quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Aniquicionalismo ou inferno?

O nosso mundo está a mergulhar numa grande confusão e os meios cristãos estão a ser também ameaçados por essa confusão. Por isso, nós temos que vigiar para que doutrinas fundamentais não deixem de ser ensinadas nas Igrejas ou se misturem com doutrinas duvidosas.

É por essa razão que escrevi este post sobre o inferno, pois é um assunto que está a ser esquecido nos nossos púlpitos cristãos.

Eu estou de acordo, que devemos ter sabedoria ao falarmos do inferno mas, de outro lado, temos que crer que o Espírito de Deus convence os pecadores que ouvem a Sua Palavra sobre o Juizo Final, em que todos aqueles cujos os nomes não forem achados escritos no Livro da Vida serão lançados no lago de fogo"

Apocalipse 20:11-15 "e aquele que não foi achado escrito no livro da vida, foi lançado no lago de fogo"

O Espírito Santo veio para convencer as pessoas, não só de pecado e da justiça, mas também do juizo:

"O Espírito Santo veio para convencer as pessoas de pecado, da justiça e do juizo". S.João 16:8

Este post tem 8 capítulos:

Primeiro - Julgamento e condenação dos ímpios.

Segundo - O Juizo Final é coerente com o raciocinio humano.

Terceiro - A Teologia de um Juízo Final é claramente ensinada na Bíblia.

Quarto - A doutrina do Aniquilacionismo da Alma

Quinto - O Aniquiciolanismo e a imortalidade da alma

Sexto - Conclusão do tema.

Sétimo -  Desafio para entrega da vida a Jesus Cristo

Oitavo - Anexo em inglês, James I. Packer acerca do annihilationism


I. Julgamento e condenação dos ímpios.

Podemos perguntar: a Bíblia fala de um julgamento e condenação dos ímpios?

É que temos que primeiramente ter a certeza se haverá um julgamento e condenação ou não!

É que se tivermos a certeza de que a Bíblia ensina que sim, que haverá um julgamento seguido de condenação para os ímpios, então podemos dizer que o Universalismo de Rob Bell, por exemplo, que ensina que todas as pessoas serão salvas é errado.

Desta forma, a partir daí fica somente a outra questão da doutrina do Aniquicionalismo para ser analisada e é o que eu estou a fazer nest post.

Eu penso que sobre a questão de um julgamento e uma condenação para os ímpios, bastar-nos-á ler os versículos em baixo, sem precisarmos de qualquer comentário.

Marcos 16.16 Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado.

Mateus  3:33 Serpentes! Raça de víboras! Como vocês escaparão da condenação ao inferno?

João 3:18  Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no nome do Filho Unigênito de Deus.  

João 5:24 Eu lhes asseguro: Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não será condenado, mas já passou da morte para a vida.  

João 5:29 e sairão; os que fizeram o bem ressuscitarão para a vida, e os que fizeram o mal ressuscitarão para serem condenados.

Atos 24:15 e tenho em Deus a mesma esperança desses homens: de que haverá ressurreição tanto de justos como de injustos

Romanos 2:5 Contudo, por causa da sua teimosia e do seu coração obstinado, você está acumulando ira contra si mesmo, para o dia da ira de Deus, quando se revelará o seu justo julgamento.

II Tessalonicenses 2:12 e sejam condenados todos os que não creram na verdade, mas tiveram prazer na injustiça.

Hebreus 6:2 da instrução a respeito de batismos, da imposição de mãos, da ressurreição dos mortos e do juízo eterno.

Apocalipse 20:12-15 Vi também os mortos, grandes e pequenos, em pé diante do trono, e livros foram abertos. Outro livro foi aberto, o livro da vida. Os mortos foram julgados de acordo com o que tinham feito, segundo o que estava registrado nos livros Aqueles cujos nomes não foram encontrados no livro da vida foram lançados no lago de fogo.

Apocalipse 21:8 Mas os covardes, os incrédulos, os depravados, os assassinos, os que cometem imoralidade sexual, os que praticam feitiçaria, os idólatras e todos os mentirosos — o lugar deles será no lago de fogo que arde com enxofre. Esta é a segunda morte.

