sexta-feira, 22 de junho de 2007

3 - O Conhecimento

A Fé Cristã vista do ponto de vista filosófico e racional

Introdução geral


Veja debaixo de Assuntos os 12 posts ligados com Religião e Filosofia... 


Eu fiz este trabalho a pensar em todos aqueles que se interessam pela filosofia, religião e as ciências em geral. 


O livro toca em muitas esferas da realidade e procura determinar aquilo que o cristianismo, a religião, a filosofia e a ciência dizem da realidade que podemos ver e da realidade que está para além dos nossos cinco sentidos.


Embora muitos estudiosos agarrem-se à ideia de que somos seres racionais, quando no entanto pensamos na pesquisa da realidade que está para além dos nossos cinco sentidos,  nós temos que incluir também o coração e não só a mente na busca dessa realidade sobrenatural.


Ninguém pode ter uma compreensão global da vida e do mundo só pelo uso do seu intelecto – ou razão. 


Afinal de contas a razão só nos permite conceber e compreender o mundo e a vida através da nossa própria perspectiva racional e cultural e de uma forma muito parcial.


É por essa razão que é errado dizer que nós somos unicamente seres racionais, pois além dos nossos pensamentos nós temos também sentimentos, emoções, impulsos e as crenças profundas que existem dentro da nossa alma.


Não se pode reduzir a nossa actividade cognitiva, assim como as nossas pesquisas filosóficas e religiosas unicamente à esfera do nosso raciocíno, ignorando o nosso lado sentimental e emocional e a faculdade que temos de crer num mundo sobrenatural que ultrapassa a esfera do racional e do natural.


Nós só podemos ter uma compreensão global da existência e dos relacionamentos humanos, se compreendermos que temos que envolver não somente o raciocínio, mas também o nosso coração nessa pesquisa/processo.


O raciocínio pode ser a sede dos nossos pensamentos, mas o coração é a sede dos nossos sentimentos, emoções, impulsos e crenças.


Por essa razão, neste trabalho, eu irei falar das três grandes actividades do ser humano na procura da compreensão global da existência, que são: o pensamento, o sentimento e a crença. Irei tentar mostrar que estas actividades não se contradizem, mas antes se completam. 


Claro que ao querer mostrar que o cristianismo é uma fé que “sente e crê”, irei salientar também que o cristianismo é uma fé  que “pensa”. É por isso que o título deste trabalho é A fé cristã vista do ponto vista filosófico e racional.


Neste livro eu procuro também dar uma explicação para questões misteriosas que estão ligadas com o nosso mundo natural, com a revelação bíblica e com o campo filosófico.


Vale a pena ler sobre a abordagem que faço acerca de alguns temas misteriosos relacionados com o universo, o homem e com Deus.



Capítulo 3 – Os campos do conhecimento


I. O campo da filosofia

A. Os campos de investigação da Filosofia.
B. Os diversos campos de conhecimento.
3. A relação entre a filosofia e a religião.
C. Os campos da filosofia.

I I. A natureza do conhecimento

A. Os grandes pensadores e as teorias do conhecimento.
B. O relacionamento entre o conhecimento e a biologia e a sociologia.
C. O Conhecimento humano é mais inato do que adquirido.
D.A relação entre as teorias de conhecimento.

I I I. O cristianismo e o conhecimento

A. A Fé é a via cristã para apreensão do conhecimento religioso.
B. A Fé tem um lugar de destaque na questão da apreensão do conhecimento religioso.
C. A Fé cristã é coerente com os factos históricos e científicos.

I V. O cristianismo e o conhecimento religioso

A. A fraqueza das teorias antigas.
B. O cristianismo não é alheio aos outros conhecimentos
C. O cristianismo devia receber o crédito da ciência e outras correntes de pensamento.
D. A verdade religiosa deve ter um rasto histórico credível.
E. O conhecimento científico é mais abstracto do que aquilo que faz parecer.


I. O campo da filosofia


A. Os campos de investigação da Filosofia.



1. A Filosofia e a teoria do conhecimento:

A investigação filosófica de uma maneira geral abrange três grandes áreas:



a. A teoria da ciência

Esta primeira "a teoria da ciência" se divide em lógica e teoria do conhecimento.


É interessante fazer a distinção entre estas duas modalidades da epistemologia:


A lógica trata do pensamento puro, dos princípios básicos que norteiam o nosso pensamento, dos mecanismos inerentes a nossa mente.


A teoria do conhecimento trata da referencia do pensamento aos objectos, da verdade no conhecimento e de como ocorre e evolui o nosso conhecimento, ou seja, a explicação filosófica do conhecimento humano.



b. A concepção de universo (metafísica)

Este terceiro campo é na verdade o campo da metafísica, que envolve o conhecimento do Ser, do Saber e do Valor, fazendo parte integrante deste conhecimento, "os conhecimentos sobre Deus e sobre a moral".



c. A teoria do valor

A teoria dos valores se divide em ética e religião, envolvendo também o conhecimento de Deus e o conhecimento da moral.



2. A história da teoria do conhecimento

A preocupação epistemológica vem desde a Grécia, entretanto o aparecimento da teoria do conhecimento como disciplina filosófica aparece só na idade moderna com Locke. Ele foi o primeiro a tratar de forma sistemática a origem , a essência e a certeza do conhecimento.



3. O processo do conhecimento

O conhecimento constitui-se no encontro da consciência (sujeito) com o objeto. Essa relação pressupõe uma dupla conotação : Na medida que o sujeito apreende o objeto, este é apreendido por aquele. Desta forma, o sujeito sai de sua esfera e entra na esfera do objeto criando uma imagem do mesmo na sua consciência cognoscente.


O conceito de verdade relaciona-se com a essência do conhecimento do objecto.


Mas o que é verdade ?


A verdade é a concordância da imagem apreendida com o objecto. Contudo não basta que um conhecimento seja verdadeiro. É necessária a certeza de sua verdade.


Mas como alcançar esta certeza?


"A questão do critério de verdade será tratada daqui em diante, segundo as opiniões dos diversos campos de conhecimento incluindo o Cristianismo"



4. A possibilidade do conhecimento

Basicamente, esta parte da teoria do conhecimento destina-se a responder a seguinte pergunta: É realmente possível apreender o objeto?


Temos que salientar desde já que o "objecto" pode referir-se tanto a um objecto material, como a um objecto (ou ideia) no pensamento. Por exemplo a "Ideia de Deus". Leia no meu blogue sobre a "Ideia de Deus".


Isto leva-anos ao ponto que está no cerne do conhecimento, a uma intrigante pergunta:


É possível o sujeito de fato apreender o objeto? Esta é a questão da possibilidade do conhecimento humano (gnosiologia ??).


