo que será ganho durante a Grande Tribulação, não através de Israel que ainda não está restabelecido na Terra, nem através da igreja que já foi arrebatada.

Durante a Grande Tribulação, também há uma manifestação especial do Reino de Deus na Terra, liderada pelas duas Testemunhas, as duas oliveiras.

B. A manifestação do Reino de Deus no Novo Testamento

Embora, o Reino de Deus exista desde toda a eternidade, e tenha já sido manifestado no Antigo Testamento de diversas maneiras, na vida de diversos servos de Deus, vemos que com a ascenção do Senhor Jesus aos céus, depois da sua morte e ressureição, o Reino de Deus se manifestou universalmente aos homens na Terra com a descida do Espírito de Deus sobre todos os homens, até aos confins do mundo, sem qualquer descriminação de raça, idade ou sexo.

Qualquer homem ou mulher, pode hoje entrar e passar a pertencer ao Reino de Deus, através do novo nascimento.

João 3:3 A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.

Torno a repetir, o Reino de Deus existiu desde sempre, existe hoje e existirá para sempre.

Também podemos dizer no que diz respeito ao estabelecimento do Reino de Deus na Terra, que o Reino de Deus veio (à Terra) com os Patriarcas e o povo de Israel, está a vir (à Terra) através da Igreja e virá (à Terra) quando Jesus voltar e estabelecer o Seu Reino Milenar com sede em Israel e capital em Jerusalém.

Mas, nós não precisamos de esperar o regresso de Cristo, pois podemos já entrar no Reino de Deus através do novo nascimento.

Os crentes deviam ter a visão de que quando se convertem e nascem de novo, eles passam a pertencer a Igreja Universal que fala da Assembleia global de todo o povo redimido por Deus, e passam a pertencer ao Reino de Deus que fala de toda a familia de Deus nos céus e na terra, e durante todas as Eternidades, que se deixam governar por Deus.


V. OS REINOS DO MUNDO FORAM ENTREGUES A SATANÁS

A. O Diabo tranca a sua casa para proteger os seus bens.

Um estudo profundo do livro de Apocalipse é talvez a melhor maneira de compreendermos que é só mesmo no futuro, como revela Apocalipse, que o Reino de Deus será completamente estabelecido sobre a terra.

Como podemos ler, por exemplo em Apocalipse 11:15-19 quando a sétima trombeta toca, dando começo às setes taças da ira de Deus lançadas sobre a terra, está dito "e houve nos céus grandes vozes, que diziam: Os reinos do mundo,  vieram a ser do nosso Senhor Jesus Crist, e ele reinará para todo o sempre"

Os reinos do mundo, que foram usurpados por satanás, de novo a estar de novo debaixo do control de Cristo. Cristo já venceu satanás na cruz, mas é a partir deste momento no futuro falado em Apocalipse que o reino do mundo será tirado das mãs de satanás e voltar para Cristo.

O livro de Apocalipse fala precisamente da derrota completa do deus deste século que usurpou os reinos deste mundo e do estabelecimento do reino de Cristo sobre este mundo por 1000 anos e que continuará pela eternidade fora.

O Reino de Deus não está em guerra com o Reino de Satanás.

Mas, a Bíblia revela que os reinos deste mundo foram entregues temporariamente ao Diabo. O diabo tem poder sobre os homens e as sociedades, e o seu alvo é afastar as pessoas de Deus.

Ele é apresentado como o “homem valente” que tranca a sua casa, de forma que os seus bens não lhe sejam tirados.

Mateus 12:29 Ou como pode alguém entrar na casa do valente e roubar-lhe os bens sem primeiro amarrá-lo? E, então, lhe saqueará a casa.

Marcos 3:27 Ninguém pode entrar na casa do valente para roubar-lhe os bens, sem primeiro amarrá-lo; e só então lhe saqueará a casa

Lucas 11: 21 Quando o valente, bem armado, guarda a sua própria casa, ficam em segurança todos os seus bens. 22 Sobrevindo, porém, um mais valente do que ele, vence-o, tira-lhe a armadura em que confiava e lhe divide os despojos.

Portanto há um conflito existente entre o Reino de Deus e o reino do diabo, das trevas. A Bíblia diz em Colossences 1:13 “Ele (Jesus) nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor”.

Nós devemos ter consciência que “o mundo inteiro jaz no maligno”.

As igrejas devem ter este aspecto em mente, se querem involver-se no Evangelho como sinal, na Batalha Espiritual contra os reinos das trevas, e saquear os bens (as almas) a satanás.

1 João 5: 18 “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado; antes, Aquele que nasceu de Deus o guarda, e o Maligno não lhe toca. 18 Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno”.

O Diabo, pode ainda tentar os crentes, mas já não tem poder arrancá-los do Reino de Deus. E, os crentes, podem vencê-lo completamente pela oração, sendo libertos de qualquer tentação e opressão que ele ainda possa exercer sobre nós; e pela evangelização podemos roubar-lhe os bens (as almas) que ele ainda tem em seu poder.