Eclesiastes 11:9, 14 Alegre-se, jovem, na sua mocidade! Seja feliz o seu coração nos dias da sua juventude! Siga por onde seu coração mandar, até onde a sua vista alcançar; mas saiba que por todas essas coisas Deus o trará a julgamento; Pois Deus trará a julgamento tudo o que foi feito, inclusive tudo o que está escondido, seja bom, seja mau.

Salmos 1:5 Por isso os ímpios não resistirão no julgamento, nem os pecadores na comunidade dos justos.

Daniel 12:2 Multidões que dormem no pó da terra acorda­rão: uns para a vida eterna, outros para a vergo­nha, para o desprezo eterno.

Desta forma, como vemos que a Bíblia ensina que os ímpios serão julgados e condenados, e assim pormos de parte o Universalismo, a partir daí fica somente a análise da doutrina do Aniquicionalismo que põe em questão a existência eterna do Inferno!

Primeiramente veremos que a Teologia do Inferno é coerente com o raciocínio humano e depois iremos ver que a Bíblia ensina que existe um Inferno eterno.


I I. O Juizo Final é um ensino coerente com o raciocínio humano

A. Todas as sociedades humanos constituiram tribunais para julgar

As sociedades mais primitivas até as mais modernas sempre constituiram "tribunais" que julgaram os arguidos e os condenaram se ficar provado que cometeram um crime.

E isto porquê?

Porque os homens, embora pecadores, não perderam o sentido inato de moralidade e de justiça que regula o comportamento humano e, por isso, criam instituições para regulamentar as acções humanas e julgar e condenar aquelas que poêm a liberdade e a vida dos outros em risco.
                                                                       
B. Um Juiz não absolve o seu próprio filho se este for culpado.

Se um juiz estiver à frente do seu próprio filho que foi acusado de cometer um crime, o que fará ele?

Absolverá o filho, ou o condenará justamente de acordo com a lei, se o filho for dado por culpado?

Se for um Juiz justo, ele condenará o filho pelo crime cometido, mas isto não quer dizer que ele deixou de amar o filho! Antes pelo contrário, o Juiz até gostaria de salvá-lo.

Se nós temos um sentido inato de moral e de justiça e, por isso, criamos instituições para julgar e condenar os infractores, não terá Deus o mesmo direito?

Ninguém pode rebater este ponto: "se os homens que são pessoas humanas julgam e condenam, Deus que é uma pessoa divina também tem o direito de julgar e condenar justamente".

O que podemos pôr em questão é uma condenação eterna.

Só que aqui entramos num dilema, que convém resolver, é que a Biblia parece dizer claramente que os perdidos sofrerão de facto uma "condenação eterna", e isto leva-nos ao meu segundo ponto.

Mas antes de entrarmos nesta questão se o inferno é eterno ou não, vamos ver o que a Bíblia diz sobre julgamento e condenação. Porque se a Bíblia ensina sobre um julgamento e condenação dos ímpios, podemos desde já por de parte a doutrina do Universalismo que ensina que todas as pessoas serão salvas.


I I I. A Teologia de um Juizo Final é claramente ensinada na Bíblia.

A. A teologia do inferno é claramente ensinada na Bíblia

A Teologia do Inferno como sendo uma "condenação eterna" é claramente exposta na Bíblia como são todas as outras doutrinas fundamentais da Biblia.

Será que é razoável nós acreditarmos e ensinarmos todas as doutrinas fundamentais da Biblia, excepto a doutrina bíblica sobre o Inferno, que é revelado como sendo uma "condenação eterna"?
                                                                                                                           
B. Jesus foi quem falou e ensinou mais sobre o inferno

Sabe que Jesus ensinou mais sobre o inferno do que qualquer outro personagem da Bíblia. E de maneira muito severa e séria?

O que disse Jesus sobre o inferno?

Mateus 3:12 Jesus descreveu inferno como um fogo inextinguível .

Mateus 25:41 Um lugar de fogo eterno.

Mateus 25:46 De punição eterna .

Lucas 16:23-24 Como um lugar de tormento, fogo e agonia.

Jesus ensinou especificamente sobre o inferno muitas vezes em Seu ministério, podemos ainda ver isto em Mateus 5:22, 29-30; 10:28; 18:9; 23:15,33; Marcos 9:43-47; Lucas 12:6; 16:23.