Por outro lado, a questão da origem do conhecimento trata de descobrir qual é a fonte do conhecimento: a razão, a experiência ou outra fonte?!



5. A Fé, a via para apreensão do conhecimento sobrenatural

Eu não falarei somente do uso razão e da experiência na busca e apreensão do conhecimento "dos objectos", mas falaremos também da "Fé", defendida pelo Cristianismo, como via na busca e apreensão do conhecimento , mais propriamente dito do conhecimento de "Deus" e do que está para além dos nossos sentidos - conhecimento do sobrenatural.


Iremos ver que a razão e a experiência tem os seus limites na apreensão do conhecimento de objectos, especialmente do conhecimento de "objectos" de natureza sobrenatural, de "objectos ou ideias" que estão para além dos nossos sentidos


Iremos definir a natureza da "Fé", ou seja, ver o lado intelectual e o lado espiritual da "Fé", e definir também a natureza do conhecimento que se pode obter pela "Fé".


B. Os diversos campos de conhecimento a nível filosófico


Para Pitágoras a Filosofia era "O conhecimento do humano e do divino”. Para Platão era "a descoberta da divindade tão longe tanto quanto pode o homem”. Para Aristóteles a filosofia era "a arte das artes e a ciência das ciências".


Lendo os pensamentos destes grandes Filósofos, vemos que os filósofos antigos acreditavam que o campo da Filosofia incluía todos os campos ligados ao conhecimento da natureza da realidade, tais como: religião, teologia e as ciências da vida em geral. Mas, com o aparecimento das ciências físicas, a filosofia começou a sofrer muitos conflitos e passou a haver uma distinção nítida entre filosofia e ciência.


A ciência fala-nos de estudos especializados em certos campos da realidade, com a finalidade de explicar de uma forma concreta, ignorando o todo da realidade, enquanto que a filosofia procura interpreytar o todo da realidade.


A filosofia não é portanto uma simples sistematização da ciência, pois, a ciência, trabalha dentro de limites definidos. Não existe na ciência qualquer tentativa de interpretar e, além disso, a ciência não dá o valor que devia, aos valores e aos factos defendidos ou ocorridos na nossa existência histórica.


A ciência é selectiva enquanto que a filosofia é compreensiva.


A filosofia tem procurado manter a ideia de que é o raciocínio ou a razão que a mantêm. Entretanto, a psicologia moderna fez estremecer a ideia de que o homem é caracteristicamente racional.


A psicologia genética e a social tem atestado que a filosofia não pode basear-se em puro raciocínio na sua análise da existência, julgando ser isto suficiente, pois há áreas como os sentimentos, as emoções, as motivações, os impulsos e até as crenças que determinam muitas das atitudes e ideias das pessoas.


Embora não se pode mais negar que a razão humana tem um carácter inato ligado a alvos que o homem se propõe atingir, independentemente de quaisquer influências exteriores, a razão pura não existe, pois a razão é condicionada por essas mesmas influências exteriores e impulsos interiores.


Vimos então que as ciências em geral têm forçado a filosofia a reconsiderar a sua função.


"Do mesmo modo, com a evolução dos conhecimentos sobre religião, os dois campos - filosofia e relgião - tornaram-se mais do que distintos nos dias de hoje".


C. A relação entre a filosofia e a religião.


Vamos falar um pouco sobre a relação entre a filosofia e a religião, para melhor entendermos esta questão dos campos de conhecimento. "Já foi dito que a filosofia não pode ser meramente identificada como religião, especialmente por causa do diferente relacionamento que ambas têm com o objecto que procuram – Deus".


No entanto haveria muito a dizer sobre o facto de que basicamente a filosofia é teologia também. Não é teologia dogmática nem teologia cristã, mas é teologia no sentido em que os gregos a compreendiam: "para os gregos a filosofia era também uma avaliação do Todo da experiência, tanto humana como divina e não só uma simples avaliação racional da experiência".


A filosofia tinha o objectivo de interpretar o universo. E esta ideia insere-se perfeitamente no espírito da religião, que também procura dar interpretações sobre a vida e não só simplesmente explicações.


Portanto a filosofia procura não só explicar racionalmente a existência, mas também interpretá-la. Deus, a liberdade, a imortalidade são matérias centrais que se inserem no campo do estudo filosófico. Isto prova que a realidade não pode ser exclusivamente avaliada por uma avaliação racional.


"Há valores abstractos que para serem avaliados, precisam do uso da nossa razão, mas também da nossa percepção sensorial".


D. Os diversos campos da filosofia


A filosofia abrange vários campos de conhecimento, pelo seu carácter racional e abstracto. "A filosofia não é só o atingir da verdade pelo caminho da razão" como disse Ferrier.


A filosofia é uma coordenação de conhecimentos gerais, que respeita a sua distinção com a ciência, que por sua vez possui um carácter mais especializado. Respeita também a sua distinção com a religião, pois sabe que possui um relacionamento diferente com o objecto que busca - Deus.


A filosofia é uma busca do ponto de vista sinóptico da experiência humana, é o esforço humano para ver a vida do homem com clareza e como um todo.


As formas de estudos especializados na busca filosófica, depende do grau relativo de independência que conseguiram atingir. A psicologia, que era um ramo da filosofia é agora independente.


A metafísica, geralmente, inclui:


A ontologia "ciência do ser"; a epistemologia "ciência do saber"; a axiologia "ciência do valor".


Na minha opinião, a ética, estética e religião são todas num certo sentido, ramos que devem ser incluídos nestes campos gerais da filosofia, não deviam ser estudadas em separado, apesar da estética e a religião serem hoje consideradas ciências independentes, e, a ética, está hoje muito ligada ao campo da psicologia psicologia e a sociologia.


Tudo isto para dizer que o campo da filosofia de um certo modo representa um grupo de estudos que inclui praticamente uma análise a todos os campos de conhecimento, e não uma simples forma especializada de busca.



I I. A natureza do conhecimento


A. Os grandes pensadores e as teorias do conhecimento


Kant disse que as três grandes perguntas essenciais da Filosofia são:


a. O que posso eu saber?

b. O que devo eu fazer?
c. O que devo eu esperar?

Pyrro afirmou que “nós não podemos saber nada”, mas a história do cepticismo mostra como é difícil ficar nesta posição, pois a afirmação de Pyrro é contraditória, porque estabelece que "nós podemos pelo menos saber que não podemos saber nada". Logo o conhecimento é possível!


Se este princípio de Pyrro quer dizer que: "nós não sabemos se nós podemos saber” ou “ nós não podemos saber", ambas preposições são vazias de significado e são contraditórias e falsas.


Vejamos porquê:


Nós podemos perguntar “o que é a verdade?”. E procurar conhecer a verdade.