B. O poder temporário que o diabo tem neste mundo.

Analisemos alguns pontos que nos mostram que o diabo tem um certo poder neste mundo, que certamente lhe foi conferido por Deus.

Os reinos do mundo pertencem temporariamente ao diabo:

Lucas 4:6 Disse-lhe o diabo: Dar-te-ei toda esta autoridade e a glória destes reinos, porque ela me foi entregue, e a dou a quem eu quiser.

Satanás tem o seu reino dentro deste mundo:

Mateus 12:26 Se Satanás expele a Satanás, dividido está contra si mesmo; como, pois, subsistirá o seu reino?

Satanás tem poder neste mundo:

Atos 26:18 para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e do poder de Satanás para Deus ...

A morte é um dos poderes adquirido por Satanás:

Hebreus 2:14 Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo.

Caim era dominado pelo maligno:

João 3:12 não segundo Caim, que era do Maligno e assassinou a seu irmão; e por que o assassinou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas.

O mundo inteiro jaz no maligno:

1 João 5:19 Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno

O Diabo é o sedutor de todo o mundo:

Apocalipse 12:9 E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a terra, e, com ele, os seus anjos.

O objectivo de Deus, através do Evangelho do Reino que proclama o poder Redentor de Cristo, é regastar as almas do reino das trevas de satanás para o Seu Reino de Luz, e libertar também as sociedades e culturas da influência do pecado e do diabo, assim como operar miraculosamente através de sinais, prodigios e maravilhas, quando necessário, e Deus na sua Soberania entender, para quebrar o poder dos espíritos, moléstias e outros problemas desta vida que atormentam as pessoas.

Tenho que conlcuir este ponto deixando o alerta em baixo:

Nós não temos a mesma autoridade e poder para fazer milagres, sinais, prodigios e maravilhas que tinam os profetas da Bíblia e apóstolos de Cristo.

A missão profética e apostólica de colocar os fundamentos do Antigo Testamento e Novo Testamento é única. Heb 2:1-4

Hebreus 2.4 Testificando também Deus com eles, por sinais, e milagres, e várias maravilhas, e dons do Espírito Santo, distribuídos por sua vontade?”

Efésios 2:20-21Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que JESUS CRISTO É A PRINCIPAL PEDRA DA ESQUINA; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor.

A missão messiânica de Cristo e os sinais e milagres invulgares já profetizados no Antigo Testamento, que deveriam acompanhar e confirmar a sua missão é também única.

Não concordo também que como Cristo nos resgatou da maldição e tomou sobre eles todos os nossos pecados e enfermidades, os crentes serão curados de todas as doenças e libertados da pobreza.

É verdade que Cristo nos redimiu completamente corpo, alma e espirito, mas a Bíblia revela que ainda estamos à espera da redenção do nosso corpo que será somente no momento da ressureição.

Ver Rom 8:18-39

V23 e não só ela, mas até nós, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, aguardando a nossa adoração, a saber, a redenção do nosso corpo.

Também não concordo que o diabo é o autor da doença e da probreza e que só ficaremos doentes e pobres se não tivermos fé e ficarmos debaixo do poder do diabo.

A doença e a pobreza são em primeiro lugar resultados do pecado original e da maldição que Deus lançou sobre o homem por causa disso.

Ao dizer isto, sabemos que o diabo tem poder para poder infligir doenças às pessoas, dentro dos limites dados por Deus. Vemps no caso de Jó e foi mesmo o diabo que colocou o “espinho na carne” de Paulo.

É claro que se detectarmos uma doença ou até uma situação de probreza causada directamente pelo diabo, devemos orar pela libertação e cura da pessoa, ou pessoas em questão, crendo que Deus pode intervir.

Devemos também orar para a libertação e cura de situações que não estejam directamente ligadas ao diabo, mas isto não garante que iremos ver resultados, temos que nos submeter sempre à Soberania e aos planos de Deus que, às vezes, são misteriosos.


V I. ALGUNS ASPECTOS IMPERTINENTES SOBRE A IGREJA E O REINO

A. A Igreja não se confina a um Templo ou a uma denominação

A Igreja Universal não se confina ao local onde os crentes se encontram, o templo ou outro edificio. A Igreja é maior do que o local onde os crentes se reunem.

Se a Igreja Universal ou a Igreja local, só for do tamanho do edificio onde faz os seus cultos, não está a desempenhar a sua função na terra.

A Igreja é o conjunto das pessoas que pertencem a Cristo, que se encontram dentro de um Templo, ou na cela de uma prisão, ou na cama de um hospital, ou num local remoto e distante de tudo e de todos.

A igreja nasce onde o Evangelho chega através de um evangelista, folheto, rádio ou televisão, ou de um meio sobrenatural, e há pessoas que se convertem.

Faz parte da Igreja qualquer pessoa, nova ou velha, não importando qual seja a sua raça ou ideologia, mas que pertencem a Cristo, mesmo que por qualquer razão nunca tiveram a oportunidade de estar em comunhão com outros crentes ou com uma Igreja local organizada.