C. Os antigos não tinham uma ideia do inferno como nós

Claro que seria errado tentar fundamentar a doutrina do inferno no Antigo Testamento, pois os antigos não tinham a idéia que nós temos de uma alma imortal tendo uma vida completa além da vida, nem de nenhuma ressurreição ou retorno da morte.

A ressureição dos justos e dos injustos, o julgamento final, a doutrina do vida eterna e da perdição eterna, são doutrinas que só estão completamente esclarecidas no Novo Testamento por Jesus e pelos Apóstolos.

É o mesmo que a doutrina da redenção, os antigos não tinham os mesmo dados que nós, pois o mistério da redenção só foi completamente revelado no Novo Testamento depois da vinda de Cristo.

Desta forma é errado utilizar o Antigo Testamento para negar doutrinas que ainda não estavam completamente esclarecidas no Antigo Testamento, mas que depois com a vinda de Cristo foram claramente reveladas no Novo Testamento.

No entanto há alguns textos no Antigo Testamento que falam do inferno. Aliás se Cristo disse que "o fogo eterno foi preparado para o diabo e os seus anjos" Mateus 25:41 o que aconteceu a seguir à queda de Lucífer, com certeza que o Antigo Testamento tem que dizer alguma coisa sobre este lugar.

É de notar que o Senhor Jesus faz menção de Isaías 66:24:

Isaías 66:24 declara: "E sairão, e verão os cadáveres dos homens que transgrediram contra mim; porque o seu verme nunca morrerá, nem o seu fogo se apagará; e eles serão um horror para toda a carne."
Por isso ele diz que em Marcos 9:44 diz que "onde seu bicho nunca morre e o fogo nunca se apaga".

E Jesus continua no versículo 9:45: "e, se o teu é te escandalizar, corta-o; melhor é para ti entrares coxo na vida do que, tendo dois pés, seres lançado no inferno, no fogo que nunca se apaga, onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga". 


Portanto,  certamente que a ideia que Jesus tinha do inferno já estava parcialmente revelada no Antigo Testamento, por isso ele faz menção deste texto em Isaías.

D. Textos no Antigo Testamento que falam do inferno 

O que disse o Antigo Testamento sobre o inferno? Veja em baixo alguns dos versículos sobre o Inferno.

Deuteronômio 32:22 descreve o inferno como um lugar onde Deus derrama sua ira:

"Porque um fogo se acendeu na minha ira, e arde até o mais profundo do Seol, e devora a terra com o seu fruto, e abrasa os fundamentos dos montes."

Jó 26:6 fala do inferno como um lugar que está nu perante Deus:

"O inferno está nu perante ele, e não há coberta para a perdição".

Salmo 55:15 ilustra o inferno como o lugar para os perversos:

"A morte os assalte, e vivos desçam ao Seol; porque há maldade na sua morada, no seu próprio íntimo."

Provérbios 27:20 fala do inferno como um lugar que nunca se farta:

"O inferno e a perdição nunca se fartam.

Daniel 12:2 descreve o inferno é aqui descrito como como eterno:

"E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno."

Amós 9:2diz que ninguém pode se esconder de Deus, nem no inferno:

Ainda que cavem até ao inferno, a minha mão os tirará dali, e se subirem ao céu, dali os farei descer.


I V. A doutrina do Aniquilacionismo da Alma

Aniquilacionismo vem do termo em ingês “annihilationism”.

Nós temos que ter cuidado para que nesta questão do Inferno não procurarmos ficar na nossa zona de conforto mental, mas ficarmos naquilo que a Bíblia ensina, ainda que isto nos tire deste conforto mental!

Ao dizer isto, eu acredito que homens como John Stott e outros que são verdadeiros crentes, tentaram fazer uma interpretação bíblica do assunto, não querendo forçosamente ficar na zona de conforto  ao ensinarem sobre o aniquilacionismo (annihilationism).

No entanto, parece que por final John Stott e outros acabaram por ficar nessa zona de conforto mental, pois um estudo detalhado da Bíblia parece indicar que a doutrina da aniquilação tem bases mais sentimentais do que bíblicas

A. Então o que é a doutrina do Aniquilacionismo da Alma?

É a doutrina da aniquilação ou destruição total das almas dos ímpios que em vez de serem enviados, conscientes para uma condenação eterna, serão destruídos depois do Juízo Final no lago de fogo, enquanto os justos entrarão no estado de bem-aventurança eterna.