Mas se afirmarmos que não vale a pena porque “não existe a verdade” ou porque “não se pode conhecer a verdade”, como no fundo pretende Pyrro, isto não tem significado. A afirmação de Pyrro é em si própria  falsa.


Avancemos mais um pouco:


Se “existe a verdade” a preposição de Pyrro é falsa, pois afinal existe a verdade e podemos conhecê-la.


Se “não existe a verdade” esta afirmação é falsa, pois afinal é possível “saber que não existe verdade”, e isto torna-se em si mesmo a verdade, ou seja é possível "haver conhecimento" e, a verdade, neste caso, passa a ser que "nós sabemos que não existe a verdade".


Descartes decidiu duvidar de tudo. Mas a sua dúvida ficou indubitavelmente um facto de que ele nunca pôde duvidar. É como dizer: “nós não podemos pela dúvida, duvidar do facto de que nós duvidamos”.


O Cepticismo tem sido puramente teórico. Nenhum homem, neste mundo, actua como se não soubesse nada.


Os cépticos contentam-se em negar a possibilidade do homem atingir um determinado conhecimento ou, então, afirmam que não há uma verdade final.


O cepticismo da idade clássica ensinou que, como todas as opiniões podem ser igualmente "verdade” ou "não verdade”, era melhor suspender o julgamento filosófico. Mas, embora, nós nunca possamos conhecer e ver as coisas como "Deus as conhece e vê”, podemos, no entanto, afirmar que o conhecimento humano é possível e válido.


Este conhecimento é dividido pelos filosóficos em vários tipos:


O Conhecimento obscuro, onde nós temos uma vaga noção das coisas.


O Conhecimento claro, onde as ideias estão bem claras e definidas.


O conhecimento adequado que é acurado e de acordo com a ciência


O conhecimento inadequado que não é acurado, nem de acordo com a ciência.


B. Relação entre conhecimento, biologia e sociologia.


Presentemente o conhecimento é uma matéria que precisa de ser vista do ponto vista genético e social e não só como uma simples aquisição racional e individualista como ensinavam os filósofos antigos.


A Biologia, revela que o sentimento vem primeiro que o pensamento. O ser humano sente biologicamente antes de pensar. Não há nenhuma concepção de pensamento até que a linguagem se desenvolva. Por isso o princípio do conhecimento repousa num sentimento vago, antes da linguagem desenvolver-se e surgir o pensamento.


Não se esqueça leitor que estamos a falar da natureza do conhecimento, para não se perder.


"Para os biólogos o sonho deve ser a forma mais primitiva do conhecimento".


Vamos ver um exemplo: o cão conhece-nos. Mas se o nosso odor e a voz mudassem de repente, ele cessava de nos conhecer e deixaria de obedecer às nossas ordens. Mas como o cão não é racional, não ficaria perplexo como nós ficaríamos ao vermos um amigo a transformar-se à nossa frente.


No sonho, nós atingimos este nível: estamos falando com uma pessoa e de repente aquela pessoa muda numa outra pessoa (ou coisa!). Nós não ficamos perplexos porque, simplesmente, estamos a sonhar. E o sonho é um estado irracional.


Estes exemplos foram dados para dizer que para os biólogos o conhecimento nos seus estágios primitivos, antes da linguagem e do pensamento, é irracional. É claro que isto rebaixa a razão humana, este elemento que era visto pelos grandes filósofos da antiguidade como o grande gerador e promotor do conhecimento.


Para os biólogos a razão não é mais do que um produto do meio e da cultura e não um valor absoluto dentro do homem.


Mas, embora haja um certa verdade nisto, o perigo deste ponto vista biológico é resumir a natureza do conhecimento a um produto adquirido através do contacto com o meio ambiente.


E a mente e toda a sua complexidade passa a ser vista como uma espécie de tábua rasa onde grande parte das coisas são escritas através do contacto com o meio ambiente.


C. O conhecimento humano é mais inato do que adquirido.


Segundo o Cristianismo, sem tirar valor à biologia, a razão humana é muito mais inata do que adquirida. Portanto o conhecimento também é muito mais inato do que adquirido.


A história do conhecimento tem alternado entre o racionalismo e o empirismo.


O racionalismo tem o seu início nas ideias Platónicas, em que Platão disse que nós já nascemos com as ideias na mente e reconhecemos essas ideias durante a vida terrestre. O conhecimento, neste caso, baseia-se numa espécie de recolha de ideias já existentes na mente.


Descartes, Spinoza, Leibniz e outros não viam o conhecimento como algo pertencente à mente. A pessoa comum é primeiramente empírica. Ela pensa na árvore que está a ver. Ou seja, é a árvore que faz-se ver tal como é, com a sua cor tamanho e forma. O homem só vê a árvore e é tudo.


Mas, para os racionalistas, a árvore que a pessoa pode ver, não entrou em sua mente.


No cérebro, deve haver um processo qualquer que lhe permite ver a árvore tal como ele a vê, tamanho, forma e cor.


Portanto, o racionalista enfatiza o processo mental, e o empirista enfatiza o mundo exterior.


Kant tomou uma posição intermediária na questão da teoria do conhecimento.

Ele ataca a noção de "tábua rasa” dizendo que: a mente contêm um processo de percepção sensorial activo e contêm princípios estáticos de pensamento e de relações de identidade, diferença, espaço, tempo etc., que não são, de maneira nenhuma, adquiridas através da experiência.

A Filosofia de Kant tornou-se obsoleta, mas este princípio ficou, que a mente tem percepção dos objectos em virtude da sua actividade interna e, por isso, as formas que apreendemos, não pertencem só aos objectos, mas também à mente que os apreende.


A teoria da evolução embora tenha algumas das ideias postuladas por Kant, não resolve, contudo, o problema da natureza do conhecimento. A doutrina da evolução pode defender a noção de que a percepção das formas, que pode ser hoje tão evidente para nós, foi adquirida através de uma evolução mental. Parece que muitos pensadores não acreditam que existem na mente dos primeiros homens leis absolutas que foram transmitidas para nós. Mas, pelo menos, acreditam que a mente possui padrões de reacção e princípios que são comuns a todos os homens.


Para o cristianismo, os homens reagem sempre da mesma forma quando estão nas mesmas situações, por essa razão tem que haver padrões internos absolutos que regem todo o comportamento psíquico. É tal e qual como a lei moral que é universal, pois os seus padrões absolutos já estão registados na mente do homem.


Os homens, de uma maneira geral, conversam as mesmas coisas, reconhecem os mesmos objectos e fazem os mesmos julgamentos, mostrando que grande parte do seu conhecimento já se encontra registado em sua mente.


Como explicar isto na base da teoria de evolução? Se o homem fosse um produto da evolução este saber e conhecer universal seria praticamente impossível.