Portanto a Igreja é muito maior do que o Templo e do que todas as denominações cristãs juntas. A Igreja não é o Templo, nem a

Organização, mas sim o Corpo Universal das pessoas que pertencem a Jesus.

B. O Reino tem uma acção mais abrangente que a Igreja

O governo de Deus inclui o Seu governo e a sua Acção na Terra, procurando estabelecer entre os homens principios de justiça, equidade e de paz e promover a salvação das almas pela Obra Redentora de Cristo. Nessa Sua Acção, a Igreja deverá ser a Sua agência principal.

Mas, Deus, age também independentemente da Igreja, através do Seu Espirito sobre as estruturas sociais, politicas, culturais e humanas, procurando impor o seu Reino sobre os homens, ou fazendo que homens debaixo da sua imposição estabeleçam leis e princípios na Terra que estejam de acordo com o seu Reino.

Esta Sua acção espiritual é mais abrangente do que a acção da Igreja.

Portanto quando estamos a orar, segundo Timoteo 3, para os que estão eminência, para termos paz e justiça na Terra, estamos a orar para que os reis contribuam para que os principios de justiça, equidade e paz do Reino de Deus sejam estabelecidos na Terra.

I Timoteo 2:1-2 Façam orações em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito. Estamos a orar: Mateus 6:10 “venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu”.

As autoridades foram estabelecidas por Deus, afim de ajudar a estabelecer o Reino de Deus na terra, ou seja, para manterem uma ordem divina de justiça, no meio da sociedade civil e os homens não fazerem justiça pelas suas próprias mãos.

Romanos 13:1-13 Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela, isto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal.

Mateus 5:20 Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no Reino dos céus

Assim como a Igreja é maior do que o Templo ou a Denominação, a acção do Reino de Deus é mais abrangente do que as pessoas que fazem parte da Igreja, pois inclui a Sua Acção sobre todos os homens, incluindo mesmo imperadores, reis e presidentes, afim de que submetidos aos Seus Planos e Vontade, contribuam directa ou indirectamente para estabelecer os principios do Reino de Deus – Amor, Paz e Justiça – na terra.

Por exemplo, Deus chama a Nabocudonosor “o meu servo”.

Jeremias 27:6 Agora, eu entregarei todas estas terras ao poder de Nabucodonosor, rei da Babilônia, meu servo; e também lhe dei os animais do campo para que o sirvam.

Nabucodonosor também reconheceu o governo de Deus sobre tudo e todos, e engrandeceu e louvou a Deus.

Daniel 2:47 Disse o rei a Daniel: Certamente, o vosso Deus é o Deus dos deuses, e o Senhor dos reis, e o revelador de mistérios, pois pudeste revelar este mistério.

Daniel 4:37-38 Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, exalço e glorifico ao Rei do céu, porque todas as suas obras são verdadeiras, e os seus caminhos, justos, e pode humilhar aos que andam na soberba Mas ao fim daqueles dias, eu, Nabucodonosor, levantei os olhos ao céu, tornou-me a vir o entendimento, e eu bendisse o Altíssimo, e louvei, e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é sempiterno, e cujo reino é de geração em geração.

Quando um politico, mesmo descrente, ou muçulumano, decide estabelecer uma lei democrática, que vai permitir a liberdade do culto cristão no seu país, ele está, mesmo sem saber, a agir debaixo da Acção Soberana de Deus e a contribuir para o estabelecimento do Reino de Deus na terra e para o crescimento da Sua Igreja.

Por vezes, reparamos com tristeza que os descrentes lutam mais pelos principios de justiça, equidade e paz na Terra, e pelos direitos dos mais desprotegidos, do que a própria Igreja.

E vemos que Igreja que devia ser o agente principal do Reino de Deus, passa a ter um papel secundário na luta pela justiça, equidade e paz na Terra. E, outros agentes da sociedade civil, muitos vezes descrentes, passam a ter um papel primário nessa luta.

C. A Igreja tem um lado muito humano, secular e até profano.

A Igreja tem um lado espiritual, mas também um lado humano. O lado humano, condiciona muito vezes o lado espiritual da Igreja, ou seja os Objectivos que o Cabeça da Igreja – Jesus Cristo – tem para a mesma.

Desta forma, muitas vezes, por causa deste condicionamento humano, as igrejas locais e denominações caiem em erros, e até em enganos produzidos pelo diabo, que faz com que os seus membros fiquem marcados por certas características negativas.

Desta forma, infelizmente, muitas vezes, em vez de ser Deus e Cristo a reinar dentro das igrejas, reina a hipocrisia, o orgulho e o egoísmo.


Hipocrisia - notemos que não podemos chamar a um descrente de “hipócrita religioso”.

Um religioso hipócrita só pode ser um crente. Um crente que não vive segundo as virtudes que a Bíblia ensina, e, que ele próprio (o hipócrita) prega e ensina, mas não vive.