O Aniquilacionismo defende que a alma só pode viver no corpo, por isso quando sai do corpo fica inconsciente. Portanto se o corpo é destruído, automaticamente a alma perde a consciência.

Esta ideia vai contra o que Jesus expressa na parábola de rico e do Lázaro que diz que o rico e Lázaro estavam conscientes no Hades. Encontravam-se em dois lugares diferentes, separados por um abismo.

Lázaro no seu lugar que a Bíblia chama seio de Abraão estava a ser consolado e o rico no seu lugar, que a Bíblia chama de inferno a ser atormentado.

Reparem que o rico pediu a Abraão para uma das almas ressucitar, voltar à vida corporal, para ir avisar aos irmãos dele sobre aquele lugar de tormento.

Tudo isto indica que tanto o rico e seus amigos e Lázaro estavam perfeitamente conscientes naquele local, embora fora de seus corpos.

Qual era a intenção de Jesus ao contar esta parábola.

Falar só por falar? Ou ele queria ensinar-nos alguma coisa sobre a vida depois da morte - no além?

Há pelo menos um outro texto que dá a entender que as almas ficam conscientes, no lugar para aonde vão, depois de deixarem os seus corpos.

É o versículo em I Pe. 3:19 “No qual também foi e pregou aos espíritos em prisão...”

É um versículo difícil, saber o que Jesus pregou aos espíritos em prisão (no Hades), mas não é difícil entender que eles estão conscientes para Jesus ir lá pregar.

O próprio Stott diz que não está certo se as “almas” entram num interregno depois da pessoa morrer.

Porquê, porque ele conhece bem a Bíblia! Portanto, ele não afirma que depois da morte a alma entra num interregno – num estado de inconsciência, sem dor!

Os aniquicionalistas dizem que a morte física é a 1ª morte – é a morte do corpo em que a alma entra numa espécie de interregno (inconsciência e ausência de dor), e a 2ª morte é quando depois da ressureição final o corpo e a alma dos ímpios forem destruidos ao serem lançados no lago de fogo.

Os aniquilacionistas apontam para referências bíblicas sobre o destino dos ímpios como a “segunda morte” para apoiar sua teoria. Ap 20.14  "E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo, esta é a segunda morte".

Eles insistem que os termos "perdição", "destruição", "perecerão" fazem sempre referência à aniquilação do corpo e da alma dos perdidos.   

No entanto há algo em que todos os evangélicos acreditam, tanto os tradicionalistas como os que os que seguem o aniquicionalismo.

Todos acreditam que vai haver uma ressureição final dos justos e dos injustos. Ou seja, todos acreditam no regresso da alma à vida corporal no dia da ressureição final.

Parece que paulo é muito claro sobre isto no texto em baixo

Atos 24:15-16 E tenho em Deus a mesma esperança desses homens: de que haverá ressurreição tanto de justos como de injustos. Por isso procuro sempre conservar minha consciência limpa diante de Deus e dos homens

A diferença é que os do lado dos aniquilacionistas, estes acham que depois da ressureição e do julgamento final, os injustos serão destruído, este é o “castigo eterno” ou “tormento eterno” para eles, pois ensinam a doutrina do tal interregno da alma, quando sai do corpo e, por isso, acham que quando o corpo for destruído no lago de fogo, a pessoa será totalmente aniquilada - corpo e alma.

B. O quê que a Biblia ensina

1. A Biblia ensina que a alma fica consciente depois da morte

A primeira morte que é a física é apenas a separação entre a alma e o corpo, e não a morte da consciência da alma.

No entanto as Escrituras apresentam a morte como separação consciente. Por exemplo Adão e Eva morreram espiritualmente no momento em que pecaram, antes de morrerem físicamente, mas ainda existiram e podiam ouvir a voz de Deus (Gn 3.10).

Antes de sermos salvos, estamos “mortos em transgressões e pecados” Efésisos 2.1, mas estamos consciente e ainda assim trazemos em nós a imagem de Deus Tiago 3:9 "com a língua bendizemos a Deus e amladiçoamos os homens, feito à imagem de Deus".

Apesar do homem ser incapaz de chegar-se a Cristo sem a intervenção de Deus, pois estão “espiritualmente mortos” estão conscientes daquilo que as Escrituras exigem: que eles creiam em Cristo.