D. Algumas teorias de conhecimento



1. O intuicionismo e o conhecimento

Esta teoria têm mais a haver com religião e misticismo do que com as perguntas estritamente filosóficas. Defende que nós apreendemos a vida pela intuição e nunca pela razão. Acrescenta que a razão pode rever o passado ou antecipar o futuro, mas o presente actual, vivido da experiência, só pode ser captado pela intuição.


Embora hajam diversas formas de Intuicionismo, todas têm algo em comum: dizem que a nossa apreensão da realidade ou da verdade não é devida ao longo processo de maturação do desenvolvimento social, mas é um acto intuitivo imediato.


Um intuicionista dirá que o “bom” é como o “amarelo”; não podem ser explicados tomando como referência qualquer outro factor. São o que são e nós as apreendemos ou não. A respeito do carácter da pessoa é a mesma coisa. É uma instintiva actividade intuitiva.


Esta teoria pecou pelo excesso de ênfase dada à intuição, mas, no entanto, devemos compreender que a intuição tem um grande papel nesta questão da apreensão da realidade.


Apesar desta teoria não ter sido muito aceite, temos que, mesmo assim, rendermo-nos à evidência de que a teoria do conhecimento não pode ser limitada àquilo que deve ser sempre racionalmente explicado. Parece que houve, há e haverá sempre coisas que nunca terão uma explicação racional.


A base da natureza do conhecimento, as suas últimas causas, ficarão sempre sem poderem ser racionalmente demonstradas. Da mesma forma, a explicação de algumas das certezas mais profundas, pelas quais o homem dará a sua vida, ficarão sempre para além dos limites da razão. Dentro de nós, bem fundo, existem razões intuitivas que inegavelmente provam que o que cremos é verdade.


"De certo modo a emoção que faz nascer a Fé cristã é mais parecida com a intuição do que com a razão. Quero dizer que a Fé é mais intuitiva do que racional, ou, pelo menos é tão intuitiva, como é racional".


Mas, depois desta viagem pelas teorias filosóficas do conhecimento, falemos do conhecimento do ponto de vista cristão. O Cristianismo, como já referimos, possui uma teoria de conhecimento estritamente objectiva, pois tem as suas raízes em documentação, literatura, tradições escritas e em acontecimentos e personagens históricos. É nessa documentação, tradições e personagens históricos que o cristão baseia e vai buscar o seu conhecimento.


No entanto, nem toda a ortodoxia e filosofia de natureza cristã está baseada na objectividade histórica. Muitas das pressuposições cristãs estão baseadas em investigações de carácter sensorial, em que a intuição tem um papel preponderante.


Por exemplo, o próprio acto da Fé cristã, embora nasça da coerência, evidência e impacto dos factos históricos que dão credibilidade ao cristianismo, tem um aspecto que provêm de uma apreensão intuitiva e imediata da realidade. Além disso, a Fé cristã, nasce também de um acto proveniente de uma revelação puramente divina.


Fé cristã, não poderia existir, sobreviver ou ser definida, se fosse um acto puramente racional, sem necessitar da intervenção da intuição humana e de uma acção divina.

Além disso vemos que, no cristianismo, muitas das coisas em que acreditamos, nos são reveladas pura e simplesmente pela revelação divina. Não são de modo nenhum demonstráveis ou provadas pela razão.

Aliás, muitas delas até recebem a aversão da nossa razão, como é o caso da existência do diabo, do inferno, do pecado original, da inspiração das escrituras sagradas e sua infalibilidade, a própria omnipotência, benevolência e omnipresença de Deus e um homem criado à imagem de Deus, tem aspectos adversos à nossa razão.


Esses aspectos só se tornam credíveis à razão humana, por um puro acto de intuição humana que surge ao ouvirmos a pregação das escrituras sagradas ou ao contemplarmos o universo.


Podíamos dizer o mesmo do cerne da ortodoxia cristã "Jesus Cristo morto e ressuscitado para a nossa salvação", que embora merecendo toda nossa credibilidade histórica, tem um aspecto que é proveniente de um captação intuitiva ratificado pela razão humana que não podendo fugir do facto, não lhe resta senão crer em Jesus Cristo como redentor da humanidade.


A nossa razão humana não pode conter, nem absorver, por si só, todo o conteúdo da realidade. Muito factos da nossa realidade são absorvidos pelos outros canais da mente humana, nomeadamente a intuição, a premonição, os sentidos, o subconsciente, a fé que depois de processá-los, enviam-nos à razão humana, cuja função é aceitar ou rejeitar a sua autenticidade.


"A razão humana, apesar de todo o esforço, a investigação e o estudo que possa efectuar, nunca pode absorver toda a mensagem da realidade" e, muito menos, descodificá-la e defini-la sozinha. Aliás, a razão, nesta questão do processamento da realidade, não é mais do que uma pequena parte da central do processamento mental.


A razão não é a central da nossa mente:


A razão é como um programa de aplicação, um software que contém alguns dados, poucos, mas é cabar de lidar com os dados que recebe do hardware - tudo aquilo que é hereditário em nós, e os dados que são provenientes do exterior "o meio ambiente", e limita-se a ler e a processar esses dados.


Ao referir a razão como um programa de aplicação, é de notar que cada homem é um programa, por causa da sua própria natureza biológica, cultura e educação.


A razão normalmente funciona da seguinte maneira:


Primeiro: observa rigorosamente todos os valores científicos, históricos, filosóficos, literários, religiosos e morais da realidade.


Segundo: absorve a revelação provinda de toda a realidade, sem o qual, o seu conhecimento ficaria parcial, unilateral e meramente físico.


Terceiro: com a colaboração dos outros elementos que formam a mente tira as suas conclusões.


Não podemos esquecer que as suas conclusões estão condicionadas pela natureza biológica, cultural, educação e situação da pessoa em questão.


Portanto, a razão funciona como um programa de aplicação juntamente com os outros programas que colaboram para o processamento mental, como estivemos a ver neste ponto.



2. O empirismo e o conhecimento

As ciências físicas, ao contrário das ciências da vida, têm uma atitude empírica nesta matéria do conhecimento. Elas vêem o mundo como um facto, não fazendo qualquer referência à apreensão da realidade pelas nossas mentes.


O empirismo esquece que, nesta questão da percepção e apreensão da realidade, a mente não fica passiva, mas sim activa. A nossa mente, apreende o mundo exterior, natural e sobrenatural, fazendo a sua classificação, utilizando conhecimentos adquiridos, mas utilizando também categorias e critérios de conhecimento que são próprios da mente, ou seja são genéticos.