Orgulho – os crentes e as igrejas caem muitas vezes no legalismo e desprezam outros crentes, pensando ser superiores ou terem uma Igreja melhor.

Muitas vezes, infelizmente não vemos este tipo de orgulho no meio dos descrentes, que, podem até ser mais tolerantes e graciosos que os próprios crentes.

Egoismo - Os crentes e as igrejas, são, muitas vezes, muito mesquinhas e olham mais para os seu próprios interesses pessoais e locais do que para os interesses do Reino de Deus.


Rivalidade - As igrejas, devido ao seu lado terreno, não vivem unidas, pois, pretendendo ser as que mais fielmente seguem as Escrituras, marginalizam-se umas às outras, criando um ambiente de rivalidade a nível universal entre as diversas familias e grupos de igrejas.

Quando estas quatro características a Hipocrisa, o Orgulho, o Egoísmo e a Rivalidade prevalecem dentro das igrejas, perturbam os jovens, fazendo-as afastar da Igreja e dos ensinamentos bíblicos, aderindo a causas filantrópicas e políticas que parecem dar mais importância à implantação do Amor, paz e Justiça na Terra.

D. Os crentes vitoriosos são governados pelo Reino de Deus.

Para os crentes e as igrejas não cairem nestes pecados, principalmente o da hipocrisia, o orgulho, o egoísmo e a rivalidade, terão que estar debaixo do governo dos principios do Reino de Deus.

Terão que ter uma visão de Reino e não somente de igreja. Terão que abandonar a visão provinciana e muito limitada da sua igreja local ou da sua Denominação e abraçar a visão da Igreja Universal, o mandamento para espalhar a obra de Cristo em todo o mundo, seja o mandamento cultural e social de praticar a caridade, seja o mandamento de pregar o Evangelho das Boas Novas da salvação em Cristo.

E, além disso, devem ter uma visão completa sobre o Reino de Deus, do Seu governo eterno sobre todas as coisas e seres nos céus e na terra. Isto inclui uma unidade completa de toda a família de Deus, no céu e na terra.

Efesios 3:14-15 Por esta causa, me ponho de joelhos diante do Pai de quem toma o nome toda família, tanto no céu como sobre a terra,

O Reino de Deus, fala de uma família unida onde não há lugar para a hipocrisia, o orgulho, o egoismo e rivalidade. Os crentes que são governados por Deus, são pessoas que acima de tudo estão preocupados com o estabelecimento da verdade, da justiça e da paz de Deus sobre a terra, assim como com a salvação dos homens, independemente da suas raças, status e ideologias.

Mas, os crentes que são governados pelas regras e doutrinas das suas igrejas locais e denominicionais, estão mais preocupados com os interesses das suas igrejas e denominações. Normalmente os seus interesses vão pouco mais longe do que isso!!!

E. Conexão do Reino com movimentos para-eclisiásticos e sociais.

Muitos crentes tem objeções e ouvem-se comentários, como por exemplo: “os movimentos para-eclisiásticos” não fazem parte da igreja.

Primeiramente, devemos perguntar, quem faz tais comentários, a que igreja está a referir-se?

À sua igreja local ou denominacional?

Ou à Igreja Universal de Cristo?

Se estiver a referir-se à sua igreja local ou denominicional, é claro que estamos de acordo, pois um movimento para-eclisiástico, seja evangelístico, de apoio social cristão ou uma sociedade missionária, inclui uma cooperação entre membros pertencentes a diversas igrejas locais.

Portanto, um movimento para-eclisiástico, não pertence a uma igreja local, mas sim à Igreja Universal. É um movimento que surge a partir de uma accção combinada entre membros pertencentes a diversas igrejas locais, denominações e mesmo países.

Uma organização evangelísitica, de carácter social cristão ou missionário, é acima de tudo uma expressão do Reino de Deus na terra. Pode até ser um programa na terra que pertence acima de tudo ao Reino de Deus, e não ter nenhuma ligação directa com as igrejas locais e a até com própria Igreja Universal.

Dou um exemplo, agora, de um movimento social. Quando os crentes evangélicos, se juntam, com a Igreja protestante e católica, e mesmo até com pessoas com uma certa ideologia política, para apoiar o movimento do NÂO ao aborto, por acharem que o aborto é uma afronta aos direitos jurídicos dos nascituros, e também aos próprios estatutos divinos revelados nas Escrituras Sagradas.

É este envolvimento uma expressão de uma igreja, ou mesmo da Igreja Universal? Ou é acima de tudo, uma expressão dos principios do Reino de Deus, que inspiram certos crentes a unirem-se a todos os extractos da população, numa força conjunta para lutarem a favor de um direito social, que neste caso, é um atentado contra a vida humana defendida nas Escrituras?

Tudo isto para mostrar que a acção do Reino de Deus na Terra, como já foi falado anteriormente é maior, muito maior que a acção da Igreja, mesmo no sentido universal, e que pode envolver tanto crentes, como descrentes na luta pelo estabelicimento da justiça de Deus na Terra.

Por isto, pede em I Timoteo 2:1-2 Façam orações em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito.