At 16.30-31 "O que devo fazer para ser salvo? Crê no Senhor Jesus Cristo e serás alvo tu e a tua casa".

2. O estado de separação de Deus não implica perda de consciência

O estado de separação de Deus não implica perda de consciência, mas sim perda de incapacidade para a pessoa salvar-se a si mesma, sem Deus dar o primeiro passo.

Esta é a visão das Escrituras sobre a pessoa, embora separada de Deus, e tanto a primeira morte, a física, como a segunda morte não mergulhará a pessoa na inexistência, inconsciência, não aniquilará nunca a sua alma que continuará como sempre a estar consciente desde o dia em que o homem foi concebido, apesar de ter sido concebido em pecada, separado de Deus.

3. A destruição ou perdição na segunda morte não implica  aniquilação da alma

Destruição “eterna” não seria aniquilação, que só dura um instante e acaba. Se alguém sofre destruição eterna é porque deve ter uma existência eterna.

Os carros num depósito de ferro velho estão destruídos, mas não aniquilados. Eles simplesmente são irreparáveis ou, irrecuperáveis. As pessoas no inferno também.

4. Não há interregno nenhum, a alma está sempre consciente

Antes de morrer, embora a alma esteja separada de Deus por causa do pecado, e depois do corpo morrer, a alma está sempre consciente até ao dia da ressureição que diz respeito ao "corpo", em que nessa altura a alma volta á vida corporal.

Já falamos disso e vimos a parábola do rico e do Lázaro e o versículo em I Pedro 3:19.

Deve ter sido por essa razão que Jesus sendo aquele que falou mais no inferno, teve o cuidado de contar essa parábola do rico do lázaro que revela que depois das pessoas morrerem e irem para o hades, que está dividido em dois lugares, ficam conscientes, à espera da ressureição e julgamento final.

Os salvos ficam num lugar, no seio de Abraão a serem consolados, e os perdidos ficam separados noutro lugar (o inferno) a serem atormentados.

5. A Bíblia ensina sobre a ressureição dos justos e injustos

A Bíblia ensina que vai haver o dia da ressureição final tanto dos justos e injustos, que todos os evangélicos acreditam, e eu acho que ensina que os ‘injustos’ depois de ressucitados e julgados ficarão a viver no corpo e serão lançados no lago de fogo (que é diferente ao inferno) e aí sofrerão um castigo eterno.

6. A Bíblia ensina sobre um tormento eterno para os perdidos

Esta é que é a 2ª morte – o afastamento de Deus ao serem lançados no lago de fogo.

II Tessalonicenses 1:7-9 É justo da parte de Deus retribuir com tribulação aos que lhes causam tribulação e dar alívio a vocês, que estão sendo atribulados, e a nós também. Isso acontecerá quando o Senhor Jesus for revelado ládos céus, com os seus anjos poderosos, em meio a chamas flamejantes. Ele punirá os que não conhecem a Deus e os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus; Eles sofrerão a pena de destruição eterna, a separação da presença do Senhor e da majestade do seu poder

Apocalipse 20:11-15 e o que não for achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo.

Apocalipse 21:8 a sua parte será no lago de fogo e de enxofre.

Apocalipse 20:10 O Diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo que arde com enxofre, onde já haviam sido lançados a besta e o falso profeta. Eles serão atormentados dia e noite, para todo o sempre

É de notar que a besta e o falso profeta são pessoas como nós, mas assim como o diabo foram lançados no lago de fogo onde serão atormentados dia a noite, para todo o sempre.

Apocalipse 19:20 Estes dois (besta e o falso profeta) foram lançados vivos no ardente lago de fogo e de enxofre.

Os dois foram lançados antes do diabo. Este é lançado mais tarde, mas Apocalipse realça em 20:10, que no momento em que o diabo é lançado no lago de fogo, estavam lá vivos a besta e o falso profeta. O lago de fogo não aniquilou-os, e acrescenta e Eles (a trindade satânica) serão atormentados dia e noite, para todo o sempre.

Aliás Cristo disse que "o fogo eterno foi preparado para o diabo e os seus anjos" Mateus 25:41 o que aconteceu a seguir à queda de Lucífer.

É de notar que no mesmo versículo v 41 o Senhor Jesus diz que "os malditos" irão para esse lugar.