A propósito do mundo natural, o que esta apresenta à nossa mente é sucessão e não causação. Por exemplo, as ondas que nos dão a sensação da luz podem actuar sobre uma planta, mas a planta não consegue vê-las. Estas ondas, são a mesma coisa tanto para o homem como para as plantas. A diferença está no homem e nas plantas. É que a mente não é um simples armazém da realidade, recolhendo simplesmente o que lhe é dado, mas, as cores, as ondas, as dimensões, as notas da música são também organizadas pela própria mente.


"O racionalismo analisa o universal dividindo-o em partes, enquanto que o empirismo analisa as partes, vendo o universal como uma abstracção".



3. O pragmatismo

O pragmatismo é primeiramente um método de cálculos, entendido para ser aplicado em problemas metafísicos, em vez de ser propriamente dito uma filosofia.


Parece ser uma reacção contra o “mero raciocínio abstracto” fundamentando os seus pontos de vista na psicologia genética, que procura demonstrar que a razão é algo funcional e não judicial. Procura mostrar que a razão adapta-se ao meio ambiente e cultural, e vive mais preocupada em resolver os problemas práticos da vida, do que se envolver no pensamento do abstracto.


A razão segue o prático. O Pragmatismo surge dessa teoria.


O método pragmático é tão velho como a filosofia. Sócrates, Artistóteles, Hume e muitos outros, seguiram, afinal, este mesmo método.


O pragmatismo é um forma pura de empirismo. É possível para um pragmatista acreditar na doutrina do Absoluto, mas, em vez de olhar para este Absoluto como um último estado a atingir ou compreender, o Absoluto é julgado segundo as características práticas que possui.


O pragmatismo defende a noção da verdade. Este é, aliás, o seu ponto central. Dizem que as ideias são verdadeiras se corresponderem à realidade. Mas nós não poderemos ter nenhum conhecimento da realidade se as nossas ideias não penetrarem na realidade!


Como pois fazer corresponder as ideias com a realidade?


O pragmatismo defende que as ideias só são verdadeiras se houver uma relação satisfatória com a realidade. É neste sentido que a teoria da relatividade foi aceite, pois explica certos factos, mas não tarda muito que surjam novos factos que modificarão a verdade.


Os factos formam o critério e por isso não podemos perder tempo pensando numa verdade absoluta a atingir. Afinal, somos nós e os factos que fazemos a verdade, fazemos a realidade. Não nos é possível descobrir uma completa e perfeita realidade através do nosso intelecto. É o tempo e os resultados que provam o que é verdade.


A custo do abandono de uma “verdade absoluta”, o pragmatismo criou a noção de uma “verdade relativa” que se tornou dominante. O pragmatismo defende que, logo que haja uma mudança, surgem novas necessidades, e as doutrinas têm que mudar em função destas novas necessidades. Neste caso, uma doutrina pode ser certa para uma determinada geração, mas não para outra.


Esta teoria diz que nós é que fazemos a verdade e a realidade, mas reage contra as teorias que dizem que é possível descobrir a realidade perfeita através do nosso intelecto.


A nossa experiência comercializa com a realidade "donde tudo vem" e cria a realidade que nós "podemos saber" conhecer. Mas não podemos atingir conclusões rígidas, pois, só o tempo e os resultados decidirão o que ficará como verdade.


Desta forma, o pragmatismo não consegue escapar à suposição nele implícita: que o ser humano está condenado a viver, em cada geração, sem a possibilidade de atingir a verdade absoluta.



4. O cepticismo

O Cepticismo nega a possibilidade do conhecimento. Não nega forçosamente a possibilidade da filosofia, pois é em parte um método filosófico também. Pyrro, mantinha que não se pode atingir a natureza última das coisas. O Cepticismo não se refere simplesmente à dúvida filosófica, que tem um lugar, no pensamento filosófico, mas apresenta uma filosofia de vida desesperada.


Pyrro, ridicularizava qualquer testemunho humano, mostrava que não podíamos confiar nos sentidos e concluía que nós não podíamos conhecer nada e era melhor admitirmos isto.

Alguns dos filósofos cépticos mais extremistas diziam que “nós não conhecemos nada, não conhecemos mesmo que não podemos conhecer nada”.


5. O agnosticismo

O Agnosticismo nega a possibilidade do conhecimento religioso. Este termo surgiu de Huxley e referia-se à dúvida filosófica e não ao poder que o homem tem para resolver os problemas últimos. Há dois tipos de agnosticismo: dogmático e provisional.


O dogmático se encontra perto do cepticismo, o provisional toma uma atitude em que pensa que o homem pode adoptar certas coisas e valores que consegue atingir, sem contudo poder demonstrar que são verdadeiras. É este tipo de agnosticismo que permanece em nossos dias.


William Hamilton dizia que “ um Deus que se pode conhecer não é um Deus em nada, e pensar que podemos conhecer como Deus é uma blasfémia”.


Argumentos como estes querem provar que se Deus existe, não pode ser reconhecido pela razão humana. Mas em vez de nos deixarmos conduzir para um agnosticismo, devíamos compreender que a vida é mais do que a razão.


Há outras capacidades psicológicas e espirituais que o homem possui, já anteriormente referidas, que o homem utiliza para tentar compreender toda a realidade e as últimas causas.


"A Fé de origem divina é a capacidade principal, mas já falamos também da intuição, percepção sensorial e o subconsciente".


A ideia que só podemos acreditar naquilo que a razão consegue compreender, afinal negada pelos cépticos e agnosticistas, já entrou há muito tempo em colapso.


O Agnosticista é um homem que com tanto medo de se enganar, acabará por cair no risco de não conhecer a verdade.



I I I. O cristianismo e o conhecimento


A. A Fé é a via cristã para apreensão do conhecimento religioso.


Além da razão, da intuição e outra vias de conhecimento, o Cristianismo faz menção de uma via de conhecimento, o conhecimento obtido pela "Fé", conhecimento essencialmente de um "objecto de carácter religioso".


Como já vimos, a religião, a estética e a ética fazem parte da investigação filosófica. Não podemos portanto ignorar a religião, a estética e a ética quando estamos a falar de investigação, ou seja de procurar obter conhecimento. Estas três doutrinas, religião, estética e ética, representam um campo de conhecimento bem defenido.


"Por isso, vendo as coisas destra perspectiva filos´sofica, não podemos ignorar o cristianismo ao falar dos campos de conhecimento ou teorias de conhecimento.


B. A Fé tem um lugar de destaque na questão da apreensão do conhecimento religioso.

No cristianismo, a Soberania de Deus e a Fé tem um lugar de destaque na questão do conhecimento, especialmente do conhecimento religioso.

Portanto, isto quer dizer, que o conhecimento revelado pelo cristianismo é baseado em primeiro lugar numa revelação de Deus feita pelo Seu Espírito e de uma maneira dogmática através das Escrituras Sagradas.