Por isso, os magistrados, não são uma expressão da acção da Igreja, mas, sim, do Reino de Deus na Terra Romanos 13:1-13 Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela, isto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal.

Por isso, Deus, chamou a Nabocudonosor “o meu servo”.

Jeremias 27:6 Agora, eu entregarei todas estas terras ao poder de Nabucodonosor, rei da Babilônia, meu servo; e também lhe dei os animais do campo para que o sirvam.u

E, Nabucodonosor reconheceu a Soberania de Deus sobre as nações, a sua acção sobre a Terra, e, por esta razão, é digno de todo o louvor.

Daniel 2:47 Disse o rei a Daniel: Certamente, o vosso Deus é o Deus dos deuses, e o Senhor dos reis, e o revelador de mistérios, pois pudeste revelar este mistério.

Daniel 4:37-38 Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, exalço e glorifico ao Rei do céu, porque todas as suas obras são verdadeiras, e os seus caminhos, justos, e pode humilhar aos que andam na soberba Mas ao fim daqueles dias, eu, Nabucodonosor, levantei os olhos ao céu, tornou-me a vir o entendimento, e eu bendisse o Altíssimo, e louvei, e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é sempiterno, e cujo reino é de geração em geração.


V I I. IMPLICAÇÕES PRÁTICAS DA CONCEPÇÃO CORRECTA DE REINO E DE IGREJA

A. O reino de Deus pode tirar a noiva da igreja

Será que a noiva de Cristo está a abandonar a igreja? Posto isto por outras palavras: será que o Reino de Deus está a abandonar as chamadas comunidades cristãs e evangélicas?

Está a noiva de Cristo a deixar a igreja?
A razão para esta pergunta é porque nós vemos, cada vez mais, o seguinte no meio das Igrejas:

No seio das Igrejas tradicionais, nós vemos sinais de “excessivo legalismo”

No seio das Igrejas carismáticas, nós vemos sinais de “excessiva libertinagem”.

E nas Igrejas Evangélicas em geral, nós vemos sinais de grande “complacência para com o pecado” e abandono do "evangelismo, missões e da caridade”.

Tudo isto junto, está a fazer a noiva de Cristo abandonar as igrejas e a começar aparecer com formatos e objectivos completamente diferentes aos actuais.

Eu penso que nós já estamos a ver isto a acontecer em todo o mundo - estamos a ver a noiva de Cristo a deixar as Igrejas cristãs, incluindo as nossas comunidades evangélicas.

Não é de estranhar, pois as igrejas primitivas tinham um formato e objectivo muito diferente aos nossos.

Eram Igrejas com estruturas muito simples. A Igreja local “funcionava ao ar livre”, proclamando o Evangelho ao seu redor, as reuniões eram feitas nos “lares” ou às “escondidas noutros locais”.

Não conheceu denominações ou convenções, nem catedrais ou templos, nem apoios do Estado. No entanto alimentou as viúvas e os órfãos, pregou o evangelho tanto em Jerusalém, como na Judeia e até aos confins da terra e fez milagres por onde andou.

Diferença entre a Igreja primitiva e a actual...
Eu não estou a dizer com isso que é errado construirem-se catedrais e templos e as igrejas terem boas estruturas e receberem apoios do Estado.

Estou simplesmente a alertar para o facto da história revelar que as igrejas correm o risco de se desviarem dos princípios fundamentais do Reino de Deus quando atingem a fase da “instituicionalização” e começam a criar grandes estruturas.

Podemos olhar para o que aconteceu à Igreja Católica e à Igreja Protestante que nasceu da reforma e ver o que está a começar a acontecer com as Igrejas Evangélicas!

É por essa razão que vemos muitos crentes a abandonarem as igrejas. É fácil para nós dizer que “não há uma igreja perfeita” e colocarmos a culpa toda do lado destes crentes. Mas será a culpa deles, ou da Igreja que se desviou dos "princípios do Reino de Deus"?

É verdade que alguns são crentes complicados e talvez seja a culpa deles, mas há outros que andam simplesmente à procura de uma igreja que não seja “fria e legalista” como as igrejas tradicionais, nem “carismaníaco” fruto dos “movimentos reteté” que giram muito à volta da experiência, barulho, emocionalismo, sensibilidade, misticismo e aonde não há ordem, nem decência.

Será que estamos a precisar de uma nova reforma? Eu penso que sim.

A noiva de Cristo está a deixar aos poucos a igreja actual, mas surgirão cada vez mais crentes, frutos da nova reforma, que procurarão viver acima de tudo os principios do Reino de Deus na terra!!!

Estes novos crentes são diferentes.

Os novos crentes NÃO fazem o que estão fazendo os crente de hoje, em que uns gastam o tempo todo a pretenderem que estão a estudar a Bíblia, outros passam o tempo todo com as mãos levantadas nos seus lugares de culto, pretendendo que estão a adorar a Deus, mas sem nunca abrir a boca para falar de Cristo, ou levantar um dedo para ajudar alguém.