E em Marcos 9:44 diz que "onde seu bicho nunca morre e o fogo nunca se apaga".

E Jesus continua nos v44 e v45 e diz "e, se o teu é te escandalizar, corta-o; melhor é para ti entrares coxo na vida do que, tendo dois pés, seres lançado no inferno, no fogo que nunca se apaga, onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga".
O que importa a pessoa entrar no inferno, com pés ou sem pés, se vai ser aniquilada?

Porque razão Jesus faz esta advertência tão solene, aliás noutro texto ele diz que no inferno "haverá ranger de dentes".

Todo Novo Testamento revela que a alma ao ser lançad no inferno estará consciente do seu tormento e não será aniquilada.

7. Sem pregação do inferno não há pregação do Evangelho

A minha posição é clara. Temos que ficar nas Escrituras Sagradas, mesmo que isto nos tire da zona de conforto mental, seja neste assunto do inferno ou seja em qualquer outro assunto que a nossa mente não compreende e entra em conflito e contradição com a doutrina ensinada.

Por essa razão, em obediência às Escrituras Sagradas, nós temos que pregar que o inferno (lago de fogo) como um lugar de tormento eterno, para todo o sempre.

O perigo é que se eu deixo de acreditar numa doutrina que é fundamental, pois me incomoda e tira-me da zona de conforto mental ou racional, e corro o perigo de amanhã deixar de acreditar noutra doutrina fundamental.

É por isso que há muitas heresias que estão a entrar nas Igrejas. Porque deixamos de ser obedientes às Escrituras, quando não compreendemos alguma coisa com a nossa mente e formamos ideias que nos ajudem a ficar dentro do nosso conforto mental, racional e até científico.

8. O aniquicionalismo está a um passo do Universalismo

Embora eu tenho simpatia pelos crentes verdadeiros que não acreditam que a punição é eterna, porque, apesar disso, eles acreditam num castigo e pregam o inferno como parte do Evangelho, no entanto
como eles não pregam um Inferno completo, também não pregam um Evangelho completo.

Além eles abrim a porta para erros mais graves sobre isto, como por exemplo a doutrina do Universalismo que ensina que todas as pessoas serão salva, pois um  Deus de amor não vai castigar ninguém.

Eu penso que a doutrina do "aniquicionalismo" está a um passo (ou dois) da doutrina do Universalismo.

9.  A doutrina do inferno faz parte do Evangelho.

A doutrina do inferno faz parte do Evangelho. Tem que ser pregada. É neste ponto que não podemos ter simpatia pelos Universalistas, que pregam que Jesus veio morrer por todos, logo todos serão salvos.

Não há Evangelho nesta posição, pois não há más notícias (a perdição, o castigo). As más notícias, e as boas novas, fazem ambas parte da pregação do Evangelho, e por isso devem ser pregadas.

Sem pregação de um inferno eterno, não há pregação das "más notícias".

O Evangelho são "boas notícias", pois é a pregação da morte e ressureição de Cristo, que por causa das "más notícias", veio fazer essa obra, para nos redimir do pecado e salvar do Inferno.

10. E o que pensam os aniquilacionistas do diabo e dos seus anjos

Se a bese desta doutrina são mais razões sentimentais e de querermos ficar na nossa zona de conforto, isto sem querer atacar aqueles que são crentes e procuram na Bíblia uma interpretação menos tradicional sobre o inferno, o que diremos então do daibo e dos seus anjos?

Os homens perdidos, estes não, nunca Deus iria deixá-los serem atromentados para sempre no inferno.

Deus nunca faria isso, a Bíblia deve querer estar a dizer outra coisa.

Mas e o diabo e os seus anjos, não são também criaturas de Deus, que pecaram?

Então temos que seguir o mesmo raciocínio e dizer que eles nunca serão atormentados eternamente no inferno, mas serão também aniquilados?

Aonde iremos colocar os limites? Bem, o problema é que não nos cabe a nós estabelecer limites ou doutrinas, mas simplesmente crer naquilo que a Bíblia ensina, custe o que custar aos nossos raciocinios e sentimentos.


V. O Aniquiciolanismo e a imortalidade da alma

A. A imortalidade da alma

Segundo o cristianismo a alma humana é imortal. Não pode ser destruída. Alguns bíblicos muito sinceros acreditam na "aniquilacionismo" - a aniquilação da alma. Ou seja, para eles a perdição eterna refere-se à destruição da alma.