O Conhecimento revelado pelo cristianismo vem de Deus e da Bíblia e não da razão ou da ciência humana através do processo cognitivo (através do pensamento ou da experiência)

1. Em primeiro lugar:

Deus revela o seu conhecimento a quem quiser. Deus pode revelar conhecimento aos incautos e analfabetos, mesmo às crianças, através da revelação bíblica e através do Seu Espírito. Da mesma forma Deus pode encobrir o conhecimento aos sábios e entendidos.

O próprio Senhor Jesus orou dizendo: "Graças te dou ao Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelastes aos pequeninos". Mateus 11:25

Quantos pobres, iletrados e crianças não há neste mundo que possuem uma Fé inabalável baseada na revelação divina? Quantos sábios não gastam toda a vida buscando a verdade através do conhecimento cognitivo e nunca conseguem atingi-la?

Se Deus fosse alcançado pelo processo cognitivo do conhecimento somente os sábios poderiam conhecê-lo.

Mas está escrito sobre a sabedoria dos sábios:

Romanos 1:21-25 "em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato, se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos, e mudaram a glória de Deus em semelhança do homem, e a verdade de Deus em mentira”.

I Coríntios 1:17-31 "o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, os gregos buscam sabedoria, mas não são muitos os sábios e nobres que são chamados, mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo, e as vis, e as desprezíveis para salvar os crentes pela loucura da pregação de Cristo crucificado que é escândalo para os judeus e para os gregos”.

2. Em segundo lugar

Além de Deus poder revelar conhecimento aos humildes e incautos, a Soberania de Deus e a Fé são a base do conhecimento. Deus é quem decide o que quer revelar, a quem, quando e através de quê ou de quem.

a. O conhecimento é revelado por Deus e não adquirido segundo um processo cognitivo:

Romanos 10:17 "De sorte que a Fé é pelo ouvir e o ouvir pela a Palavra de Deus".

É Lógico que não estamos a falar de conhecimento específico, mas da interpretação global de Deus e da vida.

Este conhecimento só pode ser exclusivamente revelado por Deus e assimilado pela Fé. Isto quer dizer que se alguém começa a ler a Palavra de Deus, a Fé começará a nascer dentro do seu coração. Quando a Fé nasce, a pessoa passa a compreender quem é Deus, que o universo foi criado por Deus, que o pecado original entrou no mundo e que Jesus Cristo é o Filho de Deus o Redentor da humanidade.

As dificuldades que a pessoa poderá ter do ponto vista científico e filosófico, por muito grandes que sejam, não abalarão a sua Fé.

b. O cerne do conhecimento bíblico está resumido no seguinte verso:

I Coríntios 15:3-4: "Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as escrituras".

O cerne da mensagem cristã é a morte, sepultura e ressurreição de Cristo, profetizada pelos profetas.

c. O contexto da mensagem cristã

O Contexto da mensagem cristã refere-se a todos os factos e valores objectivos e subjectivos de natureza histórica, científica e filosófica em que o Cristianismo está inserido. Um cristão que compreende bem a sua Fé, pode não compreender o Contexto e até pode existir em sua mente muita confusão sobre a vida e o mundo.

A sua Fé o levou a uma crença firme, mesmo que ele não compreenda todas as relações entre a sua Fé e os diversos campos de conhecimento.

C. A Fé é coerente com os factos históricos e científicos.

Embora a "Fé" baseia a obtenção do conhecimento numa revelção divina e bíblica, nós cremos que o cristianismo é a única doutrina religiosa coerente com o contexto geral dos valores e dos factos científicos, históricos, morais e filosóficos da nossa existência.

"Os factos e os valores da existência são uma prova da autenticidade do cristianismo".

Por essa razão, embora a Fé cristã não baseie a sua autenticidade no conhecimento humano, como já vimos, não podemos deixar de afirmar que o cristianismo é uma Religião com uma realidade objectiva.

O Apóstolo Paulo disse: "se Cristo não ressuscitou (objectivamente, historicamente) é vã a nossa fé". I Coríntios 15:14

Se alguém puder provar que em nossa história:

Jesus Cristo nunca viveu, os seus milagres nunca aconteceram, os seus ensinamentos foram inventados, Ele não ressuscitou.

A Bíblia foi inventada e a sua mensagem é falsa.

O facto da Bíblia ser o livro mais produzido, mais lido e mais traduzido em línguas não prova a sua autenticidade e a sua sobrenaturalidade.

A historicidade da missão sacerdotal de Israel relatada na Bíblia é uma mentira e as profecias bíblicas sobre o povo de Israel nunca se cumpriram ou são fraudulentas.

Os 10 mandamentos foram inventados por Moisés e não dados por Deus.

O Universo não foi criado por Deus.

Cristo e a Bíblia não são os dois elementos históricos que tiveram mais impacto cultural sobre a humanidade.

O cristianismo não é o grande responsável pela emancipação da mulher, a igualdade dos direitos humanos, o nascimento do Estado de direito e pela abolição da escravatura.

O Cristianismo não esteve na base das reformas que tem acabado com a exploração do homem pelo homem.

A civilização mais avançada na política, economia e na moral não é a civilização ocidental ou cristã.

Os progressos da ciência ocidental não baseiam o seu método de investigação na ideia cristã de um universo harmonioso e regular, que pode ser estudado e testado.

Se alguém conseguir provar os pontos acima descritos, então conseguirá deitar por terra o cristianismo.

O cristianismo fica de pé ou cai pela veracidade dos seus clamores históricos. É a história que lhe dá ou tira a razão. Os clamores das ideologias poderão fazer tentativas para destruir a autenticidade do cristianismo; mas terão muitas dificuldades em destruir os factos e os valores históricos que continuarão de pé como um monumento testemunhando das evidências, da coerência e do impacto de Cristo na história da humanidade.

"O Budismo é uma religião em que nem tão pouco os seus seguidores sabem quem foi Lord Gautama", ou se todos os mitos sobre ele são verdadeiros. O Budismo é uma doutrina cuja veracidade fica de pé somente por causa da sua utilidade na cultura indiana e não por causa da sua historicidade mundial.

"O Islão ignora alguns dos factos mais básicos acerca da construção do universo". A sua historicidade está ligada a factores como o fanatismo, o imobilismo, o fatalismo e a crueldade. Existe no seu credo uma grande falta de simpatia pelos outros povos e pelo progresso democrático.

Assim tem sido a história do Islão. O Alcorão pouco ou nada trouxe de grande importância para o desenvolvimento económico e político para os povos que o abraçaram. As ciências físicas e as ciências da vida pouco ou nada beneficiaram do Alcorão.

Se quisermos provar a autenticidade de uma mensagem religiosa, teremos que fazer as pessoas olharem para a sua história. A história de tal doutrina religiosa provará se tal doutrina é falsa ou verdadeira. O resto não passarão de argumentos. There is not another way, il n y a pas un autre chemin!