Os novos crentes NÃO vão cair nem no legalismo de uns, nem na libertinagem espiritual de outros, nem na complaçência para com o pecado e no abandono da evangelização e da caridade.

Afinal, não foi isso que fez o povo de Israel, e foram advertidos pelos profetas?


Vemos que o povo de Israel caiu neste erro de dar mais valor ao Templo e ao Judaísmo e de ser muito complacente para com o pecado daqueles dias, em vez de espalhar os principios do Reino de Deus à volta deles.

Leia Isaias 1:10-20, Jeremias 7:1-11, Ezequiel 33:30-35, Amós 5:21-25 e muitos outros textos do Antigo Testamento. O Senhor Jesus resumiu esta temática toda em Mateus 15:18 "Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim" e em Mateus 9:13 "Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício".

Os novos crentes não serão assim, nem iguais ao povo de Israel, nem aos crentes das Igrejas de hoje.

O principal objectivo dos novos crentes, que não se identificarão com o estado actual da Igreja dos nossos dias, será o de proclamar o Evangelho do Reino e da Igreja pelo mundo a fora, praticando a caridade, tal e qual como fez a Igreja primitiva, em vez de ficar dentro das “4 paredes” da igreja, girando à volta de si própria e ignorando o que se passa lá fora.

Se esta for a sua convição, que temos de orar e trabalhar mais para uma nova “reforma”, para uma nova “noiva”, mais pura, mais obediente, então, ore e trabalhe para a contrução do Reino de Deus na terra, e para que nós os crentes sejamos de facto o sal e a luz do mundo.

Deus está a levantar homens e mulheres crentes, uma noiva de Cristo, reformada e purificada, cujo o alvo principal é a implantação do Seu Reino na terra, do qual a Igreja é o principal agente.

... o seu dente de ouro, deve ser ofertado a nossa Igreja...
Eu não estou a falar dos movimentos da Terceira Vaga, Teologia do Reino ou do Evangelho da Prosperidade.

Estes movimentos pensam ser os tais reformadores da igreja, mas não passam de cristãos (muitos nem são cristãos) que seduzidos pelo diabo vieram complicar ainda mais a situação da verdadeira Reforma da Igreja, por causa da confusão que têm lançado no meio evangélico.

Também, não estou a desafiar ninguém a abandonar a sua igreja, mas sim a viver como um crente reformado, não legalista, não libertino, não complacente, mas dinâmico e santo e que luta para a implantação do Reino de Deus no mundo e na sua igreja.

No entanto se sentir que há muito abuso espiritual na sua Igreja, ore a Deus, peça orientação e observe os seguintes principios:

A nossa luta não deve ser para destruir a igreja actual.
A nossa luta não deve ser carnal contra a igreja actual.
A nossa luta não deve ser legalista contra a igreja actual.
A nossa luta deve ser feita para reformar a igreja actual.

O Senhor Jesus era mestre a lidar com as pessoas e sabia quando devia utilizar de graça e quando devia utilizar a verdade.

Nós devemos aprender a utilizar a graça e a verdade nos nossos relacionamentos, seja que decidamos ficar na nossa igreja, seja se decidirmos abandonar a nossa Igreja caso o abuso espiritual e o abandono de Deus, já tenha ultrapassado o limite do razoável.

B. As igrejas devem pôr em prática na Terra os principios do Reino de Deus

muitas Igrejas não põem em prática os princípios do Reino...
Infelizmente, muitas vezes, as igrejas esquecem de pôr em prática os princípios do Reino de Deus, pondo à frente as suas regras e principios que podem não ter nada a haver com as Escrituras Sagradas.

A Bíblia salienta claramente o mandato evangélico de pregar o Evangelho a toda a criatura que deve ser acompanhado pelo mandato bíblico cultural/social de ajudar os pobres e lutar pela justiça na Terra.

A acção cultural/social no meio dos pobres, dos quebrantados de coração, cativos, famintos, nus e doentes tem a prioridade nas Escrituras Sagradas, deve ser uma das prioridades da Igreja.

Mas as Escrituras revelam que a Grande Prioridade daa Igrejas devem ser todos aqueles que ainda não foram alcançados ainda pelo Evangelho de Cristo.

Pode ser um pequeno país, ou então uma pequena povoação ou pequena etenia ou tribo que normalmente vivem em pontos e localidade distantes e de difícil acesso ao Evangelho.

Vemos que muitas vezes estão-se a redobrar esforços e recursos nas zonas urbanas, com a finalidade de enriquecer as Igrejas nessas zonas, criar Igrejas grandes, mas que vivem voltadas para si próprias. Parte destes recursos deviam estar certamente a ser utilizados alcançar os grupos minoritários ainda não alcançados pelo Evangelho e para a caridade cristã.

Dou um único exemplo, no que diz respeito à evangelização: existem muitas centenas de traduções da Bíblia na língua inglesa, quando há ainda muitas línguas sem o Evangelho de S.João na sua língua.

A ordem de Cristo é de pregarmos o Evangelho a toda a criatura.