A alma depois de julgada no juízo final e condenada segundo os pecados das pessoas, é lançada no lago de fogo, onde é aniquilada para sempre.

"Dizem que é a segunda morte que a Bíblia fala".

Estes eruditos da Bíblia tem dificuldade em aceitar um tormento eterno. As almas salvas, depois do julgamento, receberão uma recompensa eterna, as almas perdidas serão aniquiladas.

Este ponto de vista apresenta duas grandes dificuldades:

B. A imortalidade da alma causa dificuldades ao Aniquicionalismo 


1. A primeira dificuldade é que anulam o facto da Bíblia falar de uma alma/espírito criada à semelhança de Deus. Logo possui imortalidade como Deus. A alma não pode nunca deixar de existir.

2. A segunda dificuldade é haver muitos textos bíblicos que falam de um tormento eterno para os perdidos. Aliás, a Bíblia fala do tormento eterno do diabo e dos que vão ser lançados no inferno com o diabo. Mateus 25, Apocalipse 20,21

A segunda morte que a Bíblia fala refere-se claramente à separação eterna da alma com Deus, o que aliás é o estado em que a alma pecadora já vive neste mundo, pois o homem nasce espiritualmente morto - separado de Deus. Romanos 3:23.

O homem já esta morto em vida, espiritualmente falando. A seguir, como consequência desta morte espiritual ele morre fisicamente. Deus disse a Adão: certamente morrerás. Este estado de morte espiritual seguido da morte física é a primeira morte. A segunda morte é a morte no além. Depois da alma ser condenada e ficar eternamente separada de Deus.

"A morte é segundo a Bíblia um estado de alma em relação a Deus, e não uma aniquilação total um deixar de existir!"

Quem tem uma compreensão geral das escrituras sagradas concorda plenamente com este ponto de vista.


V I. Conclusão do tema

A. Duas alusões terríveis sobre o inferno no final da Bíblia

No final da Bíblia, no livro de Apocalipse encontramos duas alusões terríveis sobre o Inferno.

Apocalipse 20:15 "E, se alguém não foi achado inscrito no livro da vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo".

Apocalipse 21:8 Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte.

Não podia ser mais claro!

B. O que faria o Juiz se o seu filho fosse culpado

E com isto chegamos a uma pergunta:

Se aquele juiz tiver o seu próprio filho como arguido à sua frente, acusado de cometer um crime, o que fará ele? Absolverá ou condenará o filho justamente de acordo com a lei?

Nós todos conhecemos a resposta: condenará!

O que poderia então fazer este juiz para salvar o seu próprio filho?

Só estou a ver uma saída. Ou ele estaria disposto a pagar um preço qualquer para salvar o seu filho, ou, em último caso, se lhe dessem a escolher, ele estaria disposto a ser condenado no lugar do seu filho!?

C. Foi isto que o Soberano Juiz do universo fez

Foi isto que Deus fez. Ele nos amou tanto que enviou Jesus, o Seu filho único, justo, inocente, santo, para tomar o nosso lugar de arguido, de pecador, de condenado.

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Unigénito, para que todo aquele que Nele creia não pereça (no inferno) mas tenha a Vida Eterna. S.João 3:16

O texto profético em baixo revela o que Jesus veio fazer para nos salvar. Este texto foi profetizado por Isaías 2 mil anos antes da vinda de Jesus ao mundo.

Isaias 53

v1 Quem deu crédito à nossa pregação?

v4 Verdadeiramente ele (está a falar de Jesus) tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido.

v5 Mas ele (Jesus) foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.

v6 Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o SENHOR fez cair sobre ele (Jesus) a iniqüidade de nós todos.                                                                       


V I I. Desafio para entrega da vida a Jesus Cristo

A. Temos que pregar o Evangelho completo

Há dias saimos para evangelizar, 3 jovens da Igreja, mais os meus filhos Ricardo e André e eu. De volta para a Igreja, entregamos um folheto a um homem que começou a reagir assumindo-se ateu.

Eu fui ao pé do homem e falei por 1 ou 2 minutos, com ele sempre a reagir, o Ricardo veio por mais 1 ou 2 minutos, depois foi a vez do André, o homem reagia sempre, os outros 3 jovens encostados ao muro assistiam curiosos ao nosso debate.