Não há outro caminho senão a nossa História!!! Querer negar a verdade da história é negar a história da verdade. O cristianismo encontra a sua autenticidade no conhecimento histórico.

Se podemos comprovar a objectividade histórica do cristianismo como sendo digna de todo o crédito, podemos afirmar que o cristianismo é verdadeiro.

Se uma religião não pode chegar ao ponto de ter este mesmo crédito objectivo da história humana e das outras ciências da vida, não pode ser dada como válida, cultural e intelectualmente falando. "É na esfera cultural e intelectual que poderemos defender a autenticidade científica e filosófica do cristianismo".

Mas, apesar de toda a sua autenticidade, o cristianismo não baseia a sua autenticidade na ciência do conhecimento, mas, primeiramente na Soberania de Deus e na Fé.


I V. O cristianismo e o conhecimento religioso

A. A fraqueza das teorias antigas.

A fraqueza das teorias antigas do conhecimento eram ser unicamente metafísicas. O aspecto psicológico era desconhecido e, por isso, faltavam às teorias do conhecimento uma base necessária, que é a psicologia. As teorias do conhecimento podem ir para além da psicologia, mas não podem iniciar sem esta.

Dizia-se antigamente que a religião era uma matéria de Fé ou de opinião e a ciência uma matéria de facto. Nesta altura ignorava-se a influência do factor psicológico que veio alterar esta ideia.

Em primeiro lugar, o conhecimento religioso não pode ser separado das outras matérias do conhecimento. Aliás, "nenhum conhecimento, pode ignorar os outros, no seu processo de investigação". Se o fizer, cairá inevitavelmente no erro.

Em segundo lugar, não se pode classificar o conhecimento religioso como uma matéria exclusivamente de Fé em contraste com a matéria do conhecimento.

B. O cristianismo não é alheio aos outros conhecimentos

É neste aspecto que o cristianismo ganha sobre as outras religiões, no sentido em que a Fé cristã, apesar de ter um aspecto sobrenatural e provir de uma revelação, provém também de uma crença em factos e valores históricos, como por exemplo:

Os acontecimentos históricos ligados ao povo hebraico, a Israel, à Igreja Cristã e ao ocidente.

Os documentos históricos, como a Bíblia, livros e narrativas históricas.

Os personagens históricos, como Abraão, Moisés, Davi, Salomão, os apóstolos e Jesus Cristo.

Valores universais como os 10 mandamentos e os mandamentos bíblicos em geral.

The christian world view "a cosmovisão cristã" é a visão cultural, política, económica e cientificamente mais avançada do mundo. É pelo menos e indiscutivelmente a que tendo tido mais impacto, por isso, tem sido mundialmente aceite entre todas as nações, culturas e gentes.

O rigor, a regularidade e a harmonia utilizada pelo método científico é uma herança do Cristianismo.

O cristianismo não é uma matéria de conhecimento religioso alheio às outras matérias de conhecimento, como é o caso da maior parte das religiões. Nem pela sua proveniência, que é rigorosamente histórica, nem pela sua influência na história, que é sem par.

C. O cristianismo devia receber o crédito da ciência e outras correntes de pensamento.

A Ciência ao não querer dar o crédito que o cristianismo ganhou e merece pela história, não está sendo honesta com os cristãos.

Ou então, a ciêncai tem medo de um rival que tem provado que as ciências da vida tem o seu lugar nesta questão de ajudar o homem a construir uma interpretação global da sua realidade. Especialmente da sua realidade psicológica e espiritual, respondendo às 3 grandes perguntas filosóficas do homem: "donde vim", "porque estou aqui", "para aonde vou"

Da mesma forma, embora o cristianismo deva manter aberto um diálogo inter-religioso com as outras religiões, as outras religiões deviam reconhecer as evidências históricas do cristianismo e a sua influência sobre a História.

"Não há influência religiosa que se compare à influência que Bíblia, Moisés, Israel, Igreja, Pedro, Paulo, Jesus Cristo e a civilização cristã, tiveram sobre o nosso mundo!"

As outras religiões deviam também reconhecer as mudanças que o cristianismo operou no rumo da história. A historicidade do cristianismo e o seu impacto no rumo da história é que a tornou a religião mais propagada do mundo.

Claro que não estamos a dizer que são as maiorias que têm o monopólio da verdade. Estamos, sim, a dizer, que se a verdade não tiver um rasto bem nítido e relevante na estrada da história, como a poderemos encontrar?

D. A verdade religiosa deve ter um rasto histórico credível.

Será que a verdade absoluta e transcendental não tem um rasto bem nítido e relevante na história?

Claro que tem!

Se Deus além de transcendente é imanente, em que outra estrada poderia ter deixado o seu rasto, senão na estrada da História?

Ele até andou em nossas estradas a pé ao fazer-se homem há 2000 atrás: por isso, "pode compadecer-se das nossas fraquezas, porque como nós, em tudo foi tentado, só que sem pecado, acheguemo-nos com confiança ao seu trono da graça, para alcançarmos misericórdia e graça" Hebreu 4:14-16

Fala-se de muitos conhecimentos religiosos nos programas televisivos: astrologia, espiritualismo, espiritismo, esoterismo, cientismo e mesmo no new age .

Mas, sejamos honestos: qual é a credibilidade histórica desses conhecimentos? Se alguém responder: quaisquer destes conhecimentos têm muita credibilidade histórica.

Então, teremos que retorquir: então mostrem os factos, os documentos, os personagens que os representam, não só numa década, centenário ou milénio, mas em toda a história humana desde o seu início, que deve ter pelo menos 10 milénios?

E. O Conhecimento científico é mais abstracto do que parece.

Mas deixem-me agora falar sobre o conhecimento do ponto vista científico. Este conhecimento é mais abstracto do que aquilo que os cientistas nos querem fazer julgar. Eles sabem disso.

O conhecimento científico, além de ter um método próprio de investigação e de experimentação, requer um acto de Fé na sua base:

1. Primeiro

É um acto de Fé de que podemos SABER, ter conhecimentos das coisas.

2. Segundo

É um acto de Fé num UNIVERSO que sendo regido por leis regulares pode ser estudado e explicado.

3. Terceiro

É um acto de Fé nas HIPOTESES alcançadas.

"Não nos esqueçamos que a ciência vive mais na base de hipóteses do que de teses". É por isso que há grandes desacordos no campo científico sobre as questões mais melindrosas.

Até a matemática, que é científica, tem um lado abstracto. Por exemplo, embora dois mais dois sejam quatro e isto descreve obviamente uma certeza, certeza não é o mesmo que realidade. Fica sempre uma dúvida no ar.