Marcos 16:15 Ide e pregai o Evangelho a toda a criatura.

Atos 1:8 Até aos confins da terra.

Mateus 24:14 E este Evangelho do Reino será pregado ... em testemunho a todas as gentes.

Apocalipse 14:6 E tinha o Evangelho ... para o proclamar a toda a nação, tribo, língua, e povo.

Uma Igreja que não esteja a colocar este grupo de pessoas como grupo prioritário na mira da sua evangelização, está a ignorar o mandato cultural de Deus e da Grande Comissão de Cristo.

Desta forma, as Igrejas seguindo a lei do mais forte e do mais rico, a lei de “marketing” dos políticos e dos capitalistas, ignoram os versículos da Grande Comissão espiritual de Cristo e o mandato cultural de apoiar o mais fraco e o mais pobre, e ignoram ainda seguintes versículos:

Mateus 25:31-40 que refere que os filhos do Reino alimentam os famintos, vestem os nus, visitam os doentes e nas prisões e fazem bem aos estrangeiros.

Isaias 61:1-3 que fala do ministério do Messias que é de prgar as boas novas aos pobres e mansos, restaurar os contritos, libertar os cativos e consolar os tristes.

Ezequiel 34 refere que os pastores infiéis não cuidam das ovelhas desgarradas, feridas, doentes e perdidas, pois só querem alimentar-se da gordura das ovelhas e não apascentar e cuidas das mesmas.

Tiago 1:27 refere que a verdadeira religiao é visitar os órfãos e viúvas nas suas tribulações.

Mateus 5:1-12, Nas bem aventuranças Jesus Cristo realça e salienta que os bem aventurados são os pobres, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os limpos de coração, os pacificadores e os que sofrem perseguição por cauda da justiça.

O Reino de Deus é de uma maneira geral constituído por essas pessoas destituídas de estatuto social e rejeitadas pela sociedade.

Tumaini Fund, é uma organização que trabalha com milhares de órfãos que sofrem de Sida, procurando levar-lhes o amor de Deus materializado na ajuda social que recebem, incluindo na medida do possível a proclamação das Boas Novas do Evangelho.

Estão neste momento a dar apoio a cerca de 25.000 crianças.

Dr Susan Wilson e alguns estudantes secundários...
Os principios do Reino de Deus, levados a estes órfãos pela mão da Dra Susan Wilson, que fundou Tumaini Fund, que incluem o amor, a justiça, a bondade e a paz de Deus, está a operar tremendamente no meio deles, alguns deles aceitam a Cristo, e aos poucos nascem Igrejas bem constituidas no meio deles.

Há muitas obras de caridade e de evangelização, que só depois de muitos anos começam da dar lugar a Igrejas. No inicio, é a prática da caridade cristã em acção e na medida do possível a proclamação das Boas novas de Cristo.

Pode ler o meu post no meu blog inglês sobre a organização Tumaini Fund:

TUMAINI FUND - Kagera in Tanzania

Há muitas organizações como o Avanti, Scrina e outras que baseiam parte do seu ministério na citação “estava na prisão e não me visitastes”, dando inicio a ministérios dentro de prisões que atingiram hoje proporções gigantescas. Há prisões onde cerca de 25% dos presos são crentes.

As igrejas não querem perder tempo com as pessoas mencionadas nos textos em cima, pois não recebem um retorno imediato do investimento feito nessas pessoas, na vida local da dita igreja ou denominação.

As igrejas, centralizados nos seus interesses locais e pessoais, querem ver resultados imediatos, em pessoas que podem logo retribuir com o seu tempo, dons e o seu dinheiro na vida da igreja.

As pessoas citadas nos textos em cima, estão à espera de receber a caridade dos outros, e que lhes dêm a oportunidade de ouvir também as Boas Novas do Evangelho.

Nunca devemos esquecer que a benção vem de Deus! E a extensão e expansão do nosso trabalho para ELE será muito maior se em vez de observarmos as estratégias e regras, muitas vezes, interesseiras das nossas igrejas, observarmos os principios do Seu Reino Eterno, revelados nas Escrituras Sagradas.

Pode não parecer, pois podermos não ver um retorno imediato do trabalho, mas a longo termo alcançaremos muito mais e atingiremos muito mais longe.

C. A união entre as igrejas dá lugar ao Reino de Deus

Unidade Cristã...
Os crentes estão unidos interiormente pelos principios do Reino de Deus, que habitam dentro deles pelo novo nascimento, embora, às vezes, vivam desunidos exteriormente por causa dos principios e regras das suas igrejas.

Por essa razão, mais uma vez saliento que devíamos dar mais importância à oração “venha a nós o Teu Reino, seja feito a Tua vontade (não a nossa) assim na Terra como no céu”

Pecar contra a unidade do corpo de Cristo, não tolerando e amando os outros irmãos na fé, é pecar contra o Espirito Santo que habita em todos nós, é pecar contra o Reino de Deus que precisa que vivamos unidos para “vir sobre a Terra”.

Efesios 4: 1Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, 2 com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, 3 esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz 4 há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; 5 há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; 6 um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos. A graça foi concedida a cada um de nós segundo a proporção do dom de Cristo. 15 Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, 16 de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor

Só é possível viver e crescer nas verdades enunciadas neste texto e noutros que falam sobre a unidade dos crentes, se deixarmos os principios do Reino de Deus reinar sobre as nossas vidas, e não forçosamente os principios e regras das nossas igrejas que, ás vezes, só servem para dividir e desunir.

A união faz a força, como diz o provérbio, a força que vem expressada no texto em cima, mas quando vivemos desunidos, só damos lugar ao diabo e não ao Reino de Deus.

D. O Reino de Deus não é deste mundo.

o reino de Deus não é deste mundo...
A Igreja temporal e falível começou no dia de Pentecostes, quando o Espírito foi derramado sobre os discipulos, e, a partir desse momento, o Reino de Deus infalível e eterno que já que já tinha começado a sua operação na Terra no Antigo Testamento, principalmente no meio dos patriarcas e do povo de Israel, começou a operar de uma forma mais universal em toda a Terra.

Vimos neste estudo, que devemos compreender as diferenças entre a Igreja e o Reino de Deus, se quisermos ser vencedores.

O Reino de Deus não é uma organização visível e terrena, como é a Igreja onde Satanás pode se infiltrar, atacar e até subjugar.

Ver Daniel 7:14 que diz que o Reino de Deus é um reino que dura para sempre. Jesus disse em João 18:36 que o seu reino não é deste mundo. Ele orou mesmo ao Pai e disse que os seus discipulos não são deste mundo João 17:14-16.

Em I João 5:18-19 diz que os filhos de Deus não são deste mundo e não estão sujeitos ao domínio de Satanás. Em Apocalipse 12:11 diz que eles venceram Satanás pelo sangue do cordeiro.

O Senhor Jesus é apresentado como sendo o Cabeça da Igreja, mas também como o Rei dos Reis e o Senhor dos Senhores, e Ele governa o Reino de Deus do céu com um vara de ferro. Ele comprou com o Seu sangue pessoas de todas as raças e nações e fez dos crentes reis e sacerdotes. Apocalipse 5:9-10. Zacarias cap 1 a 7 já profetiza sobre Jesus, como sendo Rei e Sacerdote.

O Reino de Deus não é deste mundo. João 18:36. Quem pertencer ao Reino de Deus vencerá Satanás, I Corintios 4:20, Lucas 10:17-20.

Deve haver disciplina na Igreja e no Reino de Deus. Mateus 17:18, I Corintios 5:9-13 No que diz respeito ao governo das Igrejas há dois erros que se cometem muito.

O primeiro erro, é quando os lideres tem um control muito rígido sobre a congregação.

O segundo erro, é quando a congregação controla e domina os lideres.

O Reino de Deus não é controlar os outros, mas sim servi-los com humildade.

Infelizmente as igrejas muitas vezes adquirem um padrão secular de governo e criam uma hierarquia de governo dentro da casa de Deus e o povo de Deus deixa de funcionar como uma nação Sacerdotal.

Ver o livro de Zacarias 1 a 7 que já apresenta o Senhor Jesus como o único Sumo Sacerdote e Rei no Reino de Deus.

Este deve ser o modelo da Igreja, deixar Cristo governar e ser o Rei e o Sumo sacerdote da Igreja, através de todos os seus membros, que unidos se edificam mutuamente em amor e humildade.

Quando só temos uma visão de igreja, e não de Reino de Deus, só pensamos para dentro da igreja e agimos dentro das quatro paredes da igreja. Hoje, muitas igrejas locais e familias de igrejas perderam a concepção de Igreja Universal e da Grande Comissão e de Reino de Deus e só pensam neles próprios, no seu crescimento.

Nesta união necessária para uma maior acção do Reino de Deus sobre os homens e a Terra, incluimos também a cooperação que as igrejas e a Igreja Universal deviam ter com os movimentos para-eclisiásticos e mesmo movimentos sociais que lutam pela paz e justiça na Terra.

Quem temos uma visão de Reino de Deus, pensamos para fora da igreja e agimos desinteressadamente, independentemente dos interesses de qualquer igreja local ou denominicional. Pensamos em todas as pessoas, incluindo os perdidos, os pobres, os oprimidos, os ófãos, as viúvas, os famintos, os doentes e os que estão nas prisões, procurando por todos os meios verdadeiros e justos, estabelecer o Reino de Deus na Terra, segundo os principios anunciados nas Escrituras Sagradas.

FINAL




















1 comentário:

Pr Jeferson Martiniano. disse...

Muito edificante!!! Este material deve ser aproveitado para a edição de um Livro.Maravilhoso!!! DEUS continue Usando o Pr Viriato Martins.Esta visão está corretíssima e será muito importante que os Cristãos conheçam e se apercebam destas verdades acerca do Reino de DEUS. Pr Jeferson Martiniano.