Voltei outra vez, o Ricardo e o André também, mais outra dose, mas ele não cedia nem um milímetro. Tinha resposta para tudo. Entretanto, é engraçado mas aquilo foi criando uma certa ligação entre nós e o homem.

Depois de fazermos mais uma tentativa, eu decidi fazer a minha última investida, mas disse para mim mesmo “agora vou bater mesmo na mucha”. Todas as vezes que falamos, ele não se calava. Mas quando coloquei a minha mão no ombro e disse-lhe:

Oiça, só uma última coisa:- “Voçê está cego pelo diabo”.

Ele não reagiu, e eu continuei: - “e se morrer hoje vai para o inferno”, ele continuou calado; o Evangelho proclamado pode calar e até criar FÉ no pior ateísta do mundo!?

Conclui:- “Mas Deus o ama, por isso enviou Jesus para morrer pelos seus pecados, não quer orar e pedir perdão pelos seus pecados, arrepender-se de tudo, e ir para o céu”.

Ele, começou a rir devagar, a balançar a cabeça, já não reagia como dantes. O Evangelho completo foi-lhe pregado:-

Ainda quis chamar os outros para colocarmos as mãos no homem e orar para a sua libertação, mas não houve tempo, ele foi embora.

O Evangelho completo foi pregado àquele homem, incluindo o inferno.

O Diabo! O pecado! O amor de Deus! Jesus morto na cruz por ele! A confissão dos pecados! O arrependimento! O céu! E O INFERNO!.

B. Desafio Final aos crentes e aos descrentes

1. Desafio aos crentes:

Será que temos medo e vergonha de pregar todo o conselho de Deus?

Romanos 1:16 "Porque não me envergonho do Evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê".

Pense bem! Quando foi que falou de Jesus a alguém, falou-lhe de tudo, incluindo o inferno?


Lembra-se quando foi e quem era a pessoa?


2. Desafio aos descrentes:

Se um descrente leu este post e aceitou este desafio final, poderá fazer a seguinte oração:

Meu Deus, eu reconheço que estou cego pelo diabo. Agora eu sei que sou um pecador e que se morrer hoje vou para o Inferno. Mas ao ler este post fiquei a compreender que Tu me amas. E foi por minha causa também que enviaste o Teu Filho Jesus para morrer na cruz e derramar o Seu sangue para me lavar de todos os meus pecados. Neste momento, eu arrependo-me e te peço perdão por todos os meus pecados, liberta-me; perdoa-me, entra na minha vida e dá-me a Vida Eterna.

Em nome do teu Filho Jesus, eu te peço tudo isto

Amém


V I I I. Anexo - James I. Packer acerca do annihilationism

Deixo em baixo para quem pode ler em inglês, a conclusão do James Packer, depois de ter mostrado que não acredita no annihilationism. Ele é muito equilibrado.

Both men (falando de John Stott e um outro) adopted annihilationism, in which they may be wrong, but they embraced it for the right reason — not because it fitted into their comfort zone, though it did, but because they thought they found it in the Bible.

Whatever our view on the question, we too must be guided by Scripture, and nothing else.

Packer , termina o seu estudo sobre Annihilationism desta forma:

It is distasteful to argue in print against honored fellow-evangelicals, some of whom are good friends and others of whom (I mention Atkinson, Wenham, and Hughes particularly) are now with Christ, so I stop right here.

My purpose was only to review the debate and assess the strength of the arguments used, and that I have done. I am not sure that I agree with Peter Toon that “discussion as to whether hell means everlasting punishment or annihilation after judgment . . . is both a waste of time and an attempt to know what we cannot know,”36 but I am sure he is right to say that hell “is part of the whole gospel” and that “to warn people to avoid hell means that hell is a reality.”37 All who settle for warning people to avoid hell can walk in fellowship in their ministry, and legitimately claim to be evangelicals. When John Stott urges that “the ultimate annihilation of the wicked should at least be accepted as a legitimate, biblically founded alternative to their eternal conscious torment,”38 he asks too much, for the biblical foundations of this view prove on inspection, as we have seen, to be inadequate. But it would be wrong for differences of opinion on this matter to lead to breaches of fellowship, though it would be a very happy thing for the Christian world if the differences could be resolved.

Fim

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