O mesmo se passa com os nossos sentidos. Se todas as pessoas disserem que comendo mostarda ficarão com um gosto desagradável na boca, isto será aceite universalmente, mas, no entanto, o gosto da mostarda até pode ser bastante agradável.

Neste caso, a certeza depende da maioria das experiências. Mas a maioria das experiências não é sempre uma indicação do que é real e verdadeiro. Pode ser na soma de dois mais dois, ou no gosto da mostarda, mas não ser noutras coisas.

Estou com isto a querer realçar que a natureza da realidade do mundo físico é um mistério como a natureza da realidade do mundo espiritual. Há sempre um lado misterioso, como na religião.

Quando olhamos as coisas por este prisma, chegamos à conclusão que temos que trabalhar com hipóteses em todos os campos da realidade. A noção de que podemos ter mais certezas nas últimas causas do mundo físico, do que nas últimas causas do mundo espiritual, é uma noção sem qualquer base.

O conhecimento físico pode parecer há primeira vista objectivo e concreto e, por isso, absoluto e demonstrável. Mas quando compreendemos quanto estas demonstrações estão dependentes da nossa percepção sensorial e de uma Fé em conhecimentos que são aceites sem qualquer demonstração, chegamos à conclusão que afinal o conhecimento físico não é tão objectivo como parece.

Portanto, embora o conhecimento religioso busque o transcendental, não é forçosamente mais hipotético do que o conhecimento físico, porque ambos utilizam motores de busca meramente subjectivos. Visto deste ponto de vista, não se pode diferenciar o conhecimento religioso de qualquer outro conhecimento.

No entanto, na religião, a Fé, além do sentido intelectual utilizado nos diversos campos de conhecimento, possui um sentido adicional.

Vou tentar explicar este sentido adicional ou místico que existe no acto de Fé:

Se quisermos chegar ao conhecimento sobre Deus, seja pela dedução ou indução, necessitamos de um acto de Fé intelectual. Chama-se de "conclusivo" esta forma de conhecimento sobre Deus adquirido pela via intelectual, utilizado normalmente pela Filosofia.

Mas, além de "conclusivo", há o conhecimento de Deus que é "intuitivo":

"É um relacionamento pessoal de Deus, que é experimentado só pelos crentes":Os crentes experimentam ste relacionamento com Deus, como experimentam afinal qualquer outro relacionamento com a realidade física

Só se pode experimentar este relacionamento intuitivo com Deus, se à Fé intelectual for adicionado o sentido sobrenatural, ou dom espiritual. "Já dissemos anteriormente que a Fé é um dom de Deus". Mas Deus não coloca este dom num homem vazio de fé intelectual. É absolutamente necessário que há partida o homem possuía uma fé intelectual, para poder receber o dom da Fé que o ligará pessoalmente a Deus.

O problema, é que o lado místico da Fé não pode ser disputado a um nível científico!

É só o lado intelectual e racional da fé que pode ser disputado a esse nível.

É o que tenho vindo a fazer neste trabalho de Filosofia:

"procurar mostrar que o cristianismo é credível do ponto vista intelectual pois tem uma fé intelectual que é pensante e racional. O cristão possui uma razão que crê e uma fé que pensa".

Mas a sua Fé tem um outro lado sobrenatural que não pode ser provado através de um método experimental, só pode ser experimentado e provado pela própria pessoa que sente.

Voltando ao conhecimento intuitivo, a única forma de debater e negar o lado intuitivo de um conhecimento religioso é através de um outro conhecimento religioso também. Só uma Fé poderá intuitivamente falando, provar a falta de credibilidade espiritual de uma outra fé. Só uma Fé pode desmascarar a falsidade e os aspectos fraudulentos e nefastos de uma outra fé.

A ciência e a filosofia podem e devem fazer de árbitro, no que diz respeito ao lado intelectual da fé, mostrando e provando que tal e tal religião possui ou não possui uma fé intelectual credível, mas não têm autoridade para se pronunciarem sobre o lado intuitivo da fé das religiões.

A Fé mística é uma atitude totalmente pessoal. Não depende de nada, nem de ninguém, somente da pessoa e de Deus.

Caberá a cada pessoa decidir. Se uma pessoa deixar que a ciência ou a filosofia, a sua religião, o pai ou a mãe, ou a sua comunidade tomem decisões por si na esfera da Fé, essa pessoa ficará certamente imergida por muitas ideias que se tornarão obstáculos para encontrar a verdadeira fé, o verdadeiro Deus!

FIM

INDÍCE


Capítulo 1 INTRODUÇÃO
A Definição de Filosofia
O Cristianismo e a Filosofia


Capítulo 2 CRISTIANISMO E RELIGIÃO
As origens da Religião
Definição de Religião
Religião a vida humana e seus interesses
Religião e Ciência
Religião e Filosofia
Religião e Cultura
Religião e Revelação
Religião e Moralidade

Capítulo 3 OS CAMPOS DE CONHECIMENTO
O Campo da Filosofia
O Cristianismo e o conhecimento
A Natureza do conhecimento
O Conhecimento religioso

Capítulo 4 A IDEIA DE DEUS
Deus e a razão humana.
As primeiras perguntas.
Provas teístas
Os Diversos argumentos
Natureza e atributos de Deus
Conceito moderno quasi-teísmo
É Deus inefável?
A natureza da experiência

Capítulo 5 A IDEIA DO UNIVERSO
Dualismo.
Monismo.
Pluralismo
Materialismo

Capítulo 6 A IDEIA DO HOMEM
Conversão do homem segundo o cristianismo
Relação do homem e a sociedade
A personalidade e o livre arbítrio

Capítulo 7 A IDEIA DO BOM
As teorias do bom

A IDEIA DO MAL
O mal o sofrimento e Deus
As preposições: o mal existe e Deus existe
Razões filosóficas válidas
Razões bíblicas válidas p/existência do mal

Capítulo 8 DEUS E O MUNDO
O panteísmo.
O deísmo
O monoteísmo


Capítulo 9 DEUS E O HOMEM
A concepção da teologia natural
A relação entre a razão e a revelação
Relação entre Deus e a humanidade
É Deus finito ou é infinito

Capítulo 10 UM DESAFIO À CIÊNCIA
Evidências para os milagres
A ressurreição de Cristo
O método do processo histórico
Algumas provas históricas que são
evidentes da ressurreição de Cristo.

Capítulo 11 A IDEIA DO ALÉM
As relações dos conhecimentos com a morte
O Cristianismo e a morte

Capítulo 12 ASSUNTOS CONTROVERSOS
A posição sobre diversos campos:Aborto, eutanásia, sodomia, divórcio, bebé proveta, manipulação genética, clonagem, guerra, paz, terrorismo, globalismo.

Sem comentários: